"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 11 de junho de 2013

Cistus monspeliensis L.

Nomes comuns:
Sargação; Sargaço-escuro

Cistus monspeliensis é mais uma espécie da família Cistaceae e do género Cistus. Este género inclui plantas que ocorrem de forma espontânea no centro e sul da Península Ibérica, todo o litoral mediterrânico, noroeste de África, sudoeste asiático e Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias).

Distribuição em Portugal
Fonte: Jardim Botânico UTAD
São espécies perfeitamente adaptadas ao clima mediterrânico, de invernos chuvosos e verões quentes e secos. Crescem em vários tipos de solo, quer sejam arenosos, graníticos ou xistosos e ocasionalmente em solos calcários; umas preferem os solos ácidos, outras vivem melhor em solos alcalinos; dão-se bem em lugares sombreados pelas árvores fazendo parte de matagais e matos baixos e densos que crescem sob coberto de pinhais.
Na generalidade, gostam de lugares solarengos e áridos, crescendo como vegetação de nível básico em clareiras abertas pelos fogos ou como resultado da degradação de bosques de carvalhos e montados.
Podemos ainda admirá-las em certas zonas do litoral onde crescem com evidente “prazer” em encostas rochosas inclinadas para o mar onde o solo pouco profundo não permite espécies de maior porte e onde desempenham um papel fundamental na preservação dos ecossistemas, evitando maior erosão dos terrenos. Ao mesmo tempo, são fonte de alimento e propiciam refúgio a pequenos mamíferos, insetos, aves e répteis, constituindo nichos ecológicos.
Cistus monspeliensis é um arbusto aromático de ramos muito ramificados, primeiro eretos e depois prostrados, formando moitas densas e arredondadas.
As folhas, rugosas e com pecíolo muito curto, são estreitas e lanceoladas, apresentando 3 nervuras longitudinais; colocam-se de forma oposta nos caules e as margens são frequentemente recurvadas para a página inferior. A textura das folhas é algo resinosa e áspera, o que resulta da cobertura de pelos glandulares que tem como função principal evitar a perda de água. Na pagina superior das folhas os pelos são simples e escassos, estando deitados; na pagina inferior os pelos são diminutos mas mais abundantes e estrelados, formando um padrão reticulado (como uma rede).

As flores, embora semelhantes às de outras espécies de Cistus, são um pouco mais pequenas. A corola é constituída por 5 pétalas livres de cor branca com a unha (base) amarela. 
As flores têm vida curta pois as pétalas caiem poucas horas após a abertura, porém tal contingência é suficientemente compensada pela floração, que é muito abundante.
As flores estão dispostas em inflorescências do tipo cimeira, posicionando-se ao longo de um eixo principal de crescimento definido (limitado) terminando numa flor; as primeiras a abrir são as flores que se encontram no topo da inflorescência. No caso da Cistus monspeliensis as flores estão todas posicionadas do mesmo lado do eixo, havendo de 2 a 8 flores por cimeira.
Cada flor está ligada ao eixo por um pedicelo de tamanho igual ao das 5 sépalas que formam o cálice; as sépalas, com nervação avermelhada e densamente cobertas por pelos compridos algo rígidos mas flexíveis, têm formato ovado, terminando em bico e com base em forma de coração. Curiosamente o crescimento das sépalas do cálice continua mesmo depois da fecundação e até o fruto atingir a maturação.
As flores, bissexuais, são polinizadas por insetos, sendo especialmente muito procuradas pelas abelhas melíferas. Os estames, amarelos, numerosos e de tamanho desigual, estão posicionados no centro da corola e são mais compridos que o pistilo.
O ovário tem 5 carpelos; o estilete é muito curto e o estigma é grande e está dividido em 5 lóbulos.

Cistus monspeliensis floresce de abril a junho e os frutos completam a maturação em julho ou agosto.
O fruto é uma capsula de cor castanha e globosa que se abre para deixar sair as sementes através de fendas longitudinais. As sementes são muito pequenas, de forma poliédrica e muito resistentes ao calor, pelo que germinam facilmente em áreas recentemente consumidas pelo fogo.
Os frutos secos são muito abundantes e persistem na planta durante muitos meses mesmo depois de abertos.

No local onde foram tiradas as fotos que acompanham este texto, o Cistus monspeliensis cresce associado a outras plantas xerófilas, ou seja, plantas especificamente adaptadas à escassez de água, nomeadamente: Smilax áspera, Ruscus aculeatus, Pistacia lentiscus, Lavatera creticaCistus ladanifer, Cistus salvifolius, Cistus crispus, Daphne gnidium, Myrtus communis, Lonicera implexa, juniperus phoenicia, entre outras.
 Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos - Arribas do Caniçal/Lourinhã

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