"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 24 de junho de 2011

Daucus crinitus Desf.

Cenoura-brava-de-crina ou Cenoura-de-folha-miúda
A Daucus crinitus, é mais uma elegante e vistosa espécie do género Daucus e da família botânica Apiaceae, também chamada Umbelliferae, composta por cerca de 3000 espécies, maioritariamente plantas aromáticas, como por exemplo a salsa, o funcho e os coentros.

Foto de um exemplar de Conium maculatum- Wikipedia
Mas nem todas as plantas desta família são comestíveis, havendo algumas espécies muito venenosas como por exemplo a Conium maculatum, do género Conium, da qual é extraído o veneno conhecido por cicuta, que provoca a morte por paralisia muscular e respiratória. Este veneno é especialmente conhecido por estar associado ao grande filósofo grego Sócrates, que foi condenado à morte por ingestão de chá de cicuta, no ano 469 a.C.. Cicuta é também o nome de um género de plantas desta mesma família que compreende quatro espécies muito venenosas, nativas das regiões temperadas do Hemisfério Norte, algumas delas existentes em Portugal.
Tanto os frutos como as folhas e as brácteas são fundamentais para a identificação das plantas das Apiaceae/Umbelliferae. No entanto, a característica comum mais evidente é a inflorescência, composta por centenas de pequenas flores agrupadas em umbelas simples ou compostas.
Esquema básico de uma umbela simples
Nas umbelas simples, os eixos secundários têm todos a mesma altura e saem do mesmo ponto do pedúnculo.
Esquema básico de uma umbela composta
As umbelas compostas são formadas por umbelas de umbelas de menores dimensões.
Podem existir brácteas na base da umbela principal e bractéolas (brácteas mais pequenas) na base das umbelas secundárias. Em cada flor existem cinco pétalas separadas. As flores possuem nectários, os quais atraiem os insetos para as umbelas.
Especificamente, a Daucus crinitus é uma planta perene de caule ereto, tubular e estriado que pode atingir os 60 cm de altura. É ramificado na metade superior e algo retorcido, sendo ligeiramente áspero ao tato devido à presença de pelos muito curtos e rígidos.
Podemos encontrá-la em grupos ou solitária. Distingue-se perfeitamente da Daucus carota (post do dia 22 de junho) pois embora semelhantes ao primeiro olhar, tanto as inflorescências como as folhas apresentam características diferentes.
As folhas basais da Daucus crinitus são peludas e bastante numerosas. As caulinares são esparsas, sem pelos e têm forma linear a lanceolada, com segmentos muito divididos.
As flores são brancas e estão reunidas em umbelas compostas, de forma convexa ou plana, muito densas, em que os pedúnculos são longos e desiguais, com 10 a 30 raios. As brácteas, em número variável podendo ir de 6 a 10, são lineares e muito vistosas embora mais curtas que os raios . As umbelas secundárias têm 6 a 8 bracteolas. Os dentes do cálice são pouco desenvolvidos.
A planta floresce de maio a julho e distribui-se pela Península Ibérica e alguns países do norte de África, vivendo em qualquer tipo de solo, seja cultivado ou inculto, demonstrando grande resistência aos períodos de seca.

Distribuição em Portugal




Os frutos têm forma elíptica ou ovoide com bordos espinhosos frequentemente de cor violácea.
Fotos - Areia Branca e Caniçal/Lourinhã


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