"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 16 de abril de 2018

Trifolium angustifolium L.


Nomes comuns:
Rabo-de-gato;
trevo-de-folhas-estreitas; 
trevo-massaroco

Embora à primeira vista não pareça, esta é mais um trevo, sendo uma espécie do género Trifolium, família Fabaceae também denominada Leguminosae.
Distingue-se de outras espécies do mesmo género pelas folhas e folíolos quase lineares e pelas inflorescências subcónicas ou cilíndricas.
É uma espécie anual com caules simples ou ramificados na base e que podem chegar aos 50 cm de altura. Na generalidade, as plantas exibem alguns caules eretos mais altos que os outros que parecem mais curtos por serem ascendentes, ou seja,  desenvolvem-se  primeiro de forma horizontal ou quase, encurvando-se depois até assumirem uma postura aproximadamente vertical.
Os caules geralmente, apresentam-se cobertos de pelos, embora se possam tornar gradualmente glabros com a maturação.
As folhas dispõem-se nos caules de forma alternada e têm pecíolos longos e estipulas lineares inteiras e glabras. As folhas são compostas, com folíolos linear-lanceolados e com ápice agudo.

Nota:
O termo botânico que define a espécie (angustifolium) tem a ver com a morfologia das folhas:
Do latim, palavra composta angustifolius, -a, -um = de folhas estreitas (angustus, -a, -um = estreito + folium, -ii = folha).


As flores agrupam-se em inflorescências em forma de espiga, subcónicas ou cilíndricas e  terminais as quais são solitárias e se formam no topo de pedúnculos compridos. 

Cada uma das pequenas flores que constituem a inflorescência apresenta um cálice com 5 sépalas longas, estreitas e de tamanho desigual, cobertas de pelos compridos que alternam com outros mais curtos, rígidos mas flexíveis.
As 5 pétalas que formam a corola são rosadas ou de cor purpura, glabras e unidas pela base formando um tubo que envolve o androceu e são caducas na frutificação. A corola é do tipo papilionáceo e consta de um estandarte, duas alas e uma quilha formada pela união das duas pétalas inferiores. Os estames são 10, sendo que nove estao unidos formando um tubo e o restante está livre (androceu diadelfo).
Do gineceu consta um ovário com um estilete que passa pelo tubo formado pelos estames.

O fruto é uma vagem indeiscente com várias sementes no seu interior. Esta vagem forma-se entre as sépalas do cálice que entretanto endurecem e se tornam cerdosas.
Esta espécie é nativa do centro e sul da Europa, sudoeste asiático e norte de África. Foi introduzida noutras regiões do globo e valorizada como recurso genético para leguminosas forrageiras.
No que diz respeito ao território português esta espécie é autóctone em Portugal continental e arquipélago da Madeira, tendo sido introduzida no arquipélago dos Açores.

É uma erva ruderal não invasora que se cresce preferencialmente em solos secos e algo ácidos, na beira dos caminhos, terrenos incultos e pastagens.

Tal como as outras espécies da mesma família Trifolium angustifolium tem a capacidade de fixar o azoto/nitrogénio atmosférico no solo tornando-o mais fértil. É a associação simbiótica que mantém com as bactérias fixadoras do azoto/nitrogénio que lhe permite colonizar áreas de solos pobres em nutrientes.

Esta espécie floresce na primavera e inicio do verão.

Fotos:Serra do Calvo/Lourinhã



terça-feira, 27 de março de 2018

Trifolium campestre


Nomes comuns:
Trevão; trevo-amarelo


Esta é mais uma espécie de trevos do género Trifolium.
É nativa da Europa, sudoeste asiático e noroeste africano, tendo sido introduzida em muitas outras zonas do globo onde se naturalizou. Em Portugal é nativa do território continental e do Arquipélago da Madeira mas foi introduzida nos Açores.
Esta é uma erva anual e muito bonita, que de março de setembro alegra margens dos caminhos e terrenos incultos com as suas pequenas flores globosas de um amarelo brilhante.
Trifolium campestre prospera em regiões de clima temperado, não se dando tao bem em climas secos e quentes. É muitas vezes cultivado em pastagens devido ao seu valor nutricional e à sua capacidade em fixar o azoto nos solos. É também uma erva interessante para dar estrutura aos solos.
Esta planta apresenta caules que podem atingir de 2 a 50 cm de altura. Estes são bastante pilosos pelo menos na parte superior e são geralmente eretos ou ascendentes, algumas vezes procumbentes. Estes ramificam-se com frequência e tomam um aspeto compacto.
As folhas podem ser glabras ou apresentar pelos ou cílios e dispõem-se de forma alternada nos caules e são trifoliadas, com longos pecíolos e estipulas ovadas. 
Os folíolos são ovais ou obovados, sem pelos e ligeiramente dentados ao longo das margens com nervuras retas bem visiveis.
As inflorescências surgem na axila das folhas superiores e são constituídas por cerca de 15 a 40 flores imbricadas que formam racemos globosos. Nas flores individuais o cálice é branco e membranoso com os dentes superiores mais curtos do que os outros. As pétalas são 5. A pétala superior denominada estandarte tem uma superfície externa visivelmente estriada e posiciona-se de forma envolvente em relação às restantes pétalas.
As pétalas das flores são persistentes na maturação do fruto, tornando-se acastanhadas ou quase brancas.
Cada flor produz uma única vagem que inclui 1 ou 2 sementes lisas e amareladas.

Fotos: Zambujeira/Lourinhã



quinta-feira, 8 de março de 2018

Trifolium fragiferum L.


Nome comum: Trevo-morango

 

Retomando a serie de trevos do género Trifolium, a espécie hoje referenciada é o chamado trevo-morango. 
O nome especifico fragiferum é um adjetivo inspirado no latim e formado com o genitivo da palavra raramente usado no singular fragum, -i, (morango) e o adjetivo neutro ferum (selvagem, não cultivado).
Distribuição em Portugal continental
Trata-se de uma espécie própria de climas temperados e que é originária da região mediterrânica, crescendo espontaneamente em terrenos preferencialmente húmidos. Nas zonas costeiras cresce bem em terrenos salinos ou pantanosos. Mais para o interior ocorre na beira dos riachos, em pastagens, em solos aluviais, argilosos ou calcários húmidos e muitas vezes em solos compactados pela pastorícia.
Distribui-se pelo sul da Europa, sudoeste asiático, noroeste de África e alguns territórios da Macaronésia.
Trifolium fragiferum é nativa em Portugal continental e Arquipélago da Madeira, tendo sido introduzida no Arquipélago dos Açores
Esta espécie de trevo é frequentemente cultivada em diferentes regiões do planeta, como forrageira, para melhorar a pastagem e como adubo verde.
Trifolium fragiferum é uma planta perene que forma caules decumbentes de 5 a 45 cm de cumprimento. Estes caules são glabros ou glabrescentes e enraízam nos nós que entram em contacto com o solo.
As folhas dispõem-se nos caules de forma alternada e estão divididas em 3 folíolos. Estes são obovados com a extremidade aguda e ligeiramente curva e com as margens finamente dentadas. 
Os pecíolos são longos e Inserem-se nos caules através e estipulas lanceoladas e membranosas.
As inflorescências surgem na extremidade de longos pedúnculos e são hemisféricas durante a floração mas tornam-se globosas durante a frutificação.
Nas inflorescências agrupam-se, de forma densa, inúmeras pequenas flores de corolas rosadas de forma tipicamente papilionácea. As 5 pétalas que cada uma das flores apresenta, estão unidas na base formando um tubo; a maior delas (estandarte) cobre as duas pétalas laterais (asas) e as duas internas (quilha). Cada pequena corola é protegida por um cálice com 5 sépalas de cor verde-acinzentada densamente coberto de pelos e com nervação reticulada. Os estames são 10.
O nome que designa a espécie fica devidamente justificado após a frutificação. Nessa altura o cálice de cada flor aumenta muito, torna-se membranoso, quase escarioso, eriça-se de pelos e a infrutescência transforma-se numa cabeça globosa, esbranquiçada ou avermelhada, quase na forma de um morango.
Os frutos, do tipo vagem, permanecem dentro dos cálices, são indeiscentes, com 1 a 2 sementes no seu interior.


Fotos: Abelheira/Lourinhã


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Cymbalaria muralis P. Gaertn. , B. Mey. & Scherb. subsp. muralis (atualizado)

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Video on Cymbalaria muralis:
https://youtu.be/FldgmAwCwo0

Other videos:
https://www.youtube.com/channel/UCE92HV-QY2xxhpUF80q_fwg/videos

Nomes comuns:
Cimbalária-dos-muros; ruínas; violetas-de-sala

Cada planta ou flor silvestre, por mais modesta que seja, tem o poder de surpreender e encantar. Entre tantas características possíveis, seja a diferente textura ou formato das folhas, a cor brilhante das pétalas ou o engenho das estratégias de sobrevivência e reprodução, tudo é motivo de fascínio e encantamento, sejam as espécies grandes e vistosas ou pequenas e humildes. 
Devo confessar que tenho grande predileção pelas flores pequeninas e deleito-me com a perfeição miniatural das suas peças florais, de cores só possíveis na natureza. 
Também nunca deixa de me surpreender a forma ordenada como as diferentes espécies de ervas se sucedem de forma breve, aproveitando o mesmo pedaço de terra como se fizessem turnos, esperando pacientemente a sua vez de cumprir o objetivo de perpetuar a espécie. Outras há, que procuram habitats difíceis e só nas dificuldades que enfrentam se revelam em todo o seu esplendor miniatural, regalando os sentidos dos mais atentos. É o caso de Cymbalaria muralis, uma belíssima e delicada erva, uma das minhas favoritas.

Cymbalaria muralis é uma espécie rupícola, ou seja, vive quase exclusivamente em paredes e muros, como aliás o seu nome específico indica. Outras plantas rupícolas vivem em rochedos e afloramentos rochosos em campo aberto, mas tal não é o caso desta nossa plantinha. 
Ela prefere, sem sombra de dúvida a proximidade dos humanos pelo que a podemos encontrar sobretudo em decrépitos muros de pedra construídos em redor de campos agrícolas, velhas paredes de tijolo e cimento e até em antigos monumentos históricos (de onde deriva o nome vernáculo “ruína”). 
As raízes desta planta desenvolvem-se nas estreitas, escuras e profundas fissuras das paredes de argamassa, tijolo e cimento ou entre as pedras dos muros e muralhas. Nesses espaços mínimos acumulam-se partículas trazidas pelo vento, as quais vão formando pequenos núcleos de solo com alguns nutrientes e humidade que parecem suficientes às suas parcas necessidades. 
Em vista das condições de escassez do seu habitat, Cymbalaria muralis evita as áreas mais quentes e secas e locais onde se registem grandes amplitudes térmicas. É por isso que muitas vezes ocorre de forma fragmentada, aproveitando nichos de microclima húmido e suave. Desenvolve-se tanto na meia-sombra como em situações soalheiras, desde que as raízes beneficiem de alguma humidade.
Cymbalaria muralis é uma erva perene, de aspecto algo carnudo e suculento. O seu porte é rasteiro e o crescimento rápido, depressa formando uma massa compacta de folhas sobrepostas. 
Os longos caules estendem-se horizontalmente e em todas as direções; são finos e frágeis, glabros e lustrosos, frequentemente de cor avermelhada. Nos nós formam-se raízes adventícias que podem enraizar e servir de apoio.
As folhas, no topo de longos pecíolos, são muito bonitas e delicadas, apresentando-se lustrosas e de aspeto carnudo e encerado; dispõem-se nos caules de forma alternada, exceto as inferiores que são opostas; são planas e arredondadas ou em forma de coração, com recortes irregulares formando de 3 a 9 lóbulos desiguais
A página superior é verde, mas a inferior toma, frequentemente, tons avermelhados.
As flores surgem solitárias ou aos pares, a partir da axila das folhas.

As 5 pétalas estão unidas formando um tubo cuja base se prolonga de forma cónica e algo arqueada (denominado esporão) e dentro do qual se encontra o néctar. A outra extremidade do tubo abre-se para o exterior formando dois lábios. ~

O lábio superior tem 2 pequenos lóbulos de cor violeta. O lábio inferior é mais amplo, tem 3 lóbulos de cor violeta e branca, a meio dos quais surgem duas saliências semelhantes a almofadas as quais se encostam ao lábio superior encerrando a entrada que conduz ao interior da flor, interditando o acesso a polinizadores não autorizados. Estas almofadas, muito vistosas na sua cor amarela e branca constituem uma provável pista de aterragem para os insetos polinizadores, maioritariamente constituídos por abelhas. Os veios mais escuros que se veem no interior dos lábios são guias de néctar que, mais uma vez, facilitam a vida das abelhas, indicando-lhes o caminho direto para o néctar e o pólen.
O cálice consta de 5 sépalas unidas até meio, separando-se depois em 5 segmentos semelhantes, glabros e com margens escariosas.
Cada flor apresenta órgãos reprodutores masculinos e femininos funcionais, podendo autopolinizar-se na falta de insetos adequados à anatomia da flor. Os estames, assim como o estigma, estão escondidos dentro da flor.
De forma geral, a planta floresce desde o inicio da primavera até final do verão.
O fruto é uma cápsula globosa que na maturação fica maior que o cálice. As sementes são pequenas, de cor escura e de forma oval ou redondas; são rugosas, com saliências longitudinais bastante evidentes. A sua superfície rugosa evita que rolem para fora das saliências onde são depositadas.

O aspeto mais interessante desta espécie é o seu comportamento e a estratégia de proteção das sementes. Refiro-me ao facto de esta planta demonstrar fototropismo, não só positivo mas também negativo. “Foto” é luz e “tropismo” é movimento. Fototropismo positivo é o movimento para a luz, que é o que todas as plantas fazem, crescendo em direção ao sol, de modo a deixarem as suas flores mais visíveis aos polinizadores ou vulneráveis ao vento que lhes leva as sementes. Mais raro nas plantas é o fototropismo negativo, isto é, o crescimento para longe da luz. 

Cymbalaria muralis cresce para a luz enquanto está em crescimento e em processo de polinização, mas uma vez completado o processo de fertilização, as sementes em formação tornam-se fototrópicas negativas, evitando a luz, encurvando os pedúnculos e procurando locais escuros, ao seu alcance, onde têm mais hipóteses de encontrar um nicho confortavelmente húmido onde possam germinar. A verdade é que dependendo apenas de um pequeno número disponível de locais seguros para largar as sementes, esta estratégia limita o número de novas plantas. Se por um lado permite a rápida substituição dos indivíduos que chegam ao seu fim de vida, a verdade é que também limita o estabelecimento de novas colónias. 
Contudo, surpreendentemente, estudos revelam que poucas são as sementes encontradas nos nichos, em comparação com o número de cápsulas aí depositadas. Muitas sementes poderão ser levadas pelas formigas ou escaravelhos, mas nunca para muito longe do seu local de origem. Resta saber que estratégias são utilizadas pela planta para enviar as sementes para longe. É de supor que a planta aproveite uma variedade de fatores que de alguma forma potenciem meios secundários de dispersão de longo alcance, embora ainda estejam por identificar.
Ao que se julga, Cymbalaria muralis é originária da Itália, nomeadamente da cordilheira dos Apeninos e região da Ístria (península do mar Adriático que hoje pertence a 3 países: Itália, Croácia e Eslovénia)). 
Presentemente encontra-se amplamente naturalizada por toda região mediterrânica e pela maioria dos países da Europa central. A forma como se expandiu para tão longe da sua área de diversificação ancestral permanece obscura embora algumas investigações levem a crer que possa ter sido, numa primeira fase, introduzida pelos romanos que a apreciavam muito e cultivavam como planta ornamental e medicinal, tendo-se aclimatado de forma discreta nuns lugares e extinguido noutros. 

A partir do século XVI a planta voltou a estar na moda e também por motivos decorativos foi introduzida ou reintroduzida, conforme o caso, sobretudo nos países do norte europeu. 
Nesta conformidade, Cymbalaria muralis é considerada um arqueófito no sul da Europa, no pressuposto de que tenha sido introduzida na Antiguidade, enquanto na maioria dos países europeus do norte esteja classificada como neófito por ter sido introduzida depois da data limite ou seja, após o ano de 1500. 
De notar que as datas de introdução são frequentemente problemáticas em estudos deste tipo devido à falta de registos históricos detalhados. A distinção entre arqueófitos e neófitos é particularmente importante pois está amplamente comprovado que os dois grupos diferem nas relações entre si e o meio ambiente, em resultado dos regimes de seleção e cultivo contrastantes das sociedades antigas e as mais modernas. 

Distribuição de Cymbalaria muralis em Portugal continental.
Fonte: Flora Digital de Portugal UTAD

No que diz respeito a Portugal,  tudo leva a crer que Cymbalaria muralis é um arqueófito no continente e um neófito nos arquipélagos de Açores e Madeira.

Cymbalaria muralis foi também levada para fora da Europa estando naturalizada em muitos dos climas temperados da Terra nomeadamente na Austrália, Nova Zelândia, Américas e África do Sul.
Embora seja uma bela planta, especialmente adequada a jardins de rocha  e a cestos suspensos, não podemos dizer que seja muito conhecida ou utilizada em jardinagem nos dias que correm. 
Contudo, não só é uma erva muito atrativa como é comestível, sendo rica em vitamina C. As flores e as folhas podem ser incluídas em saladas, embora com moderação. O sabor é ligeiramente acre e picante com algumas semelhanças com os agriões. Ingerida em excesso pode ser prejudicial à saúde, como aliás acontece com muitos alimentos comuns.

No passado, Cymbalaria muralis foi usada como erva medicinal. A infusão das folhas e flores era utilizada como tónica, diurética e antiescorbútica. As folhas frescas eram também colocadas sobre as feridas para promover a rápida cicatrização.

Cymbalaria muralis é uma das 10 espécies que constituem o género Cymbalaria, agora incluído na família Plantaginaceae (após ter sido recentemente transferido da família Scrophulariaceae em resultado de testes filogenéticos). Também o nome do género foi alterado, pois até meados dos anos 60 do século passado as espécies deste género pertenciam ao género Linaria - seção Cymbalaria
O nome Cymbalaria deriva do latim “Cymbalum” ou do grego “Kymbalon” numa referência à semelhança das folhas com os pratos do címbalo, instrumento musical de percurssão.


Fotos de Cymbalaria muralis - Serra do Calvo/Lourinhã







sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Trifolium repens L. (atualizado)

Nome comum:Trevo-branco

Trifolium repens é uma das plantas silvestres mais conhecidas, muito vulgar em lameiros, terrenos cultivados, margens dos rios e caminhos, frequentemente formando tapetes densos.
Em muitas situações é considerada uma planta invasora causando alguns problemas de difícil solução, principalmente quando aparece sem ser convidada ao misturar-se com as relvas dos nossos jardins. Em contrapartida, há regiões onde esta espécie e outras semelhantes, são cultivadas extensivamente e usadas para alimentar o gado. Sob certas condições, esta é também uma espécie que traz certos nutrientes ao solo pelo que muitas vezes é cultivada e enterrada em verde, antes da floração, servindo como adubo.
Sendo uma planta muito florífera, o Trifolium repens é uma boa fonte de néctar para as abelhas que o incluem na preparação de mel.
Esta espécie, originária da Eurásia, distribui-se  por toda a Europa, tendo sido introduzida na América do norte, sul da África, Austrália e leste asiático onde se naturalizou. Especificamente no que diz respeito ao nosso país, podemos encontrá-la em todo o território.
Pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies divididas em mais de 700 géneros
género Trifolium possui mais de duzentas espécies diferentes de plantas similares que são vulgarmente conhecidas como trevos. Embora existam algumas destas espécies que apresentam 4, 5 e até mais de 20 folhas, as mais conhecidas nas nossas regiões temperadas são as que apresentam apenas três folhas. Perante este conhecimento, a crença popular que nos diz ser motivo de sorte encontrar um trevo de 4 folhas só é válido quando se trata de o encontrar entre trevos de 3 folhas …

Trifolium repens é exigente em termos de luz solar e é sensível à seca, provavelmente por ter raízes superficiais, não sendo de estranhar que os tapetes de trevo do Areal Sul tenham vida curta, secando quando chega o verão e acabam as chuvas. Por outro lado, tendo em conta que esta planta é pouco tolerante à salinidade não deixa de ser interessante que continue a brotar, teimosamente, tão perto da praia. Apesar de tudo, a persistência do trevo branco parece encontrar-se assegurada pelo processo de enraizamento através de estolhos ou seja, caules que crescem paralelamente ao chão, produzindo gemas de espaço em espaço para dar origem a novas plantas. Paralelamente, a planta produz muitas sementes das quais quase 80% são duras e permanecem no solo como reserva até serem necessárias para substituir as plantas perdidas.
Trifolium repens é uma pequena planta perene, totalmente sem pelos ou com pelos raros, de porte rasteiro, sendo formada por caules rastejantes de crescimento lento e que facilmente enraízam na zona onde os nós dos caules tocam no solo. Os caules podem atingir 50 cm de comprimento.
As folhas são alternadas, com pecíolo, com raros ou nenhuns pelos, com 3 folíolos arredondados, de recorte suavemente dentado de 1 a 3 cm de comprimento, por vezes com uma mancha mais clara. Nos nós, embainhando o caule, surgem 3 estipulas de extremidades livres.
As flores brotam das axilas das folhas sobre pedúnculos compridos e agrupam-se em cachos globosos contendo um número variável de flores perfumadas, brancas ou maculadas de rosa.

A corola de cada flor tem 5 pétalas persistentes unidas num tubo, uma maior externa e superior que cobre duas pétalas laterais e duas internas, inferiores e unidas.
As sépalas que formam o cálice são brancas raiadas de verde e têm 5 dentes desiguais triangulares ou lanceolados, os quais se dividem na metade superior.

Esta espécie floresce a partir de março.
Os frutos são pequenas vagens encerradas nas flores secas. As vagens contêm 3 ou 4 sementes minúsculas de cor amarelada e formato arredondado.

Fotos - Areal Sul - Areia Branca/Lourinhã



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Bem-vindos ao meu canal de YouTube


Caros amigos,

Há já algum tempo que visitantes assíduos de outras paragens me vêm sugerindo a tradução deste blogue para inglês. Foi assim que surgiu a ideia de, num canal do YouTube em língua inglesa, iniciar um projeto semelhante mas mais heterogéneo e que inclua o mundo das plantas nas suas mais variadas vertentes.

Seguir este canal do YouTube não será certamente problemático para a maioria dos portugueses, como cidadãos do mundo e poliglotas que nos orgulhamos de ser.

Aqui vos deixo o meu vídeo de apresentação.  
Seguir-se-ão publicações regulares que nem sempre serão referenciadas neste blogue. Assim, caso desejem seguir o canal de vídeo recomendo que o subscrevam e acionem os mecanismos de notificação. URL https://youtu.be/FhiNqoE7t98 

Desde já agradeço. Os comentários e sugestões serão também muito bem-vindos.

Escusado será dizer que continuarei a publicar o blogue Flores do Areal. Ele é na realidade a minha prioridade e resulta do meu amor pela botânica e taxonomia que me levam a dissecar tudo o que tem a ver com cada pequena planta a que me dedico.

Um abraço e até breve,
Fernanda Nascimento

domingo, 28 de janeiro de 2018

Trifolium stellatum L. (atualizado)

Nome comum: Trevo-estrelado


Trifolium stellatum é uma pequena planta que pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies, divididas em mais de 700 géneros. O género Trifolium, em que a planta de hoje está incluída, possui mais de duzentas espécies diferentes, as quais são vulgarmente conhecidas como trevos.


Trifolium stellatum é uma planta essencialmente mediterrânica que se distribui pelo sudoeste asiático e sul da Europa. Em Portugal ocorre naturalmente no arquipélago da Madeira e também por todo o território continental, excepto no litoral norte e interior centro. 
Podemos encontrá-la em sítios secos, arenosos ou pedregosos, em terrenos cultivados ou incultos e até na beira dos caminhos.

Este trevo é uma pequena planta anual, de hábito prostrado, formando largos tapetes. Os caules são eretos mas curtos e muito peludos.


As folhas são alternas, peludas, com longos pecíolos e grandes estípulas ovadas, dentadas, membranosas e com veios salientes, tal como a concha de um molusco. 


Cada folha tem 3 pequenos folíolos em forma de coração invertido e com a extremidade ligeiramente serrada.


As pequenas flores do Trifolium stellatum florescem em abril e maio. São brancas com alguns toques de rosa ou carmesim e, tal como é característico deste género, crescem sobre um longo pedúnculo e agrupam-se em cachos globosos solitários, mais ou menos densos, esféricos ou ovóides.


A corola de cada uma das inúmeras flores deste cacho é formada por 5 pétalas que estão unidas, formando um tubo, sendo uma delas maior, cobrindo duas pétalas laterais e duas internas. Cada corola é protegida por um conjunto de 5 sépalas muito peludas e de cor verde.


Ao conjunto destas 5 sépalas chama-se cálice o qual tem por função primordial proteger o botão floral. Nesta espécie o comprimento do cálice é ligeiramente superior ao da corola e é constituído por 5 dentes estreitos, unidos na base.


É no cálice que se forma o fruto, ao qual ficará agarrado.
Durante a maturação todos os cálices do cacho se abrem em forma de estrela de 5 pontas e tomam a cor vermelha o que torna a planta muito vistosa.


É na maturação que o Trifolium stellatum assume um aspeto visual verdadeiramente interessante, com todos os cálices abertos em forma de estrela e muito peludos.
Com a chegada do verão os cálices vão secando e tornam-se dourados e depois castanhos. O cacho desagrega-se e as sementes espalham-se com o vento ou são levadas pelas formigas.


De modo geral, são as flores a parte mais apelativa das plantas mas, no caso do Trifolium stellatum são as infrutescências que são mais espetaculares pela cor e pela forma. São elas que estão na origem do nome stellatum que designa a espécie.


Fotos: Caniçal/Lourinhã