"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





domingo, 13 de maio de 2012

Calystegia soldanella (L. ) R. Br.

Nomes comuns:
Couve-marinha; Soldanela

A Calystegia soldanella é uma espécie característica de dunas e areais costeiros, vivendo na linha mais recuada das praias, muitas vezes em concorrência com os banhistas.
Podemos encontrá-la em quase todos os continentes, em zonas costeiras de clima temperado, coabitando com outras plantas psamófilas. Na nossa costa partilha o seu habitat com plantas como Otanthus maritimus, Medicago marítima, Eryngium maritimum, Pancratium maritimum e Ammophila arenaria, entre outras.

A Calystegia soldanella, incluída na família das Convolvulaceae,  pertence ao género Calystegia o qual inclui 25 espécies. As espécies deste género podem ser confundidas com o género Convolvulus, da mesma família, ao qual muito se assemelham.

As espécies do género Calystegia são alimento preferencial, senão exclusivo, para as larvas de algumas borboletas.

A Calystegia soldanella é uma planta perfeitamente adaptada às duras condições existentes no meio onde cresce, exposta aos ventos fortes e carregados de partículas de sal, às amplitudes térmicas muito acentuadas, com luminosidade excessiva e escassez de água e nutrientes. Para sobreviver neste meio adverso a planta desenvolveu a forma prostrada, com raízes muito profundas para poder captar água em profundidade.

Esta é uma planta herbácea e vivaz cuja parte aérea se renova anualmente, na primavera, a partir de um rizoma subterrâneo, rico em nutrientes. O rizoma é levemente cilíndrico, grosso e ramificado e cresce de forma horizontal, tendo a capacidade de produzir touceiras que dão origem a novas plantas. Esta forma de propagação vegetativa permite que a planta se reproduza mesmo que uma época desfavorável não lhe permita a produção de sementes.

Os caules são rastejantes, ramificados e de seção poligonal; quando feridos ou cortados segregam um líquido leitoso chamado latex que serve como acelerador na cicatrização.

Devido às movimentações das areias provocadas essencialmente pelos ventos, muitas vezes os caules da Calystegia soldanella encontram-se enterrados no solo.

  
 As folhas são arredondadas e em forma de rim, com contornos em forma de orelha, na base; são de cor verde escuro, mais claras na pagina inferior e com veios bem visíveis; são suculentas o que lhes permite armazenar água e estão ainda providas de uma cutícula cerosa que minimiza a transpiração; dispõem-se no caule de forma alternada e o pecíolo é comprido, maior do que a própria folha.

As flores, muito atrativas, são polinizadas por insetos. Crescem solitárias nas axilas das folhas, no topo de um pedúnculo comprido, com 2 bracteolas grandes e ovadas, de cor verde pálido.

As bracteolas estão inseridas no pedicelo, envolvendo as 5 sépalas ovadas, de margens sobrepostas, que formam o cálice da flor, característica que diferencia a Calystegia soldanella de outras espécies semelhantes, do género Convolvulus, em que as brácteas se dispõem abaixo do cálice.

A corola, grande e de forma afunilada, é formada por 5 lóbulos soldados, de coloração rosada com veios médios esbranquiçados, formando uma estrela no interior da flor.

Na prefloração a corola apresenta-se retorcida.



A planta possui órgãos reprodutores femininos e masculinos. Os 5 estames, produtores de pólen, estão inseridos na base da corola e apresentam filamentos compridos que terminam em anteras de forma alongada.

O conjunto dos órgãos do pistilo (ovário, estilo e estigma) repousam sobre os nectários de coloração amarela onde é segregado e armazenado o néctar que se destina a atrair os insetos polinizadores. O estilo, comprido e de cor branca, termina em dois estigmas grossos, da mesma cor. 


A Calystegia soldanella floresce e frutifica de abril a julho.
O fruto é uma capsula esférica ou ovoide formada por duas valvas que contêm 3 ou 4 sementes duras, escuras e lisas.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).


Fotos: Praia da Areia Branca / Lourinhã


2 comentários:

  1. Olá Fernanda,
    Tenho uma surpresa para si no meu blog:
    http://refreshandplay.blogspot.pt/2012/05/liebster-blog-award.html
    beijinhos.

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    1. Olá Adriana, muitos parabéns pelo prémio que lhe foi atribuído.
      Também fico muito feliz que tenha indicado o nome do meu blog para este prémio, e aqui fica o meu agradecimento. A ideia deste prémio parece ser muito interessante, chamando a atenção para blogs que de outra forma possam passar algo despercebidos na vastidão da blogosfera. É também uma forma de intercâmbio que pode eventualmente multiplicar as possibilidades de acesso a novos seguidores. A forma como cada autor aproveita o “seu tempo de antena” contribuindo para a divulgação e conhecimento, fará o resto…
      Beijinhos

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