"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Iberis procumbens Lange subsp. microcarpa Franco & P.Silva

Assembleias

As espécies Iberis procumbens, podem ser encontradas no litoral atlântico da Península Ibérica e a subespécie microcarpa tem a particularidade de ser um endemismo português, podendo ser encontrada unicamente nas encostas litorais e sublitorais que vão da Serra da Boa Viagem até à Serra da Arrábida, vivendo em dunas, encostas marítimas e terrenos incultos, com manifesta preferência pelos solos calcários.

São plantas herbáceas e perenes, lenhosas na base e com alguns caules parcialmente deitados.

Os caules estéreis terminam num grupo de folhas enquanto os floríferos se ramificam na parte superior.

As folhas são ligeiramente carnudas, de forma oval espatulada, geralmente providas de pelos finos, nas margens.
A planta forma ramalhetes bem ramificados, com cerca de 10 a 30 cm de altura.



As Iberis procumbens microcarpa distinguem-se bem pelas suas flores brancas, com apenas alguns laivos de lilás.


As flores agrupam-se em inflorescências semelhantes a cachos (corimbos) em que os pedicelos têm comprimentos desiguais mas se arranjam de forma a que as flores fiquem mais ou menos no mesmo plano, formando conjuntos semelhantes a pequenos guardas-chuva, de raios desiguais.

Cada uma das pequenas flores tem 4 pétalas dispostas em forma de cruz, com 4 sépalas alternadas entre elas e 6 estames, com nectários.
  
É de notar que ao contrário do que acontece com as flores do interior da inflorescência, as pétalas das flores periféricas não são iguais entre si, sendo que as duas pétalas exteriores são nitidamente mais longas que as restantes. Esta é uma estratégia de poupança de esforço e energia pois enquanto apenas algumas pétalas mais vistosas são suficientes para atrair os insetos polinizadores, as outras, mais económicas, guardam as suas forças para a produção de sementes.
Flor interna, em que as pétalas têm tamanho igual.
Flor periférica, em que as duas pétalas exteriores são bastante mais longas.
As plantas florescem e frutificam de abril a agosto. Os frutos são siliquas ovais e achatadas formadas por dois carpelos, separados por um septo no qual estão as sementes. Na abertura do fruto maduro, o septo destaca-se de ambos os carpelos, expondo as sementes para serem arrastadas pelo vento.
As Iberis procumbens microcarpa pertencem ao género Iberis, um dos cerca de 350 géneros de plantas em que se divide a família das Brassicaceae. Este género inclui cerca de 50 espécies entre herbáceas perenes ou caducas e arbustos. Algumas espécies são cultivadas como ornamentais, especialmente adequadas para vasos, bordaduras e jardins de rocha. As folhas, caules, raízes e sementes são muitas vezes usados em homeopatia, pelas suas propriedades medicinais, para crises de ansiedade, dores musculares e reumatismais. Todavia, em doses exageradas provoca diarreia, tonturas e náuseas. Nunca é de mais recordar que quase todas as plantas silvestres têm um maior ou menor grau de toxicidade pelo que nenhuma planta deve ser ingerida sem a supervisão de entidade conhecedora.
A família das Brassicaceae também é designada por Cruciferae , nome que tem origem no facto de as suas flores terem 4 pétalas, caracteristicamente  inseridas em forma de cruz. Esta família é composta por cerca de3.700 espécies, cultivadas praticamente no mundo inteiro, muitas delas de grande importância económica pois são extensivamente utilizadas na alimentação humana (nabos, mostardas, rabanetes e couves, com as suas múltiplas variedades).

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).
Fotos: Areal Sul/Praia da Areia Branca

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