"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





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quinta-feira, 10 de março de 2011

Allium ampeloprasum

Alho porro bravo

O Allium ampeloprasum, vulgarmente denominado alho porro bravo é uma planta inconfundível devido aos seus longos caules e às vistosas inflorescências redondas, de cor rosada ou lilás.

A planta nasce de um bolbo cujo tamanho varia consideravelmente. Com o passar dos anos vão-se formando bolbilhos em torno do principal, os quais vão dar origem a novas plantas. No final do inverno surgem as primeiras folhas de cor verde-azuladas e que por vezes se dispõem em roseta.

As folhas são simples, longas e finas, mais ou menos suculentas, alternadas e com a bainha fechada. Do centro da planta nasce uma haste floral longa e sem folhas. Inicialmente é uma estrutura sólida mas à medida que cresce, torna-se oca pelo que não cresce absolutamente direito, antes encurva ligeiramente.



No topo desta haste desenvolve-se uma inflorescência de forma esférica, com uma bráctea caduca na base. Este forma de agrupamento das flores é chamada de umbela pela semelhança da sua estrutura com a de um guarda-chuva, possuindo de 50 até 2.000 flores.

Na verdade, a inflorescência é constituída por um agregado de muitas pequenas inflorescências de 5 a 10 flores, cada uma delas abrindo numa sequência definida, o que causa considerável irregularidade no processo de abertura das flores. Em geral, há uma amplitude de 25 até mais de 30 dias, entre a abertura da primeira e da última flor de uma mesma umbela.
O Allium ampeloprasum prefere os terrenos arenosos do litoral e os terrenos pedregosos mas também se encontra em terrenos baldios do interior.



Floresce durante os meses de junho e julho. Depois, as flores vão secando lentamente e transformam-se em frutos capsulares que permanecem na planta durante largo tempo.
De notar que todas as partes da planta exalam o cheiro caracteristico do alho.

O Allium ampeloprasum pertence à família botânica das Alliaceae que conta com cerca de 700 espécies distribuídas pela maior parte dos continentes excepto trópicos, Austrália e Nova Zelândia. As espécies desta família são plantas perenes ou anuais, herbáceas, com caule subterrâneo do tipo bolbo, folhas longas e finas e flores reunidas em inflorescências. A família das Alliaceae divide-se em 30 géneros, nomeadamente o género Allium no qual se incluem não só o Allium ampeloprasum e outras plantas ornamentais mas também algumas espécies fundamentais na dieta alimentar mediterrânica, como é o caso da cebola e do alho.

Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã


domingo, 6 de março de 2011

Cheirolophus sempervirens

Lava Pé

De aspecto quase banal, este arbusto por pouco me passava despercebido! Não tinha ainda conseguido identifica-lo até que, de repente no verão passado, surgiram vistosas flores, rosadas e de forma arredondada. Foi no pequeno planalto situado junto às arribas do Praia do Caniçal que encontrei vários exemplares desta espécie tão interessante.

É uma zona de solo argiloso, povoada essencialmente por espécies arbustivas e onde correm dois pequenos riachos  que com o tempo foram escavando e aprofundando o seu leito. Chegam ao mar desaguando directamente na praia. Para além dos matagais, os terrenos são cultivados com searas forrageiras.

Os arbustos de Cheirolophus sempervirens estão quase todos implantados nas margens inclinadas de um dos córregos.

Embora esteja representada em vários locais do nosso país as informações sobre a morfologia desta espécie em particular, são muito escassas.
Assim, observando os exemplares do Caniçal pude constatar que são arbustos relativamente baixos, lenhosos e perenes, conservando as folhas durante o inverno.

 As folhas são inteiras, estreitas, lanceoladas e sem pelos.
As flores parecem pompons, reunindo-se em inflorescências do tipo capitulo, com todas as flores com corola tubulosa e de cor rosada. Aparecem no verão, de junho a agosto e são morfologicamente semelhantes às da Centaurea, embora com a corola mais "farfalhuda".
Os frutos são aquénios ou seja, são semelhantes a frutos secos e mantêm-se fechados mesmo após a maturação completa. A dispersão é geralmente feita pelas formigas ou por ação da gravidade.
Os arbustos da espécie Cheirolophus sempervirens ocorrem nas regiões mediterrânicas e nas ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo verde). Outras espécies do género Cheirolophus são endémicas de Malta mas existem registos da diminuição progressiva de exemplares, situação esta que começa a ser preocupante.

 


Cheirolophus sempervirens, conhecido vulgarmente como Lava Pé, pertence ao género Cheirolophus que inclui 12 espécies de plantas arbustivas e que por sua vez faz parte da grande familia das Asteraceae. Parece complicado mas a verdade é que, devido à grande variedade de características, as plantas classificam-se cientificamente de forma um pouco complexa. No caso da planta de que tratamos hoje, a classificação é a seguinte:

Reino      Plantae
Divisão   Magnoliophyta
Classe    Magnoliopsida
Ordem   Asterales
Família  Asteraceae ou Compositae
Género  Cheirolophus
Espécie  Cheirolophus sempervirens

A Cheirolophus sempervirens é, pois, um arbusto da família botânica das Asteraceae ou Compositae à qual pertencem também plantas bem nossas conhecidas como por exemplo os malmequeres. Constitui uma das maiores famílias de plantas que dão flor, com cerca de 25.000 espécies, divididas em mais de 1.500 géneros e compreendendo plantas herbáceas, trepadeiras e arbustos. As Asteraceae ou Compositae reconhecem-se muito facilmente devido às suas flores compostas, as quais estão reunidas numa inflorescência do tipo capítulo. Resumindo, aquilo que à primeira vista parece uma flor completa, mais não é que um conjunto de pequenas flores inseridas num receptáculo em forma de disco e cercadas por um conjunto de brácteas que parecem pétalas.

As plantas desta família botânica têm uma importância ecológica bastante considerável uma vez que ocorrem desde as regiões polares até aos trópicos e desde os desertos secos até às florestas húmidas e às montanhas mais altas.
Economicamente também têm importância relevante dado que muitas das plantas domesticadas que incluímos na alimentação humana pertencem a esta família.

Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lonicera implexa Aiton

Madressiva, Madressilva-entrelaçada

As madressilvas pertencem à família das Caprifoliaceae, constituída predominantemente por arbustos e árvores de pequeno porte, muito frequentes nas regiões mediterrânicas. Crescem de preferência em terrenos baldios, na orla dos bosques e até nos matagais do litoral.
Entre as espécies de madressilvas existentes em Portugal, algumas são sivestres, outras cultivadas com fins ornamentais pela beleza e fragância das suas flores. Sabemos que três espécies são nativas, entre elas a Lonicera implexa Aiton, que encontrei generosamente implantada nas arribas da Praia do Caniçal.
É um arbusto trepador, de folha perene que se apoia noutras plantas para se elevar do solo. Pode atingir até 2 metros de altura. Os caules são lenhosos mas flexíveis, com terminações muito ramificadas.
As folhas são simples, opostas, de formato elíptico, de cor verde-escura, sendo brilhantes na página superior e verde-pálido na página inferior.
Foto de IKAI
Fonte Wikimedia commons
As flores estão reunidas numa inflorescência que nasce da base de uma folha e é formada por tubos rosados que ao abrirem mostram cinco pequenas pétalas branca. As flores são muito perfumadas e atraiem as borboletas noturnas que nelas colocam os ovos e ao fazê-lo, asseguram a polinização.
A floração dá-se de abril a agosto. 

Os frutos são bagas avermelhadas e nascem também na base de uma folha.

As folhas e as flores da madressilva parecem ter propriedades antissépticas, diuréticas, laxativas e adstringentes. No entanto os frutos são tóxicos e se ingeridos, provocam vómitos e diarreias.

Fotos - Arribas do Caniçal/Lourinhã


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Crithmum maritimum

Funcho-do-mar, funcho-marinho, funcho-maritimo, perrexil
A Crithmum maritimum é uma planta perene, da família das Umbelliferae também designada Apiaceae. Esta família é constituída por cerca de 4.250 espécies, muitas delas contendo substâncias aromáticas que justificam a sua utilização na nossa alimentação. Algumas são sobejamente conhecidas como é o caso da cenoura (Daucus carota), do aipo (Apium graveolens), do anis (Pimpinella anisum), do funcho (Foeniculum vulgare), do cominho (Cuminum cyminum), do coentro (Coriandrum sativum) e da salsa (Petroselinum crispum).
Em contrapartida, é preciso não esquecer que algumas espécies das Umbelliferae são altamente venenosas, como é o caso da Conium maculatum mais vulgarmente conhecida por cicuta. A partir desta planta obtêm-se um veneno que ficou conhecido como o alcaloide que matou Sócrates, filósofo ateniense do século V a.C., um dos fundadores da atual Filosofia Ocidental.

A Crithmum maritimum é uma planta de folhas carnudas, sem pelos, de um verde-azulado, ereta, muito ramificada, formando moitas de 20 a 50 cm de altura e que vive preferencialmente nos rochedos do litoral, bem segura através de um rizoma lenhoso e rastejante que se introduz profundamente por entre as rochas.

É um hemicriptófito, o que em termos botânicos designa uma planta cuja parte aérea morre anualmente e volta a brotar a partir da parte subterrânea.
Ao contrário de outras plantas, a Crithmum maritimum não necessita das partículas de sal para o seu desenvolvimento, porém pode dizer-se que convive bem com a maresia.


As folhas são segmentos quase roliços, de contorno triangular, com 1 a 5 cm, lanceolados, mas com a maior largura um pouco acima do meio.

A planta floresce de maio a outubro. As flores de cor amarelo-esverdeada, são umbelas compostas, ou seja, inflorescências múltiplas em forma de guarda-chuva.

É nativa das costas rochosas do mar Mediterrâneo e do Atlântico europeu (onde se inclui Portugal), Madeira, Açores e Canárias.
Esta é uma planta silvestre comestível. Em fitoterapia, as folhas têm sido usadas para aumentar o apetite e como digestivo. As folhas são usadas para aromatizar sopas e saladas. Também são empregues em culinária após conservação em vinagre, o que é considerado um verdadeiro acepipe em muitos países.
Já eram conhecidas dos navegantes de outros tempos as propriedades curativas desta planta para a temível doença do escorbuto e assim, como espécie dos litorais oceânicos, era muito utilizada pelos marinheiros para esse fim.

Fotos - Arribas da Praia do Caniçal/Lourinhã


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Frankenia laevis

Encontrei vários exemplares de Frankenia laevis na primeira linha das arribas do Caniçal. Esta planta delicada, é tão rasteira e de folhas tão pequenas e finas que quase passa despercebida, tanto mais que a sua folhagem adquire alguns tons de púrpura, que por vezes se confundem com a cor do solo argiloso.

A Frankenia laevis pertence à família das Frankeniaceae, que inclui apenas o género Frankenia. No entanto, este género divide-se em muitas espécies, por vezes muito semelhantes entre si e difíceis de distinguir à primeira vista.
É uma planta perene, de porte prostrado, com caules de cerca de 40 a 50 cm de comprimento, muito ramificados sendo os ramos secundários longos e encurvados. São quase sempre desprovidos de pêlos.
As folhas, de 3 a 7 mm, têm margens fortemente revolutas, isto é, são arqueadas para fora. São estreitas, de forma linear, sem pecíolo, podendo apresentar alguns pêlos finos e pouco densos, dificilmente visíveis à vista desarmada.
As flores são delicadas, com 5 a 6 mm de diâmetro. Não têm pedicelo ligando-se directamente ao eixo de suporte. São geralmente solitárias e estão espalhadas pelos extremos dos raminhos. São de cor rosa-claro ou violeta.
A Frankenia laevis ocorre em habitats costeiros da costa atlântica, sendo mais rara nas regiões orientais mediterrânicas. A floração inicia-se durante o mês de Abril e prolonga-se até ao final do Verão.
Esta planta de aspecto delicado é o que se chama em botânica um halófito, ou seja, é uma planta que gosta de solos fisiologicamente secos e com grande concentração de sais, principalmente cloreto de sódio. Na realidade, podemos comprová-lo ao observar as crostas de sal que se formam nas suas folhas e ramos.
Podemos concluir que esta planta é um bom exemplo de adaptação aos ventos marinhos carregados de partículas de sal, nas zonas costeiras.

Fotos: Arribas do Caniçal/Lourinhã