"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quinta-feira, 20 de junho de 2013

Misopates orontium ( L. ) Raf.


NOMES VULGARES:
Focinho de rato; focinho-de-burro; focinho-de-coelho; bocas-de-lobo;
samacalo;  samacalo-de-duas-folhas; olho-de-gato

Misopates orontium é uma pequena planta herbácea anual, de caules eretos cuja altura pode ir dos 5 aos 50 cm de altura. Na generalidade é uma planta muito pequena que, antes de começar a florir, facilmente pode passar despercebida ao incauto caminhante. O próprio nome do género, Misopates, a que pertence esta espécie nos alerta para este facto: misopates deriva do grego, da contração de duas palavras, “misos” = odiar e “patein” = pisar. 
 As espécies do pequeno género Misopates estavam incluídas na família Scrophulariaceae mas, foram recentemente transferidas para a família Plantaginaceae pelo APG (Angiosperm Phylogeny Group) cujas investigações, baseadas em pesquisas genéticas, têm levado a muitas alterações não só na classificação das angiospermas mas também nos conceitos tradicionalmente aceites.
Distribuição em Portugal
Fonte: Jardim Botânico UTAD
A Misopates orontium floresce e frutifica de março a agosto e é muito comum em quase todo o nosso país, crescendo tanto em solos alcalinos como ácidos desde que tenham riqueza de nutrientes.
Não se incomoda com alguma sombra mas prefere os locais soalheiros e abrigados. Podemos encontra-la em campos de solo removido quer cultivados ou incultos e na berma de caminhos rurais. De forma geral distribui-se pelo sul da Europa, norte de África, oeste asiático e Macaronésia tendo sido naturalizada por outras paragens, nomeadamente continente americano e Austrália.
Misopates orontium apresenta caules simples ou caules ramificados a partir da parte inferior da planta. Os caules podem ser glabros ou apresentar alguns pelos sendo que os que revestem a parte inferior são um tanto compridos, rígidos mas flexíveis enquanto que os da parte superior, glandulares, são fracos e densos.
As folhas são lineares, de forma estreita e comprida, apresentando apenas uma nervura bem marcada; a margem é lisa e sem recortes e o pecíolo que as liga ao caule é curto. As folhas posicionam-se nos caules de forma oposta na parte inferior da planta e alternada na superior.
As flores são muito pequenas e suavemente aromáticas. Reunem-se em cachos pouco densos estando cada flor protegida por uma bráctea linear semelhante a uma folha e por um cálice formado por 5 sépalas lineares, todas de tamanhos desiguais. As sépalas são mais curtas que a bráctea mas mais compridas que o tubo da corola. No seu conjunto a estrutura aparenta ser um cálice formado por 6 sépalas.
As 5 pétalas que formam a corola são ligeiramente pubescentes e de cor rosa mostrando alguns veios de um tom mais escuro.
As pétalas estão unidas desde a base, formando um tubo que se abre para o exterior por dois lábios: o superior com 2 lóbulos, correspondentes a 2 pétalas fundidas e o inferior com 3 lóbulos correspondentes a igual número de pétalas fundidas. Os órgãos reprodutivos femininos e masculinos encontram-se no interior da flor, estigma, estilete e ovário e 4 estames com as respetivas anteras, sendo que 1 par de estames é mais comprido que o outro. Os pedicelos das flores são curtos mas continuam a crescer durante a frutificação.
O fruto é uma capsula dividida em dois lóculos desiguais densamente cobertos por um indumento de pelos glandulares fracos e densos e que deixa sair as sementes, negras, por 2 poros.



Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).
Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã

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