"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 28 de março de 2011

PLANTAGO - género botânico



O GÉNERO PLANTAGO
O post de hoje refere-se a três espécies diferentes mas relacionadas entre si devido à sua morfologia muito semelhante. Todas elas já brotaram do solo há largas semanas e em breve estarão em plena floração, trabalhando arduamente para cumprir o seu ciclo e com isso contribuindo em larga escala para piorar as nossas alergias. São três espécies que pertencem à pequena família das Plantaginaceae e ao género Plantago.
Plantago é um género botânico pertencente à pequena família das Plantaginaceae que perfaz cerca de 200 géneros e 2500 espécies. Na sua maioria são plantas herbáceas, sem caule ou de caule curto, com folhas elípticas e flores insignificantes, quase todas características das regiões temperadas ou das montanhas tropicais. As pequenas flores, dispostas em espigas densas, são na sua maioria polinizadas pelo vento. Produzem grandes quantidades de pólen, que, juntamente com o dos cereais, é responsável pela maior parte das alergias primaveris. Neste género, começam por nascer as flores inferiores das espigas e só a medida que estas morrem é que as superiores vão abrindo; fica então um anel de estames oscilantes no topo da espiga. Algumas espécies são ervas daninhas de extermínio difícil, embora algumas sejam bastante nutritivas e, como tal, aproveitadas como forragem. Algumas espécies são usadas no tratamento de doenças que envolvem processo inflamatório, além de agir como imunomoduladores, através da atividade dos seus princípios ativos como: mucilagens, taninos, flavonoides e aucubinas.

Plantago coronopus

Nomes vulgares:
Corno –de-veado; Diabelha; Diabelha-dos-Açores; Diabinhos; Engorda-ratos; Erva-pulgueira; Estrela-mar; Megabelha; Orelha-de-lebre-do-reino; Psilio; Tanchagem-corno-de-ganso; Tanchagem-corno-de-veado; Zaragatoa

Plantago coronopus é uma planta rasteira que tanto pode ser anual como perene, embora tenha vida curta. A maior parte das vezes as folhas morrem durante o descanso vegetativo voltando a surgir com a chegada da primavera.
As folhas posicionam-se em uma ou mais rosetas e são de forma linear e espatulada, divididas até mais do meio do limbo. Por vezes, embora raramente, são só dentadas ou inteiras. Esta planta é um pouco mais pequena que as outras espécies do mesmo género.
Possui vários escapes florais os quais são mais compridos que as folhas, terminando em inflorescências em forma de espiga cilíndrica e densa, com extremidade aguda e ligeiramente curva. As flores das espigas são hermafroditas e são polinizadas pelo vento. As pétalas são muito pequenas e não têm cheiro. Os estames de cor amarelo-pálido são a parte mais vistosa da flor.
Protegendo cada uma das flores, as brácteas são de forma oval com margem membranácea mas seca, um tanto firme e acastanhada
Fonte Wikipedia
Os frutos, minúsculos, são cápsulas em que a parte superior se abre como uma tampa deixando sair as sementes, as quais são quase exclusivamente espalhadas pelo vento.
É uma planta ruderal, isto é, vive em terrenos remexidos tais como escombros, entulhos e estrumeiras os quais são caracterizados por elevada percentagem de azoto no solo. Também ocorre em rochedos e areias do litoral. Nas dunas surge nas zonas correspondentes as dunas fixas interiores. Encontra-se muitas vezes no meio dos caminhos, parecendo gostar de ser pisada. Distribui-se pelo noroeste e sul da Europa e noroeste de África. Em Portugal encontra-se por todo o país onde floresce durante a maior parte do ano.
 Devido às suas propriedades antiinflamatorias, é comum tomar-se chá feito com as folhas desta espécie para curar afeções respiratórias e dores de garganta

Plantago serraria

Nomes vulgares:

Pé-de-corvo; Pulgueira; Tanchagem-alvacenta


Plantago serraria é uma planta que se distribui essencialmente pela zona mediterrânica. Em Portugal encontramo-la principalmente no litoral centro e no sul do país.
É uma espécie perene muito semelhante à Plantago coronopus, havendo diferenças visíveis apenas a nível da morfologia das folhas. Segundo estudos recentes a Plantago serraria pertence ao grupo da Plantago coronopus, havendo no entanto, uma diferença no número de cromossomas.

As folhas não têm pecíolo e desenvolvem-se numa roseta basal. São simétricas, de forma lanceolada e com a margem dentada.
Possui vários escapes florais os quais são mais compridos que as folhas, terminando em inflorescências em forma de espiga cilíndrica e densa, com extremidade aguda e ligeiramente curva. Também nesta espécie os estames de cor amarelo-pálido são a parte mais vistosa das flores.

É uma planta com grande capacidade de adaptação, que cresce em escombros, terrenos incultos e caminhos.
Floresce de abril a setembro.

Plantago lanceolata
Nomes vulgares:
Acatá; Calracho; Carrajó; Carrijó; Carrojó; Corrió; Erva-de-ovelha; Língua-de-ovelha; Lingua-de-vaca; Orelha-de-cabra; Ovelha; Tanchagem-das-boticas; Tanchagem-menor; Tanchagem-ordinária; Tanchagem-terrestre; Tantage
Foto de Forest & Kim Starr. Fonte Wikimedia commons
Esta é uma planta bienal ou perene cuja parte aérea pode morrer durante o descanso vegetativo.
As folhas são acaules e apresentam-se em roseta, de formato linear e com margens lisas com nervuras paralelinervias. As folhas têm alguns pelos, mas esparsos.
Foto de Kurt Stüber. Fonte Wikimedia commons
Os caules florais são nus, estreitos e mais compridos do que as folhas, terminando numa espiga oblonga, inicialmente verde e fina mas que se vai tornando densa, acastanhadada e cilíndrica consoante as flores vão abrindo. Cada flor tem 4 sépalas ligeiramente pilosas e uma curta corola com 4 lóbulos As brácteas têm forma de lança com a parte mais larga perto da bainha. A extremidade é aguda e ligeiramente curva com margens secas e membranáceas e com alguns pelos.
Fonte 
Os estames são bastante salientes e são a parte mais vistosa das flores as quais têm anteras brancas com filamentos finos. As flores são polinizadas pelo vento e não têm cheiro. Cada flor é substituída por um pequeno fruto de forma ovóide ou elíptica, que se parte e deixa sair 2 pequenas sementes geralmente levadas pelo vento depois de maduras. Cada semente é de forma oblonga, castanha ou preta e fortemente recortada num dos lados.
Fonte Wikipedia 
Visto que esta planta é polinizada pelo vento é pouco interessante para os insetos que procuram o pólen. No entanto larvas de algumas borboletas alimentam-se das folhas. As sementes são muitas vezes comidas por pássaros e gafanhotos. Coelhos bravos e algum gado podem comer a folhagem embora seja algo amarga e filamentosa.
Esta planta é nativa da Europa mas adaptou-se bem a outras regiões. Na realidade é uma das plantas mais comuns encontradas na flora europeia. Hoje em dia distribui-se pelo sul da Europa, noroeste de África e próximo oriente. Em Portugal pode encontrar-se em quase todo o país, florescendo de abril a junho.
Prefere relvados, rachas nos pavimentos, terrenos remexidos, arenosos ou não, beira dos caminhos. No entanto o grau de infestação tem-se mantido dentro de certos limites e de momento não é preocupante. Esta tendência pode inverter-se a qualquer momento uma vez que as sementes são pegajosas quando estão verdes podendo agarrar-se às patas dos animais e aos sapatos dos humanos que, inadvertidamente podem contribuir para a propagação desta espécie, colonizando novas áreas.
É uma espécie com importância na terapêutica e que tem sido submetida a ensaios de atividade farmacológica. Esta espécie possui indicações para amigdalite, estomatite, faringite e as formas farmacêuticas mais utilizadas são o gargarejo e a infusão.
Sobre o nome cientifico das plantas:
Vem a propósito relembrar porque é que o nome científico de cada planta é sempre formado por, pelo menos, duas palavras. A primeira corresponde ao género botânico a que pertence a planta e a segunda palavra representa a espécie. Do nome cientifico pode ainda constar a indicação da subespécie ou o nome do descobridor da espécie e é sempre escrito em latim e em italico. Adotou-se este sistema para que haja uma uniformidade a nível global. Desta forma, o nome cientifico de uma planta é o mesmo em qualquer parte do mundo, independentemente da lingua de cada pais, não havendo assim lugar a confusóes na sua identificação. É óbvio que cada país tem nomes populares para designar as plantas, os quais podem variar de região para região.

Fotos do blog - Arribas da Praia do Caniçal /Lourinhã



3 comentários:

  1. Boa noite, vivo perto, e gostava de saber se conhece a Plantago Maior, e se a temos por aqui?
    Grata
    Diana Bessa

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    Respostas
    1. Olá Diana, bom dia
      Plantago major, tanto quanto sei não aparece nesta região, embora ande por perto. Pelo menos até à data não a encontrei por aqui. Os registos da Sociedade Portuguesa de Botânica também não a apontam a esta região. Confira em:
      http://www.flora-on.pt/#/1Plantago+major
      Apesar disso, não é impossível que exista num ou noutro nicho, é questão de estar atenta. As plantas, apesar não terem pés, têm meios de se deslocarem e por vezes aparecem onde não são esperadas.
      Um abraço
      Fernanda

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  2. Obrigada Fernanda, estarei atenta!
    Um abraço,
    Diana

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