"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quinta-feira, 11 de julho de 2013

Gladiolus illyricus Koch. subsp. illyricus

Espadana-dos-montes

Gladiolus illyricus é o mais pequeno dos gladíolos silvestres e distribui-se pelo sul e oeste europeu, norte de África e oeste asiático. Habita matos, terrenos incultos e terrenos de cereais, com clara preferência por solos ácidos, florescendo de forma breve entre março e junho.
Distribuição em Portugal
Fonte: UTAD Flora Digital de Portugal
O Gladiolus illyricus é uma planta perene cujas partes aéreas secam após a floração. A espécie é considerada uma bolbosa porque se propaga de forma vegetativa através de um órgão subterrâneo especializado, o qual resulta do engrossamento de um segmento do caule, por acumulação de reservas. No caso dos Gladiolus, a esse órgão de reservas chama-se cormo.
Baseado em Flora Iberica
O cormo tem uma estrutura diferente dos bolbos, apesar de ser muitas vezes chamado “bolbo solido”. Na realidade, o cormo não é formado por folhas sobrepostas como acontece com os bolbos, sendo antes uma estrutura solida e carnuda, de forma ovoide e coberta com uma túnica de fibras grossas. As finas raízes crescem a partir da base do cormo e as folhas e escapos florais inserem-se no seu ápice.
Bolbos e cormos têm função idêntica e as suas reservas de nutrientes e água constituem uma forma de adaptação às condições ambientais: em climas mais secos, como é o caso dos mediterrânicos, criam condições para que as plantas se reproduzam mesmo em caso de seca prolongada; por outro lado também lhes permite, quando conveniente, desenvolverem-se cedo no ano, antecipando-se às suas concorrentes que com ela competem por água e nutrientes.
Ao contrário dos bolbos, os cormos mirram e secam no fim da estação para darem lugar a um novo cormo o qual, por sua vez, assume a tarefa de alimentar a planta na estação seguinte. Juntamente com o novo cormo formam-se cormos mais pequenos, os chamados bolbilhos, que produzirão novas plantas no futuro.
No final do inverno, as folhas do Gladiolus illyricus emergem do ápice do cormo. São folhas estreitas e de cor verde, em forma de sabre e com várias nervuras longitudinais paralelas sendo a nervura central mais proeminente que as restantes.
Logo depois, surge um único escapo floral, longo e robusto, onde se forma a inflorescência, num conjunto de 3 a 8 flores (geralmente não mais de 5), dispostas em espiga.
As flores estão todas viradas para o mesmo lado mas saem de ambos os lados do escapo, de forma alternada.
As flores, de cor rosa forte, são compostas por 6 tépalas (3 pétalas e 3 sépalas indiferenciadas) desiguais entre si, sendo soldadas na parte inferior, formando um tubo curto.
O conjunto das tépalas de cada flor está envolvido na base por 2 brácteas de tamanho diferente e cuja margem é membranosa.
Foto Wikipedia Commons
As flores são hermafroditas, os estames em forma de seta são 3 e o estilo divide-se em 3 estigmas.
Os frutos são capsulas ovoides que ao ficarem secas se abrem em 3 valvas, por meio de fendas longitudinais. As sementes contidas na capsula são achatadas e aladas pois têm uma expansão lateral membranácea que as ajuda na dispersão pelo vento.
A espécie Gladiolus illyricus pertence ao género Gladiolus o qual se inclui na família Iridaceae cuja maior importância económica se prende com a produção de espécies ornamentais, muito apreciadas tanto em paisagismo como para o comércio de flores de corte. As cerca de 2000 espécies reunidas na família Iridaceae estão repartidas em cerca de 70 géneros e caraterizam-se por serem plantas perenes que formam órgãos de reserva de nutrientes subterrâneos (rizomas, bolbos ou cormos, dependendo do género) e dos quais brotam as novas plantas no ano seguinte. As espécies da família Iridaceae distribuem-se pelo mundo inteiro e estão adaptadas a grande variedade de habitats, solos e tipos de climas, desde os temperados aos tropicais. Contudo, a maior parte das espécies são originárias das regiões centro e sul americanas, Africa do sul e como não podia deixar de ser, da Europa, nomeadamente da região mediterrânica.
O género Gladiolus engloba 255 espécies entre as quais, o Gladiolus illyricus.
A denominação “gladiolus” provém do termo “gladius” que, em latim, significa espada, numa referência à morfologia das folhas da planta.
Os gladíolos estão entre as plantas bolbosas mais apreciadas pelas suas flores magníficas que proporcionam uma brilhante profusão de cores durante o verão e fornecem flores de corte de longa duração. As cores dos gladíolos variam entre o amarelo-claro e o escarlate. As flores podem ser todas da mesma cor mas é mais frequente serem bicolores ou tricolores, com manchas vistosas na base. Utilizados especialmente como flores de corte, os gladíolos cultivados também fazem um belo canteiro sendo que o seu cultivo não é complicado. A plantação dos cormos deve ser realizada no início da primavera a cerca de 10 cm de profundidade (tendo atenção para que toda a superfície do cormo fique em contacto com o solo). A plantação deve ser feita em local exposto ao sol e abrigado do vento forte. O terreno deve ser ligeiro e fértil, podendo incorporar-se algum adubo orgânico. A rega deve ser adequada às condições climáticas.
Caso se deseje cortar as flores para decoração de jarras, o melhor momento para o fazer é quando abre a flor inferior da espiga sendo essa a primeira a abrir. Depois de cortadas as flores, deve continuar a regar-se a planta para que se desenvolva o novo cormo. Para ter a certeza de que não irá apodrecer durante a estação chuvosa este novo cromo deve ser extraído do terreno quando todas as folhas murcharem e guardado em local seco até à primavera seguinte (o cormo antigo fica mumificado e deve deitar-se fora). Agarrados ao novo cormo vêm alguns mais pequenos que podemos utilizar para obter novos exemplares. Estes devem ser plantados para que cresçam e engrossem pois requerem um tamanho mínimo para que floresçam. Assim, e porque não se pode apressar a natureza, devemos esperar alguns anos até que os vejamos florescer.
Os géneros mais representativos da família Iridaceae são Iris e Gladiolus mas existem outros que são também muito populares pois propiciam espécies muito atrativas nomeadamente Freesia, Sparaxis, Tigridia, Ixia, Crocosmis, Crocus, entre outros.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).
Fotos: Caniçal/Lourinhã

4 comentários:

  1. Como sempre, excelente. É, aliás, verdade, falando por mim, que muito aprende quem lê as suas publicações.
    A propósito, ou talvez a despropósito, devo dizer que se trata de uma espécie que suponho ter já encontrado múltiplas vezes. Só não tenho a certeza, porque sou incapaz de a distinguir do "G. italicus". Cumprimentos.

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  2. Olá Francisco,
    A identificação entre estas duas espécies é na realidade um tanto complicada pois o "Gladiolus illyricus" não só pode ser confundido com o "G. italicus" como pode assumir características muito variáveis dentro da própria espécie. Há quem diga que a diferença está nos estames/anteras mas sinceramente, por aí não vou lá, pois não tenho encontrado uma uniformidade que me dê um ponto de partida. Contudo pode fazer-se a diferenciação através das inflorescências, isto é, no "Gladiolus illyricus" as flores, apesar de alternas, posicionam-se todas do mesmo lado ao contrário do "Gladiolus italicus" em que as flores se posicionam de ambos os lados do escapo. Os frutos também são diferentes ou seja, são alados no "Gladiolus illyricus" e sem asas no "Gladiolus italicus".
    Cumprimentos

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  3. Francisco,
    Queria corrigir um lapso no meu comentário de há pouco: são as sementes que são aladas e não os frutos, tal como consta do texto do blog. Obrigada

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  4. Obrigado, Fernanda, pela sua ajuda. Em futuros encontros, vou ver se consigo distingui-los. Saudações cordiais.

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