"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lythrum junceum Banks et Solander ex Russell

Sinonímias:
Lythrum graefferi Tem.
Lythrum graefferi Tem. F. album P. Silva

Erva-sapa; Salgueirinha; Salicária-dos-juncos


A Lythrum junceum é uma planta herbácea, perene, de pequeno porte, podendo alcançar os 50 cm de altura. Distribui-se pela região mediterrânica, noroeste de África e Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).
Apesar de ser uma planta que vive preferencialmente em locais húmidos, podemos encontrá-la também nos sistemas dunares onde surge associada à vegetação que acompanha as linhas de água. Contudo, os exemplares que apresento neste “post” foram fotografados na parte mais recuada das arribas da Praia do Caniçal por onde correm vários córregos, até meados do verão.
Os caules da Lythrum junceum são eretos, com seção quadrangular (com os quatro ângulos bem visíveis), ramificados desde a base e desprovidos de pelos.


As folhas são sésseis (não têm pecíolo) e têm uma única nervura; as inferiores são de forma oblongo-ovalada e dispõem-se no caule geralmente de forma oposta; as superiores vão-se estreitando progressivamente e inserem-se de forma alternada.

As flores nascem solitárias na axila das folhas superiores; o pedúnculo, mais ou menos curto, dilata-se na parte superior dando lugar ao receptáculo que nesta espécie apresenta forma tubular cilíndrica e que está rodeado por 6 sépalas triangulares, sem cor e transparentes mas com manchas avermelhadas nos bordos; a corola é composta por 6 pétalas de cor rosa-púrpura.


Tal como a maioria das plantas de flor (angiospermae), as flores da Lythrum junceum possuem órgãos de reprodução tanto masculinos (androceu) como femininos (gineceu) o que pode dar origem à auto polinização ou seja à transferência do pólen da antera para o estigma da mesma flor.


A autopolinização pode levar a um enfraquecimento na produtividade de uma espécie pelo que, para evitar que tal aconteça, as espécies socorrem-se de  alguns truques que funcionam como dispositivos de segurança e que variam de espécie para espécie.
No caso da Lythrum junceum, em cada planta existem três tipos de flores em que os 12 estames assumem comprimentos diferentes (curto, médio e comprido), havendo uma coordenação com o comprimento do estilete e estigma, na proporção inversa, tal como se pode ver no esquema acima apresentado.
Um inseto que visite estas flores em busca de néctar recolhe o pólen numa especifica parte do corpo de modo que o pólen da flor com estames curtos  será depositado sobre os estigmas da flor com estilete também curto e vice-versa.

A planta floresce e frutifica de junho a setembro.
O fruto da Lythrum junceum é uma cápsula cilíndrica que contém numerosas sementes ovóides e que se abre separando-se em duas valvas.

A Lythrum junceum é uma planta do género Lythrum e pertence à família das Lythraceae a qual é constituída por ervas quase sempre herbáceas, que se distribuem por 30 géneros e cerca de 600 espécies; algumas delas são cultivadas como ornamentais como por exemplo plantas dos géneros Cuphea e Lagerstroemia; outras espécies desta família são conhecidas desde a antiguidade como é o caso da Lawsonia inermis da qual se extraia a hena, tinta utilizada para fazer pinturas no corpo, pintar o cabelo, as unhas, peles de animais, tecidos de lã e seda. Durante o império romano as matronas usavam a hena para pintar os cabelos e as unhas, tal como o tinham feito Cleopatra e Nefertiti, no Antigo Egito.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado)-

Fotos: Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã

4 comentários:

  1. Boa noite, antes de mais parabéns pelo blog sem dúvida muito útil e informativo.

    Encontrei o seu blog precisamente por andar à procura do nome de uma planta que vi hoje na zona de dunas perto de Santa Cruz (Torres Vedras), eu julgo que seja a erva-sapa, a flor é muitíssimo parecida, mas tive a sensação que a planta crescia rasteira, junto ao chão e muito pouco em altura, será possível estarmos a falar da mesma planta?

    Grata pela sua atenção.

    Cumprimentos

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    1. Boa tarde, Lara
      Aproveito para agradecer as suas palavras de incentivo.
      Quanto à plantinha que encontrou nas dunas e por forma a poder dar-lhe uma opinião, eu gostaria de saber se ela estava em flor nesta altura do ano?
      Aguardo a sua resposta
      Um abraço
      Fernanda

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    2. Bom dia Fernanda,

      Sim, ainda não tinha muitas, mas tinha algumas. Quando lá passar vou tirar umas fotos e mando-lhe.

      Obrigado.

      Beijinhos

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