"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Delairea odorata Lem., syn: Senecio mikanioides Walpers

Nomes comuns:
Erva-de-São-Tiago; erva-de-santiago; 
trepadeira-do-Natal; tasneirinha-de-correr 

Foi em fevereiro passado que nos demos a conhecer, eu e a Delairea odorata. No espaço de dias, aquilo que parecia o habitual coberto de um muro de sustentação constituído por diversas espécies de heras, cobriu-se de cascatas de flores amarelas, numa explosão de cor e brilho. Até aquele dia não me tinha dado conta desta espécie trepadeira e ela já tinha vários metros de altura. Das duas uma, ou andei muito distraida ou a "plantinha" se disfarçou bem enquanto tomava conta do local.
De forma sub-repticia, germinou numa linha de escoamento de águas da chuva, a 100 metros da minha casa e, de forma determinada lá foi crescendo, apoiando-se aqui e ali nas plantas mais fortes que foi encontrando no caminho, como quem faz uma escalada. Uma coisa é certa, no ano anterior não estava lá. 
Contudo, o mais surpreendente estava para vir, quando uns dias mais tarde me deparei com nova trepadeira da mesma espécie, dissimulada na beira da sebe de heras que protege o meu jardim do vento sul do inverno. A planta nasceu fora do meu terreno, alimentada pela humidade de uma regueira que corre num nível muito inferior ao do meu muro e lá foi subindo, subindo, até chegar onde queria, para florir por entre as folhas da hera e os losangos da rede, espreitando primeiro de forma algo tímida e depois, criando ânimo, apresentando-se em toda a sua beleza e esplendor.
Esta é uma espécie exótica nativa da África do Sul mais especificamente das regiões de Natal e Cabo, onde o clima é tipicamente mediterrânico (verões quentes e secos e invernos chuvosos). Foi introduzida na Europa meridional e noutras partes do mundo nomeadamente na Califórnia, sudoeste da Austrália, Nova Zelândia, sudoeste asiático onde ocorre até cerca de 650 m de altitude. Apesar do clima do Hawaii ser mais quente que o do habitat nativo, também aí esta espécie se naturalizou, embora apenas ocorra entre os 800 e os 2000 m de altitude, onde as temperaturas são mais frescas.
Delairea odorata foi introduzida na Europa em meados do século XIX, com fins ornamentais, tendo sido incentivado o seu cultivo em jardins e estufas em função da beleza das suas florações suavemente perfumadas e também devido ao seu rápido crescimento e fácil propagação. Contudo, Delairea odorata mostrou-se traiçoeira. POssivelmente apreciadora da liberdade, depressa cortou as “amarras” e fazendo transportar a suas numerosas e leves sementes para fora dos jardins e viveiros, com a ajuda do vento, foi naturalizar-se onde melhor lhe convinha. O pior é que se verificou que não é uma planta recomendável devido à sua tendência em competir com a vegetação autóctone. 
Delairea odorata cresce rapidamente e de forma agressiva. Apesar de não ter gavinhas ou raízes aéreas facilmente encontra forma de subir até às árvores e arbustos mais altos, enrolando-se nos seus troncos e subindo de forma progressiva, privando-os de luz e em casos mais graves, sufocando-os de forma letal. Quando não encontra suporte vertical, Delairea odorata forma tapetes densos que cobrem totalmente o solo matando a vegetação nativa, não só tapando-lhes a luz solar mas também alimentando-se dos seus nutrientes e impedindo que se reproduzam por semente.
Aparentemente as sementes de Delairea odorata não têm nenhum mecanismo que lhe induza dormência pelo que germinam rapidamente, quer se encontrem à superfície ou semi-enterradas no solo e conseguem fazê-lo numa ampla gradação de temperaturas. As sementes são viáveis durante décadas pelo que os bancos de sementes desta espécie se vão acumulando no subsolo.
Encontra-se de preferência em locais húmidos como margens de linhas de água, pastagens, bosques húmidos, beira dos caminhos florestais e ambientes ruderalizados, perto de habitações.
Esta espécie invade geralmente as zonas litorais onde o clima é mais fresco e também mais húmido, o que não impede que ocorra em locais moderadamente secos ou até mesmo secos. É resistente a geadas ligeiras e existem registos da sua presença em arribas do litoral onde está exposta aos salpicos salgados da água do mar. Tanto cresce em pleno sol como na sombra e não é esquisita no que toca ao tipo de solo desde que seja fértil. É, pois, uma espécie com feitio acomodaticio e flexivel, cuja excelente adaptabilidade é a chave do seu sucesso como planta invasora.
De notar que não só altera o habitat das espécies nativas mas também afeta a vida da fauna, com especial incidência nas zonas ribeirinhas pois possui alcaloides bastante tóxicos capazes de envenenar os ambientes aquáticos. A planta também é considerada tóxica para o gado e para os humanos.
Delairea odorata é, como já vimos, uma trepadeira vigorosa, de folhagem perene, cujos caules longos e volúveis são herbáceos em quase toda a sua extensão exceto na base que é algo lenhosa. 
Os caules volúveis.
Os caules emitem ramificações que rapidamente crescem e, sendo bastante fracos e flexíveis, logo procuram suporte, enrolando-se em qualquer estrutura que encontrem à sua beira. Com o tempo tornam-se mais grossos, embora não excedendo os 10 mm de espessura. O seu aspeto é carnudo e partem-se com facilidade, enraizando com facilidade a partir do mais pequeno pedaço. Também os nós que tocam no solo criam raizes com facilidade. São verdes, por vezes avermelhados, glabros (sem pelos) e com seção cilíndrica. 
As folhas lobadas são semelhantes às da hera.
As folhas surgem na extremidade de longos pecíolos; são finas mas de aspeto carnudo com limbos de cor verde, encerado e brilhante; dispõem-se nos caules de forma alternada e estão divididas em vários lobos triangulares com a base recortada, de forma muito semelhante às folhas de hera; são fragrantes quando esmagadas. As folhas da parte superior da planta são mais pequenas que as da parte de baixo.
As florinhas reúnem-se em capítulos, que por sua vez constituem os corimbos.

As inflorescências de Delairea odorata são corimbos muito densos que surgem na axila das folhas na extremidade dos ramos e que são constituídos por numerosos capítulos (de 15 a 50). 
Aqui, as flores ainda estão fechadas o que nos permite observar as brácteas que formam
 o invólucro e as bractéolas abaixo dos invólucros.
As 8 a 12 florinhas que formam cada capítulo inserem-se num recetáculo em forma de disco, formando um conjunto que é protegido por umas 8 a 10 brácteas de cor verde que formam um invólucro cilíndrico com metade do tamanho das flores. Na base do invólucro existem 2 (por vezes 4) bractéolas, também de cor verde e que são características desta espécie e por conseguinte, importantes para a sua identificação. 
As florinhas abertas apresentando os bordos lobados e os braços estigmáticos aguardando pelo pólen.

As florinhas, de um amarelo brilhante são afuniladas, com corolas em forma de tubo com bordos divididos em 5 lobos revirados para fora. Ao contrário de muitas outras espécies da mesma família (Asteraceae) as florinhas de Delairea odorata não têm lígulas, semelhantes a pétalas. Todas as flores são perfeitas, ou seja, estão equipadas com órgãos reprodutores masculinos e femininos. Os filamentos dos estames são um pouco mais compridos que as corolas e juntamente com as anteras formam uma espécie de cone. Emergindo do ovário, o estilete é filiforme e termina num estigma com dois braços, distintamente salientes e cujas extremidades são truncadas e divididas em segmentos filamentosos paralelos e muito finos formando uma espécie de franja. Curiosamente, o estilete e os estames desta espécie estão unidos na base, formando uma coluna comum, separando-se apenas na parte superior. 
As flores são suavemente perfumadas o que justifica o epiteto especifico de odorata. 
As flores são polinizadas por insetos, não havendo registo de autopolinização. De facto esta é uma espécie protândrica, ou seja, as anteras amadurecem antes dos órgãos femininos. Acontece que as anteras abrem e libertam o polen enquanto as florinhas ainda estão fechadas mas a autopolinização nesta fase parece pouco provável porque os estigmas ainda estão unidos e mantêm-se muito apertadinhos dentro da corola fechada. A polinização acontece apenas depois que o estilete se tiver alongado para um nível superior ao das anteras, altura em que se divide em dois braços, expondo a superfície estigmática que é recetiva ao pólen trazido de outras plantas pelos insetos.
Cada florinha de cada capitulo se transforma numa semente com a sua coroa de pelos fofos, o papilho.

Depois de polinizadas as flores dão origem a inúmeros frutos denominados cipselas e que são constituídos por uma semente quase cilíndrica e uma coroa de pelos denominada papilho.
Semente e papilho.
Impulsionado pelo vento, o papilho ajuda a semente a viajar longas distâncias, numa ou mais viagens de parapente.
 
Distribuição de Delairea odorata em Portugal continental. Fonte.
Em Portugal Delairea odorata distribui-se pelo litoral norte e centro do território continental, na ilha da Madeira e na maioria das ilhas dos Açores. Geralmente floresce durante o inverno, entre os meses de janeiro e março.
A forma mais efetiva de evitar a sua dispersão é o arranque manual, tendo o cuidado de descartar em local próprio todos os pedaços da planta, pois ela não se reproduz só por semente, mas também vegetativamente. Qualquer segmento de caule que caia no chão ou seja transportada pela água, tem boas probabilidades de enraizar. Não deve, pois, ser adicionada aos resíduos de jardim.
O método mais utilizado na sua erradicação inclui produtos químicos, os quais são nocivos para a fauna e flora e que cada vez são menos eficazes no seu objetivo pois as plantas vão criando resistência aos químicos, embora continuem a poluir o ambiente.
Nos últimos anos têm sido estudados métodos de controlo biológico que não degradem ainda mais o ambiente. Foi proposto utilizar-se a traça (Digitivalvadelaireae) e a mosca (Parafreutretaregalis), inimigos naturais da planta na Africa do sul e que poderão causar grande dano comendo as folhas de Delairea odorata, minando os caules e neles colocando o seus ovos. Nos Estados Unidos, nomeadamente no estado da Califórnia, que é o estado mais atingido, foi já  autorizada a largada da traça acima referida, pela USDA-APHIS Technical Advisory Group on Biological Control of Weeds.  

Delairea odorata pertence à família Asteraceae, a maior das famílias botânicas de plantas de flor. Esta planta em particular está muito relacionada com o género Senecio no qual já esteve incluída com o nome Senecio Mikanioides, classificação que muitos continuam a usar. No entanto esta espécie foi transferida para o género Delairea do qual é a única representante. A principal característica que a diferencia de Senecio são as bractéolas que se situam na base do invólucro. 

No que diz respeito à taxonomia esta espécie tem um historial muito confuso devido à sua publicação quase simultânea por dois autores diferentes. 
A primeira descrição cientifica da planta e da sua inclusão no género Delairea Lem. foi publicada em 1844 por Lemaire que a descreveu como “espécie distinta diferindo de parentes próximos pelo papilho unisseriado, capítulos com flores todas hermafroditas, etc”.
Em 1845 Walpers publicou a descrição de uma planta largamente cultivada na Alemanha (só posteriormente  se percebeu que era a mesma a que se referia Lemaire) e que ele denominou Senecio mikanioides Otto ex Walpers ou Senecio mikanioides Wapers, mencionando que já se lhe tinha referido numa anterior publicação, embora sem carater formal. 
Numa publicação posterior, a planta foi confirmada no género Senecio por Harvey (1894). Mais recentemente, em 1986 e também em 1992 o botânico Jeffrey publicou varias revisões do género Senecio, tendo voltado a incluir a planta no género Delairea com o nome cientifico Delairea odorata Lem., baseando-se na forma acampanulada do limbo da corola e outras características morfológicas. Entretanto, cada vez mais taxonomistas se põem de acordo com a nova classificação. Apesar disso, nota-se ainda uma grande habituação ao nome antigo, o que não é de estranhar.

Fotos:Serra do Calvo/Lourinhã


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Erigeron karvinskianus DC.

Nomes comuns: 
Vitadínia-das-floristas, intrometidos, floricos, margaridas, teresinhas, margacinha

Erigeron karwinskianus
O tema de hoje vem na sequência do “post” anterior no qual foi feita referência ao género Erigeron e à sua estreita relação familiar com o género Conyza. Conforme então mencionado, varias espécies foram transferidas de Erigeron para Conyza. Apesar de terem mantido os nomes científicos anteriores como sinónimos, tais alterações implicaram um acentuado emagrecimento no género Erigeron, sobretudo no que diz respeito às espécies que ocorrem em Portugal. De facto, o género Erigeron é, agora, muito pouco representado no nosso território, limitando-se a uma rara espécie nativa Erigeron acris e a uma exótica, a belíssima mas proscrita Erigeron karvinskianus.
Erigeron karwinskianus
Esta espécie exótica é nativa do México, Honduras, El Salvador e Guatemala onde ocorre em regiões montanhosas desde os 900 até aos 3500 metros de altitude. No seu habitat natural ela cresce principalmente nas encostas íngremes, penhascos ou fendas de rochas, abundante tanto em florestas húmidas e cerradas como em terreno descoberto. Contudo, esta é uma espécie generalista, isto é, tolera uma vasta gama de condições ambientais e edáficas o que ajudou à sua proliferação.
Erigeron karwinskianus
Hoje em dia encontra-se amplamente naturalizada nas regiões de clima subtropical e temperado de todo o mundo, crescendo em qualquer lugar onde o vento deposite as suas pequenas sementes, nomeadamente em muros, rachas do solo, entre as pedras da calçada, bosques, charnecas, beira dos caminhos, margens dos cursos de água e dunas.
Erigeron karwinskianus

Especialmente apreciada pelas suas qualidades decorativas foi introduzida na América do norte e do sul, China, Índia, Europa, África e Oceânia, largamente comercializada como planta ornamental de exterior, proporcionando grandes proventos a cultivadores e viveiristas. Escapando dos jardins graças às suas numerosas e leves sementes, depressa se aclimatou em liberdade, tornando-se invasiva em territórios fora do seu habitat nativo, reproduzindo-se e espalhando-se rapidamente, formando tapetes densos e abafando as plantas autótones. 
Erigeron karwinskianus
O problema maior tem-se registado em ilhas oceânicas onde o índice de endemismos é mais elevado. Entre os casos mais conhecidos contam-se as ilhas tropicais dos oceanos Índico (ex: Ilhas de Reunião) e Pacífico (ex: Hawaii), e também na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. É por essa razão que faz parte da lista negra de espécies de maior risco invasor nessas regiões. 
Erigeron karwinskianus
Embora demonstre um comportamento menos agressivo na Europa, sobretudo nos países mais frios do norte (ex Suécia)  é, ainda assim, considerada uma espécie com potencial comportamento invasor em vários países, como a Espanha, a Itália, Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, entre outros. Apesar disso, Erigeron karvinskianus é uma planta muito apreciada e por isso continua a ser cultivada e a gerar importantes receitas no comércio das plantas ornamentais. Em muitos países a planta é comercializada sem restrições e as suas sementes  publicitadas e disponibilizadas através da internet.
Erigeron karwinskianus
Alguns países (embora poucos) colocaram esta espécie na sua lista negra, como é o caso de Portugal, publicando leis que proíbem a introdução da espécie, o seu cultivo e o comércio (anexo I do Decreto-Lei n° 565/99, de 21 dezembro). Devo dizer que não me foi possível conseguir dados estatísticos que me permitam saber qual o grau de invasão desta planta em Portugal continental. Quanto às ilhas, regista-se uma tendência invasora sobretudo nos Açores, o que já de si é muito preocupante. Assim, tudo me leva a crer que a proibição do comércio e cultivo é uma acertada medida, considerando os riscos inerentes e tomando como exemplo dezenas de outras espécies invasoras que a pouco e pouco vão invadindo os nossos espaços naturais. É que, por muito belo que seja o efeito que proporciona a um canteiro, uma espécie exótica acarreta muitos perigos, podendo causar a extinção de espécies nativas que são importantes para o equilíbrio ambiental. Pode ler mais AQUI sobre as plantas invasoras.

De notar que Erigeron karvinskianus não é invasora nas regiões de onde é nativa (Mexico, Honduras, El Salvador e Guatemala) vegetando em perfeito equilíbrio com os ecossistemas naturais e onde os seus inimigos naturais a mantêm dentro dos limites saudáveis.
Mapa de distribuição de Erigeron karwinskianus na Península Ibérica a que correspondem 114 registos.
 Fonte Sistema Anthos
Erigeron karvinskianus é uma planta perene mas de vida relativamente curta. As raízes são fibrosas do tipo rizomatoso. O seu porte é baixo e forma moitas alargadas e densas devido aos emaranhamento dos caules. 
Os caules são numerosos, ramificados, finos e prostrados ou ascendentes, com alguns pelos esparsos, não ultrapassando os 40 ou 50 cm de comprimento. Apesar do seu aspeto frágil são resistentes e com a idade tornam-se sublenhosos na base.
Erigeron karwinskianus
As folhas soltam uma suave fragrância quando esmagadas. São pequenas e ligeiramente pubescentes. As primeiras folhas formam uma roseta basal, são recortadas formando 3 lóbulos e morrem logo que surgem os primeiros caules. As folhas caulinares apresentam forma obovada ou elíptica, com margem inteira ou com algum dente terminal. O pecíolo é curto ou inexistente.
Erigeron karwinskianus
As flores reúnem-se em capítulos bem pequeninos, com menos de 1 cm de diâmetro, os quais se inserem na extremidade de compridos e finos pedúnculos. Os capítulos são do tipo radiado, semelhantes a malmequeres. 

Apesar de ter capítulos de um tamanho bastante mais pequeno que a maioria das espécies do tipo malmequer, Erigeron karwinskianus é, ainda assim, muitas vezes confundida com outras espécies da mesma família, como por exemplo Bellis sylvestris, uma espécie autóctone cujas inflorescências e folhas são maiores e de floração menos exuberante.
Erigeron karwinskianus
As flores centrais têm cor amarela, forma tubular e estão equipadas com órgãos reprodutores masculinos e femininos; as flores periféricas são femininas e estão providas de hemilígulas (lígulas mais estreitas) de cor branca, que após a ântese e respetiva polinização se vão tornando progressivamente rosadas, uma informação útil para os insetos que assim ficam avisados que as flores já estão fecundadas, já nada tendo para lhes oferecer. 
Erigeron karwinskianus
As brácteas que formam o invólucro são linear-lanceoladas, de cor verde, manchadas de castanho e com margens membranosas. 
Erigeron karvinskianus floresce praticamente durante o ano inteiro mas com maior abundância de fevereiro a novembro. 
Erigeron karwinskianus

Nesta foto vemos os frutos em processo de formação.
Após a fecundação as
pétalas deixaram de ser necessárias e caíram.


Erigeron karwinskianus
Nesta foto pode ver-se o disco que serviu de receptáculo às flores e segurou os frutos até à maturação. Alguns  frutos (denominados cipselas) ainda estão agarrados ao disco,  notando-se os pelos compridos que constituem o papilho. Também se notam os restos das brácteas involucrais que nesta espécie permanecem até à maturação.

Nesta foto pode ver-se o disco que serviu de receptáculo às flores e segurou os frutos até à maturação. Alguns  frutos (denominados cipselas) ainda estão agarrados ao disco,  notando-se os pelos compridos que constituem o papilho. Também se notam os restos das brácteas involucrais que nesta espécie permanecem até à maturação.
Os frutos são cipselas, com papilho de pelos compridos e acastanhados muito pequenos e facilmente levados pela brisa.

O género Erigeron a que pertence a espécie Erigeron karvinskianus, é um dos muitos que compõem a família das Asteraceae, também denominada Compositae, vulgo compostas, nome que, como já sabemos, refere a forma composta como se organizam as inflorescências características da família. É um género bastante cosmopolita mas predomina nas regiões temperadas. Erigeron inclui atualmente cerca de 200 espécies das quais cerca de metade são nativas do América do norte. Segundo alguns autores, o seu centro de diversidade primário e de origem evolucionária encontra-se na faixa ocidental da América do norte e México enquanto os centros de diversidade da América do sul, Cáucaso, Alpes, Himalaias e Ásia oriental são considerados secundários. Taxonomicamente é um género muito difícil, situação partilhada por quase todos os géneros desta família que é tão complicada, devido à sua enorme riqueza e diversidade.

A primeira amostra de Erigeron karvinskianus trazida para a Europa (entre 1827 e 1832) foi recolhida no México. Esta espécie foi inicialmente descrita pelo botânico francês Augustin P. de Candolle (DC) em 1836 e o nome especifico homenageia o naturalista e coletor de plantas alemão W. Friedrich von Karwinsky. Desde então, muitos sinónimos foram atribuídos a esta espécie como por exemplo Erigeron mucronatus, o qual é ainda muitas vezes usado.
Os primeiros registos de naturalização de Erigeron karvinskianus em França datam de 1856, mas depressa alastrou a outros países europeus. Por volta de 1878 já estava em Portugal. Foi registada no norte da Itália em 1900, na Suíça em 1920 e nas ilhas do Canal da Mancha em 1925. Os primeiros registos da sua presença na Austrália datam de 1908 e em 1911 estava no Hawaii. Na Nova Zelândia e Japão os registos são mais recentes, respetivamente de 1940 e 1949.

Erigeron acris subespécie acris

Além da espécie exótica Erigeron Karvinskianus existe em Portugal mais uma espécie do género, a Erigeron acris a qual goza de um estatuto diferente, pois é uma espécie nativa europeia e que se pode encontrar desde o mediterrâneo até aos países nórdicos. Esta é uma espécie muito variável, do que resulta divisão da espécie em diversas subespécies, com descrições e características nem sempre consistentes nas diversas floras europeias.

Erigeron acris subsp acris.
Foto de Kristian Peters . Fonte Wikimedia commons.
Erigeron acris subespécie acris é autóctone em Portugal continental (inexistente nas ilhas) mas parece ser rara, havendo poucos registos da sua existência. Vulgarmente, é conhecida como erva-dos-coelhos ou erva-dos-velhos. 

Erigeron acris subsp acris.
Foto de Kristian Peters. Fonte Wikimedia Commons.
É uma planta bienal, rasteira (dos 10 aos 40 cm de altura), de caules eretos e ramificados, densamente peludos, assim como as folhas. Nas inflorescências as flores da periferia apresentam lígulas estreitas de cor branca ou rosa, as flores interiores são amareladas e tubulares. Cresce principalmente em terrenos arenosos, ou nas rachas dos terrenos rochosos.
Erigeron acris subsp acris. 
Foto de Matti Virtala. Fonte Wikimedia Commons.

Fotos de Erigeron karwinskianus: Serra do Calvo/Lourinhã





domingo, 31 de julho de 2016

Tolpis barbata (L.) Gaertn.

Nomes comuns: 
Leituga; olho-de-mocho

Tolpis barbata
A bela Tolpis barbata é mais uma espécie da família Asteraceae (Compositae), comumente conhecida como família dos malmequeres. As suas cores vibrantes sobressaem entre as outras herbáceas de baixo porte que constituem as comunidades vegetais onde se insere, maioritariamente gramíneas. 
Tolpis barbata
Podemos encontra-la de abril a julho, medrando em locais tradicionalmente secos mas cujos solos possuem um certo grau de acidez, na beira dos caminhos, campos incultos e até em solos arenosos do litoral ou do interior. É nativa da região mediterrânica ocidental, incluindo Portugal continental e arquipélago da Madeira. Também existe nos Açores mas como espécie naturalizada.

Tolpis barbata
Tolpis barbata é uma planta de tamanho variável cujos caules eretos ou ascendentes podem ir dos 5 aos 90 cm de altura, dependendo da disponibilidade de água no solo; são glabros ou ligeiramente revestidos de pelos curtos, finos e macios; podem apresentar-se simples ou ramificados na parte superior e as hastes ramificadas são muitas vezes mais compridas que o caule principal.
Tolpis barbata - folhas em forma de rosacea
Fonte Wikipedia. Foto de Xemenendura
As primeiras folhas desenvolvem-se rentes ao solo. Apresentam forma lanceolada com as margens inteiras, dentadas ou profundamente recortadas. 

Tolpis barbata

Tolpis barbata
Os caules são praticamente nus de folhas e as poucas que neles possam surgir são bastante mais pequenas e estreitas, tanto mais estreitas quanto mais alto se posicionarem.
Tolpis barbata
As flores são a parte mais interessante desta planta. Tal como acontece com a maioria das espécies da família Asteraceae as flores de Tolpis barbata organizam-se em inflorescências muito peculiares, denominadas capítulos. 

Tolpis barbata
Numa base discóide (recetáculo) que surge no ápice de um longo pedúnculo, inserem-se múltiplas pequenas flores, formando um conjunto muito bem organizado que se assemelha a uma única flor. Tal arranjo é muito atrativo para os insetos polinizadores o que, por si só, é garantia de polinização para todas as florzinhas, permitindo a formação de numerosos frutos.
Tolpis barbata
Consoante as necessidades das diversas espécies da família das Asteraceae/Compositae, as florzinhas do capítulo podem apresentar arranjos sexuais diversos (femininas ou masculinas ou bissexuais) e também apresentar 2 tipos de flores que se organizam de 3 formas: apenas tubulosas, apenas liguladas ou uma combinação dos dois tipos. No caso de Tolpis barbata as florzinhas do capítulo são todas liguladas, sem escamas interseminais e são também todas perfeitas ou seja, bissexuais, embora de tamanhos e cores diferentes. Às do centro que são de cor púrpura, segue-se um anel de flores amarelas; as da periferia são também amarelas mas de um tom mais claro, com tiras de uma cor esverdeada na parte de trás.
Tolpis barbata
Cada pequenina flor individual é constituída por um ovário inferior, uma corola tubular composta por 5 pétalas soldadas e um conjunto de 5 estames cujas anteras de cor purpura se fundem formando um tubo através do qual surge o estilete de cor amarelada.
Tolpis barbata
De forma geral os capítulos das Asteraceae estão envolvidos por series de brácteas, formando um invólucro que substitui as sépalas na proteção do jovem capítulo ao longo do seu desenvolvimento.

Tolpis barbata

 O invólucro de Tolpis barbata é muito característico, sendo formado por 2 tipos de brácteas, as interiores lanceoladas e eretas, formando uma espécie de taça bem ajustada e as exteriores que são muito desenvolvidas, lineares e curvadas, bem separadas umas das outras.

Tolpis barbata
A polinização de Tolpis barbata é realizada por diversos tipos de insetos. Uma vez que as flores são individualmente muito pequenas não é difícil chegar ao néctar existente dentro das corolas tubulosas, não sendo necessário ter longos probóscides (como as abelhas) para o alcançar. O próprio pólen é libertado sobre a superfície das florinhas estando disponível para qualquer inseto que ali seja atraído. Mas se assim é, como é possível evitar que as flores sejam fecundadas pelo seu próprio pólen? Embora existam espécies de Asteraceae que optam pela autopolinização, esse não é o caso de Tolpis barbata que prefere que as sua flores sejam fecundadas pelo pólen de flores de outros capítulos, quer sejam eles da mesma planta ou de plantas vizinhas. São várias e por vezes muito sofisticadas as estratégias adotadas pelas plantas para que exista a desejada incompatibilidade, mas Tolpis barbata parece ter resolvido a questão, optando por fazer amadurecer os estames e gineceu das flores do mesmo capítulo em tempos diferentes.
Tolpis barbata
Os frutos são tecnicamente designados por cipselas (e/ou aquénios segundo alguns botânicos). Possuem uma única semente e não abrem na maturação. Em Tolpis barbata são de dois tipos: os que resultam da fecundação das flores exteriores possuem um tufo de pelos muito curtos enquanto os interiores possuem uma mescla de pelos muito curtos com 2 aristas rígidas e muito longas. 
Tolpis barbata
Estes pelos e as aristas são denominados pappus (latim) ou papilho e a sua função é acrescentar aerodinamismo aos frutos, ajudando-os na sua dispersão pelo vento, prolongando o seu tempo no ar e aumentando a sua hipótese de serem arrastados para longe.

Tolpis barbata foi originalmente descrita como Crepis barbata por Lineu, em Species Plantarum, vol.2, p. 805 em 1753. Foi posteriormente reclassificada por Joseph Gaertner que a transferiu para o género Tolpis, tendo a retificação sido publicada em De Fructibus et Seminibus Plantarum vol.2, p. 372 em 1791.

O género Tolpis distribui-se predominantemente pela região da Macaronésia (i.e., Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde), com poucas ocorrências nas regiões de clima mediterrânico da Europa ocidental/Norte de África e da África do sul/Madagáscar. O número de espécies incluídas neste género varia entre 12 (Jarvis 1980) e 20 (Tomb 1977, Bremer 1994) havendo, em consequência, algumas divergências quanto à circunscrição do género.
No que diz respeito a Portugal e outros países mediterrânicos, os botânicos ainda não se puseram de acordo quanto à existência de 1 ou 2 espécies. Ou seja, há quem admita a existência de uma segunda espécie Tolpis umbellata que supostamente se diferencia de T. barbata por ser de menor envergadura e ter capítulos mais pequenos, algumas vezes com todas as flores da mesma cor ou mesmo com o “olho” de cor purpura. Ora, estas ligeiras diferenças morfológicas podem apenas ser ocasionais, resultantes do gradiente climático e acentuadas por uma maior ou menor disponibilidade de água no solo, pelo que T.umbellata é também considerada por alguns como sinónimo de T.barbata e por outros como uma subespécie desta última.
Mapa dos territórios incluídos na chamada Macaronésia.
Macaronésia é o nome que designa uma região biogeográfica de particular riqueza botânica que inclui os arquipélagos dos Açores, Madeira, Canárias, Cabo Verde e ainda uma faixa costeira do noroeste de África. Estas regiões apresentam ecossistemas únicos e uma elevada diversidade de espécies e endemismos. A Macaronésia não foi seriamente afetada pelas sucessivas alternâncias climatéricas de grande impacto do período quaternário, pelo que muitas espécies extintas na Europa continental conseguiram sobreviver nos territórios da Macaronésia. Muitas dessas espécies fazem parte do que resta das florestas Laurissilva, recheadas de verdadeiras relíquias.
Sob o ponto de vista biogeográfico Tolpis é um género notável, pois a maior parte das espécies que o compõem são endemismos das ilhas da Macaronésia, com espécies endémicas em todos os grupos de ilhas. Apenas outros 4 géneros têm espécies endémicas em cada um dos mesmos arquipélagos, nomeadamente Carex, Euphorbia, Festuca e Lotus. Contudo, estes 4 géneros estão muito mais difundidos fora da Macaronésia, tanto em numero de espécies como em distribuição geográfica, do que o género Tolpis que predomina nessas ilhas. Por isso, a biogeografia de Tolpis fornece excelente matéria para o estudo da evolução e diversificação resultantes da colonização das ilhas oceânicas. Este género tem sido alvo de diversas investigações sobre os mecanismos de isolamento reprodutivo, testando, por exemplo, barreiras de esterilidade, a diversidade genética dentro e entre espécies endémicas locais, a teoria da autocompatibilidade insular inicial, entre outros parâmetros. De notar que o isolamento reprodutivo é condição necessária ao processo evolutivo pelo qual as espécies se formam (especiação). Ou seja, o isolamento reprodutivo geográfico/biológico não só explica a origem das espécies como também a sua enorme diversidade.  
Apesar da considerável bateria de testes já realizados pouco sabemos sobre as relações de parentesco entre as espécies deste género e também sobre a sequência das colonizações.

Curiosamente, Tolpis poderá ter um historial de dispersão fora do comum. Estudos em curso sugerem a intrigante possibilidade de que as espécies continentais hoje existentes podem ter derivado de espécies insulares, um padrão oposto ao encontrado nos outros endemismos da Macaronésia. (Até à data, situação semelhante só foi comprovada para uma única espécie, Aeonium Webb & Berthel., da família Crassulaceae). Ou seja, alguns botânicos propõem a seguinte teoria: após se ter dispersado para as ilhas a partir do continente europeu, o género Tolpis ter-se-á extinguido no espaço continental devido a questões climatéricas. Posteriormente a espécie terá seguido o caminho inverso, dispersando-se das ilhas para o continente e recolonizando a Europa. Todo o processo, muito complexo e com múltiplas colonizações, terá ocorrido ao longo de milhões de anos numa época em que a morfologia da Terra era bem diferente do que é hoje. Eventualmente a distância entre as áreas de dispersão era mais curta, condicionada a forças como a deriva continental, a alteração do nível do mar e ainda a formação de ilhas oceânicas intermédias. 
Por exemplo, reconstruções das linhas costeiras durante o ultimo máximo glacial, há cerca de 18000 anos, demonstram que o nível do mar estava 120 m abaixo do que acontece nos dias de hoje, revelando a existência de diversas ilhas entre os arquipélagos da Macaronésia e o espaço continental. Antes de ficaram submersas pela subida do nível do mar essas ilhas poderão ter servido de escala, ajudando na dispersão de Tolpis, o que infelizmente não foi ainda possível comprovar porque não existem fosseis.
Sobre matérias tão variadas e fascinantes há ainda muito por descobrir. O biólogo alemão Ernst Mayr  (1904/2005) que se dedicou ao estudo da evolução das espécies dizia “é como se a natureza tivesse feito toda uma serie de experiências e a nossa tarefa seja meramente analisar os resultados”.

Espécies endémicas do género Tolpis:
A maior parte das espécies de Tolpis são endémicas da Macaronésia o que o tornam notável e objeto de muitos estudos e teorias, algumas consensuais, outras nem por isso. Estas espécies são definitivamente distintas das suas parentes continentais, embora as diferenças não sejam espetaculares. Contudo, uma das característica que possuem é considerada muito interessante e só por si significativa por se tratar de plantas herbáceas. Com exceção das espécies Tolpis barbata e Tolpis coronopifolia (nativas, respetivamente, da região mediterrânica e Canárias) todas as outras desenvolvem caules lenhosos. Ora, estudos moleculares filogenéticos indicaram que a lenhificação evoluiu apenas após a dispersão para as ilhas, possivelmente em resultado da intensa competição pelos recursos em ambientes insulares estáveis. Ou seja, a lenhificação surgiu no ancestral comum a todas as espécies existentes, seguido de duas reversões independentes para o hábito herbáceo. Tal evidência significa que Tolpis poderá representar o primeiro exemplo documentado de um grupo de plantas lenhosas da Macaronésia que recolonizou o continente revertendo para a forma herbácea, em resposta às condições ecológicas. De notar que tanto T. barbata como T. coronopifolia preferem ambientes perturbados e secos em contraste com a maioria das endémicas que, de forma característica, habitam zonas húmidas e montanhosas.
Para além de Tolpis succulenta que é partilhada por Açores e Madeira, existe mais uma espécie nos Açores Tolpis azorica e outra na Madeira Tolpis macrorhiza. Existem cerca de meia dúzia nas Canárias e uma espécie Tolpis farinosa em Cabo Verde.  
A maior abundância de endemismos do género nas Canárias tem sido alvo de estudos mais aprofundados e ao que parece foram resultado da colonização das ilhas combinada com radiaçãoadaptativa  e hibridação entre as espécies.

Tolpis macrorhiza (Hooker) de Candolle
Esta espécie é um endemismo do arquipélago da Madeira.
É uma herbácea perene cujos caules ascendentes, simples ou ramificados, podem crescer até aos 50 cm de altura. Medra entre as rochas ensolaradas da floresta Laurissilva e do maciço montanhoso central, florescendo de junho a agosto. As folhas são glabras e algo carnudas, de cor verde brilhante, de forma oblanceolada e com a margem dentada. As Inflorescências estão organizadas em capítulos, com flores todas liguladas de cor amarela. As brácteas são significativamente maiores que os capítulos. Os frutos são cipselas.
Tolpis macrorhiza - gravura de William Jackson Hooker
Fonte Wikiwand 
Veja fotos Tolpis Macrorhiza AQUI.

Tolpis succulenta (Dryand. in Aiton) Lowe
Esta espécie é um endemismo açoriano-madeirense, podendo ser encontrada em todas as ilhas dos arquipélagos da Madeira e Açores. Cresce em escarpas rochosas e falésias costeiras. Na Madeira cresce até 1000m de altitude mas nos Açores prefere situações a baixa altitude.
É uma planta perene que habitualmente cresce de forma pendente. Os ramos podem crescer até aos 40 cm e são glabros, tornando-se lenhosos com a idade. As folhas são lanceoladas, de aspeto carnudo e com a margem dentada. As inflorescências em capítulo são compostas de flores liguladas de cor amarela, com uma faixa mais escura na parte de trás. As brácteas interiores são mais longas que as exteriores. Floresce de junho a setembro e os frutos são cipselas.
Tolpis succulenta. Fonte Governo dos Açores

Tolpis azorica (Nutt.) P.Silva
Esta espécie é um endemismo dos Açores, distribuindo-se por todas as ilhas exceto Graciosa.
Cresce em locais permanentemente húmidos como margem de cursos de água, zonas turfosas, orlas das pastagens, bermas das estradas e florestas de louro-cedro, muitas vezes acima dos 600 m. de altitude.
É uma herbácea perene cujos caules uniformemente ramificados crescem até aos 70 cm. As folhas são glabras, de forma oblonga e com margens profundamente dentadas. As inflorescências são capítulos formados por flores liguladas de cor amarela.

Tolpis azorica. Fonte Governo dos Açores

Fotos de Tolpis barbata: Serra do Calvo e Zambujeira /Lourinhã