"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cirsium arvense (L.) Scop.

Cardo-das-vinhas; cardo-hemorroidal; cardo-rasteiro


É com a espécie Cirsium arvense que concluo o ciclo que dediquei às plantas espinhosas que se podem encontrar na faixa litoral, que vai da Praia da Areia Branca ao Forte de Paimogo.

O Cirsium arvense é uma planta do género Cirsium (ver detalhes aqui), nativa da Eurásia mas que podemos encontrar em quase todas as regiões temperadas do globo. Foi introduzida no continente americano durante o século XVII onde ganhou o estatuto de planta invasora, proliferando vigorosamente, para arrelia e transtorno dos agricultores de cereais. A contaminação das sementes dos cereais parece ser responsável por grande parte da dispersão da espécie por outros continentes.

O Cirsium arvense não só se reproduz através de sementes como também se espalha por via subterrânea, através de rizomas, formando assim grandes colónias. Quando arrancada do solo forma novas plantas a partir de qualquer pequeno pedaço de raiz que tenha ficado. Por estas razões é muito difícil de erradicar.


Tal como muitas outras espécies espinhosas, o Cirsium arvense é uma planta nitrófila, o que quer dizer que tem especial preferência por solos enriquecidos com matéria orgânica e por consequência com alto teor de nitrogénio/azoto. Embora possamos encontrá-lo em solos leves, arenosos e secos, o Cirsium arvense prefere os solos profundos, frescos e bem arejados, como pastagens, campos cultivados ou não cultivados, beiras de caminhos e terrenos remexidos.


É uma planta perene, ereta e ramificada podendo atingir mais de um metro de altura. Os caules, de cor verde, são ocos, estriados, e apresentam alguns pelos esparsos. Ao contrário da maioria dos cardos e outras plantas com eles aparentadas, o Cirsium arvense não tem espinhos nos caules.

As folhas, verdes, são mais claras na página inferior, com alguns pelos; a margem das folhas provida de dois ou três espinhos, é dentada e ondulada, de forma que as curvas salientes alternam com as curvas reentrantes. As folhas não têm peciolos e as suas bases envolvem o caule.


As flores, de cor lilás, agrupam-se em numerosos e pequenos capitulos esféricos, com pedunculos revestidos de alguns pelos; todas as flores têm a aparência de tubos finos e compridos formados por 5 pétalas unidas, separando-se apenas na extremidade exterior.


 O involucro tem 5 camadas de brácteas sobrepostas como as telhas de um telhado, com pontas aguçadas, de cor purpura, sendo a última camada ligeiramente pubescente.


Ao contrário da maioria das plantas verdes em que o mesmo individuo apresenta orgãos reprodutores dos dois sexos, o  Cirsium arvense é geralmente uma planta dioica. Ou seja, na espécie Cirsium arvense as flores masculinas (com estames) e as femininas (com estigma, estilete, e ovário) ocorrem em plantas separadas. Aparentemente as plantas de sexos diferentes necessitam estar à distancia máxima de 100 m para poderem ser polinizadas.


A planta floresce e frutifica de junho a agosto.



Os frutos são cipselas de cor amarelada, de forma cilíndrica ou cónica, achatados e com um papilho de sedas muito abundantes que facilitam a dispersão pelo vento.  Diferenciam-se das outras espécies do género Cirsium por serem mais pequenos.



Cada planta produz entre 3000 a 5000 sementes as quais são um alimento muito importante para várias espécies de aves, geralmente canoras, nomeadamente tentilhões, pintaroxos, pintassilgos, papa-figos, verdilhões, etc.


A folhagem do Cirsium arvense também serve de alimento a mais do que 20 espécies de borboletas.

À semelhança da maioria das plantas silvestres, o Cirsium arvense tem sido utilizado ao longo dos tempos em medicina caseira, devido às suas propriedades terapeuticas. Todas as partes da planta são utilizáveis, nomeadamente em situações inflamatórias. Os banhos contra as hemorroidas devem estar na origem de um dos nomes pelo qual a planta é conhecida popularmente.

Este cardo é muito nutritivo, sendo por vezes utilizado em culinária embora não seja o mais saboroso.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).

Fotos: Arribas do Caniçal e Serra do Calvo- Lourinhã

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