A poucos quilómetros do norte da grande Lisboa, a região da costa Oeste, é um espaço cheio de luz, onde o mar e o campo se fundem. Percorrer o Oeste é descobrir a cada passo um motivo de interesse, num cenário rico em paisagens, valiosas do ponto de vista ambiental, desde as zonas costeiras até aos planaltos, no interior.
 |
Os caminhos que levam ao Forte de Paimogo (construído a partir de 1674) são bordejados de plantas silvestres. Aqui podemos ver Echium plantagineum, espécie botânica que floresce durante todo o verão e que serve de alimento às larvas de várias espécies de borboletas.
|
|
 |
| Brassica nigra - planta medicinal, também conhecida como mostarda-preta. |
 |
Cirsium vulgare - Cardo muito decorativo que floresce na beira dos caminhos, de junho a setembro.
|
|
A região da Lourinhã, compreendida entre o paralelo de Peniche e o de Torres Vedras, apresenta significativo interesse geológico, mas não só. A região da Lourinhã é muito rica (porventura a mais rica em Portugal, e das mais ricas a nível europeu) de restos de dinossauros do Jurássico superior, onde ocorrem associados a numerosos restos de outros vertebrados - peixes, tartarugas, crocodilos e mamíferos.
 |
| Nas arribas junto da vila da Lourinhã, equipas de paleontólogos têm encontrado numerosos fósseis de dinossauros, incluindo o mais importante ninho de ovos de dinossauro do mundo, os quais podem ser observados no Museu da Lourinhã. |
 |
| Na zona costeira, alternando com imponentes falésias, são inúmeras as praias de areia limpa e fina onde se espraia um mar, de águas brilhantes, em variados tons de azul. |
 |
| Os pequenos promontórios rochosos formados por rochas do Jurássico e Cretácico funcionam como esporões naturais, levando à acumulação de areias e à formação de praias. |
|
"As praias são em geral estreitas, desenvolvendo-se na base das falésias, sendo a Praia da Areia Branca uma das excepções pois, devido à morfologia da costa apresenta maior largura. Esta região caracteriza-se pela existência de dunas, inserindo-se na classe das rampas eólicas. Este sistema dunar está instalado num vale largo, que forma reentrâncias na linha de costa, proporcionando a formação de praias largas. A conjugação de ventos fortes, praias largas e uma topografia em forma de rampa, originada pela foz do Rio Grande, levam a que as areias, impulsionadas pelo vento, migrem para o interior.
Na Areia Branca, devido ao declive acentuado da margem do vale, as areias formam dunas espessas, sendo mesmo possível distinguir a sobreposição de três pulsações dunares distintas. Nestes casos existe continuidade entre a praia, a duna frontal e as dunas transgressivas, verificando-se que continua a ocorrer alimentação ao sistema dunar". (Fonte)
 |
| Praia da Areia Branca, vista da duna frontal. Ao fundo, a linha costeira que leva ao Forte de Paimogo. |
SOBRE OS SISTEMAS DUNARES:
As dunas são estruturas móveis resultantes da acumulação de areias transportadas pelo vento, em cujo processo de formação as plantas têm um papel fundamental. Os ecossistemas costeiros estabelecem a transição entre os sistemas marinho e terrestre e constituem barreiras naturais a fenómenos de galgamento do mar, a inundações e erosão provocados por ventos marítimos. Por outro lado, são também sistemas de armazenamento natural de areia para a compensação da perda de sedimentos provocada pela erosão. Estes sistemas garantem os processos de dinâmica costeira e diversidade dos sistemas naturais incluindo a estrutura dunar, os habitats naturais e as espécies de flora e fauna.