"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quinta-feira, 28 de julho de 2011

Scolymus hispanicus L.

 Cardo-de-ouro

Quando se fala de cardos ou espécies afins logo nos vêm à ideia as cores rosa, azul ou lilás e com razão, pois a maioria varia entre um destes tons. Mas, como em tudo há exceções e assim, as flores do Scolymus hispanicus são de um lindo tom amarelo que lhe valeu o nome de cardo-de-ouro. Conforme a região do país, esta espécie também é conhecida vulgarmente por cardinho, tengarrinha, cangarinha, cantarinha, cardo-bordão ou escólimo-da-Espanha.

Esta planta está estreitamente relacionada com o amplo grupo dos genericamente chamados cardos (ver aqui)  e pertence à família das Asteraceae/Compositae e ao género Scolymus. Este género botânico agrupa algumas espécies espinhosas que se distinguem dos outros “cardos” porque as suas inflorescências brotam das axilas das folhas e não da extremidade dos caules e também porque são formadas por flores todas liguladas ( com “pétalas”) e não tubulosas (ocas e alongadas).


O Scolymus hispanicus é nativo da bacia do Mediterrâneo, grosso modo desde Portugal até à Ásia oriental e norte de África. Foi introduzida noutras paragens, nomeadamente na Europa central, Ilhas Britânicas, Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde) e ainda no continente americano.

Esta planta é, na generalidade, considerada uma erva daninha, mas existem muitos países onde é utilizada na alimentação humana e até considerada um petisco.

O Scolymus hispanicus é uma planta bienal ou perene cuja parte aérea seca anualmente propiciando à planta o merecido descanso durante o qual, as gemas de renovo que estão situadas à superfície do solo, ficam protegidas pelos restos secos das folhas do ano anterior.

Passado o inverno, emerge do solo uma roseta de folhas espinhosas, de cor verde vivo, com a nervura central que pode tomar uma cor avermelhada. É no final da primavera que a roseta emite o caule, com folhas menores e também espinhosas e de cujas axilas brotam as inflorescências, de um amarelo-vivo.


O Scolymus hispanicus forma um pequeno arbusto que pode chegar aos 80 cm de altura. O caule é fino mas robusto e é alado, isto é, ramificado com uma expansão achatada lateral que compensa alguma escassez de folhas; é também solitário, ereto, ramificado desde a base e geralmente provido de pelos crespos.


As folhas da roseta basal são moles, com poucos espinhos e estão providas de um longo pecíolo; são oblanceoladas ou seja, têm forma de lança mas com a parte mais larga um pouco acima do meio; são ligeiramente suculentas e a nervura mediana é bastante mais grossa que as nervuras secundárias as quais são mais ou menos paralelas entre si; o limbo é muito dividido, chegando o recorte até à nervura mediana.


As folhas do caule são alternas, rígidas, muito recortadas, com margens espessadas e estão divididas em lóbulos que terminam cada um com um espinho; o formato é de oblongo-linear a ovado e o limbo é sinuado, isto é, curvas salientes alternam com curvas reentrantes. As nervuras são bastante espessas e de cor branca.


As flores, minúsculas, estão agrupadas em capítulos solitários que aparecem na axila das folhas, de junho a setembro.
Inflorescência em capítulo
Tal como é característico das espécies da família das Asteraceae/Compositae as flores são inúmeras mas muito pequenas e estão reunidas num receptáculo em forma de disco que lhes dá o aspeto de um malmequer. Normalmente, devido a uma economia de esforços, apenas as flores da periferia do disco/receptáculo se prolongam em lígulas, em forma de pétalas. No entanto, nesta espécie todas as pequenas flores são liguladas.



Cada conjunto floral está protegido por um invólucro composto de duas filas de brácteas de formato estreito e acabando em ponta.

Os frutos são cipselas achatadas em que o papilho está reduzido a alguns pelos, muito curtos e rígidos.

Esta foto de Scolymus maculatus ajuda-nos a observar o que a distingue do Scolymus hispanicus
Existe o risco de confundir o Scolymus hispanicus com uma espécie algo semelhante que ocorre em algumas regiões do nosso país, o Scolymus maculatus. Esta espécie diferencia-se por ter caules marcadamente alados, folhas marginadas de branco e pelos escuros na base das flores, nos capítulos.


Podemos encontrar o Scolymus hispanicus em terrenos incultos, desenvolvendo-se preferencialmente em solos leves, permeáveis, profundos e ricos em matéria orgânica. Embora crescendo de forma espontânea, esta planta é, desde há muitos séculos, utilizada na alimentação humana. É também um excelente diurético. Em certos países é de tal forma apreciada que a planta tem sido cultivada em grande escala, quer para aproveitamento das raízes que são comidas cozidas ou fritas, quer das folhas mais tenras que são cozinhadas como espargos ou das corolas que são usadas como sucedâneo do açafrão. O Scolymus hispanicus é apreciado um pouco por todas as regiões onde cresce espontânea, como por exemplo na Argélia, Brasil, Itália, Rússia, Reino Unido, França, Espanha e Alemanha.
Em Portugal o Scolymus hispanicus é pouco conhecido para além do Alentejo onde tem sido  mais consumido, a par de outras ervas que nascem espontaneamente na natureza e que nos trazem sabores há muito esquecidos, como por exemplo as beldroegas, os poejos e os catacuzes (ver Rumex bucephalophorus). Felizmente, a pouco e pouco, estamos a ficar mais esclarecidos e vamo-nos apercebendo do desperdício pois muitas das ervas silvestres que consideramos daninhas e nos habituamos a desprezar são afinal “delicatessen” que podem enriquecer a nossa dieta com novos sabores, vitaminas e minerais. Geralmente encontramo-las fazendo parte do menu de restaurantes regionais e são pagas a bom preço, mas em certas situações, podemos colhê-las  na natureza sem que haja investimento monetário da nossa parte. Ou podemos ter a sorte de as encontrar no nosso jardim, como aconteceu comigo este ano, quando a minha pequena horta foi inesperadamente colonizada por pequenas plantas daninhas que descobri serem beldroegas, as quais têm resultado em saborosas e nutritivas sopas. Dado que foi uma invasão sem precedentes suponho que as sementes terão sido trazidas pelos pássaros, quem sabe, agradecidos pela comidinha suplementar que lhes ofereço durante os dias frios de inverno... 

As beldroegas, no canteiro dos pepinos...
A verdade é que colher as ervas na natureza dá bastante mais trabalho e incómodo do que fazer compras no supermercado. No que diz respeito aos Scolymus hispanicus posso confirmar que dão muito trabalho e levam bastante tempo a preparar pelo que não será fácil encontrá-los à venda. A colheita deve ser feita entre o fim do inverno e o início da primavera, antes que surja o caule, pois é quando as folhas da roseta basal estão ainda tenras.


Corta-se a planta com um golpe certeiro que parta o colo da raiz a uns 2 ou 3 dedos abaixo do nível do solo, de modo que a roseta de folhas fique inteira. Esta é deixada ao sol durante algum tempo para que a planta se torne mais maleável. Em seguida, segura-se a planta com uma mão e apertando a nervura central entre o polegar e os dedos indicador e médio da outra mão, vai-se deslizando desde a base até ao vértice da folha, arrancando a parte verde e os picos. O procedimento é igual para cada uma das folhas até que só restem as nervuras agarradas ao colo da planta. Recomenda-se o uso de um bom par de luvas para toda a operação.


Com uma faca afiada retiram-se os restos da folha e cortam-se as nervuras em pedaços de cerca de 4 a 5 cm de comprimento. A raiz também serve, é até muito saborosa, desde que se rejeite a parte central, por ser fibrosa. Colocam-se todos os pedaços em água com sumo de limão para que não oxidem, até ao momento de cozinhar. Nessa altura colocam-se numa panela com água nova, sal e uma colher grande de farinha que servirá para absorver os sucos amargos do cardo. Deixa-se ferver até que estejam tenros e depois deixa-se arrefecer. Podem comer-se temperados com sal, azeite e limão ou vinagre e misturados com ovo cozido ou presunto. Há quem os envolva em ovos mexidos, os coma salteados com alho, em salada, esparregado…

Embora a maior parte dos “cardos”silvestres seja comestível, a informação que tenho é que o Scolymus hispanicus é o melhor de todos.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/


(exceto quando especificado).

Fotos da planta Scolymus hispanicus - Caniçal /Lourinhã

terça-feira, 19 de julho de 2011

Os Cardos

Generalidades sobre os cardos

Ao fundo, o Forte de Paimogo. Ainda as Echium plantagineum estavam em floração e já os Cirsium vulgare se desenvolviam com exuberância, em segundo plano.

A estrada costeira que liga a Praia da Areia Branca à Praia do Caniçal mais uma vez mudou de visual, neste verão que vai fresco e ventoso. Os Echium plantagineum, que até há poucas semanas enchiam todos os espaços com a exuberância das suas refrescantes flores azuis, já entraram em merecido repouso.

Os Scolymus hispanicus, com vista para o Forte de Paimogo.
Chegou agora a época dos quase sempre mal-amados cardos, os quais a pouco e pouco vão conquistando alguns, poucos mas bons, apreciadores. É verdade que os espinhos existentes na sua estrutura não contribuem em nada para os tornar simpáticos mas uma vez ultrapassado o impulso que nos leva a querer ver através da ponta dos dedos, acabamos forçosamente por ser atraidos pela  elegância das suas formas e pelas cores brilhantes das suas flores.
Cirsium vulgare - inflorescência
E quem sabe se em breve não os veremos a ocupar lugares de destaque nos nossos jardins, rivalizando com os catos, que por sinal também podem ser bem espinhosos.

Scolymus hispanicus - inflorescência
Aliás, algumas espécies de cardos poderão ser uma opção bem original, agora que os jardins mediterrânicos estão a tornar-se cada vez mais populares, utilizando plantas autóctones, mais resistentes e adequadas ao nosso clima e com menores exigências no que diz respeito ao consumo de água.

Carlina corymbosa - inflorecência
“Cardo” é o nome vulgar que damos às várias espécies que se caracterizam fundamentalmente pela presença de espinhos nas folhas, no caule e nas brácteas das inflorescências e ainda pelas numerosas flores reunidas em capítulos densos. A maioria das espécies designadas por cardos pertence à família botânica das Asteraceae/Compositae, sendo os géneros Carduus e Cirsium os mais representativos. No entanto, existem espécies que pertencem à família das Apiaceae/Umbeliferae e outras à família das Dipsacaceae.


Cynara humilis
Os chamados cardos são nativos das regiões temperadas da Europa e Ásia, especialmente da região do mediterrâneo e Ásia menor, algumas da Austrália e África tropical. São poucas as espécies nativas do continente americano. Podem ser plantas anuais, bienais ou perenes. A maior parte das espécies têm folhas e caules ou invólucro de brácteas espinhudos, mas há algumas exceções.

Cirsium vulgare
 Os “cardos” do género Cirsium são plantas herbáceas, perenes ou bianuais, da família das Asteraceae/Compositae. São muito parecidos com os cardos propriamente ditos, do género Carduus, com os quais são frequentemente confundidos, pois têm mais semelhanças que diferenças. Basicamente, os Cirsium distinguem-se pelo seu fruto que é uma cipsela encimada por um papilho de pelos ramificados e plumosos em vez de papilho com pelos simples.
De resto, têm caules quase sempre ramificados, com folhas lanceoladas e brilhantes, marginadas de espinhos agudos. As flores tubulares são muito compridas e estão agrupadas em capítulos densos (sem lígulas), com escamas ou tufos de pelo entre as flores e bracteas espinhosas.

Carduus tenuiflorus
As espécies do género Carduus incluem-se também na família das Asteraceae/Compositae. São plantas herbáceas anuais ou perenes com caule e folhas espinhosas bastante divididas.
As flores dispõem-se em capítulos medianos, mais ou menos globosos e com invólucro de brácteas geralmente dispostas em varias filas.
Os frutos são cipselas dispostas em várias séries, com um tamanho que pode variar entre os 3 e 10 milímetros, sem pelos e com papilho.
Os Carduus gostam dos solos perturbados, remexidos e fofos, de preferência alguma vala com entulho, terrenos esses que têm excesso de nitrogénio/azoto. Quando ao fim de uns anos as terras se tornam compactas os Carduus deixam de ter as condições ideais para uma existência feliz assistindo-se, não raro, à extinção da colónia num lugar para aparecerem noutro, passado algum tempo.
As lagartas de algumas espécies de Leptidoptera (borboletas) alimentam-se das folhas dos Carduus como por exemplo as Myelois circumvoluta e Coleophora therinella.

Também as aves granívoras se alimentam das sementes dos Carduus sendo os pintassilgos especiais apreciadores.
   
Os géneros Centaurea, Carlina, Galactites, Cynara, Eryngium e Scolymus são igualmente interessantes. Os meus próximos 9 posts serão dedicados à descrição de outras tantas espécies dos géneros acima referidos, e que se podem encontrar ao longo da faixa litoral que vai do Areal Sul até Paimogo. De notar que a espécie Centaurea sphaerocephala, do género Centaurea, já foi descrita no post publicado no dia 6 de junho de 2011 (ver aqui).







Muitas espécies de "cardos" são comestíveis e até são cultivadas para o efeito, como é o caso da alcachofra, do género Cynara. São plantas ricas em fibras e sais minerais. As folhas podem ser consumidas em sopas ou saladas. Nas espécies cultivadas comem-se os rebentos antes de abrirem as flores. As folhas das espécies silvestres são utilizadas em medicina natural para combater as doenças do fígado e das perturbações da digestão.
As flores de várias espécies de cardos possuem enzimas coagulantes, pelo que têm sido utilizadas no fabrico de queijos.

Curiosamente o cardo é a flor nacional da Escócia e é também o emblema da Ordem do Cardo, uma das três Ordens de Cavalaria mais importantes do Reino Unido, equiparada à Ordem da Jarreteira. O mote da Ordem do Cardo é, apropriadamente, Nemo me impune lacessit, ou seja "Ninguém me provoca impunemente".

A insígnia dum cavaleiro da Ordem do Cardo-selvagem. Fonte: Wikipedia
 
 Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).
 

Fotos - Areal Sul/Caniçal - Lourinhã

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Limonium ferulaceum (L.) Chaz. Syn: Statice ferulacea


O Limonium ferulaceum é um pequeno arbusto perene que pertence à família botânica das Plumbaginaceae e ao género Limonium, constituído por mais de 400 espécies, centradas a oeste do mediterrâneo. Habitam zonas costeiras, arribas marinhas e muitas vezes pântanos salgados.

Algumas espécies de Limonium são halófitos, como é o caso do Limonium ferulaceum, isto é, são plantas que estão adaptadas a ambientes com elevada concentração de sódio, permitindo-lhes sobreviver em zonas alagadas de água salobra.


No Caniçal, os Limonium ferulaceum vivem em terreno seco, nas arribas. Aqui o solo não é alagado mas o mar também cá chega, sob a forma de chuviscos carregados de partículas de sal, que a forte nortada arrebata da crista das ondas.

O Limonium ferulaceum tem a capacidade de acumular grandes quantidades de sais que depois são eliminados juntamente com os órgãos que os armazenam, como por exemplo as folhas.


O mais interessante é que o Limonium ferulaceum não só consegue viver em ambientes carregados de cloreto de sódio como também necessita destes sais para se desenvolver. Estes são os chamados halófitos obrigatórios. Há ainda espécies que preferem sais e são designadas como halófitos preferenciais; outras toleram o sal e como tal são halófitos de subsistência.

Nas arribas do Caniçal o Limonium ferulaceum vive paredes meias com outra espécie do mesmo género, o Limonium virgatum  e ambos até florescem praticamente na mesma época do ano. No entanto estas espécies podem ser facilmente diferenciadas: a primeira tem raminhos densamente ramificados e floridos que partem diretamente solo, enquanto que a segunda tem ramos esguios e despidos que nascem de um conjunto de folhas basais, dispostas em roseta (ver post do dia 13 de julho 2011).
No entanto é preciso atenção para não confundir o Limonium ferulaceum com a Frankenia laevis (ver posts dos dias 08 e 13 de fevereiro 2011) que também é um halófito, embora de hábito prostrado.

O Limonium ferulaceum forma um arbusto anão, que pode ir até 40 cm de altura, densamente ramificado desde a base, com tufos densos de ramos floridos que nascem a partir de um rizoma.

Os caules são prostrados na base e ascendentes na extremidade, ficando levemente arqueados. São também muito finos, lenhosos e divididos em porções articuladas e cilíndricas, que com o tempo tomam uma cor avermelhada.  

As folhas estão reduzidas a numerosas escamas dispostas em espiral densa, de forma a perderem o mínimo de água possível através da transpiração. Estas escamas são laminares, membranáceas, mais ou menos achatadas e dispostas de forma imbricada, ou seja, sobrepostas tal como as telhas de um telhado.



As flores são muito pequenas, com cerca de 5 a 6 mm de diâmetro, de cor rosada e estão agrupadas no topo dos raminhos em densas espigas. A corola de cada flor é formada por 5 pétalas mais ou menos soldadas, formando um tubo. Os estames também são 5.

O Limonium ferulaceum floresce a partir dos finais da primavera e prolonga-se pelo verão, por vezes indo até finais de agosto mas podendo terminar mais cedo, dependendo das condições de salinidade e humidade atmosférica.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/


(exceto quando especificado).
Fotos - Arribas do Caniçal/Lourinhã

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Limonium virgatum (Willd.) Fourr. Syn: Limonium oleifolium Mill., Statice virgata Willd.


O Limonium virgatum é mais uma linda planta do litoral, cuja forma elegante e flores de aspeto delicado nos surpreendem agradavelmente, tendo em conta as duras condições a que a planta está exposta nos habitats onde vive.
A proximidade do mar sujeita as plantas a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante ao frio cortante, luminosidade excessiva, ventos fortes carregados de partículas de sal, escassez de nutrientes e reduzida disponibilidade de água.
Esta espécie distribui-se pela região mediterrânica e tanto se encontra nas areias das dunas do litoral como nas arribas rochosas de solos argilosos.


É uma planta perene, herbácea, que pode ir dos 15 aos 50 cm de altura, crescendo a partir de um rizoma subterrâneo que se ramifica dando origem a novas plantas.
As folhas estão praticamente reduzidas a uma roseta basal que quase sempre seca durante o verão. Este é mais um exemplo de como uma planta pode tornear o problema da escassez de água a que se vê sujeita, restringindo as folhas ao mínimo para evitar a transpiração.
As folhas da roseta basal têm forma espatulada, simples e inteiras, não têm pelos e são rugosas.
Os caules são finos e ascendentes, lenhosos na base e arqueados nas extremidades, sobre os quais nascem as pequenas flores de cor rosa ou lilás.

As flores estão reunidas numa inflorescência alongada e por vezes ramificada.


A corola de cada flor individual tem 5 pétalas e 5 estames envolvidos por um conjunto de 5 brácteas que formam o cálice e cujo tubo é curvo e peludo.

A planta floresce de julho a setembro.
O fruto é uma cápsula que contém uma semente única encerrada no cálice, que é persistente.
O Limonium virgatum pertence à família das Plumbaginaceae e ao género Limonium. Este é constituído principalmente por plantas que crescem na proximidade do litoral, preferindo os solos arenosos ou rochosos. Várias espécies deste género são muito apreciadas como flores de jardim e também para arranjos de flores secas aproveitando o facto de ter o calice persistente.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).

Fotos: Caniçal/Lourinhã