"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SOBREVIVÊNCIA - Adaptação das plantas ao meio litoral


Para a estabilidade das dunas e das arribas, é indispensável a manutenção da vegetação que as protege da erosão eólica e hídrica.
A proximidade do mar sujeita as plantas a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante ao frio cortante, luminosidade excessiva, ventos fortes carregados de partículas de sal,  escassez de nutrientes e reduzida disponibilidade de água.


Para sobreviver em meio tão adverso, as plantas dos meios litorais sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas pois, tal como nos ensina a natureza, o individuo mais forte é aquele que melhor se sabe adaptar ao meio em que está inserido.

Modificações adaptativas das plantas - Alguns exemplos:

Para evitar a perda excessiva de água:

Malcolmia littorea:
Reduziu o tamanho das folhas para evitar perdas de água.


Sedum sediforme:
 Só abre os estomas à noite (estomas são pequenas aberturas ou poros localizados na epiderme da maioria dos órgãos aéreos das plantas, através dos quais se fazem as trocas gasosas) e tem caules e folhas suculentos, com reservas de água.


Crucialnella maritima:
As folhas têm disposição imbricada, para menor exposição ao sol e aos ventos.


Eryngium maritimum:
As folhas estão cobertas por uma camada cerosa que as impermeabiliza.



Medicago marina:
As folhas são revestidas por denso tomento (Indumento de pêlos espessos, curtos, enrolados sobre si próprios, cobrindo uniformemente a superfície).

Juniperus phoenicea:
Reduziu o tamanho das folhas, as quais estão revestidas por uma forte película formada por cutina. As raízes são profundas, para captar água em profundidade.

Resistência à salinidade:

Crithmum maritimum:
Desenvolvimento de suculência: a planta armazena água, para satisfação das necessidades metabólicas e para manter a turgescência dos tecidos.

Frankenia laevis:
Tolerância de certas plantas ao sal está relacionada com a presença de pêlos glandulosos nas epidermes das folhas onde a concentração de sal é muito mais elevada do que no interior da folha. Atriplex, Limonium, Frankenia – necessitam de sais, são halófitos obrigatórios. Halófitos são plantas próprias de solos fisiologicamente secos, devido à grande concentração de sais, incluindo cloreto de sódio.



Limonium ferulaceum:
Capacidade de acumulação, em certas partes da planta, de grandes quantidades de sais provenientes do seu metabolismo que depois eliminam juntamente com os órgãos que os armazenavam como as folhas de algumas espécies de Limonium ou para compartimentos próprios no interior das células.

Resistência à instabilidade do habitat:

  • Soterramento: a planta dispõe de um sistema de rizomas entrecruzados que retêm as areias e que por crescerem em direcção à superfície permitem o despontar de sob as areias, além de que a sua grande facilidade de regeneração e crescimento facilita o alastramento. Um profundo sistema radicular evita o desenterramento pela erosão.
  • Ciclo de vida curto: evita o período do ano de maior instabilidade.
  • Resistência aos ventos, com colmos flexíveis (gramíneas) ou tomando hábito amoitado ou almofadado.
  • Possuir forma prostrada ou em forma de bola, para resistir aos fortes ventos.
  • Crescimento lento: minimização do uso de recursos.
  • Presença de micorrizas nas raízes Simbiose entre o micélio de alguns fungos e as raízes de muitas plantas, como por exemplo as orquídeas.
Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos: Arribas do Caniçal e Areal sul-Areia Branca/Lourinhã

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