"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

LOURINHÃ - AS ARRIBAS E AS DUNAS DA REGIÂO OESTE


A poucos quilómetros do norte da grande Lisboa, a região da costa Oeste, é um espaço cheio de luz, onde o mar e o campo se fundem. Percorrer o Oeste é descobrir a cada passo um motivo de interesse, num cenário rico em paisagens, valiosas do ponto de vista ambiental, desde as zonas costeiras até aos planaltos, no interior.

Os caminhos que levam ao Forte de Paimogo (construído a partir de 1674) são bordejados de plantas silvestres. Aqui podemos ver Echium plantagineum, espécie botânica que floresce durante todo o verão e que serve de alimento às larvas de várias espécies de borboletas.

Brassica nigra - planta medicinal, também conhecida como mostarda-preta.
Cirsium vulgare - Cardo muito decorativo que floresce na beira dos caminhos, de junho a setembro.

A região da Lourinhã, compreendida entre o paralelo de Peniche e o de Torres Vedras, apresenta significativo interesse geológico, mas não só. A região da Lourinhã é muito rica (porventura a mais rica em Portugal, e das mais ricas a nível europeu) de restos de dinossauros do Jurássico superior, onde ocorrem associados a numerosos restos de outros vertebrados - peixes, tartarugas, crocodilos e mamíferos.

Nas arribas junto da vila da Lourinhã, equipas de paleontólogos têm encontrado numerosos fósseis de dinossauros, incluindo o mais importante ninho de ovos de dinossauro do mundo, os quais podem ser observados no Museu da Lourinhã.
Na zona costeira, alternando com imponentes falésias, são inúmeras as praias de areia limpa e fina onde se espraia um mar, de águas brilhantes, em variados tons de azul.
    
Os pequenos promontórios rochosos formados por rochas do Jurássico e Cretácico funcionam como esporões naturais, levando à acumulação de areias e à formação de praias.

"As praias são em geral estreitas, desenvolvendo-se na base das falésias, sendo a Praia da Areia Branca uma das excepções pois, devido à morfologia da costa apresenta maior largura. Esta região caracteriza-se pela existência de dunas, inserindo-se na classe das rampas eólicas. Este sistema dunar está instalado num vale largo, que forma reentrâncias na linha de costa, proporcionando a formação de praias largas. A conjugação de ventos fortes, praias largas e uma topografia em forma de rampa, originada pela foz do Rio Grande, levam a que as areias, impulsionadas pelo vento, migrem para o interior.
Na Areia Branca, devido ao declive acentuado da margem do vale, as areias formam dunas espessas, sendo mesmo possível distinguir a sobreposição de três pulsações dunares distintas. Nestes casos existe continuidade entre a praia, a duna frontal e as dunas transgressivas, verificando-se que continua a ocorrer alimentação ao sistema dunar". (Fonte)

Praia da Areia Branca, vista da duna frontal. Ao fundo, a linha costeira que leva ao Forte de Paimogo.
SOBRE OS SISTEMAS DUNARES:
As dunas são estruturas móveis resultantes da acumulação de areias transportadas pelo vento, em cujo processo de formação as plantas têm um papel fundamental. Os ecossistemas costeiros estabelecem a transição entre os sistemas marinho e terrestre e constituem barreiras naturais a fenómenos de galgamento do mar, a inundações e erosão provocados por ventos marítimos. Por outro lado, são também sistemas de armazenamento natural de areia para a compensação da perda de sedimentos provocada pela erosão. Estes sistemas garantem os processos de dinâmica costeira e diversidade dos sistemas naturais incluindo a estrutura dunar, os habitats naturais e as espécies de flora e fauna.