"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 1 de maio de 2012

Papaver rhoeas

Nomes comuns:
Papoila; Papoila-brava; Papoila-das-searas; Papoila-ordinária; Papoila-rubra; Papoila-vermelha; Papoila-vulgar; Papoula; Papoula-ordinária

A família botânica das Papaveraceae divide-se em 19 géneros um dos quais é o género Papaver ao qual pertencem as 22 espécies de papoilas. Destas, apenas um pequeno número cresce espontaneamente em Portugal, como é o caso da Papaver rhoeas que se pensa ser originária do sul europeu, norte de África e Ásia temperada, mas que hoje em dia se distribui praticamente por todo o hemisfério norte.

Podemos encontrar a Papaver rhoeas quer em terrenos cultivados quer incultos, geralmente associada a culturas cerealíferas, mas não só. Uma coisa é certa, mostra grande preferência por terrenos remexidos os quais são muito ricos em azoto.

Desenvolve-se de forma mais abundante nas primaveras húmidas que se seguem a invernos secos e ensolarados.
Esta espécie é considerada erva daninha pelo que tem sido repetidamente dizimada por pulverizações de herbicidas seletivos, feitas pelos agricultores.

Ainda assim, podemos vê-la por esta época do ano, teimosamente alegrando os campos de pousio e a beira dos caminhos, baloiçando as suas delicadas corolas vermelhas ao sabor do vento. É que, felizmente, a papoila é muito persistente, não se deixando abater facilmente. Para isto contribui o facto de produzir muitas sementes as quais permanecem adormecidas no solo durante largos anos, aguardando as condições mais favoráveis para germinarem.

A Papaver rhoeas é uma planta herbácea, anual, revestida de pelos muito rígidos e bem visíveis embora não muito densos.

Esta planta cresce em tufos com cerca de 10 a 50 ou 60 cm de altura. Os caules são eretos ou ascendentes e mais ou menos ramificados.

As folhas, bastante recortadas, são compostas por vários segmentos grosseiramente dentados, os quais terminam numa ponta aguda e se apresentam divididos umas vezes até ao meio do semi limbo e outras até à nervura mediana; o segmento terminal é geralmente maior que os laterais; a nervura mediana é bastante espessa e as nervuras secundárias são mais ou menos paralelas entre si.

Quando quebrados os caules exsudam uma secreção esbranquiçada chamada latex que a planta utiliza para ajudar na cicatrização da ferida.

As flores da Papaver rhoeas são grandes, solitárias e crescem sobre um pedúnculo longo e fino.
O cálice é formado por 2 sépalas que caiem quando a flor abre.

A corola é formada por 4 pétalas vermelhas, arredondadas e com aspeto de papel de seda amarfanhado.

Geralmente as pétalas apresentam uma mancha escura na base.

A flor dispõe de órgãos reprodutores masculinos e femininos. O androceu (órgão masculino) apresenta numerosos estames com filamentos filiformes e anteras produtoras de pólen, castanhas ou amareladas.

O ovário não apresenta estilo e o estigma, área onde o grão de pólen inicia a germinação, assemelha-se a um disco, com vários raios.

As papoilas florescem de março a junho ou julho. O fruto é uma capsula mais comprida que larga, de forma ovoide cilíndrica.
As pequenas sementes são libertadas através de poros que se abrem na tampa da capsula a qual apresenta vários sulcos lineares.

Devido às suas propriedades calmantes as flores e folhas da Papaver rhoeas têm sido utilizadas em medicina alternativa desde tempos remotos, sendo usadas no tratamento de vários males desde constipações a distúrbios nervosos. Tendo em conta que também se usa em mezinhas caseiras vem a propósito lembrar que a ingestão de tisanas, xaropes ou outros preparados feitos à base de partes da Papaver rhoeas deve ser feita sob supervisão adequada, uma vez que é conveniente respeitar certas dosagens. Por vezes pensamos que por ser natural não há problema mas a verdade é que a partir de certas quantidades a maioria das plantas espontâneas são tóxicas.

As pétalas da papoila possuem propriedades corantes sendo usadas para dar cor a tisanas, medicamentos e certos vinhos.

As sementes de papoila maduras e torradas, são muito apreciadas como condimento em pães e bolos, quer isoladamente quer em mistura com outras sementes.

Foto de Atelierjoly

Apesar do que alguns possam pensar, nem todas as papoilas têm algo a ver com a produção de ópio. Na realidade, de todas as espécies de papoilas, apenas a lindíssima Papaver somniferum é utilizada para a sua produção. Esta espécie é originária da Ásia Menor e é cultivada naTurquia, China, India, Irão e sudoeste asiático, entre outros. O ópio é extraído do latex existente nas capsulas de sementes, antes de atingirem a maturação.

Fotos: Serra do Calvo / Lourinhã




sábado, 14 de abril de 2012

Pistacia lentiscus L.


Nomes comuns:
Aroeira; lentisco; alfostigueiro; almessigeira;
árvore-do-mastique; darmacho; daroeira; moita-do-daro


Pistacia lentiscus é um arbusto ereto e de forma irregular, por vezes semelhante a uma pequena árvore, podendo atingir 4 a 5 metros de altura e 2 a 3 metros de largura.


É muito ramificado, formando moitas altas e densas que são abrigo para tocas de coelhos, ninhos de perdizes e restante fauna local. 


É uma planta perene que se dá bem em todos os tipos de solo desde que tenham boa drenagem, mostrando no entanto, alguma preferência pelos solos calcários.


Cresce de forma espontânea nas regiões do mediterrâneo e territórios da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde), em matas e matagais, geralmente associado a outros arbustos também eles bem adaptados ao clima do tipo mediterrânico, o qual se caracteriza por invernos relativamente chuvosos e verões secos. Suporta bem os ventos maritimos.


O Pistacia lentiscus pertence à Anacardiaceae, família botânica que inclui cerca de 600 espécies agrupadas em 70 géneros. Algumas das espécies desta família são frutíferas bem conhecidas, entre elas a manga e o caju.
O Pistacia lentiscus pertence ao género Pistacia que inclui 10 espécies, entre as quais o Pistacia vera cujos frutos são grãos muito apreciados, os pistachio ou pistache, os quais se comem quer torrados e salgados ou frescos, incluídos em gelados, saladas e até guisados.

As folhas do Pistacia lentiscus dispõem-se de forma alternada nos caules, têm cor verde escuro brilhante e textura coriácea.



Cada folha é composta por vários folíolos ovais (de 2 a 10) sem que exista folíolo terminal, terminando a folha em forma de V.


Os pecíolos dos folíolos são de cor avermelhada e são alados, isto é, estão providos de asas (expansão laminar, tipo folha longa e estreita).


Frequentemente encontram-se folíolos com uma estrutura diferente dos restantes, mais grossos e de cor avermelhada os quais dão pelo nome de galhas ou bugalhos e que mais não são que uma reação de defesa da planta face ao ataque dos tecidos por um parasita, o afídio Aplaneura lentisci.
Estas excrecências têm a forma arredondada e geralmente formam-se na parte superior dos folíolos. 


A planta floresce durante a primavera.

As flores são muito pequenas e formam cachos bastante compactos.

De forma característica, cada arbusto desta espécie apenas dispõe de flores de um sexo pelo que, para que se forme a semente, é necessário haver plantas com flores masculinas na proximidade de plantas com flores femininas.
De facto, ao contrário do que acontece com a maioria das plantas verdes em que o mesmo indivíduo apresenta flores com órgãos sexuais de ambos os sexos Pistácia lentiscus é uma planta dioica pois as flores femininas e masculinas aparecem em indivíduos diferentes.

  


Flores masculinas em diversos estágios de maturação

As flores masculinas não têm corola mas apresentam um cálice com 5 sépalas e 5 estames de filetes curtos e grandes anteras vermelhas.



Flores femininas (ver pormenor inserido)

As flores femininas também sem corola, apresentam 3 a 4 sépalas e um ovário ovoide de cor esverdeada. Este é coroado por um estilete muito curto e alargado no ápice, de onde surgem 3 estigmas avermelhados, oblongos e recurvados.



A polinização é feita pelo vento, daí resultando frutos muito aromáticos e em forma de baga arredondada que conforme vão amadurecendo passam do verde ao vermelho e depois ao negro, providenciando bom alimento para as aves e restante fauna local durante o outono e o inverno.



O Pistacia lentiscus é uma espécie de grande interesse ornamental, sendo hoje em dia muito utilizada em jardins pois não necessita de cuidados especiais, além de que é muito aromática.

Dos troncos do Pistacia lentiscus pode obter-se uma resina que pinga naturalmente e que em contacto com o ar endurece, formando pequenas massas em forma de gota. A esta goma chama-se mastique, substância essa que tem sido utilizada para diversos fins, alimentares, medicinais e não só, desde há milhares de anos. Em certos países este arbusto é cultivado de forma intensiva com vista à produção da mastique, como é o caso da Turquia. A mastique entra na composição de doces, perfumes, pastilhas elásticas, vernizes e materiais adesivos usados na construção civil.
As suas propriedades medicinais são também muito apreciadas e assim a mastique tem sido usada como diurético, expectorante e analgésico, entre outros fins.

Fotos: Arribas da Praia do Caniçal e Serra do Calvo - Lourinhã