"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Crithmum maritimum

Funcho-do-mar, funcho-marinho, funcho-maritimo, perrexil

A Crithmum maritimum é uma planta perene, da família das Umbelliferae também designada Apiaceae. Esta família é constituída por cerca de 4.250 espécies, muitas delas contendo substâncias aromáticas que justificam a sua utilização na nossa alimentação. Algumas são sobejamente conhecidas como é o caso da cenoura (Daucus carota), do aipo (Apium graveolens), do anis (Pimpinella anisum), do funcho (Foeniculum vulgare), do cominho (Cuminum cyminum), do coentro (Coriandrum sativum) e da salsa (Petroselinum crispum).
Em contrapartida, é preciso não esquecer que algumas espécies das Umbelliferae são altamente venenosas, como é o caso da Conium maculatum mais vulgarmente conhecida por cicuta. A partir desta planta obtêm-se um veneno que ficou conhecido como o alcaloide que matou Sócrates, filósofo ateniense do século V a.C., um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental.

A Crithmum maritimum é uma planta de folhas carnudas, sem pelos, de um verde-azulado, ereta, muito ramificada, formando moitas de 20 a 50 cm de altura e que vive preferencialmente nos rochedos do litoral, bem segura através de um rizoma lenhoso e rastejante que se introduz profundamente por entre as rochas.

É um hemicriptófito, o que em termos botânicos designa uma planta cuja parte aérea morre anualmente e volta a brotar a partir da parte subterrânea.
Ao contrário de outras plantas, a Crithmum maritimum não necessita das partículas de sal para o seu desenvolvimento, porém pode dizer-se que convive bem com a maresia.


As folhas são segmentos quase roliços, de contorno triangular, com 1 a 5 cm, lanceolados, mas com a maior largura um pouco acima do meio.

A planta floresce de maio a outubro. As flores de cor amarelo-esverdeada, são umbelas compostas, ou seja, inflorescências múltiplas em forma de guarda-chuva.

É nativa das costas rochosas do mar Mediterrâneo e do Atlântico europeu (onde se inclui Portugal), Madeira, Açores e Canárias.
Esta é uma planta silvestre comestível. Em fitoterapia, as folhas têm sido usadas para aumentar o apetite e como digestivo. As folhas são usadas para aromatizar sopas e saladas. Também são empregues em culinária após conservação em vinagre, o que é considerado um verdadeiro acepipe em muitos países.
Já eram conhecidas dos navegantes de outros tempos as propriedades curativas desta planta para a temível doença do escorbuto e assim, como espécie dos litorais oceânicos, era muito utilizada pelos marinheiros para esse fim.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã

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