"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 14 de abril de 2015

Veronica persica Poir.

Nome comum:
Verónica-da-pérsia
Veronica persica é uma pequena herbácea originária do sudoeste asiático, presumivelmente da região da antiga Pérsia, de onde derivou o seu nome específico. Foi introduzida na Europa nos finais do seculo XVIII ou início do seculo XIX, como planta de jardim. Através do vento ou por movimentação de terras acabou por escapar para os campos onde se assilvestrou, encontrando-se nesta altura confortavelmente naturalizada em muitas regiões de clima temperado de todo o globo.
A primeira autoridade cientifica a descrever e classificar esta espécie foi o botânico e explorador francês Jean Louis Marie Poiret (1755-1834). A publicação foi feita em 1808 na Encyclopédie Methodique, Botanique, suplemento, pagina 542 e da qual constam os detalhes morfológicos da espécie, assim como a seguinte informação:
“Esta planta cresce na Pérsia. É cultivada no Jardin des Plantes de Paris.” 

Book contributed by Missouri Botanical Garden -  Peter H. Raven Library
Para consultar este livro do qual consta a primeira publicação de Veronica persica (página 542), clique AQUI.
Mapa da distribuição de Veronica persica em Portugal continental.
Esta espécie também está presente nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira
Fonte: Jardim Botanico da UTAD
Veronica persica é uma planta infestante, embora frágil e não muito agressiva. Cresce em campos de cultivo ou incultos, beira dos caminhos, jardins, áreas arrelvadas e todo o tipo de áreas perturbadas. É uma planta ruderal, característica de zonas antropizadas cujos solos apresentam concentrações elevadas de nitratos em consequência dos excessos de adubação.
Veronica persica é uma erva anual, herbácea que gera vários caules, por vezes bastante ramificados desde a base, formando um espesso emaranhado nas plantas mais desenvolvidas. 
Os caules podem ir dos 10 aos 40 cm de comprimento e são prostrados embora se tornem eretos na parte terminal, onde surgem as flores. 

Ocasionalmente podem enraizar nos nós que estejam em contacto com o solo.

Os caules estão cobertos de pelos tectores simples e compridos os quais não produzem nenhum tipo de secreção mas que neste caso se supõe que auxiliem na diminuição da incidência luminosa, minimizando a transpiração e na defesa contra insetos fitófagos.

Pelos do mesmo tipo apresentam-se dispersos em ambas as páginas das folhas. Estas tem pecíolos curtos e são inteiras, com as margens grosseiramente  dentadas. O limbo é arredondado ou oval, o ápice é obtuso e a base é simples, em forma de coração.

As folhas da parte inferior inserem-se nos caules de forma oposta e as da extremidade superior são alternas.
As flores surgem solitárias na parte superior dos caules, nascendo na axila das folhas e apresentando pedicelos bastante mais compridos que as folhas axilantes correspondentes, sendo curvados na parte terminal.
A corola, com apenas 6 a 12 mm de diâmetro, é formada por 4 pétalas dispostas em forma de taça, unidas na base e com a extremidade arredondada.
As pétalas são de cor azul claro, com o centro branco e apresentam estrias mais escuras as quais geralmente tem a finalidade de guiar os insetos polinizadores para o centro, onde estão posicionados as bolsas de néctar e os órgãos reprodutores.
Uma das pétalas é mais estreita que as restantes e também apresenta uma tonalidade mais clara.
O cálice é formado por 2 pares de sépalas divergentes, de cor verde, ovado-lanceolados, soldadas na base e mais curtas que a corola e também providas de pelos nas margens e no veio central.
As flores são hermafroditas ou melhor dizendo, são perfeitas, pois possuem órgãos reprodutores masculinos e femininos funcionais. Os dois únicos estames apresentam anteras gordas e vistosas; o ovário, com dois carpelos unidos, tem um único estilo, o qual é bastante longo e persistente na frutificação, bem visível pois ultrapassa as paredes do fruto. A polinização é feita por insetos, no entanto, como acontece com as outras espécies ruderais, Veronica persica também recorre à autopolinização como medida preventiva, em virtude de ter ciclos de vida rápidos e tamanho diminuto. Além disso as flores são sensíveis à intensidade da luz, fechando durante a noite e em dias nublados, o que diminui ainda mais o tempo de exposição aos insetos.
Em condições favoráveis Veronica persica floresce durante a maior parte do ano; de forma mais ou menos exuberante, dependendo do clima e das condições atmosféricas locais, podem sempre encontrar-se algumas plantas desta espécie. A floração é mais intensa quando a primavera se faz anunciar mas podemos dizer que é uma daquelas ervas persistentes que só interrompem a floração com temperaturas muito baixas retomando a sua atividade logo que o inverno se torna mais suave. Contudo, tendem a secar no verão quando a intensidade do sol e a escassez de água assim o determinam.
Cada flor dá origem a um fruto seco coberto de pelos glandulares e que deixa sair as sementes pela parte superior; é composto por dois carpelos cujas paredes estão unidas, formando uma capsula achatada, larga e baixa, com  dois lóculos, contendo 5 a 20 sementes de cor amarelada, rugosas e que medem cerca de 1 a 2 milimetros.
Veronica persica é semelhante a muitas espécies do mesmo género pelo que pode facilmente ser confundida com elas. Uma das formas de identificar esta espécie reside no seu fruto característico o qual, embora tenha a habitual forma de coração, crescendo aninhado entre as sépalas do cálice, se diferencia das outras espécies por ter os dois lóculos e as sépalas marcadamente divergentes.

Para comparar os frutos de varias espécies do género Veronica clique AQUI.
A média de sementes geradas por cada planta de Veronica persica é de 6500 as quais caem no chão perto da planta-mãe e estão logo prontas para germinar, se as condições o permitirem. Uma minoria de sementes é levada pelas aves ou pelo vento, por vezes ainda agarradas à planta original, já seca. As sementes permanecem viáveis durante 30 anos ou mais. Assim, havendo movimentação de terras que as soterrem por longo tempo, nada está perdido para ela; basta-lhe aguardar pacientemente o dia em que verá de novo a luz do sol para então rapidamente germinar.

Em fitoterapia usam-se as partes aéreas desta planta a qual parece ter propriedades estimulantes, expetorantes, digestivas, sudoríferas e antirreumáticas.
Aliás, Veronica persica pertence ao género Veronica cujas espécies são caracterizadas pela presença de importantes metabólitos secundários denominados glucoseideos bis-sesquiterpenos e iridoides. 
Muitos destes produtos naturais são de grande interesse devido à sua atividade farmacológica, nomeadamente os iridoides. Estes representam um largo grupo de monoterpenos que ocorrem na natureza de forma amplamente disseminada principalmente em certas famílias, nomeadamente nas Plantaginaceae, família em que se inclui o género Veronica. Estudos recentes e extensivos revelaram que os iridoides demonstram uma vasta gama de bioactividades com efeitos neuroprotetores, antinflamatorios, hepaprotetores, cardioprotetores e imunomoduladores. Tambem foram relatadas propriedades citostáticas, antioxidantes, antimicrobianas, hipoglicemiantes, hipolipemiantes, coleréticas, antiespasmódicas e purgativas, destacando-se as bioactividades antibacterianas, anticoagulantes, antifúngicas e antiprotozoárias. Os glicosídeos iridóides mais espalhados no género Veronica são aucubina e catalpol.
Estes metabólitos secundários e outros, são também extremamente importantes na quimiotaxonomia, ajudando os cientistas na sua complicada tarefa de fazer a revisão da classificação científica das plantas. Complementando os dados morfológicos disponíveis, contribuem para melhor inventariar e descrever a biodiversidade e para melhor compreender as relações filogenéticas entre os organismos.
Tradicionalmente o género Veronica compreendia entre 250 a 300 espécies distribuídas fundamentalmente pelas zonas temperadas do hemisfério norte, principalmente Europa e Ásia. Contudo, estudos recentes apoiados em dados moleculares determinaram alterações que ampliaram o número de espécies para 450, passando a incluir também algumas espécies do hemisfério sul.
Segundo o portal Flora-on estão presentes em Portugal 20 espécies deste género. Confira AQUI.
Na generalidade, as espécies do género Veronica são nativas de uma grande diversidade de habitats: prados húmidos ou secos, pastos, encostas rochosas e regiões arborizadas, desde o nível do mar até às regiões de clima alpino nos Himalaias, a 5000 m de altitude. Incluem espécies anuais ou perenes, muitas delas apropriadas para jardins, podendo ser usadas numa multiplicidade de situações, dependendo do gosto e da imaginação. Existem espécies rasteiras que são perfeitas para cobertura de solo e jardins de rocha, como é o caso da V. persica e espécies mais altas e sofisticadas que são adequadas para sebes ou como exemplares isolados. As flores podem ser brancas, rosa ou azuis, com estames de vistosas anteras. Muitos cultivam-nas não apenas pela sua beleza mas também porque atraiem muitos insetos, sendo alimento para as larvas de vários tipos de borboletas.
Seguem-se dois exemplos, entre as muitas espécies do género Veronica que são cultivadas, manipuladas e hibridizadas, sendo posteriormente comercializadas com fins ornamentais:
Veronica spicata 'Rosea'
Autor: 
Ghislain118 (AD)
Fonte Wikimedia Commons

"Veronica austriaca". Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons
Veronica é um género muito grande e complexo estando a ser sujeito a diferentes estudos sistemáticos e filogenéticos com consequentes alterações na taxonomia que nem sempre são consensuais. É o caso de algumas espécies do género Hebe que foram mudadas para o género Veronica, situação que ainda não foi aceite por uma parte da comunidade cientifica.
O género Veronica, inicialmente incluído na família Scrophulariaceae foi recentemente transferido para a família Plantaginaceae (APG 2003) , família em que também se inserem as espécies do género Plantago. 



Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã exceto quando especificado

quinta-feira, 26 de março de 2015

Senecio vulgaris L.

Nomes comuns:
Cardo-morto; tasna; tasneirinha

Senecio vulgaris
Senecio vulgaris pertence às Asteraceae (vulgarmente conhecidas como família dos malmequeres) e ao género Senecio, um dos maiores géneros desta família. Na realidade Senecio é um mega género, um dos maiores entre as Angiospermas (grupo de plantas que geram flor/fruto) e no qual foram incluídas espécies morfologicamente tão diversificadas que o tornaram bastante confuso. Aparentemente, ao longo dos séculos, foram sendo “despejadas” neste género espécies difíceis de classificar, do que resultou um grupo geneticamente artificial por ser polifilético, ou seja, não inclui o ancestral comum de todos os indivíduos nele incluídos.
Espécie ornamental Senecio Rowleyanus
Fonte - Wikipedia
As primeiras classificações científicas basearam-se apenas nas semelhanças morfológicas mas os novos métodos de biologia molecular permitem ter uma visão mais abrangente e consistente com o princípio da ascendência comum. O objetivo atual é classificar as espécies de modo a formar grupos monofiléticos, os quais devem incluir todos as espécies do ascendente imediato comum, incluindo o próprio ascendente imediato comum. 
Assim, na tentativa de reorganizar o género Senecio de forma sustentada, foram feitas análises filogenéticas e moleculares na sequência das quais muitas espécies tradicionalmente incluídas no género Senecio foram reclassificadas, sendo dele excluídas e atribuídas a outros géneros, nomeadamente Jacobaea, Delairea, Kleinia, Packera e mais 3 dezenas de géneros de nomes obscuros. 
Espécie ornamental Senecio elegans 
Fonte - Wikipedia
Apesar disso, o processo está longe de estar terminado e Senecio ainda inclui cerca de 1250 espécies muito diversificadas, incluindo anuais, perenes herbáceas, arbustos, trepadeiras, suculentas, pequenas árvores e até espécies aquáticas. A sua distribuição é muito ampla mas ocorrem principalmente na região mediterrânica, Africa do Sul, Ásia temperada e continente americano. Muitas destas espécies são problemáticas por terem comportamento invasivo difícil de controlar fora dos seus habitats nativos; outras são tóxicas, tanto para animais como para humanos, pois produzem alcalóides pirrolizidínicos cujo efeito cumulativo provoca doenças do fígado que podem ser fatais. Em contrapartida, Senecio também inclui espécies inofensivas e de grande valor no florescente comércio das plantas ornamentais.
Fruto de Senecio gallicus - Flores do Areal
Tal como todos os nomes científicos, Senecio tem origem no latim, mais propriamente no vocábulo “senex” que significa homem velho ou idoso, embora como alguém dizia, o género não seja curvado, frágil, nem venha a adquirir natureza sábia com a idade. Corre mundo que esta referência à velhice tem a ver com os frutos que, depois de maduros (mas antes de abandonarem a planta), formam um tufo de pelos brancos que fazem lembrar a barba branca de um homem idoso. 
Futo de Reichardia Gaditana - Flores do Areal
Pessoalmente não vejo grande lógica neste argumento uma vez que muitos outros géneros da família Asteraceae apresentam frutos semelhantes. Contudo, tendo  o vocábulo “senex” sido relacionado com este género há quase 2000 anos pelo naturalista romano Plinio,  pode assumir-se que, a existir qualquer outra razão mais fundamentada, a mesma ter-se-á perdido na escuridão dos tempos. 

Segundo a Sociedade Portuguesa de Botânica, através do portal Flora-on, são 17 as espécies do género Senecio que ocorrem em Portugal. Algumas são nativas e outras são exóticas (geralmente escapadas dos jardins e assilvestradas). Também se registam algumas espécies endémicas. Veja AQUI e depois, se desejar obter informações mais detalhadas sobre cada espécie, basta clicar em cima das fotos.  
Distribuição de Senecio vulgaris em Portugal continental - Fonte Flora-on
Informações disponibilizadas por:
 F.Clamote, P.V.Araújo, J.Lourenço,J.D.Almeida, A.Carapeto, A.J.Pereira, A.Silva, et al.(2015)
Senecio vulgaris, tal como o nome indica, é uma espécie comum e de ampla distribuição. Embora nativa do norte de África, Ásia temperada e tropical e maioria dos países europeus desde a Península Ibérica e bacia do mediterrâneo até à Rússia, hoje em dia está presente em todos os continentes. Em Portugal é autóctone no continente e Madeira e está naturalizada nos Açores.
Senecio vulgaris adapta-se a uma grande variedade de habitats mas ocorre principalmente em ambientes ruderais, migrando ocasionalmente para campos cultivados. É uma conhecida infestante cuja ação é muitas vezes inconsequente nos habitats nativos mas que pode provocar estragos consideraveis nos paises onde foi introduzida. Ainda assim, é uma espécie estabilizadora dos ecossistemas ao providenciar abrigo e alimento a uma grande variedade de espécies de escaravelhos, moscas, traças e borboletas.
Sendo considerada uma planta toxica para certos mamiferos e humanos (devido à presença de alcalóides pirrolizidínicos em todas as partes da planta, mas especialmente nas flores e folhas) podemos constatar, face às informações contraditórias, que os malefícios que possam advir da sua ingestão têm a ver com a quantidade consumida, tanto mais que os efeitos são cumulativos. Contudo alguns animais parecem imunes a estes alcaloides. As sementes são muito apreciadas por pequenas aves (ex tentilhões), os quais também se alimentam das folhas. Também as cabras e os coelhos incluem as folhas de Senecio vulgaris na sua dieta, ao contrário de ovelhas, vacas e cavalos que a evitam.

Senecio vulgaris tem um longo historial como planta medicinal. Esta erva foi, no passado, muito utilizada pelas suas propriedades antihelminticas, antiescorbúticas, diafureticas, diuréticas e purgativas mas, face ao conhecimento de casos fatais envolvendo animais e pessoas, a planta foi desaconselhada, acabando por cair em desuso, quer na medicina caseira quer no pasto.

Senecio vulgaris é uma planta herbácea de raízes finas e abundantes, cujo caule ereto pode crescer até cerca de 40 cm de altura, embora na maioria dos casos não ultrapasse os 20 cm. 
Os vários caules surgem a partir de uma roseta basal e são ocos, simples e ramificados de forma irregular, especialmente na parte superior onde se formam as inflorescências. Os caules, as folhas e uma grande parte dos pedúnculos das flores ora estão cobertos de pelos esbranquiçados, muito finos, macios e flexíveis, semelhantes a teias de aranha, ora são glabros.
As folhas, de consistência carnuda, dispõem-se de forma alternada e são mais ou menos profundamente recortadas; as folhas inferiores são espatuladas isto é, são achatadas e oblongas, mais estreitas na base e alargando progressivamente em direção ao ápice que é arredondado; as folhas superiores são mais profundamente recortadas embora de forma irregular; o pecíolo é inexistente e a base das folhas é alargada e envolve parcialmente o caule (amplexicaule).
As flores são minúsculas, todas em forma de tubo e de cor amarela; agrupam-se em capítulos, característica marcante da família das Asteraceae, a que pertence esta espécie. Os capítulos não são solitários, isto é, juntam-se a outros, formando corimbos terminais mais ou menos densos, geralmente originados no mesmo pedúnculo. Os pedúnculos são pouco firmes, do que resulta que os capítulos se apresentem pendentes.
O capítulo de Senecio vulgaris caracteriza-se por apresentar muitas flores tubulares e de tamanho reduzido, agrupadas de forma muito compacta diretamente sobre um recetáculo em forma de disco, dando a ideia de que se trata de uma única flor. 
Em muitas espécies da família Asteraceae as flores periféricas deste disco prolongam-se para o lado de fora formando lígulas, semelhantes a pétalas, como no caso dos malmequeres, mas tal não acontece no caso de Senecio vulgaris, cujas flores são todas tubulares. 
As flores estão em plena floração, notando-se os braços estigmáticos.
Nesta foto notam-se bem os dois tipos de brácteas.
O conjunto de flores reunidas em cada capítulo é, em Senecio vulgaris, protegida por um invólucro de formato cilíndrico formado por duas camadas de brácteas. As brácteas da camada basal formam uma espécie de epicálice, são algo triangulares e bastante mais curtas que as da camada interior; são as brácteas da camada interior que constituem a maior parte do invólucro, sendo mais compridas e estreitas, envolvendo todas as flores até à maturação do fruto e dando a ideia de que as "flores" nunca abrem, mesmo quando estão em plena floração. Estas brácteas involucrais possuem a ponta manchada de negro de forma característica da espécie e no seu conjunto assemelham-se a garras ou dentes. As manchas da camada inferior são as mais visíveis.

As flores possuem órgãos reprodutores funcionais, tanto femininos como masculinos mas de tão apertadinhas não se distinguem os estames à vista desarmada. No entanto os braços do estigma são perfeitamente visíveis. Além de poder ser polinizada por insetos esta espécie também recorre à autopolinização razão pela qual prescinde das “pétalas” que apenas servem de chamariz mas que envolvem grande gasto de energia.
Esta planta é muito prolífera, florescendo praticamente durante o ano inteiro. Geralmente o seu ciclo de vida leva apenas 5 a 6 semanas a completar e geralmente formam-se 3 gerações em cada ano, cada planta produzindo cerca de 1700 sementes.
Cada pequena flor aninhada dentro dos capítulos produz um fruto seco com uma só semente, de cor acastanhada, oblonga e provida de um tufo de pelos brancos numa das extremidades, chamado pappus ou papilho. Estes tufos são constituídos por pelos sedosos e compridos que por ação do vento levam as sementes para longe - por vezes a 2 a 3 metros de distancia- quais pequenos para-quedas de brinquedo. 
As sementes permanecem apertadinhas dentro do invólucro até à sua completa maturação. Nessa altura, o invólucro abre-se completamente, curvando-se as brácteas bruscamente para baixo. Ao mesmo tempo, as sementes ainda ligadas ao recetáculo deixam de estar comprimidos e abrem como um harmónio, formando uma espécie de pom-pom de cor branca, formado pelos pappus ou papilhos.

Apesar do aspeto humilde que lhe é conferido pelo seu pequeno tamanho e pelas flores pouco chamativas, Senecio vulgaris é uma espécie suficientemente interessante para suscitar alguma controvérsia e diversos estudos e teorias têm sido apresentados por botânicos que questionam as suas origens, o seu grau de toxicidade, resistência ao fungo Puccinia lagenophorae e a certos tipos de herbicidas. Também as estratégias de adaptação de Senecio vulgaris a diferentes tipos de habitats têm motivado estudos sobre os processos evolutivos e adaptativos das plantas em geral, face aos recursos ambientais.

Senecio vulgaris é basicamente uma planta ruderal. Pode ser encontrada em terrenos cultivados ou incultos mas é principalmente dos habitats humanizados que ela gosta mais. Ocorre preferencialmente na beira dos caminhos, cascalheiras, locais de despejo de restos de materiais de construção e outros lixos, brechas no alcatrão ou nas pedras dos passeios, enfim, todos os locais de solo remexido ou perturbado devido à remoção da camada superficial e que se tornaram repentinamente mais ricos em azoto e outros nutrientes. Estes distúrbios podem acontecer pela ação humana ou devido a catástrofes (inundações, derrocadas). As perturbações do habitat também podem advir da destruição de plantas maduras de uma comunidade instalada num local fértil (incêndio, pastoreio demasiado intensivo, passagem de maquinas agrícolas, herbicidas). Neste caso toda a biomassa destruída que fica no local aumenta o nível de nutrientes disponíveis no solo, ao mesmo tempo que o menor número de plantas diminui a competição. Estes locais geralmente apelidados de “perturbados” apresentam um alto índice de distúrbio mas em contrapartida têm uma baixa intensidade de stress (neste sentido, stress refere-se a uma combinação de variáveis ambientais que retardam o crescimento: falta de nutrientes disponíveis, alta ou baixa temperatura, baixa disponibilidade de água).
Resumindo, espécies que, tal como a Senecio vulgaris, prosperam em ambientes com alto índice de perturbação mas com baixa intensidade de stress, são chamadas ruderais. São geralmente plantas anuais cuja estratégia é crescer depressa e concluir rapidamente os seus ciclos de vida, produzindo grande quantidade de sementes. São as primeiras a florir e as primeiras a deitar semente e geralmente morrem logo após a maturação dos frutos. Há quem lhes chame oportunistas mas eu diria que têm sentido de oportunidade e instinto de sobrevivência da espécie. Esta estratégia foi adotada em função das condições de perturbação em que vivem, isto é, têm que se despachar a produzir sementes para perpetuar a espécie, não vá acontecer nova degradação no local que ponha em risco a vida da planta antes de poder produzir frutos. Neste aspeto, as plantas ruderais diferem de forma consistente de outras plantas que adotaram diferentes estratégias de vida.

Ruderais, Competidoras e Tolerantes ao stress:
Parece não haver duvida que existe uma estreita ligação entre a taxa de crescimento de cada espécie e a sua ocorrência num determinado habitat. Esta é a ideia essencial das teorias desenvolvidas por alguns botânicos, entre eles J. P. Grime proeminente professor da Universidade de Sheffield no Reino Unido e autor de Universal adaptive strategy theory. De acordo com a UAST as estratégias das plantas são moldadas pelas possíveis combinações de dois fatores que fazem parte da vida das plantas: stress e perturbação. Já acima vimos como as Ruderais criaram estratégias que lhes permitem escolher habitats com alto grau de perturbação e baixo nível de stress, os quais são pouco competitivos em termos de espaço (no início dos distúrbios) garantindo a formação de comunidades florísticas variadas e abundantes. Se (ou quando) terminarem os fatores de perturbação num determinado local, ao mesmo tempo que se for dando o gradual decréscimo em perturbação, aumentam os níveis de stress e há-de chegar o dia em que as ruderais terão de procurar novo lugar para viver. É então que chegam as Stress-tolerators (Tolerantes ao stress) cuja estratégia lhes permite um lugarzinho em habitats com alto grau de stress e baixo nível de perturbação. São geralmente perenes com taxas de crescimento lento, folhas perenes, altas taxas de retenção de nutrientes e baixa plasticidade fisiológica. Muitas dessas espécies são freqüentemente encontradas em ambientes muito frios ou aridos, sombra profunda, solos deficientes em nutrientes e níveis extremos de pH.
Numa terceira categoria, as Competitors (Competidoras) são espécies de plantas que se desenvolvem em áreas de baixa intensidade tanto de stress como de perturbação. Destacam-se pela competição biológica pois dado que estes são os ambientes mais favoráveis para o desenvolvimento, os nutrientes sofrem grande solicitação. Estas plantas conseguem suplantar as outras rentabilizando os recursos disponíveis da forma mais eficiente, através de uma combinação de características favoráveis, incluindo a taxa de crescimento rápido, de alta produtividade (crescimento em altura, extensão, e massa de raízes), e alta capacidade de plasticidade fenotípica. Esta última característica permite que as competidoras sejam altamente flexíveis no aspeto morfológico ao mesmo tempo que ajustam a distribuição dos recursos ao longo das várias partes da planta conforme necessário, ao longo da estação de crescimento.

Estes são apenas os vértices de um triângulo, entre os quais existem muitas combinações possíveis.

Leia mais AQUI e AQUI.

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã exceto quando mencionado

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Calluna vulgaris (L.) Hull

Nomes comuns:
Urze; Urze-roxa; Torga; Torga-ordinária; Queiró;
Queiró-das-ilhas; Queiroga; Leiva; Mongariça; Rapa

“…urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas…”
                                                                          Miguel Torga 
                                                          (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha)

Calluna vulgaris é o nome botânico da espécie que muitos consideram a urze por excelência, tendo em conta as suas particularidades. O nome específico vulgaris, indica que é bastante mais frequente e amplamente distribuída do que outras espécies com ela aparentadas, nomeadamente as do género Erica. Pertence ao género Calluna - família Ericaceae - do qual é a única representante, não havendo mais nenhuma espécie neste género. Foi originalmente descrita por Linnaeus (1753), como fazendo parte do género Erica, com o nome Erica vulgaris L. Contudo, a constatação de caraterísticas únicas e distintas levou à sua inclusão num género monoespecífico, por Hull, em 1808. 
Folhas de Calluna vulgaris , estreitamente imbricadas
Calluna diferencia-se das espécies do género Erica, com as quais é muitas vezes confundida, principalmente pelas suas folhas que são muito pequenas, decussadas (cada par cruza–se com o par seguinte, formando um X) e que se dispõem umas sobre as outras de forma densamente imbricada. 
Folhas de Erica scoparia, mais compridas do que em Calluna vulgaris
Por seu lado as folhas de Erica são mais compridas – variando entre mais estreitas ou mais largas, dependendo da espécie - e dispõem-se em verticilos de 3 ou 4 folhas, dirigidas para fora. 
Flor de Calluna vulgaris
A - sépalas do cálice (maiores que a corola)
B - pétalas da corola (mais curtas que o 
cálice)
Também existem diferenças a nível do tamanho do cálice que em Calluna é maior que a corola, escondendo os estames, ao contrário do que acontece com Erica sp (veja AQUI).

Calluna vulgaris distribui-se amplamente por toda a Europa desde as Ilhas Britânicas e Península Ibérica até aos Montes Urais na Rússia, e desde a Escandinávia até ao Mediterrâneo e Marrocos. 
Urzes e tojos andam muitas vezes a par...
Fonte: Wikipedia
Em charnecas e brejos, regiões áridas e batidas pelo vento, é muitas vezes a espécie dominante cobrindo extensas áreas, como por exemplo acontece na Irlanda, Escócia, Pais de Gales e Inglaterra, onde esta espécie é especialmente acarinhada. A escritora Emily Brontë descreveu, de forma memorável, a beleza rude das charnecas do Yorkshire onde predominam as urzes, em Wuthering Heights (em português: Monte dos Vendavais), obra clássica da literatura inglesa. Contudo, os mais entusiastas são os escoceses, de tal forma que, “puxando a brasa à sua sardinha”, deram a Calluna vulgaris o nome vernáculo de Scotch Heather (urze escocesa). Também a cerveja local denominada Fraoch (palavra em idioma gaélico escocês, de origem celta, que significa cerveja de urze) e que é produzida há mais de 4 mil anos, é aromatizada com folhas e flores de Calluna vulgaris.
Calluna vulgaris foi introduzida noutras partes do mundo incluindo o Canada, EUA, Austrália e Nova Zelândia. Em algumas regiões destes dois últimos países tornou-se um caso problemático como invasora, situação comum entre muitas plantas exóticas, as quais geralmente não causam problemas nos seus habitats nativos.
Mapa de distribuição em Portugal continental
Dados disponibilizados por:
P.V.Araújo, J.Lourenço, A.Carapeto, M.Porto, J.D.Almeida, A.J.Pereira, F.Clamote, A.Silva, et al. (2015).
Em território português Calluna vulgaris é autóctone do continente e Açores, onde ocorre de forma espontânea. Também se pode encontrar na Madeira onde foi introduzida pelos colonizadores e se naturalizou.
Calluna vulgaris no meio das roselhas (cistus crispus) e dos tojos (Ulex europaeus)
Calluna vulgaris vive em terras pobres em nutrientes e de pH ácido, em matagais, em clareiras de bosques ou sob coberto de pinhais e sobreirais, fazendo parte de matos baixos, geralmente associada a outras comunidades vegetais que partilham os mesmos requisitos, nomeadamente giestas, estevas, rosmaninhos, tojos, carquejas e sargaços. Em muitas das nossas encostas serranas, estas e outras espécies foram tomando o lugar dos antigos bosques, os quais se foram degradando pelos fogos ou por práticas agro-pastoris, muitas vezes improprias.
Em tempos idos, embora não mais distantes que meia dúzia de décadas, a urze era utilizada pelas populações mais pobres do interior do país para fazer vassouras, escovas para esfregar o soalho das habitações e para encher colchões. A madeira das velhas raízes era utilizada nas lareiras ou para fazer carvão. Chegou a ser utilizada para produzir tinta com a qual se tingiam cabedal e lã em tons de amarelo.

Calluna vulgaris forma um arbusto denso que pode chegar a 1 m de altura ou até mais, exceto em zonas muito ventosas ou rochosas onde tende a formar uma moita baixa. As raízes ramificam-se profundamente para melhor se segurarem na terra e com o decorrer dos anos tornam-se grossas, lenhosas e por vezes retorcidas.

A planta é muito ramificada desde a base. Os ramos são finos, eretos e ascendentes, pubescentes quando jovens. A maioria dos ramos fica verde durante todo o ano mas no inverno alguns podem apresentar lindas tonalidades castanhas, vermelhas ou amarelas que resultam dos restos de folhas envelhecidas que permanecem agarradas.

As folhas são muito pequenas, algo pubescentes, oposto-cruzadas, sem pecíolo e ligeiramente carnosas; nos ramos estéreis as folhas estão muito juntas, estreitamente imbricadas, mas nos ramos de flor estão mais espaçadas.
As flores, de cor rosada ou lilás, algumas vezes rosa mais escuro e raramente brancas, reúnem-se em cachos muito alongados; aparecem solitárias na axila das folhas e são numerosas. 

Os pedúnculos são curtos e curvos pelo que as flores se apresentam pendentes. 

Na base de cada flor, fazendo ligação com o pedúnculo, existem 4 brácteas verdes, semelhantes a folhas mas com as margens avermelhadas e penugentas. 

O cálice é formado por 4 sépalas rosadas de forma lanceolada mas com o ápice arredondado. A corola é constituída por 4 pétalas soldadas apenas na base, também de cor rosada e que têm a particularidade de serem mais curtas que as sépalas do cálice, ficando envolvidas por ele. 
O cálice é persistente, permanecendo na planta mesmo depois da maturação dos frutos, dando a ideia de uma floração bastante mais prolongada.

As flores são perfeitas, ou seja, estão providas de órgãos de reprodução masculinos e femininos funcionais. Os estames são 8, com filetes rosados e anteras acastanhadas e são inclusos, não ultrapassando o nível do cálice. Em contrapartida o estigma, que tem por missão recolher o pólen e encaminha-lo para o ovário, é bem visível pois é grosso e ultrapassa o nível das sépalas do cálice.

Por baixo do ovário existe um disco nectarífero destinado a atrair os polinizadores. Calluna vulgaris é muito visitada por vários tipos de insetos entre os quais se contam vários tipos de borboletas e abelhas melíferas que aí recolhem néctar em abundância, com o qual produzem o precioso mel (nas áreas onde uma determinada espécie é dominante, o mel produzido pelas abelhas reflete o seu sabor. Assim podemos ter mel de urze, mel de rosmaninho, mel de castanheiro, etc. Da mesma forma, a consistência e a cor de cada tipo de mel variam de acordo com as espécies que entraram na sua composição).

Nesta Calluna vulgaris os frutos já amadureceram há muito mas as sépalas das flores continuam na planta dando a ideia de que ela continua em flor
Na generalidade Calluna vulgaris floresce e frutifica de maio a dezembro mas aparenta estar em flor durante a maior parte do ano porque as sépalas, depois de secas, persistem na planta durante muito tempo, mesmo depois da maturação dos frutos. 
Os frutos são cápsulas de forma esférica densamente cobertas de pelos. No seu interior existem 4 compartimentos contendo numerosas sementes as quais se soltam por uma pequena abertura.
As sementes são disseminadas pelo vento, animais ou passeantes que ao passar roçam nas plantas.
Calluna vulgaris é fácil de propagar:
- Por sementes, as quais devem ser colocadas em pequenos vasos no início da primavera, de preferência numa pequena estufa ou em local abrigado e deixadas à superfície ou apenas ligeiramente cobertas por terra. Geralmente germinam dentro de 1 a 2 meses a uma temperatura de 20ºC. As pequenas plantas devem ser protegidas do frio e do vento durante o seu primeiro inverno mas estão prontas para ser plantadas no exterior na primavera seguinte.
- Por estacas semilenhosas em julho ou agosto ou estacas lenhificadas em outubro ou novembro.
- Por mergulhia. Este é o melhor método de obter novas urzes desde que se disponha de uma planta já estabelecida. Pode realizar-se em qualquer altura do ano embora os resultados mais rápidos se obtenham na primavera. Escolhe-se um ramo baixo e, sem o partir, dobra-se até ao solo. Retiram-se as folhas da parte do ramo que vai ficar em contacto com o solo e cobre-se com um bom punhado de terra ou turfa, sobre a qual se coloca uma pedra pesada. As mergulhias feitas na primavera terão criado raízes no outono; as que forem feitas no outono geralmente enraízam um ano depois. Finalmente, é só desenterrar os ramos com as novas raízes, separá-los da planta-mãe e plantá-los no novo local.

Resistente obstinada às inclemências do clima mas delicada na aparência e na fragrância, Calluna vulgaris não só consegue transformar as charnecas mais áridas ou as encostas mais rochosas em locais de grande beleza cénica, como contribui para a manutenção da biodiversidade: serve de alimento a borboletas e besouros, providencia abrigo a aves, pequenos mamíferos e lagartos. 

Tal como acontece com outras espécies de urzes, há muito que Calluna vulgaris é reconhecida pelas suas potencialidades decorativas e ornamentais. Só a partir desta espécie já foram criados mais de oitocentos cultivares que rendem milhões à indústria de horticultura na Europa e Estados Unidos. 
Fonte
Existem nos mercados internacionais, - especialmente em países onde a jardinagem é um passatempo muito difundido e praticado com verdadeiro entusiasmo – variedades de Calluna que vão desde os 10 cm aos 60 cm de altura ou mais, com folhagem que inclui tons dourados, bronze, cinzento-azulado e verde-vivo e flores em tons de púrpura, rosa, vermelho e branco-puro. Contudo, é de notar que muitos destes cultivares não são interessantes para os insetos pois foram feitas consideráveis alterações na morfologia das flores para impedir que os botões abram, aumentando assim o tempo de floração. 
Fonte
As Callunas são plantas fáceis de cuidar desde que lhes sejam providenciadas as condições adequadas, a começar por um substrato leve com pH ácido e situação em pleno sol ou meia sombra, especialmente em climas mais quentes.
Estas plantas são geralmente usadas em monocultura, como cobertura de solo formando tapetes multicoloridos, ficando muito bem quando conjugadas com coníferas anãs. Mas o efeito pode também ser espetacular se cultivadas em grupos, entre outras perenes como azáleas, camélias, bolbos e gramíneas. São ainda apropriadas para sebes, jardins de rocha, terrenos inclinados e vasos, além de que são flores de corte formidáveis e excelentes para fazer arranjos de flores secas.

Calluna vulgaris tem uma longa tradição em medicina popular, particularmente no tratamento dos problemas das vias urinárias, atuando como diurético e antisséptico. É também eficaz nos casos de tosse e constipação, ajudando a reduzir a produção de secreções devido ao seu efeito adstringente. Calluna vulgaris contém taninos e triterpenos, compostos químicos que promovem ação anticancerígena e anti-inflamatória. Os taninos são também poderosos antioxidantes. Tem sido também utilizada com sucesso no tratamento de dores reumáticas sobretudo no que respeita à denominada gota, causada pelo excesso de ácido úrico, o qual parece ser removido pelos componentes químicos de Calluna vulgaris.

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Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã exceto quando mencionada outra fonte