"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tropaeolum majus L

Nomes vulgares:
Capuchinha; chagas; chagueira; mastruço-do-Perú; nastúrcio


De nome científico Tropaeolum majus, mas mais vulgarmente conhecida como capuchinha ou chagas, esta é uma espécie que se supõe ser originária da América do Sul, provavelmente da região andina que abrange os territórios que vão da Bolívia à Colômbia. Contudo, encontra-se naturalizada em muitos outros locais do globo, desde a América do Norte à Austrália, passando pelo continente europeu e Macaronésia (ilhas atlânticas, nomeadamente Açores, Madeira, Canarias e Cabo Verde).


Esta espécie pertence à família Tropaeolaceae a qual se divide em três géneros, um dos quais é o Tropaeolum, com cerca de 80 espécies, que inclui a Tropaeolum majus. Aparentemente a Tropaeolum majus começou por ser uma planta cultivada e foi em tempos bastante apreciada em jardins. Perdida a popularidade e a preferência como planta ornamental, quis ainda assim, continuar a ser útil, ultrapassou barreiras e naturalizou-se em espaços não confinados. Hoje em dia pode ver-se esta espécie crescendo de forma espontânea, na proximidade dos campos de cultivo, sendo aproveitada pelos agricultores para proteger as suas plantações pois ela serve de hospedeira a certas pragas e repele outras.


Na generalidade, esta espécie floresce e frutifica durante a primavera e o verão. Contudo adapta-se com tanta facilidade a certos tipos de climas que pode florescer durante a maior parte do ano, frequentemente assumindo um comportamento invasor. Nestes casos é conveniente tomar medidas que controlem a expansão da planta.
Noutras regiões esta espécie é muito apreciada e cultivada, não só pelas suas flores mas também pelas folhas pois ambas são comestíveis. Podem confecionar-se deliciosas saladas frias tanto com as folhas como com as flores as quais também se usam na decoração da finalização dos pratos. Não só são decorativas como também exalam um aroma agradável e muito característico. O sabor é ligeiramente apimentado.


A Tropaeolum majus tem também excelentes propriedades terapêuticas, podendo ser utilizadas todas as partes da planta, excepto a raiz. A planta é muito rica em vitamina C e tem propriedades bactericidas, digestivas, sedativas e expetorantes, sendo indicada para problemas pulmonares e digestivos, escorbuto e afeções da pele. Porém nunca é demais lembrar que o consumo deve ser regrado pois todas as plantas têm o seu grau de toxicidade, sendo nocivas em caso de exagero.


A Tropaeolum majus é uma planta anual, herbácea, de hábito rastejante ou trepador, com guias que podem atingir 1 metro ou mais, providas de pecíolos foliares que funcionam como gavinhas. Os caules, de cor verde claro são carnudos, ocos e cilíndricos, sem pelos, de aspeto quase polido. A planta é pouco ramificada, sendo que geralmente só ramifica na base e não nos caules.


A planta forma uma raíz avermelhada e longa mas pobre em ramificações pelo que se torna fácil arrancar a planta. No entanto cada pedaço de raiz que se parta e fique no solo, irá certamente enraizar e dar origem a uma nova planta.


As folhas, de cor verde azulado, são numerosas, alternas, simples, de margens ligeiramente lobadas e onduladas; têm forma circular e ligam-se perpendicularmente ao caule através de um longo pecíolo, mais ou menos no centro do limbo; as veias são bem visíveis e irradiam do centro para o exterior da folha.

As flores, muito vistosas, são solitárias e crescem na axila das folhas, no topo de longos pedúnculos. Corola e cálice exibem tons de amarelo, laranja e vermelho e são lisas ou com manchas acastanhadas ou de cor púrpura.
No seu conjunto, as flores são compostas por 5 pétalas (corola), 5 sépalas (cálice) e órgãos reprodutivos masculinos e femininos funcionais.


As pétalas são desiguais: as duas pétalas superiores são ovais, fundem-se com as sépalas que lhe estão adjacentes e exibem veios longitudinais de cor mais escura. As três pétalas inferiores são livres, mais arredondadas, estreitando-se profundamente na parte inferior do limbo, sendo as gargantas decoradas com franjas perfeitamente visíveis a olho nu.


As sépalas, fundidas na base, são também distintas: as três sépalas superiores são maiores e são também decoradas com veios de cor mais escura, tal como as pétalas superiores. Uma delas, prolonga-se para a retaguarda em forma de esporão comprido, direito ou ligeiramente encurvado, que funciona como reservatório para o néctar que a planta oferece aos agentes polinizadores. As restantes duas sépalas são lisas e mais pequenas.


Os órgãos reprodutivos consistem num pistilo central com um estigma dividido em 3 partes, rodeado por 8 estames livres e tamanho desigual, com grossos filamentos arqueados e grandes anteras.


O ovário é súpero, isto é encontra-se sobre o recetáculo e sobre o ponto de inserção das outras partes florais, cálice, androceu e corola e é trilocular, dando origem a frutos carnudos, formados por 3 mericarpos que se separam na maturação, sendo disseminados essencialmente pelo vento.


Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos - Serra do Calvo / Lourinhã

7 comentários:

  1. Fernanda, isto não é um "post". É um tratado exaustivo.E excelente, como habitualmente.

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  2. Gostaria de saber a referência dessas informações para ler mais a respeito. Obrigada

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    1. Olá Marcia Regina.
      Envio-lhe algumas das referências que me pede:
      http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Tropaeolum_majus.htm
      http://www.smh.com.au/lifestyle/diet-and-fitness/once-were-weeds--now-superfoods-20120823-24om9.html
      http://www.plantea.com/nasturtium-pesto.htm
      http://www.veraveg.org/Veg%20History/Veg%20History%20Nasturtium.html
      http://oldfashionedliving.com/nasturtiums.html
      http://nasturtiums.wordpress.com/2008/10/31/more-nasturtium-recipes/
      Pode ainda consultar o livro Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas - Francisco José de Abreu. 2.ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2008.
      Espero lhe sejam úteis.
      Cumprimentos

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    2. Isso mesmo, planta medicinal. Ai se as pessoas soubessem o que esta planta pode fazer por nós. Eu, pela minha parte, devo-lhe a vida. Cumprimentos

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    3. Isso mesmo, planta medicinal. Ai se as pessoas soubessem o que esta planta pode fazer por nós. Eu, pela minha parte, devo-lhe a vida. Cumprimentos

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  3. Olá - Saudações amigas! Como tenho esta planta no meu jardim e, embora conhecendo algumas das suas indicações terapêuticas habituais, surpreendeu-me deveras o ênfase posto acima pela Leonor na afirmação de que deve a vida a esta planta!
    Isso parece sugerir alguma aplicação de especial eficácia, que gostaria de conhecer. Se a Leonor quiser repartir connosco essas informações muito lhe agradeceria.

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    1. Olá Vilma Fonseca,
      Pela parte que me toca, não sei como ajuda-la uma vez que não tenho o contacto da Leonor.
      Cumprimentos

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