"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 22 de junho de 2011

Daucus carota L.

Cenoura-brava
Durante os meses de verão esta elegante planta pode ser vista alegrando a paisagem ao longo dos caminhos e em campos não cultivados, não só nas terras do interior mas também perto do mar.
A Daucus carota teve origem na Eurásia e é antepassado da cenoura cultivada, a Daucus carota ssp.sativa, hoje em dia um dos legumes mais populares e consumida no mundo inteiro. Contudo, ao contrário da espécie cultivada, a raiz da cenoura-brava é acastanhada e não é comestível.

A sua raiz é aprumada, fina e exala um odor pouco agradável.
A Daucus carota vulgarmente conhecida como Cenoura-brava, é uma planta herbácea pertencente às Apiaceae, família botânica também chamada Umbelliferae, composta por cerca de 3000 espécies, maioritariamente plantas aromáticas como por exemplo a salsa, o funcho e os coentros.
A Daucus carota é uma planta de envergadura média mas vigorosa podendo atingir de 30 cm a 100cm de altura, crescendo solitária ou em grupos.
 
No nosso país pode encontrar-se na maior parte do território.
A Daucus carota sofre uma serie de mudanças estruturais muito interessantes enquanto cresce, amadurece e forma sementes. Enquanto jovem a planta apresenta caules tubulares e ocos, estriados e cobertos de pelos rijos, eretos ou desenvolvendo-se sobre o solo apenas com a extremidade ascendente, ramificados desde a base ou apenas na sua metade superior.

As folhas, profundamente recortadas, são delgadas e moles, sendo as inferiores de maior tamanho e ligadas ao caule por um pecíolo enquanto que as superiores estão inseridas diretamente no caule. Quando esmagadas as folhas exalam um caraterístico aroma a cenouras frescas.


Esquema de uma umbela simples ou umbélula
As flores, muito pequenas, estão reunidas em pequenas umbelas ou umbélulas, em cuja base se encontram pequenas brácteas ou bractéolas, estreitas e inteiras.


Estas pequenas umbélulas que são numerosas juntam-se numa umbela maior de cerca de 8 cm de largura apresentando uma estrutura semelhante a um chapéu de chuva aberto.

Esquema de uma umbela composta
Esta umbela tem muitos pedúnculos secundários podendo ter até 130 raios nem sempre iguais e que ficam arqueados durante a frutificação. Esta umbela pode ter uma superfície relativamente plana ou ser ligeiramente abaulada no centro. As brácteas que formam o invólucro principal e de cuja axila saem os raios ou ramificações são finamente divididas e muito elegantes, contribuindo largamente para o efeito arquitetural da inflorescência.
As umbelas laterais são geralmente menores, com menor número de raios.
As flores individuais, inicialmente de cor rosada, tornam-se brancas à medida que vão abrindo, com exceção de uma flor central que é de cor púrpura e se destaca perfeitamente entre as outras.
Esta flor central, de cor púrpura, é uma importante característica que ajuda a reconhecer a planta Daucus carota pois está quase sempre presente em todas as plantas desta espécie.
A corola é composta por 5 pétalas muito discretas que apresentam simetria radial excepto as mais externas que desenvolveram lóbulos laterais de maior tamanho, com o fim de se tornarem mais apelativas para os insetos polinizadores. O cálice é formado por 5 sépalas com dentes muito curtos e de formato triangular. O androceu tem 5 estames.

As flores da Daucus carota possuem nectarios pelo que são uma refeição muito apetitosa para muitos insetos, podendo ver-se sempre dezenas deles ocupados a extrair o néctar.

Depois da polinização as umbelas em frutificação e os pedúnculos curvam-se para o interior tomando a forma e o aspeto de um ninho de ave, o qual parece ser muito do agrado dos insetos que o escolhem para aí repousar.
Os frutos são de forma elíptica ou ovoides, de bordos com espinhos em forma de gancho que se prendem a plumagem das aves ou ao pelo dos animais. Numa primeira fase os frutos tomam a cor verde pálido depois gradualmente vão ficando mais escuros. No final do verão a inflorescência começa a secar e os frutos separam-se da planta-mãe.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).
 Fotos-Caniçal/Lourinhã

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