"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Oxalis pes-caprae


Oxalis pes-caprae é uma pequena planta que forma densos tapetes verdes, pontilhados de belas flores amarelas e que se encontra por quase todo o lado,  desde janeiro até ao inicio da Primavera. O impacto visual é de grande beleza.
Mas, cuidado, trata-se de uma planta invasora!


A Oxalis pes-caprae é vulgarmente conhecida por azeda, azedinha, trevo-azedo, azedinha-amarela, erva-azeda-amarela, erva-canária, erva-mijona, entre outros nomes.


É uma planta vivaz que se reproduz quase exclusivamente através de um bolbo profundamente enterrado no solo. As sementes são raras nas espécies naturalizadas fora da sua área natural. A parte aérea da planta, que morre no fim da época de floração para voltar a surgir no início do ciclo, é um tufo formado por caules muito juntos, com cerca de 20 cm de altura encimados por flores de pétalas amarelas. As folhas são em forma de trevo, com 3 folíolos em forma de coração.


Produz muitos bolbilhos que facilmente se fragmentam e dispersam, aumentando assim a sua distribuição e originando extensas colónias onde domina, competindo com as espécies nativas. Prefere as terras cultivadas e sítios descampados sobretudo em solos argilosos, mas também invade as áreas naturais.


Com o aproximar da noite, e a falta de luz, as flores da Oxalis pes-caprae fecham-se, para reabrirem no dia seguinte, quando o sol vai alto e as aquece. O mesmo acontece quando há vento fresco, pois as flores parecem friorentas.


Pertence à família botânica das Oxalidaceae, sendo que as plantas desta família são tóxicas se ingeridas em grandes quantidades. A intoxicação é decorrente da formação de oxalato de cálcio, a partir do ácido oxálico solúvel presente nas folhas. A ingestão desencadeia primariamente vómitos, diarreia e dores abdominais, resultantes da acção irritante do ácido oxálico nas mucosas digestivas e intestinais. O quadro pode ser agravado pelo desencadeamento da hipocalcemia e de lesões renais.  Em miúdos,  todos nós ou pelo menos a maioria, já experimentámos sugar os pecíolos das folhas e nos deliciámos com a acidez do suco.  Em vista do acima exposto, convém recomendar moderação aos apreciadores. 


A Oxalis pes-caprae é originária da África do sul. Foi introduzida com fins ornamentais em Portugal e na região do Mediterrâneo no século XVIII. Rapidamente se adaptou e se tornou invasora causando prejuízos avultados nas plantações agrícolas. Esta invasora é também um grave problema em vários países do mundo, nomeadamente norte de África, sudoeste asiático, Paquistão e Índia. Também se espalhou pela Austrália, Nova Zelândia, Japão e China. Na América chegou à Califórnia, Arizona, Florida e também América do Sul. 

NOTA:

Nos seus habitats naturais esta espécie possui um sistema de reprodução complexo com 3 formas florais (Heterostilia - veja AQUI e AQUI) contudo, na área invasora "observou-se a alteração da estratégia reprodutiva para uma reprodução exclusivamente assexuada em resultado de efeitos fundadores que levaram apenas à introdução do morfotipo pentaploide de estilete curto. A forma introduzida não só perdeu os morfotipos florais compatíveis para a reprodução sexuada, como também é aparentemente estéril do ponto de vista citológico". Recentemente, os membros de uma equipa de investigadores dasnUniversidades de Coimbra e Vigo  encontraram novos morfotipos florais e citotipos na região oeste da bacia Mediterrânea. O aparecimento destas novas formas abre a possibilidade para a reprodução sexuada (a produção de sementes foi descrita pela primeira vez) e constitui um novo meio de dispersão e fonte de variabilidade genética. 

SOBRE AS PLANTAS INVASORAS:

A invasão biológica por espécies exóticas é considerada a segunda maior causa da perda de biodiversidade, sendo apenas ultrapassada pela destruição dos habitats. Estas espécies denominadas invasoras ocorrem um pouco por toda a parte, e de forma tão frequente que chegamos a pensar que são espécies nativas.
Muitas plantas exóticas foram introduzidas no nosso país quer como plantas ornamentais, quer para controlo da erosão ou exploração florestal. As plantas foram comercializadas durante anos, acabaram por se naturalizar e de repente demo-nos conta que se tornaram invasoras. Infelizmente espécies não nativas continuam a ser importadas, especialmente ao nível de plantas ornamentais.
No entanto, nem todas as espécies introduzidas se tornam invasoras.
As espécies exóticas tornam-se invasoras quando têm a capacidade de aumentar muito as suas populações, sem a intervenção humana, ameaçando a sobrevivência das espécies endémicas, chegando a sufocá-las até à morte, nos casos mais graves. Estas espécies tornam-se excepcionalmente competitivas devido a multiplos factores, sendo um deles  a falta dos inimigos naturais que existiam no seu habitat de origem.
Por outro lado, há espécies introduzidas que se aclimatam naturalmente e se mantêm dentro de certos limites, sem ameaçar as espécies nativas e até contribuindo para aumentar a biodiversidade da área. A estas chamamos plantas naturalizadas, podendo as mesmas permanecer estáveis e com uma população em equilíbrio, durante muito tempo, ou mesmo para sempre. Muitas delas tornaram-se indispensáveis na nossa alimentação. Os pessegueiros, por exemplo, têm origem na China, os tomates são nativos dos Andes, as abóboras, milho e batata vieram das Américas, apenas para citar alguns casos.
No entanto, também pode acontecer que, através de algum fenómeno natural ou não, se originem clareiras ou espaços desocupados (por exemplo através de um fogo ou outro tipo de desmatamento), que estimule o aumento da sua distribuição, podendo assim a espécie vir a tornar-se invasora.
Em "posts" posteriores, terei ocasião de mencionar mais alguns exemplos de plantas invasoras.

Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã


2 comentários:

  1. Para nós apicultores, e uma planta invasora bem vinda

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    1. Carlos, ora ai esta um ponto de vista interessante. Tem muita logica pois estas plantas florescem numa epoca do ano em que as abelhas terao pouco por onde escolher. Obrigada pela contribuicao.

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