"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Euphorbia paralias L.

Morganheira-das-praias

A Euphorbia paralias é uma das muitas espécies que podemos encontrar nas orlas marítimas crescendo nas dunas primárias, fixando as areias e contribuindo para a consolidação do cordão dunar. É também uma das primeiras plantas a colonizarem as areias nuas que, arrastadas pelo vento, poderão dar origem a novas dunas, ao encontrarem uma planta que as segure. É, pois, uma espécie de grande importância no litoral português.
A Euphorbia paralias distribui-se por todo o litoral da Península Ibérica, litoral mediterrânico europeu e norte de África, litoral atlântico desde o Magreb até ao Mar do Norte, Madeira e Canárias.
Esta espécie foi introduzida na Austrália e de tal forma se deu bem no seu novo habitat (onde não encontrou inimigos naturais que restringissem o seu desenvolvimento) que se tornou extremamente invasiva, crescendo exuberantemente e formando novas colonias em qualquer areal disponível, abafando as espécies nativas e alterando a estrutura das praias.
Trata-se de um problema semelhante ao que acontece nos areais de Portugal com o chorão, Carpobrotus edulis, planta exótica importada da África do Sul e que também cresce indiscriminadamente impedindo o correto desenvolvimento da vegetação local.

O Carpobrotus edulis tomou conta deste espaço, sufocando as plantas locais que lutam para sobreviver

Tanto no que diz respeito à Euphorbia paralias na Austrália como à Carpobrotus edulis em Portugal, a palavra de ordem é arrancar pela raiz sempre que possível, podendo deixar no terreno os exemplares em causa, para que se decomponham.
A linda borboleta europeia Hyles euphorbiae que põe os seus ovos em plantas do género Euphorbia e cujas larvas se alimentam das suas folhas e brácteas, tem sido introduzida de forma intensiva em países onde as Euphorbias causam problemas, para que atuem como agente biológico no controlo do crescimento das suas colonias. 
A Euphorbia paralias é uma espécie halófita, ou seja, tolerante à salinidade que resulta da sua proximidade com o mar. É uma espécie perene, rizomatosa, provida de uma raiz ereta e muito longa, apta para captar água em profundidade. Os múltiplos caules, lenhosos na parte inferior, são quase todos eretos e da mesma altura, não apresentando pelos e podendo atingir os 70 cm de altura. Os caules crescem a partir de uma base lenhosa, no entanto ramos laterais podem surgir caso aconteça a planta ficar parcialmente soterrada pela areia que se acumula à sua volta, arrastada pelo vento.
As folhas, muito numerosas, inteiras e sem pecíolo, carnudas e de aspeto lustroso, estão revestidas de uma forte cutícula, características estas que lhes permitem evitar uma excessiva perda de água, por transpiração. Pela mesma razão, as folhas ascendentes, dispõem-se de forma imbricada, ou seja, umas sobre as outras tal como as telhas num telhado, de forma a poder recolher alguma água resultante das humidades noturnas, tão frequentes nas orlas marítimas. As folhas superiores são maiores que as inferiores.


Tal como muitas espécies do mesmo género, a Euphorbia paralias produz uma seiva branca de aspeto leitoso que é segregada quando a planta é ferida e que é também uma adaptação à falta de água pois a sua função é estancar a perda de seiva, acelerando a cicatrização dos tecidos. Este líquido é toxico, devendo ser evitado o seu contato com a pele, olhos e mucosas.

As inflorescências da Euphorbia paralias são muito peculiares e características do género a que pertence.
Esta é uma espécie monóica pois apresenta inflorescências formadas por flores femininas e flores masculinas separadas, num mesmo individuo (ao contrário do que acontece com a maioria das flores que tem órgãos reprodutores femininos e masculinos numa mesma flor).
Cada flor feminina, solitária, está praticamente reduzida a um ovário trilocular no topo de um pedicelo e está cercada por vários estames, cada um deles resultante de uma flor masculina.
Todo o conjunto, chamado ciato, está protegido por um involucro em forma de cálice, formado por duas ou mais brácteas e provido de 4 ou 5 glândulas que segregam um néctar que atrai os insetos polinizadores.
Cada ciato é solitário e tem um pedúnculo distinto mas de cada um deles emergem vários pedúnculos que se bifurcam dando origem a sucessivos novos ciatos, em várias camadas.
O conjunto dos ciatos têm a vantagem de dar mais visibilidade à planta por forma a torna-la mais atraente para os agentes polinizadores.
A floração ocorre de março até ao final do verão.
Os frutos são capsulas arredondadas de casca granulada e marcada por 3 sulcos profundos. No interior existem 3 sementes ovoides as quais são expelidas a uma distância de 1 a 2 metros, sendo disseminadas pelas formigas ou pelo vento.
Uma planta vigorosa pode produzir até 5000 sementes por ano. Sendo tolerantes ao sal e bastante resistentes, estas sementes podem viajar nas correntes marinhas por 1 ou 2 anos e ainda assim conservar 50 % da sua viabilidade, podendo germinar ao encontrarem o lugar mais propício para o fazer.

A Euphorbia paralias pertence às Euphorbiaceae, familia botânica de grande importância que inclui espécies de grande valor económico, nomeadamente: a Hevea sp, vulgo seringueira, de onde se extrai a látex usado na manufatura da borracha; a Ricinus communis fonte do óleo de rícino; a mandioca que é a base da alimentação em varias regiões do globo e ainda algumas espécies ornamentais muito populares como a Poinsetia, muito vendida especialmente na época do Natal, devido às suas folhas semelhantes a pétalas de flores vermelhas. Esta família inclui cerca de 6000 espécies repartidas por 222 géneros. O género Euphorbia, ao qual pertence a Euphorbia paralias é um dos mais difundidos e de maior diversidade morfológica. A variedade dentro deste género é sem dúvida surpreendente, existindo espécies de pequeno porte, outras de porte arbustivo ou arbóreo e até algumas que são semelhantes a catos gigantes. Apesar de tal diversidade de formas, todas partilham a estrutura particular das flores, o que as torna tão características.


Fotos: Praia da Areia Branca/Areal Sul - Lourinhã




terça-feira, 10 de julho de 2012

Borago officinalis L.

Nomes vulgares: borago; borragem; borragem-comum

A Borago officinalis é uma conhecida planta medicinal de ciclo de vida anual que no nosso país floresce e frutifica de janeiro a outubro.

Cultivada muitas vezes como ornamental, cresce de forma espontânea em escombros, bermas de caminhos, terrenos de pousio ou abandonados. Não é uma espécie exigente, resiste a alguma seca mas prefere os solos azotados, ricos em nutrientes, de preferência ligeiramente ácidos.



Distribui-se por toda a região mediterrânica, sudoeste asiático e Macaronesia (excepto Cabo Verde), estando naturalizada em quase toda a Europa. É uma espécie da família das Boraginaceae que inclui cerca de 2000 espécies distribuídas por mais de 100 géneros, entre eles o género Borago, no qual se inclui a Borago officinalis.

A Borago officinalis forma pequenos arbustos desordenados que, consoante a localização, podem ir dos 30 aos 100 cm de altura. Inicialmente a planta forma uma roseta basal com folhas grandes da qual despontam caules eretos, espessos e robustos que podem ser simples ou ramificados.

Praticamente todos as partes que compõem a planta estão cobertas por numerosos pelos rígidos, translúcidos e de tamanhos variados, particularmente densos nos caules, pecíolos e cálice. Cada um destes pelos pode apresentar um espécie de inchaço na base que pode ser verde, azulado ou vermelho.


As folhas, dispostas nos caules de forma alternada, são inteiras, de forma ovada, lanceolada ou elítica; são também rugosas, com veios bem marcados na face superior e margens ligeiramente sinuadas; as folhas basais são grandes e estão providas de pecíolo; as folhas caulinares são mais pequenas, não têm pecíolo e são amplexicaules, pois abraçam o caule.


A Borago officinalis atrai os mais variados insetos, especialmente abelhas pois é uma fantástica fonte de néctar. Assim sendo, esta é uma planta excelente para ter no jardim ou na horta pois os insetos que a visitam são úteis também na polinização das plantas que habitam em seu redor. Dizem que o mel de Borago officinalis é delicioso e em certos países, como por exemplo o Reino Unido, fazem-se grandes plantações desta planta expressamente para uso de abelhas melíferas.

O que mais chama a atenção na Borago officinalis são as flores, de um azul vibrante, o chamado azul índigo, cujas pétalas em forma de estrela se posicionam na planta viradas para baixo.


Por vezes a mesma planta apresenta flores azuis e rosa ou azuis tingidas de rosa, o que não está ainda devidamente estudado, tal podendo acontecer devido a excesso ou carência de algum nutriente mineral ou possível alteração na acidez do solo. Muito raramente, podem aparecer exemplares com flores totalmente brancas.

As flores crescem no topo dos caules, dispondo-se em cimeira, num eixo principal que se vai ramificando sucessivamente e de forma alternada. Cada flor nasce no topo de um pedicelo peludo, oco e comprido, o qual se apresenta direito e rígido durante a floração mas que encurva durante a frutificação.

Cada flor tem 5 pétalas e 5 sépalas. As pétalas triangulares que formam a corola estão unidas na base mas têm as pontas livres; na parte central da corola , que é branca, forma-se um pequeno tubo através do qual saem 5 estames (orgãos masculinos da flor). Estes são negros, proeminentes, tingidos de vermelho na base; as anteras, de ponta curta, aguda e rígida juntam-se no topo formando uma estrutura cónica alongada, de cor escura, em redor do pistilo (conjunto de órgãos reprodutores femininos). O pólen é amarelo pálido e não muito visível do exterior dado que a abertura está virada para dentro no núcleo do aglomerado de estames. Nestas circunstâncias a auto polinização pode facilmente acontecer.


As sépalas, cobertas de pelos na face exterior, são geralmente verdes embora possam também ser acastanhadas. As sépalas são estreitas e longas, quase do tamanho das pétalas e estão abertas durante a floração, acompanhando o movimento da corola. Quando a vida da flor chega ao fim, as pétalas que formam a corola caem e as sépalas fecham-se formando uma estrutura que cobre e protege o fruto que está lá dentro.
O fruto consiste em 4 sementes nuas inseridas em cavidades do recetáculo.


Quando estão maduras, as sementes tornam-se castanhas escuras, com aspeto rugoso e caem naturalmente.
As flores são comestíveis e têm um sabor suave, a mel. Há quem as utilize na decoração de certos pratos de doçaria ou as coloque em cubos de gelo para decorar as bebidas. As folhas, cortadas finamente, podem ser utilizadas em saladas, revelando um refrescante sabor a pepino. Contudo, devido a alguma toxicidade presente na planta recomenda-se o seu consumo de forma moderada.
Uma coisa é certa, desde a Antiguidade que a Borago officinalis é conhecida pelas suas propriedades medicinais e tem sido associada ao prazer e a sensações de bem-estar. Através de chás e infusões ou mesmo misturada no vinho esta planta era utilizada para eliminar a melancolia e aumentar o conforto psíquico. Na Idade Média, por exemplo, era dada aos combatentes, nomeadamente os cruzados, para lhes dar coragem antes das batalhas e as flores azuis eram bordadas nos seus mantos, para o mesmo efeito.
De facto, a sensação de coragem e alegria de viver que a Borago Officinalis parece providenciar talvez tenha a sua razão de ser uma vez que, em pesquisas recentes, se chegou à conclusão que ao estimular as glândulas suprarrenais, os compostos químicos existentes nesta planta favorecem a produção de adrenalina.

A Borago officinalis tem propriedades anti-inflamatórias, antirreumáticas, diuréticas, febrífugas, entre outras, sendo utilizada como ansiolítico e no tratamento de bronquites, catarros, doenças de pele, etc. O óleo obtido a partir das sementes é muito rico em esteroides e ácidos insaturados pelo que é muito eficaz na redução do colesterol, além de ter ação reguladora hormonal.
Contudo, nunca é demais lembrar que o consumo desta e doutras plantas que fazem parte das chamadas plantas medicinais deve ser feito com cuidado e de preferência sob supervisão de quem tem os conhecimentos necessários pois todas elas, em maior ou menor grau, são tóxicas.
Especificamente no caso da Borago officinalis as folhas possuem alcaloides de pirrolizidina que, através da ingestão de pequenas porções por períodos longos podem provocar envenenamento crónico e fatal, a nível do fígado. As sementes da planta estão isentas destes alcaloides.

 Fotos: Serra do Calvo / Lourinhã


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cakile maritima Scop.

Eruca-marítima


A Cakile marítima é mais uma planta colonizadora dos litorais portugueses. Distribui-se por quase toda a Europa temperada mas principalmente por toda a região mediterrânica, incluindo o norte de África. Foi também introduzida na América do Norte onde tem prosperado e é considerada uma espécie invasora.



Cresce na areia, na primeira linha da costa, entre as dunas em formação e a faixa mais recuada das praias onde se depositam os detritos orgânicos (ex: algas) trazidos pelas marés e que enriquecem temporariamente o solo.


É, pois, uma planta halófita, ou seja, perfeitamente adaptada ao meio salino onde vive, tendo a capacidade de acumular água nas suas folhas de aspeto carnudo para compensar as altas concentrações de cloreto de sódio a que está exposta.


A Cakile marítima pertence às Brassicaceae, grande família botânica de grande importância económica, também denominada Cruciferae. Nesta família incluem-se espécies fundamentais na alimentação humana, como por exemplo as couves, a mostarda, o agrião, os rabanetes ou os nabos. Esta família é composta por cerca de 3200 espécies agrupadas em 350 géneros, um dos quais o género Cakile a que pertence a espécie Cakile marítima.


A Cakile maritima é uma planta anual que forma pequenas moitas de caules eretos ou prostrados, sem pelos e carnudos, os quais ramificam desde a base da planta.
A raiz é comprida e fina.


As folhas são carnudas, pecioladas, dispostas de forma alternada, profundamente divididas em lóbulos inteiros e de formato elíptico, com margens sinuadas e ligeiramente engrossadas.


Para diminuir a transpiração a superfície das folhas está provida de uma forte cutícula o que lhe dá um aspeto brilhante.



As flores, polinizadas por abelhas, moscas, borboletas e outros insetos, são brancas ou ligeiramente rosadas e dispõem-se em cachos pouco densos.


A corola é constituída por 4 pétalas dispostas em cruz, como aliás é característica comum a todas as espécies das Brassicaceae/Cruciferae.


As sépalas são também 4, de ponta arredondada e margens membranosas.


Os estames agrupados em redor do estigma são 6, sendo 2 curtos e 4 longos. As flores possuem órgãos reprodutores femininos e masculinos funcionais os quais dão origem a frutos secos, designados por síliquas.


As síliquas são frutos estreitos e longos formados por dois lóculos, o inferior mais curto mas largo no ápice e o superior, mais longo, com ápice agudo e comprimido; estes dois lóculos estão separados por um septo plano (tipo pelicula) e é nele que se inserem as sementes.

Na maturação o fruto abre-se separando-se estas duas valvas, ficando o septo preso ao pedicelo, expondo as pequenas sementes pardas. As sementes são dispersas pelo vento, podendo flutuar na água durante bastante tempo até que as correntes as tragam de novo para terra e encontrem local adequado para germinarem.

A Cakile marítima floresce e frutifica por largos meses, geralmente desde a primavera até ao final do outono.

 Fotos: Praia da Areia Branca/Areal Sul - Lourinhã


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tropaeolum majus L

Nomes vulgares:
Capuchinha; chagas; chagueira; mastruço-do-Perú; nastúrcio


De nome científico Tropaeolum majus, mas mais vulgarmente conhecida como capuchinha ou chagas, esta é uma espécie que se supõe ser originária da América do Sul, provavelmente da região andina que abrange os territórios que vão da Bolívia à Colômbia. Contudo, encontra-se naturalizada em muitos outros locais do globo, desde a América do Norte à Austrália, passando pelo continente europeu e Macaronésia (ilhas atlânticas, nomeadamente Açores, Madeira, Canarias e Cabo Verde).


Esta espécie pertence à família Tropaeolaceae a qual se divide em três géneros, um dos quais é o Tropaeolum, com cerca de 80 espécies, que inclui a Tropaeolum majus. Aparentemente a Tropaeolum majus começou por ser uma planta cultivada e foi em tempos bastante apreciada em jardins. Perdida a popularidade e a preferência como planta ornamental, quis ainda assim, continuar a ser útil, ultrapassou barreiras e naturalizou-se em espaços não confinados. Hoje em dia pode ver-se esta espécie crescendo de forma espontânea, na proximidade dos campos de cultivo, sendo aproveitada pelos agricultores para proteger as suas plantações pois ela serve de hospedeira a certas pragas e repele outras.


Na generalidade, esta espécie floresce e frutifica durante a primavera e o verão. Contudo adapta-se com tanta facilidade a certos tipos de climas que pode florescer durante a maior parte do ano, frequentemente assumindo um comportamento invasor. Nestes casos é conveniente tomar medidas que controlem a expansão da planta.
Noutras regiões esta espécie é muito apreciada e cultivada, não só pelas suas flores mas também pelas folhas pois ambas são comestíveis. Podem confecionar-se deliciosas saladas frias tanto com as folhas como com as flores as quais também se usam na decoração da finalização dos pratos. Não só são decorativas como também exalam um aroma agradável e muito característico. O sabor é ligeiramente apimentado.


A Tropaeolum majus tem também excelentes propriedades terapêuticas, podendo ser utilizadas todas as partes da planta, excepto a raiz. A planta é muito rica em vitamina C e tem propriedades bactericidas, digestivas, sedativas e expetorantes, sendo indicada para problemas pulmonares e digestivos, escorbuto e afeções da pele. Porém nunca é demais lembrar que o consumo deve ser regrado pois todas as plantas têm o seu grau de toxicidade, sendo nocivas em caso de exagero.


A Tropaeolum majus é uma planta anual, herbácea, de hábito rastejante ou trepador, com guias que podem atingir 1 metro ou mais, providas de pecíolos foliares que funcionam como gavinhas. Os caules, de cor verde claro são carnudos, ocos e cilíndricos, sem pelos, de aspeto quase polido. A planta é pouco ramificada, sendo que geralmente só ramifica na base e não nos caules.


A planta forma uma raíz avermelhada e longa mas pobre em ramificações pelo que se torna fácil arrancar a planta. No entanto cada pedaço de raiz que se parta e fique no solo, irá certamente enraizar e dar origem a uma nova planta.


As folhas, de cor verde azulado, são numerosas, alternas, simples, de margens ligeiramente lobadas e onduladas; têm forma circular e ligam-se perpendicularmente ao caule através de um longo pecíolo, mais ou menos no centro do limbo; as veias são bem visíveis e irradiam do centro para o exterior da folha.

As flores, muito vistosas, são solitárias e crescem na axila das folhas, no topo de longos pedúnculos. Corola e cálice exibem tons de amarelo, laranja e vermelho e são lisas ou com manchas acastanhadas ou de cor púrpura.
No seu conjunto, as flores são compostas por 5 pétalas (corola), 5 sépalas (cálice) e órgãos reprodutivos masculinos e femininos funcionais.


As pétalas são desiguais: as duas pétalas superiores são ovais, fundem-se com as sépalas que lhe estão adjacentes e exibem veios longitudinais de cor mais escura. As três pétalas inferiores são livres, mais arredondadas, estreitando-se profundamente na parte inferior do limbo, sendo as gargantas decoradas com franjas perfeitamente visíveis a olho nu.


As sépalas, fundidas na base, são também distintas: as três sépalas superiores são maiores e são também decoradas com veios de cor mais escura, tal como as pétalas superiores. Uma delas, prolonga-se para a retaguarda em forma de esporão comprido, direito ou ligeiramente encurvado, que funciona como reservatório para o néctar que a planta oferece aos agentes polinizadores. As restantes duas sépalas são lisas e mais pequenas.


Os órgãos reprodutivos consistem num pistilo central com um estigma dividido em 3 partes, rodeado por 8 estames livres e tamanho desigual, com grossos filamentos arqueados e grandes anteras.


O ovário é súpero, isto é encontra-se sobre o recetáculo e sobre o ponto de inserção das outras partes florais, cálice, androceu e corola e é trilocular, dando origem a frutos carnudos, formados por 3 mericarpos que se separam na maturação, sendo disseminados essencialmente pelo vento.



Fotos - Serra do Calvo / Lourinhã