"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





domingo, 10 de julho de 2011

Medicago marina L.

Luzerna-da-praia
A Medicago marina é uma planta de origem mediterrânica que se distribui por todo o litoral português, podendo ser encontrada quer nas arribas quer nas areias dos sistemas dunares, meios onde a sobrevivência é bastante difícil. Floresce de fevereiro a julho.
Nas areias, as condições de escassez de água são constantes e o teor de elementos nutritivos é muito baixo. Nas arribas, a situação é igualmente crítica pois as plantas não só vivem sobre as rochas mas também estão expostas aos fortes ventos marítimos.
A Medicago marina ultrapassou estas limitações à custa de modificações de natureza morfológica e anatómica, adaptando-se da melhor forma ao meio envolvente. Nesta conformidade, a planta apresenta uma forma prostrada e as folhas têm uma superfície de dimensões reduzidas, cobertas por pelos espessos e curtos de cor esbranquiçada que refletem a luz, ajudando a diminuir a incidência dos raios solares. Desta forma, a planta consegue diminuir a transpiração.
Por outro lado, a raiz, que é um rizoma rastejante de onde partem os numerosos ramos, tem um sistema radicular superficial para poder recolher de imediato a água das chuvas e as gotas do orvalho.
A Medicago marina é uma planta herbácea, perene, com numerosos caules pouco ramificados e lenhosos na base. As folhas, com apêndices localizados na base do pecíolo, junto ao caule, estão divididas em 3 folíolos de formato oval, com a extremidade aguda e ligeiramente curva.

As flores são amarelas e estão dispostas em cachos de 5 a 15 flores.


A estrutura das flores assemelha-se, na forma, a uma borboleta e é característica das Papilionaceae que é uma das 3 subfamílias em que se subdivide a grande família das Fabaceae/Leguminosae, a que pertence a Medicago marina. Assim, a corola tem 5 pétalas: uma é maior, externa e superior e designa-se por estandarte; as duas pétalas laterais chamam-se asas e as duas internas e inferiores estão unidas e chamam-se quilha.

O cálice é formado por 5 sépalas quase iguais.
Ilustração Hyppolite Coste
O fruto é uma vagem enrolada em espiral com duas filas de espinhos curtos e cónicos e com um orifício central.
Sobre as Leguminosae/Fabaceae e o azoto:
A Medicago marina está incluída no género Medicago que por sua vez pertence à família das Fabaceae, também denominada Leguminosae, uma das maiores famílias botânicas e cujas espécies estão largamente distribuídas por todos os continentes, com exceção da Antártida.
São plantas de hábitos variados podendo ser herbáceas, trepadeiras, arbustos e árvores. Muitas delas são utilizadas como ornamentais, outras têm grande valor comercial ou industrial devido aos produtos que delas podem ser extraídos, nomeadamente o tanino, substância usada na indústria do couro, já para não falar dos corantes, tinturas, colas, vernizes etc. Mas, é sobretudo como alimentos básicos e essenciais na dieta de todos os povos que as leguminosas são mais conhecidas pois desta família fazem parte feijões, favas, ervilhas, soja, amendoim, apenas para citar algumas espécies.
O ciclo do azoto/Nitrogénio. Esquema: Wikipedia
Tal como a maioria das espécies da família das Fabaceae/Leguminosae, a Medicago marina desenvolve, a nível das raízes, uma simbiose com certas bactérias existentes no solo. Estas absorvem o azoto, também chamado nitrogénio, diretamente da atmosfera transformando-o em amoníaco, permitindo que este seja, de imediato, absorvido pela planta. Mas, nem todo o azoto é utilizado pela própria planta pelo que algum é libertado para o solo, para ser aproveitado por outras. O azoto é essencial ao crescimento das plantas pelo que esta característica é de extrema importância.
O efeito benéfico que advém do plantio de plantas leguminosas é conhecido desde há muitos séculos mas foi em 1888 que H. Helbuegel e H. Wilfarth comprovaram o papel dos microrganismos na fixação do azoto atmosférico realizado pelas leguminosas. Convém referir que a quantidade de azoto fixado pelas bactérias que com elas vivem associadas depende, entre outros fatores, da espécie de leguminosa e das condições do solo. Na agricultura dos nossos dias há quem prefira utilizar adubos verdes para enriquecer o solo, em detrimento dos adubos químicos. Isto consiste em cultivar espécies de crescimento rápido, geralmente da família das leguminosas, as quais são cortadas e enterradas no mesmo local, antes de florescerem e criarem sementes. Esta prática promove o enriquecimento do solo com azoto e outros nutrientes, além de melhorar a estrutura dos terrenos, protegendo-os da seca e limitando o desenvolvimento das ervas daninhas.

Para mais pormenores sobre o assunto veja aqui.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).
Fotos: Areal sul e Caniçal-Lourinhã

1 comentário:

  1. Excelente descrição da espécie, parabéns!
    Porém existe um pequeno errinho no esquema da corola, devido a ser uma subfamília o nome correto é Papilionoideae ao invés de Papilionacea que também não possuiria acento pois é latim. É apenas uma adequação da desinência correta para o taxon.

    ResponderEliminar