"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eryngium dilatatum Lam.

Cardinho-azul



aqui falei da espécie Eryngium maritimum e hoje trago mais uma planta do mesmo género, a Eryngium dilatatum.


O género botânico Eryngium pertence à família das Apiceae, também conhecida por Umbelliferae e inclui cerca de 230 espécies, nativas de prados montanhosos ou áreas rochosas e costeiras. As espécies deste género distribuem-se pela Europa, China e norte de África mas a maioria concentra-se na América do Sul.


As espécies europeias são geralmente espinhosas, tendo desenvolvido características semelhantes às dos “cardos” (ver aqui), como forma de adaptação às condições agrestes dos seus habitats, quer de montanha ou das zonas costeiras, onde estão sujeitas a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante ao frio cortante e também luminosidade excessiva, ventos fortes por vezes carregados de partículas de sal, escassez de nutrientes e reduzida disponibilidade de água. Geralmente chamam a atenção pelas suas cores em tons de azul, sendo muitas vezes cultivadas com fins ornamentais. Há ainda quem as utilize em arranjos de flores secas, tirando partido das suas inflorescências e folhagem, muito decorativas.


A Eryngium dilatatum é uma herbácea vivaz que apresenta um caule de pequenas dimensões, ereto e ramificado, podendo ir dos 10 aos 40 cm de altura. Distribui-se pela Península Ibérica e Marrocos e especificamente no que diz respeito a Portugal, podemos encontrá-la no litoral centro e sul, vivendo em terrenos secos e pedregosos, argilosos ou calcários.


Tanto as folhas basilares como as caulinares são muito divididas e espinhosas e são quase coriáceas, de cor verde.


As flores, de cor azul quando maduras, têm 5 pétalas uniformes e 5 estames proeminentes; estão providas de órgãos femininos e masculinos funcionais e reúnem-se de forma muito compacta em inflorescências semelhantes a capítulos.


É de notar que as plantas deste género não apresentam as inflorescências características da família das Umbeliferae/ Apiaceae (ver aqui). Isto é, em vez de inflorescências do tipo umbela, semelhantes a um guarda-chuva, as espécies Eryngium apresentam as flores reunidas em capítulos oblongos ou semi-esféricos. 


Os capítulos florais, de cor azul, estão rodeados de um anel de brácteas proeminentes, também em tons de azul e são estreitas e espinhosas, terminando com ápice agudo e rígido.


A planta floresce de maio a agosto e tal como as restantes espécies europeias do género Eryngium, atrai muitos insetos, principalmente abelhas e borboletas, os quais são os agentes polinizadores.


Os pequenos frutos são oblongos e escamosos.


Curiosidade:

O conhecido pintor alemão Albrecht Dürer, que viveu durante a época do Renascimento, pintou, aos 22 anos, um autorretrato em que segura na mão, uma planta. O imortal poeta alemão Goethe (falecido em 1832)  que também incluía a botânica nos seus inúmeros interesses, identificou esta planta como sendo  “Mannnestreu” ou seja uma planta do género Eryngium. Este autorretrato pode ser admirado no Museu do Louvre, em Paris.
Autorretrato de A.Dürer segurando planta do género Eryngium - 1493

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos de Eryngium dilatatum: Arribas da Praia do Caniçal-Lourinhã

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