"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Trifolium repens L. (atualizado)

Nome comum:Trevo-branco

Trifolium repens é uma das plantas silvestres mais conhecidas, muito vulgar em lameiros, terrenos cultivados, margens dos rios e caminhos, frequentemente formando tapetes densos.
Em muitas situações é considerada uma planta invasora causando alguns problemas de difícil solução, principalmente quando aparece sem ser convidada ao misturar-se com as relvas dos nossos jardins. Em contrapartida, há regiões onde esta espécie e outras semelhantes, são cultivadas extensivamente e usadas para alimentar o gado. Sob certas condições, esta é também uma espécie que traz certos nutrientes ao solo pelo que muitas vezes é cultivada e enterrada em verde, antes da floração, servindo como adubo.
Sendo uma planta muito florífera, o Trifolium repens é uma boa fonte de néctar para as abelhas que o incluem na preparação de mel.
Esta espécie, originária da Eurásia, distribui-se  por toda a Europa, tendo sido introduzida na América do norte, sul da África, Austrália e leste asiático onde se naturalizou. Especificamente no que diz respeito ao nosso país, podemos encontrá-la em todo o território.
Pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies divididas em mais de 700 géneros
género Trifolium possui mais de duzentas espécies diferentes de plantas similares que são vulgarmente conhecidas como trevos. Embora existam algumas destas espécies que apresentam 4, 5 e até mais de 20 folhas, as mais conhecidas nas nossas regiões temperadas são as que apresentam apenas três folhas. Perante este conhecimento, a crença popular que nos diz ser motivo de sorte encontrar um trevo de 4 folhas só é válido quando se trata de o encontrar entre trevos de 3 folhas …

Trifolium repens é exigente em termos de luz solar e é sensível à seca, provavelmente por ter raízes superficiais, não sendo de estranhar que os tapetes de trevo do Areal Sul tenham vida curta, secando quando chega o verão e acabam as chuvas. Por outro lado, tendo em conta que esta planta é pouco tolerante à salinidade não deixa de ser interessante que continue a brotar, teimosamente, tão perto da praia. Apesar de tudo, a persistência do trevo branco parece encontrar-se assegurada pelo processo de enraizamento através de estolhos ou seja, caules que crescem paralelamente ao chão, produzindo gemas de espaço em espaço para dar origem a novas plantas. Paralelamente, a planta produz muitas sementes das quais quase 80% são duras e permanecem no solo como reserva até serem necessárias para substituir as plantas perdidas.
Trifolium repens é uma pequena planta perene, totalmente sem pelos ou com pelos raros, de porte rasteiro, sendo formada por caules rastejantes de crescimento lento e que facilmente enraízam na zona onde os nós dos caules tocam no solo. Os caules podem atingir 50 cm de comprimento.
As folhas são alternadas, com pecíolo, com raros ou nenhuns pelos, com 3 folíolos arredondados, de recorte suavemente dentado de 1 a 3 cm de comprimento, por vezes com uma mancha mais clara. Nos nós, embainhando o caule, surgem 3 estipulas de extremidades livres.
As flores brotam das axilas das folhas sobre pedúnculos compridos e agrupam-se em cachos globosos contendo um número variável de flores perfumadas, brancas ou maculadas de rosa.

A corola de cada flor tem 5 pétalas persistentes unidas num tubo, uma maior externa e superior que cobre duas pétalas laterais e duas internas, inferiores e unidas.
As sépalas que formam o cálice são brancas raiadas de verde e têm 5 dentes desiguais triangulares ou lanceolados, os quais se dividem na metade superior.

Esta espécie floresce a partir de março.
Os frutos são pequenas vagens encerradas nas flores secas. As vagens contêm 3 ou 4 sementes minúsculas de cor amarelada e formato arredondado.

Fotos - Areal Sul - Areia Branca/Lourinhã



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Bem-vindos ao meu canal de YouTube


Caros amigos,

Há já algum tempo que visitantes assíduos de outras paragens me vêm sugerindo a tradução deste blogue para inglês. Foi assim que surgiu a ideia de, num canal do YouTube em língua inglesa, iniciar um projeto semelhante mas mais heterogéneo e que inclua o mundo das plantas nas suas mais variadas vertentes.

Seguir este canal do YouTube não será certamente problemático para a maioria dos portugueses, como cidadãos do mundo e poliglotas que nos orgulhamos de ser.

Aqui vos deixo o meu vídeo de apresentação.  
Seguir-se-ão publicações regulares que nem sempre serão referenciadas neste blogue. Assim, caso desejem seguir o canal de vídeo recomendo que o subscrevam e acionem os mecanismos de notificação. URL https://youtu.be/FhiNqoE7t98 

Desde já agradeço. Os comentários e sugestões serão também muito bem-vindos.

Escusado será dizer que continuarei a publicar o blogue Flores do Areal. Ele é na realidade a minha prioridade e resulta do meu amor pela botânica e taxonomia que me levam a dissecar tudo o que tem a ver com cada pequena planta a que me dedico.

Um abraço e até breve,
Fernanda Nascimento

domingo, 28 de janeiro de 2018

Trifolium stellatum L. (atualizado)

Nome comum: Trevo-estrelado


Trifolium stellatum é uma pequena planta que pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies, divididas em mais de 700 géneros. O género Trifolium, em que a planta de hoje está incluída, possui mais de duzentas espécies diferentes, as quais são vulgarmente conhecidas como trevos.


Trifolium stellatum é uma planta essencialmente mediterrânica que se distribui pelo sudoeste asiático e sul da Europa. Em Portugal ocorre naturalmente no arquipélago da Madeira e também por todo o território continental, excepto no litoral norte e interior centro. 
Podemos encontrá-la em sítios secos, arenosos ou pedregosos, em terrenos cultivados ou incultos e até na beira dos caminhos.

Este trevo é uma pequena planta anual, de hábito prostrado, formando largos tapetes. Os caules são eretos mas curtos e muito peludos.


As folhas são alternas, peludas, com longos pecíolos e grandes estípulas ovadas, dentadas, membranosas e com veios salientes, tal como a concha de um molusco. 


Cada folha tem 3 pequenos folíolos em forma de coração invertido e com a extremidade ligeiramente serrada.


As pequenas flores do Trifolium stellatum florescem em abril e maio. São brancas com alguns toques de rosa ou carmesim e, tal como é característico deste género, crescem sobre um longo pedúnculo e agrupam-se em cachos globosos solitários, mais ou menos densos, esféricos ou ovóides.


A corola de cada uma das inúmeras flores deste cacho é formada por 5 pétalas que estão unidas, formando um tubo, sendo uma delas maior, cobrindo duas pétalas laterais e duas internas. Cada corola é protegida por um conjunto de 5 sépalas muito peludas e de cor verde.


Ao conjunto destas 5 sépalas chama-se cálice o qual tem por função primordial proteger o botão floral. Nesta espécie o comprimento do cálice é ligeiramente superior ao da corola e é constituído por 5 dentes estreitos, unidos na base.


É no cálice que se forma o fruto, ao qual ficará agarrado.
Durante a maturação todos os cálices do cacho se abrem em forma de estrela de 5 pontas e tomam a cor vermelha o que torna a planta muito vistosa.


É na maturação que o Trifolium stellatum assume um aspeto visual verdadeiramente interessante, com todos os cálices abertos em forma de estrela e muito peludos.
Com a chegada do verão os cálices vão secando e tornam-se dourados e depois castanhos. O cacho desagrega-se e as sementes espalham-se com o vento ou são levadas pelas formigas.


De modo geral, são as flores a parte mais apelativa das plantas mas, no caso do Trifolium stellatum são as infrutescências que são mais espetaculares pela cor e pela forma. São elas que estão na origem do nome stellatum que designa a espécie.


Fotos: Caniçal/Lourinhã




sábado, 20 de janeiro de 2018

Trifolium L.

Os trevos
Trifolium pratense
Vamos falar de trevos. Não dos trevos de 4 folhas, esses são difíceis de encontrar. Teremos, pois, de ficar pelos de 3 folhas. Afinal é isso que “trevo” quer dizer, 3 folhas. Ou, melhor dizendo, 3 folíolos, já que as folhas dos trevos se dividem em 3 lobos ou folíolos.

Os trevos são muitas vezes cultivados como espécies forrageiras. São também uma presença assídua ao longo dos caminhos onde crescem de forma espontânea, assim como em prados e pastagens em muitas regiões do nosso país e do continente europeu. 

Trifolium angustifolium
Existem muitas espécies de trevos, todas compartilhando traços básicos. Pertencem ao genero Trifolium (“tri” = três e “folium” = folha), um dos dos maiores géneros da família Fabaceae/Leguminosae (e subfamília Papilionoideae) com cerca de 255-300 espécies.

Trifolium stellatum
A distribuição nativa das espécies de Trifolium engloba as regiões temperadas e, em menor escala, subtropicais dos Hemisférios Norte e Sul. 
A maior diversidade de espécies é encontrada em três regiões geográficas: a bacia do Mediterrâneo, a América do Norte ocidental e as terras altas da África Oriental. 

Ao analizar os dados biogeográficos e a distribuição das espécies o botânico Michael Zohary (1972) concluiu que este género poderá ter tido a sua origem na região mediterrânica, tendo migrado para o norte da Ásia e daí para a América do Norte durante o Terciário, através do estreito de Bering e posteriormente, provavelmente no início do Mioceno, da região mediterrânica para o continente africano.
Trifolium fragiferum
Os trevos são herbáceas de vida curta. As flores são muito pequenas e perfumadas e agrupam-se em inflorescências densas, muitas vezes quase esféricas, surgindo nas cores branca, rosa, vermelha ou amarela. As flores são também muito apelativas para as abelhas pelo que o mel é um produto secundário da ocorrência dos trevos.
Os frutos são também muito pequenos e geralmente contêm uma ou duas sementes. 

Muitas espécies toleram muito bem os cortes continuados e o pisoteio pelo que resistem muito bem quando aparecem nos relvados, o que pode acontecer de forma intencional ou de modo casual e bastante inconveniente.

Trifolium repens
Os trevos são muito apreciados pelo gado. Sao ricos em proteínas, fósforo e cálcio, proporcionando assim um alimento valioso quer fresco nas pastagens, quer após secagem e armazenamento. Assim sendo, muitas espécies são cultivadas como plantas forrageiras, o que faz do género Trifolium um género economicamente importante. 
Além de que, são espécies fixadoras de azoto no solo.
Como já vimos em publicações anteriores neste blogue, uma característica muito importante das leguminosas em geral, e das espécies da subfamília Papilionoideae/Faboideae em particular, é o facto de serem capazes de converter o azoto/nitrogénio atmosférico (nutriente muito importante mas escasso no solo, embora presente em quase 80% da atmosfera terrestre) em moléculas proteicas, as quais são aproveitadas para o seu próprio desenvolvimento e o das plantas em seu redor. Isto acontece devido a uma relação simbiótica com bactérias dos géneros Bradyrhizobium Rhizobium que se fixam nas raízes das leguminosas, através de nodosidades visíveis a olho nu. Em contrapartida, as bactérias recebem das plantas os açúcares produzidos durante a fotossíntese. Esta simbiose permite não só a sobrevivência das referidas bactérias mas também que espécies de leguminosas possam desenvolver-se sem problemas em solos pobres em azoto e matéria orgânica.

Trifolium campestre
Segundo o portal Flora-on são 45 as espécies do género Trifolium presentes em Portugal. 
As próximas publicações deste blogue serão dedicadas às espécies que ate à data encontrei crescendo de forma natural nesta região e que são as seguintes:
Trifolium repens
Trifolium stellatum
Trifolium campestre
Trifolium pratense
Trifolium tomentosum
Trifolium angustifolium

Fotos: Zambujeira, Serra do Calvo e Abelheira / Lourinhã


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

LOURINHÃ - capital dos dinossauros




Vem aí o Dino Parque (abertura no inicio do próximo ano):


"A Lourinhã é uma das regiões mais ricas em fósseis de dinossauros da Europa, tendo-se encontrado mais de uma dezena de espécies únicas do mundo. As arribas do Jurássico Superior preservaram centenas de achados com 150 milhões de anos que agora estão expostos no Dino Parque.

Algumas destas espécies estão representadas nos modelos do nosso Parque como o Lourinhasaurus alenquerensis, Lourinhanosaurus antunesi, Torvosaurus gurneyi, Allosaurus europaeus e o Ceratosaurus.

Foi em 1993 na praia de Paimogo que foi descoberto um ninho com mais de 100 ovos de Lourinhanosaurus ainda com os seus embriões, foi a partir desta data que a Lourinhã ficou conhecida com a Capital dos Dinossauros". Veja mais AQUI.

Eis alguma fotos do que já se pode entrever do novo parque situado numa zona de arvoredo com 10 hectares e onde os visitantes poderão percorrer quatro percursos diferentes, correspondentes a diferentes períodos: Cretáceo, Jurássico, Triássico e Paleozóico. São mais de uma centena os modelos de dinossauros que foram já montados e instalados nesses percursos. 










"Os visitantes terão também a oportunidade de assistir à preparação de fósseis por paleontólogos no laboratório, visitar o museu [onde fósseis de dinossauros vão estar expostos] e um pavilhão com várias atividades para crianças, desde descobertas, pesquisas, escavações de fósseis ou pinturas de dinossauros".

Visite o site do Parque em www.dinoparque.pt

(fotos de Ana Nascimento - dezembro 2017)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Ornithopus compressus L.

Nomes comuns:
Serradela; serradelas; serradela-amarela; serradela-estreita-serrim; 
serrim; serradela-brava;  trevo-pé-de-pássaro; 
senradela-amarela; senradela-brava

Ornithopus compressus é uma leguminosa, nativa da bacia mediterrânica. É geralmente cultivada como espécie forrageira de inverno, podendo ser uma fonte de alimento de grande importância no desenvolvimento e reprodução de animais ruminantes (ovelhas, cabras e gado bovino), devido ao seu alto teor de proteínas.
Contudo, esta espécie também cresce de forma espontânea um pouco por todo o nosso país, sendo autóctone em Portugal continental e Madeira e introduzida nos Açores.
Como espécie ruderal ocorre nas margens dos caminhos, pinhais, terrenos cultivados ou incultos, matos e matagais, sobretudo em solos siliciosos mas não demasiado ácidos.
Esta é uma herbácea de ciclo de vida anual. Embora cresça vegetativamente durante o inverno e floresça durante a primavera as raízes são profundas, na procura da humidade de que a planta precisa para melhor se desenvolver, não vá a chuva ser escassa. Planta prevenida...
Os caules são ramificados e pubescentes podendo ir dos 5 aos 50 cm de comprimento na fase adulta; podem ser eretos, prostrados ou parcialmente prostrados, mas com a extremidade ascendente.
As folhas são compostas, dividindo-se num número variável de pares de folíolos, com um único folíolo terminal. 
Os folíolos são ovados ou elípticos, geralmente terminando numa ponta curta, aguda e rígida e estão densamente cobertos de pelos longos e macios. 
As estípulas existem apenas na base das folhas inferiores; são muito pequenas, com menos de 1 mm, triangulares e com o ápice geralmente purpúreo.
As flores são amarelas e agrupam-se em inflorescências que se formam no ápice de longos caules axilares. 
Abaixo das inflorescências surge uma bráctea foliácea de cor verde, com 7 a 9 folíolos e cujo comprimento, de forma geral, ultrapassa o das flores. O número de flores por inflorescência é variável, entre 1 a 5. 
As pequenas flores estão rodeadas por pequenas bractéolas, dentadas, com o ápice de cor ocre.
As sépalas que constituem o cálice estão cobertas de pelos longos e macios e formam um tubo, estando unidas até cerca de metade do seu comprimento, terminando em 5 dentes desiguais.
A corola é constituída por 5 pétalas de cor amarela. Estas são desiguais e dispõem-se de forma muito característica e altamente especializada em atrair os insetos polinizadores: a pétala maior chamada estandarte está situada em posição superior e é, pelo seu tamanho e forma o ponto de atração para os polinizadores; as duas pétalas laterais denominadas asas funcionam como pista de aterragem; e as duas inferiores, unidas apenas no ápice, formam a chamada quilha.
A flor possui órgãos de reprodução femininos e masculinos. Nesta espécie os estames são diadelfos, situação em que um deles é livre e os demais estão soldados entre si. Os estames estão encobertos pelas pétalas que formam a quilha. Quando os insetos pousam nas asas, a quilha baixa e o contacto destes com os estames e o estigma é inevitável. Quando vão embora, os insetos levam o pólen libertado pelas anteras colado ao corpo, ao mesmo tempo que terão deixado no estigma os grãos de pólen recolhidos noutras flores da mesma espécie.
Os frutos são vagens pubescentes, fortemente curvadas na parte superior, dando a ideia de uma foice, com uma espécie de bico na extremidade. Estas vagens são articuladas pois são formadas por segmentos e a vagem mostra-se levemente contraídas entre eles. Ou seja, na maturação as vagens dividem-se em porções indeiscentes, separando-se pelas articulações, cada uma delas com uma semente dura, de cor amarelada ou acastanhada, de forma oblonga e achatada.
As sementes são duras pelo que não germinam no segundo ano, apenas contribuindo para enriquecer o banco de sementes no solo. No terceiro ano as sementes germinam com as chuvas de outono, crescem durante o inverno e a primavera, ainda que o seu desenvolvimento invernal esteja muito dependente da humidade e da temperatura. A floração e a frutificação têm lugar durante a primavera seguinte, após o que as plantas secam durante o verão, voltando as populações de Ornithopus compressus a regenerar-se no outono seguinte a partir do banco de sementes. É assim que esta espécie orienta o seu ciclo de vida, por forma a escapar à seca estival.
Ornithopus compressus pertence ao género Ornithopus. Este termo deriva do grego e significa “pé-de-pássaro”, referindo-se à forma como se posicionam as vagens, assemelhando-se o seu conjunto aos dedos das patas de uma ave. O termo que designa a espécie compressus deriva do latim e significa apertado/comprimido e refere-se à forma comprimida da vagem.~
As cerca de 6 espécies do género Ornithopus incluem-se na família Fabaceae=Leguminosae e subfamília Faboideae=Papilionoideae, a qual tem uma enorme importância económica a nível mundial, pois inclui espécies fundamentais na alimentação humana, tais como, a soja, o feijão, o amendoim, o grão-de-bico, o tremoço, as ervilhas ou as favas, apenas para mencionar algumas.
Na generalidade, são plantas de hábitos variados podendo ser herbáceas, trepadeiras, arbustos e árvores. Muitas espécies são também utilizadas como ornamentais, outras têm grande valor comercial ou industrial devido aos produtos que delas podem ser extraídos, nomeadamente o tanino, substância usada na indústria do couro, já para não falar dos corantes, tinturas, colas, vernizes etc.

Uma característica muito importante das leguminosas em geral, e das espécies da subfamília Papilionoideae/Faboideae em particular, é o facto de serem capazes de converter o azoto/nitrogénio atmosférico (nutriente muito importante mas escasso no solo, embora presente em quase 80% da atmosfera terrestre) em moléculas proteicas, as quais são aproveitadas para o seu próprio desenvolvimento e o das plantas em seu redor. Isto acontece devido a uma relação simbiótica com bactérias dos géneros Bradyrhizobium e Rhizobium que se fixam nas raízes das leguminosas, através de nodosidades visíveis a olho nu. Em contrapartida, as bactérias recebem das plantas os açúcares produzidos durante a fotossíntese. Esta simbiose permite não só a sobrevivência das referidas bactérias mas também que espécies de leguminosas possam desenvolver-se sem problemas em solos pobres em azoto e matéria orgânica.
A quantidade de azoto fixado por estas bactérias que com elas vivem associadas (bactérias rizobianas) depende, entre outros fatores, da espécie de leguminosa e das condições do solo.
Raízes de uma leguminosa com nódulos fixadores de azoto
Fonte MORNING EARTH
Em solos em que estas bactérias não estejam disponíveis podem as mesmas ser adquiridas, sendo possível inocular não só as sementes mas também os solos. Podem adquirir-se bactérias fixadoras de estirpes selecionadas e adequadas a cada tipo de leguminosa. O uso específico destes inoculantes rizobianos é muito recomendável, registando-se economias relevantes no custo da produção agrícola, ao mesmo tempo que é bom para o ambiente. Ou seja, possibilita um aumento significativo na rentabilidade das sementeiras e por outro lado, permite uma significativa redução no uso de adubos azotados.
Na mesma ordem de ideias, há quem prefira utilizar os chamados “adubos verdes” para enriquecer o solo, em detrimento de produtos químicos. Isto consiste em cultivar espécies de crescimento rápido da família das leguminosas, as quais são colhidas e logo enterradas no mesmo local antes de florescerem e criarem sementes. Esta prática promove o enriquecimento do solo com azoto e outros nutrientes, além de melhorar a estrutura dos terrenos, protegendo-os da seca e limitando o desenvolvimento das ervas daninhas.

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã