"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





Mostrar mensagens com a etiqueta capitulos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta capitulos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Helminthotheca echioides (L.) Holub

Helminthotheca echioides (L.) Holub = Picris echioides L.

Nomes comuns:
Erva-tábua; picre-de-língua-de-víbora; raspa-pernas;
raspa-saias; repassage; rompe-saias; serralha-da-rocha

Todas as flores dos capítulos de Helminthotheca echioides são liguladas

Helminthotheca echioides é uma espécie da família das Asteraceae ou Compositae, uma das maiores e mais representativas do reino Plantae. As espécies desta família distinguem-se facilmente pelas suas inflorescências agrupadas em capítulos. Este tipo de inflorescência é formado por muitas flores de tamanho diminuto que se agrupam de forma compacta num só pedúnculo, aninhando-se diretamente num recetáculo em forma de disco, parecendo constituir uma única flor; geralmente, as flores periféricas apresentam prolongamentos unilaterais chamados lígulas os quais são semelhantes a pétalas (flores liguladas) ao passo que as flores do centro do disco são simples, sem prolongamentos (flores tubulosas). Esta estratégia reduz o investimento necessário para atrair os polinizadores pois apenas uma pequena porção das flores produzem “pétalas” beneficiando todas as outras. Contudo, na família Asteraceae também existem espécies que apresentam apenas flores tubulosas ou apenas flores liguladas.

Exemplos de capítulos:
À esquerda Helichrysum italicum - capítulos apenas com flores tubulosas
À direita Pulicaria odora - capitulo com flores tubulosas no centro e liguladas na periferia
Helminthotheca echioides  floresce durante o verão ao mesmo tempo que inúmeras espécies da mesma família sendo, à primeira vista, difíceis de distinguir umas das outras. Parecem todas semelhantes devido às suas flores do tipo malmequer, muitas delas de cor amarela, como se pode conferir no Portal Flora-on. 
No entanto, cada uma tem as suas características muito próprias, embora nem sempre sejam imediatamente evidentes. As primeiras classificações científicas basearam-se apenas nas semelhanças morfológicas mas os novos métodos de biologia molecular permitem ter uma visão mais abrangente e consistente com o princípio da ascendência comum. O objetivo atual é classificar as espécies de modo a formar grupos monofiléticos, os quais devem incluir todos as espécies do ascendente imediato comum incluindo o próprio ascendente imediato comum. Em consequência, tem havido múltiplas alterações na classificação das espécies. A família Asteraceae, devido à sua imensa diversidade e semelhança morfológica é uma das mais difíceis e tem sido um grande desafio para os cientistas.
Helminthotheca echioides já pertenceu ao género Picris mas recentemente foi transferida para o género Helminthotheca. O nome atualizado desta espécie é Helminthotheca echioides mas o nome Picris echioides continua valido como basiónimo, ou seja, como primeiro nome atribuído a esta espécie.
Nota: quando uma espécie muda de género o nome do autor do basiónimo é citado entre parêntesis, seguido do nome do autor que fez a nova combinação. Neste caso: novo nome Helminthotheca echioides (L.) Holub;  basiónimo Picris echioides L.
Os cientistas descobriram que Picris e Helminthotheca são dois géneros monofiléticos, isto é, embora sejam parentes muito próximos têm ascendentes imediatos diferentes.

Helminthotheca echioides é uma espécie nativa de Portugal continental e Madeira, Espanha e países da bacia do mediterrâneo, estando naturalizada nos Açores e em países da Europa central e do norte, África do sul, Austrália, Nova Zelândia e América do Norte e do sul.
Cresce abundantemente em campos agrícolas incultos ou cultivados, na borda dos caminhos, em terrenos baldios. Gosta dos solos húmidos e perturbados os quais são ricos em azoto.
Distribuição em Portugal Continental
Fonte: Flora Digital de Portugal-Jardim Botânico da UTAD
É uma planta herbácea, anual ou bianual que apresenta caules eretos e ramificados de forma irregular, os quais podem chegar aos 100 cm de altura ou mais. Os caules, estriados longitudinalmente, são robustos, grossos e resistentes e estão cobertos com alguns pelos rígidos.
Todas as folhas são de um tom verde acinzentado e são ásperas ao toque devido a numerosos pelos rígidos desiguais e também a alguns espinhos dispersos. As primeiras folhas formam uma roseta ao nível do solo e apresentam pecíolos longos e forma elíptica ou lanceolada, com margens sinuadas a dentadas. As folhas caulinares são semelhantes às basais mas são mais pequenas e são amplexicaules, isto é, não têm pecíolos e abraçam os caules.
As flores estão reunidas em capítulos. Todas as pequeníssimas flores são liguladas ou seja, todas as flores têm um prolongamento em forma de pétala e não apenas as da periferia do disco. As lígulas são todas amarelas, de um tom dourado e são dentadas, no extremo exterior. Todas as pequenas flores dispõem de órgãos sexuais funcionais masculinos e femininos, respetivamente androceu e gineceu. Os estames, com anteras cilíndricas e tubulosas, são 5 mas não são visíveis pois os filamentos são muitíssimo curtos. Na realidade as anteras abrem quando a flor ainda está em botão e os polinizadores banqueteiam-se com o pólen que fica espalhado à superfície, noutras partes da flor (apresentação secundária de pólen). Os estiletes são do comprimento dos estames e cada um apresenta dois estigmas muito longos, cujos braços são de cor escura e que são bem visíveis entre as “pétalas” durante a sua fase fértil.


As peças florais estão protegidas por um invólucro duplo de brácteas os quais formam uma espécie de epicálice, morfologia esta que é característica do género Helminthotheca e que permite distingui-lo do género Picris. As brácteas externas deste involucro estão separadas das internas e são ovais ou em forma de coração (cordatas), com as margens espinhosas e a superfície coberta de pelos duros e espessos; as internas são mais estreitas e mais compridas e tem uma arista (uma formação delgada mas longa e rígida) na parte dorsal. 
A Helminthotheca echioides floresce e frutifica de março a agosto, dependendo da disponibilidade de água no solo.

Os frutos são cípselas e consistem num pequeno fruto com uma única semente. Estes frutos têm formato estreito e cilíndrico, são de cor acastanhada e estão providos de papilho numa das extremidades. O papilho ou papus é um tufo de pelos brancos, sedosos e compridos que ajudam as cípselas a flutuar como se fossem pequenos para-quedas pilosos, auxiliando na dispersão dos frutos pelo vento e servindo como defesa contra a herbivoria.
Em medicina tradicional a Heminthotheca echioides tem sido utilizada como vermífugo, anti-inflamatório e anti-hemorrágico.
As folhas são comestíveis mas deve ter-se o cuidado de escolher as mais jovens por serem menos amargas.
Apresentação secundária do pólen:
"A apresentação secundária do pólen (ASP) é uma característica universal entre as Asteraceae". 
Este é um processo especializado através do qual o pólen é apresentado aos polinizadores de forma indireta. Isto é, o pólen continua a ser produzido pelas anteras mas é transferido para outras peças florais, como os filetes, as pétalas ou os estiletes, antes da abertura da flor.
Em muitas espécies o pólen é exposto aos visitantes pela própria antera mas neste sistema as anteras libertam o pólen de forma precoce, com a flor ainda em botão. Os estames formam um tubo em torno do estilete imaturo com as aberturas das anteras viradas para dentro. À medida que cresce e se alonga dentro do tubo anteral o estilete arrasta os grãos de pólen para o exterior da flor onde ficam retidos nas pétalas ou nos filetes, auxiliados por pelos, papilas ou outras adaptações especificas. Assim o pólen é apresentado aos polinizadores na superfície da inflorescência enquanto o estigma ainda não está recetivo, facilitando a polinização cruzada. Posteriormente o estigma amadurece e fica recetivo, abre os seus braços e aguarda que os insetos lhe tragam o pólen de outras plantas. 
Os grãos de pólen são um investimento caro e de grande valia para as plantas pois são eles os responsáveis pela formação dos gametas masculinos e pelo transporte destes para o saco embrionário, onde ocorrerá a fertilização. 
Na apresentação secundária de pólen apenas pequenas quantidades de pólen são apresentadas de cada vez, aumentando assim as hipóteses de alcançar maior número de polinizadores. Por isso, supõe-se que a apresentação secundaria de pólen seja um comportamento que tem a ver com a economia de custos da produção, evitando o desperdício e tornando a polinização mais eficiente.

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Reichardia gaditana (Willk.) Samp.

Reichardia gaditana
A Reichardia gaditana pertence à familia das Asteraceae ou Compositae tal como muitas outras espécies já apresentadas neste blog. Contudo, que não se diga que esta é apenas mais uma entre tantas flores de cor amarela que alegram os nossos campos e areais nesta época do ano. Na realidade, a Reichardia gaditana destaca-se entre todas, pelas suas admiráveis flores douradas, rodeadas de brácteas membranosas e muito peculiares.

 É uma planta herbácea, bienal ou perene, ramificada a partir da base, com caules eretos e curtos, desprovidos de pelos e que podem atingir de 30 a 50 cm de altura.

As folhas são acinzentadas e possuem bordos dentados e espinhosos. As que nascem junto à base são de forma oblongo-lanceoladas terminando em curva e estreitando-se na base para formar um pecíolo curto, com uma aba arredondada que abraça o caule. As folhas caulinares são semelhantes e também envolvem parcialmente o caule, mas não têm pecíolo.

As inflorescências da Reichardia gaditana estão dispostas em capítulos, daquela forma tão característica da família das Asteraceae/Compositae. Nesta família as flores são muito reduzidas e numerosas e apresentam-se agrupadas de forma muito compacta diretamente sobre um recetáculo em forma de disco central. As flores que estão na periferia deste disco têm um prolongamento em forma de pétala a que se chama lígula. O conjunto das pequeníssimas flores e das lígulas assemelha a inflorescência a uma flor “normal” e torna-a muito vistosa e atrativa para os insetos. Além disso,  existe uma manifesta e notável estratégia de economia, uma vez que apenas algumas flores perdem energias produzindo pétalas enquanto as outras se concentram em produzir sementes.

Na Reichardia gaditana os capítulos estão inseridos sobre pedúnculos compridos e engrossados no ápice os quais são desprovidos de escamas, pelos ou sedas interflorais. As flores têm lígulas de cor amarelo-dourado e purpurescente na base e as externas são também vermelhas por fora.


Toda a estrutura de cada capítulo está envolvida por brácteas que são folhas modificadas com função de proteção, tal como as sépalas nas flores “normais. As brácteas da Reichardia gaditana são muito numerosas e estão dispostas em várias filas, com a margem membranácea, tendo as externas uma ponta curta e rígida.

A planta floresce de abril a junho.

Os frutos sao aquénios, ou seja pequenos frutos secos rugosos, rematados por um penacho de pelos.

A Reichardia gaditana vive nas areias e rochedos do litoral. Nas dunas surge ao longo de todo o sistema de dunas fixas do interior. Distribui-se pela Peninsula Ibérica e Norte de África.

Fotos - Areal Sul/Areia Branca-Lourinhã


domingo, 10 de abril de 2011

Andryala integrifolia L.

Nomes mais comuns:
Tripa de ovelha; Alface do monte; Erva-polvilhenta; Alface-dos-calcários
A Andryala integrifolia é mais uma espécie da família das Asteraceae ou Compositae, uma das maiores famílias de plantas com flor e que inclui cerca de 50.000 espécies distribuídas por aproximadamente 900 géneros. As espécies desta família distinguem-se facilmente pelas suas inflorescências agrupadas em capítulos (tipo de inflorescência em que muitas pequenas flores se agrupam num só pedúnculo, reunidas num disco com “pétalas” na periferia do mesmo, parecendo constituir uma única flor).
Um dos géneros desta família é o género Andrayala, a que pertence a espécie Andryala integrifolia. As plantas deste género diferenciam-se dos outros géneros da família Asteraceae porque todas as flores do capítulo têm “pétalas” e não apenas as que se encontram na periferia do disco. Também as brácteas destas espécies são diferentes pois são densamente peludas. Além do mais, os caules das plantas deste género possuem látex, secreção esbranquiçada que se nota quando os caules são feridos e que tem a função de, uma vez consolidada com a oxidação, provocar a cicatrização do tecido lesado.
A Andryala integrifolia é uma planta que pode ser anual o bienal atingindo de 30 aos 50 cm de altura. Os caules são normalmente solitários, simples ou muito ramificados. São delgados e estão cobertos de pelos moles, curtos e muito densos que dão à planta um aspeto esbranquiçado. Estes pelos refletem a luz do sol permitindo assim que a planta suporte o excesso de radiação solar.
As folhas estão inseridas no caule alternadamente. São densamente peludas de forma alongada e são planas ou onduladas.
As flores estão reunidas em capítulos em que todas as flores são liguladas ou seja, todas as flores têm um prolongamento em forma de pétala e não apenas as da periferia do disco. As lígulas são todas amarelas, de um amarelo-limão e são dentadas, no extremo exterior. Todas as flores dispõem de órgãos funcionais femininos e masculinos (gineceu e androceu).
Por sua vez os capítulos agrupam-se em corimbos, isto é, em cachos mais ou menos frouxos, em que as flores, apresentam pedicelos de comprimento desigual e se situam ao mesmo nível.
Foto de Pablo alberto Salguero Quiles - Fonte Wikimedia commons
As brácteas que envolvem o conjunto de flores têm a forma de lança, estão cobertas de pelos mais visíveis de que os do caule e dispõem-se em duas camadas.
Os frutos são oblongos e com tufo de pelos acinzentados que facilitam a sua dispersão.
A Andryala integrifolia distribui-se por toda a região mediterrânica e sudoeste europeu. Vive em terrenos arenosos, pedregosos ou áridos. Nas dunas encontra-se por todo o sistema dunar interior.
São plantas abundantes, com grande área de distribuição ocupando os habitats mais diversos. Muitas vezes torna-se difícil a sua identificação porque muda radicalmente consoante o habitat.
Esta espécie floresce de junho a agosto.

NOTA IMPORTANTE
A Andryala integrifolia, tal como todas as plantas que contêm látex não devem ser consumidas, pois a maioria representa um sério risco para a saúde, especialmente quando cruas. Isso ocorre porque o látex tem muitas substâncias tóxicas, nomeadamente ácido cianídrico, precursor do cianureto, paralisante do sistema respiratório.

Fotos - Caniçal/Lourinhã





domingo, 3 de abril de 2011

Senecio gallicus Vill. in Chaix

Senecio gallicus

Ano após ano, logo que se anuncia a primavera, os campos enchem-se de pequenas flores amarelas do tipo malmequer. À primeira vista parecem todas iguais mas se olharmos mais atentamente repararemos que podem ter características bem diferentes.


Uma dessas espécies de flores amarelas que tanto alegram as nossas paisagens nesta altura do ano é a Senecio gallicus, planta anual pertencente ao género Senecio e à família botânica das Asteraceae. Asteraceae é a família botânica com o maior número de espécies entre as plantas cujas sementes estão protegidas por frutos, também conhecida por Compositae. Muitas espécies desta família são utilizadas na alimentação humana devido ao seu valor biológico, como por exemplo o girassol e a alface.

A Senecio gallicus é uma daquelas espécies que coloniza habitats onde as condições ambientais são difíceis devido à sua instabilidade, tais como areias marítimas, terrenos removidos e campos de cultivo. Distribui-se do norte ao sul da Europa e norte de África.

É uma planta herbácea que pode ir dos 10 aos 35 cm de altura. O caule é ereto, sem pelos e normalmente ramificado.

As folhas são relativamente carnudas e muito divididas em segmentos estreitos e dispõem-se no caule de forma alternada.

A Senecio gallicus tem inflorescências que agrupam diversas flores de uma forma que se denomina capítulo.


O capítulo caracteriza-se por apresentar muitas flores de tamanho reduzido, agrupadas de uma forma muito compacta diretamente sobre um receptáculo em forma de disco. As flores periféricas deste disco prolongam-se para o lado de fora, formando uma espécie de pétalas, denominadas lígulas.

Toda esta estrutura está envolvida por brácteas que são folhas modificadas, com função de proteção e que aqui exercem uma função análoga às sépalas das flores simples.

Desta forma cada capítulo aparenta ser uma única flor embora seja constituído por um agregado de flores diferentes, com funções diferentes mas que se complementam. Assim sendo, são poupados esforços uma vez que apenas algumas flores gastam energias produzindo pétalas. O resultado final é excelente pois esta estratégia torna as flores muito atrativas para os insetos polinizadores. As flores do interior do disco são tubulosas e hermafroditas visto que possuem órgãos funcionais femininos e masculinos. As flores periféricas são femininas e estéreis. Tanto as flores do disco como as lígulas são de cor amarela.


Esta planta produz um fruto seco com uma só semente, designado por cipsela. Este fruto é normalmente disperso pelo vento, ou por animais através da ajuda do papilho que é uma estrutura derivada das sépalas e que consiste numa coroa de pelos que se insere numa das extremidades do fruto.
Floresce de março a outubro.

Fotos - Areal Sul e Caniçal/Lourinhã