"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sábado, 14 de abril de 2012

Pistacia lentiscus L.


Nomes comuns:
Aroeira; lentisco; alfostigueiro; almessigeira;
árvore-do-mastique; darmacho; daroeira; moita-do-daro


Pistacia lentiscus é um arbusto ereto e de forma irregular, por vezes semelhante a uma pequena árvore, podendo atingir 4 a 5 metros de altura e 2 a 3 metros de largura.


É muito ramificado, formando moitas altas e densas que são abrigo para tocas de coelhos, ninhos de perdizes e restante fauna local. 


É uma planta perene que se dá bem em todos os tipos de solo desde que tenham boa drenagem, mostrando no entanto, alguma preferência pelos solos calcários.


Cresce de forma espontânea nas regiões do mediterrâneo e territórios da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde), em matas e matagais, geralmente associado a outros arbustos também eles bem adaptados ao clima do tipo mediterrânico, o qual se caracteriza por invernos relativamente chuvosos e verões secos. Suporta bem os ventos maritimos.


O Pistacia lentiscus pertence à Anacardiaceae, família botânica que inclui cerca de 600 espécies agrupadas em 70 géneros. Algumas das espécies desta família são frutíferas bem conhecidas, entre elas a manga e o caju.
O Pistacia lentiscus pertence ao género Pistacia que inclui 10 espécies, entre as quais o Pistacia vera cujos frutos são grãos muito apreciados, os pistachio ou pistache, os quais se comem quer torrados e salgados ou frescos, incluídos em gelados, saladas e até guisados.

As folhas do Pistacia lentiscus dispõem-se de forma alternada nos caules, têm cor verde escuro brilhante e textura coriácea.



Cada folha é composta por vários folíolos ovais (de 2 a 10) sem que exista folíolo terminal, terminando a folha em forma de V.


Os pecíolos dos folíolos são de cor avermelhada e são alados, isto é, estão providos de asas (expansão laminar, tipo folha longa e estreita).


Frequentemente encontram-se folíolos com uma estrutura diferente dos restantes, mais grossos e de cor avermelhada os quais dão pelo nome de galhas ou bugalhos e que mais não são que uma reação de defesa da planta face ao ataque dos tecidos por um parasita, o afídio Aplaneura lentisci.
Estas excrecências têm a forma arredondada e geralmente formam-se na parte superior dos folíolos. 


A planta floresce durante a primavera.

As flores são muito pequenas e formam cachos bastante compactos.

De forma característica, cada arbusto desta espécie apenas dispõe de flores de um sexo pelo que, para que se forme a semente, é necessário haver plantas com flores masculinas na proximidade de plantas com flores femininas.
De facto, ao contrário do que acontece com a maioria das plantas verdes em que o mesmo indivíduo apresenta flores com órgãos sexuais de ambos os sexos Pistácia lentiscus é uma planta dioica pois as flores femininas e masculinas aparecem em indivíduos diferentes.

  


Flores masculinas em diversos estágios de maturação

As flores masculinas não têm corola mas apresentam um cálice com 5 sépalas e 5 estames de filetes curtos e grandes anteras vermelhas.



Flores femininas (ver pormenor inserido)

As flores femininas também sem corola, apresentam 3 a 4 sépalas e um ovário ovoide de cor esverdeada. Este é coroado por um estilete muito curto e alargado no ápice, de onde surgem 3 estigmas avermelhados, oblongos e recurvados.



A polinização é feita pelo vento, daí resultando frutos muito aromáticos e em forma de baga arredondada que conforme vão amadurecendo passam do verde ao vermelho e depois ao negro, providenciando bom alimento para as aves e restante fauna local durante o outono e o inverno.



O Pistacia lentiscus é uma espécie de grande interesse ornamental, sendo hoje em dia muito utilizada em jardins pois não necessita de cuidados especiais, além de que é muito aromática.

Dos troncos do Pistacia lentiscus pode obter-se uma resina que pinga naturalmente e que em contacto com o ar endurece, formando pequenas massas em forma de gota. A esta goma chama-se mastique, substância essa que tem sido utilizada para diversos fins, alimentares, medicinais e não só, desde há milhares de anos. Em certos países este arbusto é cultivado de forma intensiva com vista à produção da mastique, como é o caso da Turquia. A mastique entra na composição de doces, perfumes, pastilhas elásticas, vernizes e materiais adesivos usados na construção civil.
As suas propriedades medicinais são também muito apreciadas e assim a mastique tem sido usada como diurético, expectorante e analgésico, entre outros fins.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos: Arribas da Praia do Caniçal e Serra do Calvo - Lourinhã

8 comentários:

  1. Excelente para tratar problemas dentários, como cáries e piorreia. Não é uma planta tóxica, mas o seu uso neste caso requer alguma vigilância. Permite fabricar uma excelente pasta dentífrica medicinal. Parabéns pelo artigo, está óptimo.

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  2. Excelente para tratar problemas dentários, como cáries e piorreia. Não é uma planta tóxica, mas o seu uso neste caso requer alguma vigilância. Permite fabricar uma excelente pasta dentífrica medicinal. Parabéns pelo artigo, está óptimo.

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    1. Ola Leonor,
      Obrigado pelo comentário e pelas informações.
      Cumprimentos

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  3. A aroeira também se reproduz por semente? Obrigado.

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    1. Boa tarde Carlos,
      Sim, a Pistacia lentiscus também se reproduz por semente. Pode demorar um pouco mais do que a reprodução por estaca mas é tudo uma questão de paciencia.
      Cumprimentos

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  4. A aroeira serve de porta enxerto para a Pistacia vera?

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    1. Peço desculpa mas não lhe sei responder sobre enxertos.

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    2. Qualquer planta serve para fazer enxertos, o resultado do enxerto é que pode não ser o esperado. Digamos que a Pistacia vera é uma espécie "superior", com um enxerto da lentiscus, dita "inferior", nada tem a ganhar com o dito enxerto. Se quiser mesmo assim fazê-lo, nestas plantas convém um enxerto de "bolha", como se faz nas alfarrobeiras, criando uma variedade mista, o que não consegue com o enxerto de "cavalo", já que aqui, uma parte do arbusto dá uma espécie, a outra parte dá outra espécie (o que e feito na oliveira e muitas vezes na figueira e na laranjeira). Esta altura do ano é ideal para fazer enxertos, mas se não sabe muito do assunto procure um profissional. Boa sorte

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