"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Scilla autumnalis L.

Nome comum: Cila-de-outono

Scilla autumnalis é uma pequena e belíssima planta que vive em colonias mais ou menos extensas, geralmente florindo ao mesmo tempo que outra preciosidade, a Acis autumnale. Veja AQUI.
A Scilla autumnalis floresce em finais de setembro ou inícios de outubro, sendo condição que o solo receba as primeiras chuvas prenunciadoras do outono.
É interessante notar que esta espécie desponta de um dia para o outro, de forma súbita e inesperada, dando a ideia de estar prontinha debaixo da camada de terra, na linha de partida, apenas aguardando pelos primeiros pingos.
Podemos encontra-la em pastos secos, áreas desmatadas, terrenos rochosos ou arenosos, distribuindo-se por quase toda a Europa, Noroeste de África e sudoeste asiático.
Distribuição em Portugal - Flora Digital de Portugal - UTAD
Scilla autumnalis cresce a partir de um pequeníssimo bolbo de forma ovoide ou esférica. Após o verão, terminado o tempo de dormência habitual nos bolbos, surge um único escapo floral, ereto, glabro e robusto, de 10 a 15 cm de altura.
As folhas, lineares e em número variável, são todas basais; só surgem após a floração e podem permanecer na planta até à primavera, enquanto o bolbo repõe energias.
Cada escapo floral produz de 3 a 15 flores providas de um pedúnculo e agrupadas num cacho simples e alongado cujo ápice termina numa flor. As primeiras flores a abrir são as da parte de baixo do cacho, progredindo gradualmente para o ápice.
As flores são muito pequenas não excedendo os 6 ou 7 mm de diâmetro.
Cada flor tem 6 tépalas (3 sépalas + 3 pétalas indiferenciadas) de cor azul ou violeta, oblongas ou quase elípticas, com uma nervura longitudinal de um tom ligeiramente mais escuro; estes segmentos dispõem-se de forma simétrica, em forma de estrela. As flores têm órgãos reprodutores masculinos e femininos. Os 6 estames são eretos, com filamentos grossos de cor clara e vistosas anteras de um tom de azul muito escuro.
Os frutos são pequenas cápsulas globosas que na maturação ficam cor de palha e se abrem longitudinalmente em 3 lóculos, cada um deles contendo de 1 a 2 sementes, pretas e semelhantes a pequenos cones.


Durante décadas esta planta foi conhecida como Scilla autumnalis L. mas recentemente for rebatizada com o nome Prospero autumnale (L.) Specta. Apesar de tudo, conforme as regras, o nome anterior é absolutamente valido e continua a ser usado pela maioria.
No que diz respeito à classificação científica da Scilla autumnalis, a situação é extremamente confusa. Apesar das modernas técnicas que providenciam dados morfológicos, quimiotaxonomicos, citológicos e moleculares os especialistas estão indecisos quanto à família e género, tantas são as características a ter em conta; em consequência muitas divisões foram feitas, géneros viajaram de uma situação para outra, muitas vezes o dito foi dado por não dito e assim nada está ainda totalmente resolvido no que diz respeito a esta espécie. Não só falta consenso mas, mais complicado que isso, as entidades de referência parecem não conseguir decidir-se com convicção.
De forma muitíssimo simplificada, a situação é a seguinte: Scilla autumnalis pertenceu em tempos à família Liliaceae, foi posteriormente incluída na família Hyacinthaceae a qual se tornou numa subfamília também chamada Scilloideae e que está de momento incluída na família Asparagaceae. (APG III, 2009).

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ornithogalum narbonense L.

Cebolinho-de-flor-branca

Ornithogalum narbonense é uma das espécies perenes chamadas bolbosas, as quais se caraterizam por perderem as partes aéreas durante a época desfavorável, permanecendo em estado latente debaixo do solo, sob a forma de um bolbo. 
Conforme a espécie os órgãos subterrâneos de reserva assumem estruturas morfologicamente diferentes e podem derivar quer do engrossamento do caule (bolbos, cormos, rizomas e tubérculos) quer da raiz (raízes tuberosas). Contudo, na globalidade, são muitas vezes denominados de “bolbos” por uma questão de comodidade.
Ornithogalum narbonense cresce a partir de um bolbo propriamente dito. Os bolbos são porções de caule que engrossaram e se transformaram em órgãos subterrâneos de armazenamento de nutrientes fornecendo agua e alimento nos primeiros tempos de vida da planta, permitindo-lhe o seu normal desenvolvimento mesmo em condições adversas.
Bolbo de Ornithogalum narbonense
Os bolbos têm uma estrutura interior muito complexa. No seu interior encontram-se, já diferenciadas, as peças rudimentares de uma flor assim como as partes vegetativas da planta, as quais estão prontas a emergir através da gema apical logo que ocorram as condições ambientais e de cultivo ideais e específicas para cada género.

A estrutura exterior de um bolbo, grossa e de aspeto carnudo, é formada pelas folhas dispostas em camadas, geralmente com a forma de escamas desprovidas de clorofila e em cujos tecidos se acumula a reserva de nutrientes. Estas folhas inserem-se na sua parte inferior, numa zona rígida denominada prato ou disco basal, de cujas margens surgem as raízes. As peças florais encontram-se bem protegidas no interior do bolbo e todo o conjunto está coberto, na maioria dos casos, por uma túnica formada pelas escamas da camada exterior, a qual previne a desidratação da estrutura (certas plantas têm um bolbo de aspeto escamoso pois não têm túnica, como é o caso dos lírios).  
Além da gema apical podem existir gemas laterais que, durante o período de crescimento, darão origem aos bolbilhos os quais acabam por se desprender gerando novas plantas em redor da planta-mãe. Contudo, estes são bolbos de pequeno tamanho que necessitam de engrossar durante alguns anos antes que possam florescer. De qualquer forma, após passar pelas diversas fases do seu ciclo, nomeadamente rebentação, crescimento, floração e emurchecimento, o bolbo principal não só recupera a energia eventualmente gasta como também aumenta de volume.

Os bolbos de Ornithogalum narbonense são geralmente solitários, de forma ovoide ou esférica e estão envolvidos por túnicas de cor castanho claro ou esbranquiçadas.
Não se regista a produção de bolbilhos, pelo menos de forma regular (há espécies que têm produção abundante de bolbilhos, outras só os produzem de forma excecional). Sendo uma planta de aspeto frágil o Ornithogalum narbonense é, contudo, uma espécie bem adaptada para sobreviver às transformações produzidas pelo homem no meio ambiente. Assim, o rebento que sai da gema apical é muitas vezes curvo na zona de união com o escapo floral, o que faz com que se quebre ao tentar-se extrai-lo, dificultando a sua colheita; por outro lado, o bolbo encontra-se geralmente a uma profundidade considerável o que resulta da emissão de raízes contráteis as quais possuem a capacidade de puxar o bolbo para baixo, aprofundando-o no solo à medida que vai crescendo. Desta forma o bolbo fica a salvo de colheitas exageradas, de fogos e secas e também das cavas que os agricultores efetuam à superfície.

As folhas, em roseta basal são eretas e firmes, sem pelos, de forma linear e com nervuras fortemente marcadas. O escapo floral, ereto e comprido, pode ultrapassar os 50 cm de altura; não tem folhas e é também glabro (sem pelos). Tanto as folhas como o escapo floral são de um verde azulado, tom este que lhe é dado por um revestimento ceroso constituída por um pó muito fino.
Dependendo das condições de secura as folhas podem ou não ser caducas durante a floração.
A inflorescência situa-se no topo do escapo floral e é constituída por numerosas flores pedunculadas que se inserem no eixo principal, a vários níveis. As flores vão abrindo sucessivamente a partir da extremidade inferior do ramo ficando as flores mais velhas mais afastadas do ápice. Os diferentes ângulos em que os pedicelos se dispõem em relação ao ramo central e o comprimento variável dos mesmos (dependendo da maturidade da inflorescência), dão ao conjunto um aspeto piramidal.
Cada flor nasce na axila de uma bráctea a qual pode ter o mesmo tamanho dos pedicelos ou até ser mais curta ou mais comprida que os mesmos.
As flores, ligeiramente fragrantes, mostram 6 tépalas (3 pétalas + 3 sépalas indiferenciadas) de cor branca, com uma faixa longitudinal verde que apenas é visível na face dorsal.
As flores possuem órgãos de reprodução masculinos e femininos funcionais. Os 6 estames têm filetes brancos que alargam bruscamente na sua metade inferior e as anteras são um tom amarelo pálido ou esbranquiçado.
O ovário está dividido em 3 lóculos separados por membranas denominadas septos e em cujas suturas existem nectários que segregam a solução açucarada que atrai os insetos polinizadores, o néctar, o qual se acumula na cavidade existente entre o ovário e os filamentos dos estames.
 Ornithogalum narbonense reproduz-se sobretudo através de sementes. O fruto é uma capsula com a forma de uma bolota que se abre em três valvas para deixar sair a abundante produção de sementes, angulosas e de forma irregular.
A floração inicia-se em princípios de abril e estende-se até meados de junho.
Esta espécie cresce na beira dos caminhos, campos de cultivo de cereais, terrenos nitrificados, vinhas, olivais. Distribui-se de forma dispersa pelo sul da Europa, Macaronésia, norte de africa e sudoeste asiático. Embora cresça indiferentemente em qualquer tipo de solo prefere os substratos argilosos e algo pedregosos.
Distribuição em Portugal
Fonte: Flora Digital de Portugal - UTAD

As várias espécies Ornithogalum são na generalidade conhecidas pelo nome vernáculo “leite de galinha”, o que poderia ser logico (tendo em conta que a maioria das espécies têm flores brancas) se as galinhas produzissem leite.
É que a palavra Ornithogalum é o resultado da contração dos vocábulos gregos “ornitho” (pássaro) e “gallum” (leite).
Nem sempre é possível perceber a origem dos nomes científicos dados às espécies ou a razão pela qual foram batizadas com este ou aquele nome sobretudo quando tal aconteceu há milhares de anos. É o caso das espécies Ornithogalum cujos bolbos são referidos com este mesmo nome no Antigo Testamento (Livro dos Reis II, capitulo 6, versículo 25) e os quais eram vendidos nos mercados e usados na alimentação humana (tal como ainda hoje acontece na Palestina, com a espécie O. Umbellatum).
Há varias explicações para a origem do nome Ornithogallum mas a que eu prefiro é a referência feita por Anna Amelia Obermeyer, botânica sul-africana, à existência do proverbio grego “tão inacessível como leite de pomba” o qual era empregue para classificar algo de maravilhoso ou extraordinário. Em Portugal a dita ave deixou de ser pomba e passou a galinha, aparentemente ave da nossa preferência. Afinal não é ela que põe os ovos de ouro?
De facto, sendo verdade que algumas espécies do género Ornithogallum são bastante inconspícuas outras há que são muito vistosas e algumas até se cultivam pelo seu valor ornamental, estando neste caso a Ornithogalum  Nutans e a Ornithogalum longibracteatum.
E agora, a sistemática:
Ornithogalum narbonense pertence ao género Ornithogalum o qual, no conceito tradicional, engloba um grupo extenso e morfologicamente bastante heterogéneo dividido num número de subgéneros variável, conforme as correntes de opinião de quem de direito. Apesar dos recentes estudos taxonómicos a confusão mantem-se. É que os resultados obtidos foram muito díspares o que não admira tendo em conta que as características apresentadas por cada autor foram distintas.
Do ponto de vista biogeográfico o género Ornithogalum distribui-se por dois centros principais: um na africa do sul tropical e outro que engloba a região mediterrânica, norte de África e sudoeste asiático.
No que diz respeito à Península Ibérica a posição de alguns autores incluindo a Flora Ibérica, é a de adotar uma posição intermedia entre os vários conceitos, dividindo o género Ornithogalum em 4 subgéneros, todos de espécies presentes na flora peninsular e com características fáceis de reconhecer. São eles, os subgéneros Ornithogalum, Beryllis (no qual se inclui a espécie Ornithogalum narbonense), Cathissa e Caruelia.
Ornithogalum narbonense pertenceu em tempos à família Liliaceae, depois passou para a família Hyacinthaceae e recentemente foi reclassificada na família Asparagaceae pelo sistema APG, tendo Hyacinthaceae sido eliminada, situação que tem causado enorme controvérsia… Veja mais informações AQUI.
Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã





quarta-feira, 8 de maio de 2013

Muscari comosum (L.) Miller

Nomes comuns:
Jacinto-das-searas; jacinto-de-tapete;
jacinto-paniculato; cebolinha-de-flor-azul
Muscari comosum é uma planta bolbosa, assim designada porque se propaga de forma vegetativa através de um bolbo. O bolbo é um órgão subterrâneo em cuja estrutura se encontram já diferenciadas caules, folhas e flores e que além de dar origem à nova planta também lhe fornece nutrientes, alimentando-a, se necessário, durante os primeiros tempos de vida. Estas reservas permitem, por exemplo, que as bolbosas de floração invernal se antecipem e completem o seu ciclo de vida antes do desenvolvimento das plantas que surgem em massa com a chegada dos primeiros calores da primavera, beneficiando assim de mais espaço e luz do sol.
O bolbo do Muscari comosum é semelhante a uma cebola, de forma ovoide, com casca acastanhada e finas raízes adventícias, de cor branca. Geralmente encontra-se enterrado a uma profundidade considerável o que lhe permite resistir a grandes amplitudes térmicas e até suportar alguma seca.
Esquema de um bolbo de Muscari comosum cortado ao meio
Este bolbo é formado por um grande número de folhas grossas e carnudas dispostas em camadas perfeitamente sobrepostas as quais estão inseridas, na sua parte inferior, num prato ou disco basal. Se o cortarmos ao meio, podemos observar no seu interior, na parte central do bolbo, as peças de uma flor rudimentar as quais se desenvolverão posteriormente. As folhas exteriores do bolbo do Muscari comosum são secas e acastanhadas formando uma túnica de proteção em volta do bolbo. Com o engrossamento do bolbo e a respetiva maturidade formam-se bolbos mais pequenos na sua base, os chamados bolbilhos, que podem ser separados da mãe e replantados para formar novas plantas.
Chegado o final do inverno o bolbo do Muscari comosum começa a desenvolver-se, surgindo em primeiro lugar de 3 a 7 longas folhas basais, lineares, de cor verde pálido, de textura frouxa e juntas pela bainha.
As flores surgem posteriormente, durante o início da primavera, dispostas sobre um longo escapo ereto e formando um cacho de forma cónica, formado por pequenas flores pediceladas e bem apertadas; a distância entre as flores individuais vai alargando a medida que estas amadurecem, o que acontece de forma progressiva.
As cores das flores variam do azul pálido ao azul escuro, passando pelo azul violeta.
As flores individuais são compostas por 6 tépalas (conjunto de corola e cálice) fundidas, ficando com forma esférica ou obovoide e com a abertura denteada.
As flores terminais são estéreis e na antese, período de expansão das flores, estas assumem o aspeto de um vistoso penacho, com pedicelos compridos e carnudos. As flores restantes, mais modestas, são férteis.
O androceu (conjunto órgãos de reprodução masculinos) é formado por 6 estames e o gineceu (conjunto dos órgãos femininos) por um ovário súpero, do qual emerge o estilo.
Os frutos são capsulas ovais, com um pequeno entalhe no meio do ápice e 3 valvas angulosas que albergam no seu interior 2 sementes escuras e brilhantes.
Distribuição em Portugal
Fonte: Jardim Botânico UTAD
O Muscari comosum desenvolve-se rapidamente. No nosso país pode encontrar-se em floração/frutificação entre março e junho, dependendo da região (se entretanto não forem comidos pelas ovelhas e cabras). Tanto cresce ao sol como em situações de meia sombra, podendo ser utilizado com sucesso em vasos, nos jardins, dando uma bela pequena flor de corte.
Podemos encontra-lo em campos abertos e de vegetação baixa, searas, prados, clareiras dos bosques e ate em dunas do litoral.
Como espécie espontânea é originária da Europa central, região do mediterrânico, Península Ibérica e Macaronésia (Canárias, Madeira e Açores).
Em certos países do mediterrâneo oriental, nomeadamente  Grécia e Itália, estes bolbos são tradicionalmente consumidos quer cozinhados ou preparados em conserva.
Até há pouco tempo o Muscari comosum estava incluído na família das Liliaceae mas após revisão segundo novas normas vigentes foi reclassificado, tendo sido incluído numa família mais pequena, a família das Hyacinthaceae. Miguel Porto, no site do Herbário da Universidade de Coimbra explica-nos a situação:
“Tradicionalmente, esta família (Liliaceae) incluía uma miríade de espécies que, nas revisões mais recentes, já foram distribuídas por cerca de 30 famílias diferentes, pertencentes até a ordens diferentes! Isto significa somente que o que antes se chamava de “liliáceas” era um grupo bastante heterogéneo e artificial de plantas que, por serem todas morfologicamente semelhantes, foram incluídas na mesma família – mas à medida que se foram realizando estudos mais aprofundados, nomeadamente moleculares, percebeu-se que essa família era afinal uma mistura de coisas muito diferentes, com histórias evolutivas próprias. Como é natural, o problema está longe de ser solucionado.”

Na verdade, houve recentemente nova reclassificação da responsabilidade do sistema APG, moderno sistema de taxonomia vegetal, tendo o Muscari Comosum sido incluído na família Asparagaceae ao mesmo tempo que Hyacinthaceae foi eliminada. Contudo esta solução não foi consensual havendo entidades que continuam a usar a classificação anterior. Para mais informação veja AQUI e aqui.
Sobre as plantas bolbosas: 
Bolbos, tubérculos, raízes tuberosas e rizomas são órgãos subterrâneos especializados que não só dão origem a novas plantas todos os anos, como também acumulam reservas de nutrientes permitindo às espécies sobreviver em condições desfavoráveis. Estes órgãos subterrâneos dão origem a dezenas de plantas espontâneas e ornamentais extremamente importantes do ponto de vista paisagístico e comercial e que na generalidade são designados por bolbosas.
Em viveiros e centros de jardinagem é possivel encontrar-se uma vasta gama de plantas bolbosas; algumas são replicas verdadeiras de bolbosas que vivem no estado selvagem, outras são híbridos obtidos através de polinização cruzada de variedades pertencentes à mesma espécie.
Depois de plantadas as bolbosas não dão muito trabalho e a grande variedade de tamanhos, cores e época de floração permitem a realização de uma infinidade de combinações.
As bolbosas podem plantar-se isoladas ou em grupos. Consoante a sua época de floração podemos combiná-las com outras, como por exemplo, alegrar um canteiro de vivazes cuja floração terminou ou ainda não começou ou então, integra-las na paisagem, formando manchas de cor.
A grande vantagem das bolbosas é a sua variedade, havendo espécies para todos os gostos, florindo de janeiro a dezembro, ao sol ou à sombra, baixas ou altas, de flores grandes ou pequenas, em vasos ou em plena terra.
A maioria das bolbosas que florescem na primavera semeiam-se no final do verão; elas necessitam de um período de baixas temperaturas para iniciar a rebentação (ex: Allium, Anemone, Crocus, Iris, Hyacinthus, narcissus, Tulipa, Galanthus, Scilla, Ornithoglum, Ixia, Freesia etc.
As bolbosas de verão/outono são muito friorentas pelo que, para que emitam raízes e se desenvolvam, requerem temperaturas mais ou menos elevadas e boa exposição solar. Estão neste caso as Begonia, Alstroemeria, Canna, Dalia, Gladioluss, Lilium, Agapanthus, Amaryllis entre tantas outras.
As plantas bolbosas passam, ao longo da sua vida, por várias fases. Quando a floração acaba e as folhas começam a murchar, os órgãos subterrâneos aproveitam para repor energias e engordar, ficando em estado de vida latente até à próxima estação. 

Fotos: Serra do Calvo / Lourinhã


sábado, 26 de janeiro de 2013

Asparagus aphyllus L.

Nomes Comuns:
Corruda-maior; Espargo-bravo; Espargo-bravo-maior;
Espargo-maior-do-monte;
Espargo-silvestre-maior; Espargueta

Asparagus aphyllus é uma espécie de origem mediterrânica que cresce espontaneamente em zonas arenosas e secas do sul da Europa, norte de África e oeste asiático, em falésias, matos, terrenos incultos, beira dos caminhos, em solos preferencialmente ácidos.
Ocorrências em Portugal. Fonte: Flora on

Esta espécie forma um pequeno arbusto perene e de aspeto compacto, fortemente espinhoso, semelhante aos tojos. Os seus longos ramos, muito ramificados, podem alcançar cerca de 1 metro de comprimento. Estes nascem a partir de caules subterrâneos cheios de nutrientes de reserva (rizomas) os quais se situam próximo da superfície do solo, o que facilita a disseminação vegetativa da planta.
Os jovens rebentos de origem subterrânea (turiões) são inicialmente moles, depois vigorosos mas flexíveis e alongados à medida que vão crescendo. Acabam por vergar com o próprio peso criando hábitos prostrados, a não ser que encontrem suporte num muro, árvore ou arbusto.
 As estruturas (filódios) que cobrem os caules e que têm aparência de escamas durante a fase de crescimento e de espinhos na maturidade, são na realidade verdadeiras folhas que se transformaram, possivelmente como medida de adaptação a situações repetidas de secura.
Os filódios de Asparagus aphyllus agrupam-se em fascículos de 1 a 7 unidades, de tamanho desigual, em que o central é mais grosso e comprido que os restantes.
Esta característica ajuda-nos a distinguir a Asparagus aphyllus de outras espécies do mesmo género que também crescem espontâneas em Portugal, nomeadamente a Asparagus acutifolius, que é muito semelhante.
A Asparagus aphyllus floresce e frutifica durante o verão. É uma espécie dioica ou seja, as plantas são masculinas ou femininas pois cada individuo gera flores de um único sexo.
As flores, pequenas e de cor amarelo esverdeado, brotam em grupos de 3 a 6 das axilas dos filódios, no topo de um pedicelo curto cuja base está rodeada de brácteas; são compostas por 3 sépalas + 3 pétalas quase juntas na base, de consistência algo carnuda e ligeiramente fragrantes. As flores masculinas têm seis estames eretos e robustos com anteras amarelas. As flores femininas mostram um estigma curto com estilo ligeiramente inchado.
 
Os frutos, dentro do qual se encontram de 1 a 3 sementes, são bagas de estrutura esférica, pequenas e duras, inicialmente verdes e depois negras, na maturação.
A Asparagus aphyllus pertence à família das Asparagaceae (após ter sido recentemente transferida da família Liliaceae) e ao género Asparagus. Este género inclui tanto espécies silvestres como espécies cultivadas, as quais são usadas como alimento ou com fins ornamentais. A espécie mais conhecida neste género é a Asparagus officinalis, cujos jovens rebentos são os conhecidos espargos, apreciados em todo o mundo pelo seu delicado sabor e baixo valor calórico. Contudo os rebentos jovens da espécie silvestre Asparagus aphyllus também são tenros e comestíveis, cozidos ou mesmo crus, apesar do seu sabor um pouco amargo.

A palavra Asparagus significa“rebento” e vem do latim sparagus que por sua vez deriva do grego aspharagos e anteriormente do persa asparag. Aphyllus refere-se ao facto de ser uma planta espinhosa.

Fotos: Serra do Calvo / Lourinhã