"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





domingo, 6 de outubro de 2013

Acis autumnalis (L.) Sweet, syn. Leucojum autumnale

Nome comum: Campainhas-do-outono
O alívio da chuva, abundante e prolongada, coincidiu com a chegada deste outono. O que significou transtorno para muitos foi novo alento para as plantas que a custo resistiram a um verão totalmente seco, permitindo também que as espécies próprias desta estação possam florescer e produzir frutos e sementes, atempadamente. As temperaturas continuam muito agradáveis e os insetos polinizadores que ainda permanecem em atividade aproveitam para se abastecer, antes da chegada dos frios.
 
A Acis autumnalis é uma das poucas espécies que florescem no outono. Embora de pequeníssimo tamanho e de aspeto delicado, quase frágil, é no entanto bastante resistente. Não se incomoda muito com o vento, gosta do tempo seco do verão e até suporta algum frio. Também não parece ter dificuldades em reproduzir-se pois é capaz de formar colonias que cobrem vastas áreas, propiciando um espetáculo inolvidável de pequenas “lampadinhas” brancas baloiçando ao menor sopro.
As flores, em forma de campainha, são de cor branca e parecem brilhar ao sol, dando a ideia de estarem salpicadas de pequenos cristais. A época de floração inicia-se no final do verão e prolonga-se para lá de outubro.
Geralmente cresce associada a outra espécie de tamanho semelhante e que também floresce no mesmo período, a Scilla autumnalis, de cor azul.
Podemos encontrar a Acis autumnalis em locais não sombreados como as clareiras de matos xerofílicos (secos, tipicamente mediterrânicos), montados, pinhais, em terrenos rochosos e até arenosos. Não tem preferência pelo tipo de solo mas desenvolve-se melhor em terrenos ácidos.
Distribuição em Portugal - Flora digital de Portugal/UTAD
A Acis autumnalis é nativa da Península Ibérica mas pode ser encontrada também na Sardenha e na Sicília assim como em Marrocos e na Argélia, sendo considerada um endemismo da região Mediterrânica ocidental.
A Acis autumnalis cresce a partir de um pequeníssimo bolbo, de forma ovoide. Primeiro surgem os escapos florais os quais são lisos, muito delgados embora sólidos, de cor avermelhada, geralmente não excedendo os 15/20 cm de altura. Cada bolbo pode produzir 2 a 4 escapos.
As folhas, todas elas basais, só surgem durante ou depois da floração e mantêm-se até à primavera, após o que desaparecem para que o bolbo entre em período de merecido descanso. As folhas, mais curtas que o escapo, são fininhas, maciças e semicilíndricas.
As flores, de hábito pendente, podem ser solitárias ou reunirem-se em inflorescências de 2 ou 3 flores. Logo abaixo do pedúnculo arqueado que sustenta a flor existe uma bráctea grande e membranosa, inteira ou com o ápice dividido em duas pontas.
Rodeando os órgãos sexuais da flor, sépalas e pétalas reúnem-se, indiferenciadas, em 6 tépalas denticuladas, de cor branca, rosadas na base.
As flores estão providas de órgãos reprodutores femininos e masculinos. Os 6 estames têm filetes curtos e grandes anteras amarelas.

Os frutos de Acis autumnalis são capsulas globosas e as sementes nelas contidas são negras e brilhantes.
 
A Acis autumnalis pode ser confundida com uma espécie muito semelhante, a Acis trichophylla (syn. Leucojum trychophyllum), podendo ambas as espécies coincidir nos seus habitats. É no entanto muito fácil distingui-las pois a Acis trichophylla floresce na primavera e A. autumnalis floresce no outono; A. trichophylla tem as tépalas mais compridas que a A. autumnalis; a bráctea de A. trichophylla está dividida em dois segmentos desde a base ao contrário de A. autumnalis que é inteira ou apenas dividida na ponta; a capsula das sementes é alongada na A. trichophylla e globosa na A. autumnalis.
 
Acis autumnalis pertence a um dos géneros da família Amaryllidaceae, tendo sofrido algumas alterações que tornam o seu percurso taxonómico bastante confuso. Em 1807 esta espécie foi classificada no recém-criado género Acis mas em 1880 foi transferida para o género Leucojum. No entanto, em 2004 estudos genéticos e morfológicos determinaram que as espécies antes incluídas no género Acis deveriam sair de Leucojum e regressar ao Acis. Receando nova reviravolta muitos autores continuam a usar a classificação anterior.
Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã

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