"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 11 de abril de 2016

Erica cinerea L.

Nomes comuns:
Urze-roxa; queiró; queiroga; negrela

Conforme o seu nome científico indica, Erica cinerea é uma espécie do género Erica, (família Ericaceae), uma das 10 espécies que representam este género em território português. Estas espécies pertencem ao grupo que vulgarmente designamos por urzes.
As urzes formam arbustos rústicos de folhas finas e flores miúdas e abalonadas que florescem de forma abundante e generosa. Apesar de modestas, ou talvez mesmo por isso, as urzes parecem exercer forte fascínio sobre a maioria de nós. Elas não só nos favorecem com a fragrância e beleza das suas pequenas flores, como também, sendo exemplos de resistência às adversidades, elas evocam, de modo especial, o lado primevo da vida e a estreita comunhão do Homem com a natureza.
Em Portugal as urzes distribuem-se um pouco por todo o território, desde as dunas do litoral até aos 1400 m de altitude, colonizando montes e vales. Associadas a outras comunidades vegetais que partilham os mesmos gostos (estevas, rosmaninhos, tojos, carquejas e sargaços), as urzes surgem em matagais resultantes da degradação da floresta original de carvalhais, nas orlas dos pinhais ou dos eucaliptais. Também aparecem em solos empobrecidos por práticas agrícolas intensivas ou de pastoreio. Geralmente são regiões cujo substrato pobre em nutrientes já não permite o desenvolvimento de outras plantas, mas onde a humidade atmosférica e edáfica se conjugam com os solos ácido-siliciosos, resultantes da erosão de granitos, quartzitos, xistos e gnaisses. De facto, as urzes não medram em solos calcários, necessitando de solos mais ou menos ácidos, consoante a espécie.
Existem diversos tipos de urzes que se distinguem, entre outras características, pela altura que podem atingir, pelo tamanho ou tom mais ou menos rosa das flores (são mais raras as brancas) e ainda pela época do ano em que florescem. Contudo, face à heterogeneidade dos nomes comuns dados às urzes, a única forma segura de as identificar é a nomenclatura científica. Os nomes comuns com que as populações as batizaram geram muita confusão, pois variam de região para região. Não só o mesmo nome comum pode corresponder a espécies diferentes, como dar-se o caso de plantas da mesma espécie terem nomes comuns diferentes, tudo dependendo da localização. Por exemplo, no caso das urzes, nomes comuns como torga, moita, queiró, margariça e outros, tanto se referem à mesma espécie como a espécies diferentes. É por isso que todas as espécies têm nomes científicos e esses, sim, são fiáveis pois são exclusivos e válidos em qualquer parte do mundo.

Em tempos idos, as urzes eram utilizadas para fazer a cama dos animais, encher colchoes, fazer cordas, escovas, vassouras, corantes e medicamentos caseiros. Hoje em dia consome-se o mel de urze, de consistência densa e sabor adstringente e marcante. Algumas espécies possuem propriedades medicinais diuréticas e antisséticas urinárias, como acontece com a presente espécie em estudo.
Distribuição de Erica cinerea em Portugal continental
Fonte: Flora Digital de Portugal - UTAD
Erica cinerea distribui-se pelo oeste e centro da Europa. É nativa de Portugal continental, foi introduzida na Madeira mas é inexistente nos Açores.
Esta é uma espécie perene. Forma um arbusto baixo, ereto e bem proporcionado, podendo crescer até aos 60 cm de altura. 

Os caules jovens são herbáceos e de cor avermelhada enquanto os mais velhos são lenhosos e de cor castanha. Os caules estão cobertos por um indumento de pelos curtos, não glandulares cuja cor clara lhes dá um aspeto acinzentado, significando literalmente “coberto de cinza “e de onde deriva o nome específico “cinerea”.
As folhas são eretas e têm forma linear ou linear-lanceolada com margens que se enrolam sobre si mesmas, curvando-se fortemente para a página inferior. 
As folhas são verdes ou verde-azuladas e são glabras mas as margens estão providas de cílios muito curtos. 
De forma característica as folhas dispõem-se em grupos de 3 em redor dos caules e por vezes, são complementadas por feixes de folhas axilares.
As flores reúnem-se em grupos de número variável na extremidade dos ramos. 
O cálice tem 4 sépalas livres, verdes ou avermelhadas e de forma lanceolada, semelhantes às folhas. A corola é constituída por 4 pétalas de cor rosa ou purpura, as quais se unem para formar uma espécie de sino, ou seja, uma forma globosa subitamente contraída na extremidade.
As flores possuem órgãos reprodutores de ambos os sexos. O androceu é formado por 8 estames que não se veem porque são mais curtos que a corola e na base dos quais se insere o disco nectarífero. Do ovário surge um estigma capitado que emerge pela abertura da corola durante a antese (período de expansão da flor).
A planta floresce durante a primavera e verão.
O fruto é uma cápsula deiscente que se abre por meio de fendas longitudinais libertando as sementes ovóides.
Erica cinerea é rica em néctar e pólen, sendo por isso muito visitada por insetos, embora apenas os insetos equipados com probóscide longo, como é o caso das abelhas meliferas, consigam chegar ao néctar e ao pólen, tendo em conta a forma da corola, dentro da qual estão localizados o disco nectarífero e as anteras.

Saiba mais sobre as urzes AQUI.

Fotos: Serra do Calvo (Lourinhã) e Vila de Rei.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificada outra fonte).  

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