"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 7 de março de 2012

Vinca major L.

Nomes vulgares:
Pervinca, pervinca-maior, congoça, congonha, congossa, congossa-maior, congoxa



O género Vinca, vulgarmente conhecido como Pervinca, pertence à familia das Apocynaceae. São geralmente plantas vivazes, herbáceas ou arbustivas, mais ou menos resistentes, rastejantes ou de postura ereta, e que dão origem a delicadas flores que florescem continuamente da primavera ao outono, dependendo da espécie. Em Portugal é possível encontrar algumas espécies indígenas e outras naturalizadas.



A espécie Vinca major, pertencente ao género Vinca, é nativa do sudoeste europeu, noroeste de África e sudoeste asiático, mas hoje em dia podemos encontrá-la amplamente naturalizada noutras zonas temperadas do globo. Em Portugal cresce espontaneamente nas regiões do norte e do centro, em bosques e florestas, margens dos riachos, beira dos caminhos, preferindo os lugares de solo calcário e argiloso; gosta mais dos lugares sombrios mas também a podemos encontrar em pleno sol, desde que as raízes encontrem a humidade de que necessitam.


A Vinca major é uma planta de hábito prostrado; sempre que tenha espaço cresce rente ao solo formando densos tapetes verdes mas também pode trepar muros ou acompanhar declives, juntamente com outras plantas, sem no entanto se apoiar nelas.


Os caules são longos e através deles a planta espalha-se formando raízes nos pontos em que eles tocam no solo. Desta forma a planta cria largas colónias podendo tornar-se invasora.


A Vinca major é uma espécie muito apreciada e cultivada em jardins, como cobertura de solo, tanto mais que se dá bem tanto na sombra como ao sol e se desenvolve rapidamente. Convém fazer-lhe uma poda drástica pelo menos uma vez por ano não só para lhe restringir o crescimento mas também para que a manta vegetal se mantenha com aspeto denso e floresça bem. Caso não se faça este corte de forma regular os caules têm a tendência para crescerem  em  demasia, com as folhas muito espaçadas, ficando com aspeto nú e enfraquecido.




Se gostarmos da planta mas não quisermos que se desenvolva em grandes extensões, com um pouco de persistencia e podas drásticas podemos restringir-lhe o crescimento de modo a que não ultrapasse o tamanho desejado, tal como eu fiz no recanto mais ventoso do meu jardim.


As folhas da Vinca major são simples, de aspeto coriáceo, de forma elítica e cor verde escuro brilhante; as margens são inteiras e têm pelos finos; o pecíolo é curto e dispõem-se no caule de forma oposta.



A planta floresce durante a primavera. As flores são encantadoras, de aspeto delicado e de um tom de azul muito particular, o chamado azul pervinca ;  são solitárias e crescem na extremidade de longos pedúnculos a partir da axila das folhas.



As flores têm orgãos reprodutores femininos e masculinos funcionais; os estames sao 5 e desenvolvem-se juntamente com o tubo da corola a qual é formada por 5 pétalas simétricas soldadas na base formando um tubo com o centro branco.



O cálice tem 5 sépalas de forma linear e bem abertas e as  margens têm pelos finos.


O fruto divide-se em dois folículos de cor verde, depois acastanhada, que se abrem naturalmente quando maduros, libertando numerosas sementes.

A Vinca major pode ser confundida com outra espécie do mesmo género, a Vinca minor, pois são idênticas diferindo basicamente no tamanho das folhas e das flores, conforme os respectivos nomes cientificos dão a entender.

No entanto podemos diferencia-las também através de outros pormenores: as folhas da Vinca minor não têm pelos nas margens, ao contrario da Vinca major e as flores da Vinca minor são assimétricas enquanto que as flores da Vinca major são simétricas.


Tanto a Vinca major como a Vinca minor possuem propriedades medicinais importantes pois contêm alcaloides (vinvamina e vincina) largamente utilizados pela industria farmaceutica  para fazer vários medicamentos, entre as quais medicamentos usados em quimioterapia. Estas duas espécies são também utilizadas em medicina tradicional principalmente no combate a problemas neurológicos, como vasodilatador e auxiliar da memória, devido às suas propriedades oxigenadoras. Geralmente usam-se as folhas para fazer infusões ou pomadas, estas usadas em problemas de pele. No entanto é de notar que estas plantas são muito tóxicas pelo que a sua ingestão deve ser muito moderada e com a supervisão adequada.

Há ainda uma outra espécie, a Catharanthus roseus que pode originar alguma confusão com as espécies atrás mencionadas, a qual embora pertença à mesma familia, é de um género diferente. É uma espécie nativa de Madagascar, vulgarmente conhecida como Vinca ou Pervinca de Madagascar e que foi introduzida em Portugal, sendo utilizada como planta ornamental. Geralmente apresenta-se em diversos tons de rosa. Esta espécie contém alcaloides que são usados como anti- inflamatório e também no tratamento de alguns tipos de cancro. Esta planta tem ainda potencial terapeutico no tratamento da doença de Alzheimer, segundo descobriu uma equipa de cientistas da Universidade do Porto. Esta é também uma espécie tóxica.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).

Fotos: Serra do Calvo / Lourinhã

2 comentários:

  1. Olá Fernanda,
    O seu cantinho das suculentas está lindo!
    Lancei um concurso no meu blog, não se esqueça de participar!
    http://refreshandplay.blogspot.pt/2012/03/giveaway-novo-catalogo-das-tintas-cin.html

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    1. Olá Adriana,
      Já tinha visto o seu concurso/give away pois sou seguidora do seu blog e estou sempre ansiosa por novos posts.Obrigada por me relembrar.
      Beijinhos

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