"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 28 de junho de 2013

Misopates calycinum (Lam.) Rothm


Misopates calycinum é mais uma pequena herbácea da família Plantaginaceae e do género Misopates. É muito semelhante à espécie Misopates orontium (veja AQUI), no entanto é muito fácil distingui-las uma vez que as flores são rosa na Misopates orontium e brancas na Misopates calycinum. Acresce ainda o facto de as flores de Misopates calycinum estarem providas de sépalas que não excedem o tamanho da corola, ao passo que na Misopates orontium a excedem largamente. A Misopates calycinum é também, das duas espécies, a menos peluda, quase glabra.
Distribuição assinalada em Portugal por FLORA-ON
O habitat de ambas as espécies é praticamente o mesmo embora a Misopates calycinum seja mais difícil de encontrar. Na generalidade esta espécie cresce em bermas de caminhos, campos de cultivo em pousio ou abandonados, em taludes e nos terrenos remexidos em geral, por serem mais nitrificados. Prefere os solos com algum teor calcário e gosta de um pouco de humidade. Distribui-se pelo sul da Europa (Portugal e Espanha), bacia do mediterrâneo e norte de África.
A Misopates calycinum é uma espécie de ciclo de vida anual que pode chegar aos 80 cm de altura, glabra (sem pelos) na parte inferior e com alguns pelos na inflorescência. O caule principal é ereto, geralmente simples, podendo no entanto apresentar-se ramificado.
As folhas, todas caulinares e de pecíolo curto, são inteiras, lineares, de forma elíptica ou lanceolada, com o ápice aguçado e com margens ligeiramente enroladas para baixo.
As brácteas, alternadas, são semelhantes a folhas, mas de menor dimensão.
As flores, com simetria bilateral, nascem solitárias ou em grupos de 6 a 12 na axila das brácteas, formando cachos pouco densos.
O cálice é formado por 5 sépalas com pelos menos densos e mais compridos que na espécie Misopates orontium. As sépalas são estreitas e profundamente divididas e com tamanhos desiguais, sendo ligeiramente mais curtas que as pétalas.
As cinco pétalas que constituem a corola são brancas com alguns veios arroxeados e estão unidas na base, formando um tubo cilíndrico e longo que se abre para o exterior por dois lábios: o superior com 2 lóbulos correspondentes a 2 pétalas fundidas e o inferior com 3 lóbulos correspondentes a igual número de pétalas fundidas. Os órgãos reprodutivos femininos e masculinos encontram-se no interior da flor, estigma, estilete e ovário e 4 estames com as respetivas anteras.
O fruto é uma capsula ovoide mais curta que o cálice, com alguns pelos, corcunda na base e formada por dois lóculos. As numerosas sementes acastanhadas saem do lóculo inferior através de dois orifícios.
Floresce de maio a setembro.
A polinização é feita por insetos. No entanto, e à semelhança do que acontece com a Misopates orontium, esta é uma espécie com clara tendência para a autofertilização a qual se dá no início da floração quando, devido a atraso de um dia ou dois no desenvolvimento pleno das pétalas, os sacos de pólen abrem enquanto a flor ainda está fechada.

Misopates ou Antirrhinum ?

Durante seculos as espécies do atual género Misopates estiveram integradas no género Antirrhinum (Besler 1613; Tournefort 1700; Linné 1753; Miller 1768; Chavannes 1833). Contudo, Misopates foi promovido a género por direito próprio, em 1840, por Rafinesque. Esta revisão foi de certo modo ignorada por alguns especialistas, uma vez que ainda hoje continuam a incluir as espécies Misopates no género Antirrhinum (classificação original de Lineu). Contudo parecem inegáveis as diferenças físicas e morfológicas entre os dois géneros, nomeadamente no tamanho das flores, muito maiores no Antirrhinum e no tamanho das sépalas (iguais ou maiores que a corola, no Misopates e bastante mais curtas no Antirrhinum); as folhas são mais estreitas no Misopates e as sementes também diferem na sua forma; além disso a tendência para a autofertilização registada no Misopates não se estende ao Antirrhinum que apenas faz polinização cruzada. Esperemos que haja consenso, a breve prazo!

 Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã

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