"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 1 de abril de 2011

Matthiola sinuata (L.) R.Br.

Matthiola sinuata ou Cheiranthus sinuatus

Para o post de hoje trago uma verdadeira preciosidade. A espécie em questão tem o nome botânico de Matthiola sinuata ou Cheiranthus sinuatus e não lhe conheço denominação popular.

Trata-se de uma planta rara, que tem vindo a escassear em muitos locais do litoral europeu, principalmente devido à destruição dos seus habitats. É exatamente o que se passa no que diz respeito às costas marítimas da Praia da Areia Branca pois encontrei apenas 2 exemplares desta espécie, ambos situados na orla do caminho que conduz às dunas. Sem querer ser pessimista antevejo poucas hipóteses de aumento do número de indivíduos uma vez que este caminho é frequentemente utilizado por jipes e condutores de motoquatro que se passeiam livre e impunemente e a alta velocidade pelas dunas, por caminhos ou fora deles, destruindo umas espécies e mutilando outras.

Esta é uma planta da família botânica das Brassicaceae (anteriormente denominada Cruciferae), a qual é composta por 350 géneros e 3200 espécies. Algumas plantas desta família são de grande importância para a alimentação humana, cultivadas praticamente no mundo inteiro. Entre elas destaca-se o género Brassica, nativa da Europa, que compreende o repolho, a couve, o nabo e a mostarda.
A Matthiola sinuata pertence ao género Matthiola o qual inclui aproximadamente 50 espécies quase todas nativas da Eurásia, algumas silvestres, outras cultivadas como ornamentais, mas todas com flores muito aromáticas.

A Matthiola sinuata é uma planta herbácea e de aspeto delicado, podendo ser perene ou bienal. Vive na parte mais recuada das praias, em areias móveis e também em arribas rochosas, nas dunas atlânticas e mediterrânicas. As colónias são muito localizadas e o número de indivíduos tem vindo a decrescer. Esta planta é nativa do norte de África e do sul e sudoeste europeu.

As folhas, dispostas em roseta, são numerosas. Para sobreviver no meio adverso das dunas certas plantas sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas ao nível foliar. No caso desta espécie, as folhas estão cobertas por um indumento de pelos esbranquiçados que ajudam a refletir a luz o que dá à planta um aspeto aveludado e um tom cinzento- azulado.
Quanto à forma, as folhas são lanceoladas e profundamente recortadas.
Os caules são lenhosos na base, eretos e podem atingir os 60 cm embora os exemplares da Areia Branca não ultrapassem os 20 cm de altura.
A planta possui flores funcionais com ambos os sexos. São de cor lilás e dispõem-se num cacho simples. Cada flor tem quatro pétalas sem estilete formando uma cruz, unidas num tubo longo onde os insetos podem entrar, ajudando à polinização. São odoríferas ao anoitecer e florescem de maio a julho.

Os frutos são siliquas, ou seja, sao frutos secos, longos e estreitos do tipo vagem . As sementes são ovais e são disseminadas pelo vento.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/


(exceto quando especificado).

Fotos - Praia da Areia Branca/Areal Sul-Lourinhã

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