"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 16 de maio de 2011

Anagallis arvensis L.


Nome vulgar: Morrião


Anagallis arvensis L., chamado vulgarmente Morrião, erva-do-garrotilho, morrião-dos-campos, morrão-vermelho, Morrião-vermelho é uma espécie pertencente ao género Anagallis e à família das Primulaceae, grupo botânico que inclui cerca de 1.000 espécies de plantas herbáceas, incluindo muitas espécies ornamentais.
Anagallis arvensis é uma pequena planta infestante de porte rasteiro, herbácea e anual.
A planta ramifica-se desde a base em numerosos caules de seção acentuadamente quadrangular e de hábito prostrado criando raízes na zona em que os nós inferiores tocam no solo.
As folhas são opostas, sem pecíolo, de forma ovada e pontuadas por numerosas glândulas que produzem e segregam substâncias químicas que têm algum grau de toxicidade e que devido ao seu sabor desagradável funcionam como dissuasor alimentar protegendo a planta contra os predadores e os organismos patogénicos. As folhas superiores são mais estreitas que as inferiores. A Anagallis arvensis floresce de fevereiro a outubro.
As pequenas flores, vistosas pelas suas cores e formato, nascem solitárias na axila das folhas sobre pedúnculos de comprimento variável.
Podem ser azuis ou cor de laranja com um anel de cor púrpura no centro correspondente aos 5 estames de filamentos pilosos, com anteras amarelas que saiem da base da corola e chegam até metade da mesma. A corola tem 5 pétalas radialmente simétricas e de forma oval que estão soldadas na base, pelo que caiem juntas.

As 5 sépalas que protegem a corola são persistentes, estreitas e curvas no ápice e são visíveis por entre as pétalas.

Os frutos são pixídios ou seja, cápsulas redondas rodeadas pelas sépalas cuja parte superior se abre como uma tampa quando ficam maduros. O pedúnculo que segura os frutos dobra com o peso e as numerosas sementes castanhas, em forma de pirâmide truncada com tufo de pelos, são expelidas e levadas pelo vento.
Anagallis arvensis é uma espécie com origem mediterrânica e encontra-se um pouco por todo o hemisfério norte. É essencialmente uma planta infestante que se aclimatou bem a vários habitats, essencialmente terrenos incultos ou cultivados, subtraindo espaço e azoto às culturas agrícolas. Em Portugal encontra-se presente em todo o território incluindo as dunas do litoral. Anagallis arvensis é utilizada como planta medicinal principalmente como laxante, diurética e cicatrizante. Devido ao seu grau de toxicidade deve usar-se com parcimónia.


Anagallis arvensis é muito semelhante a outras espécies do género Anagallis que florescem nos mesmos habitats e têm o mesmo período de floração, como por exemplo a espécie Anagallis monelli

Seguem-se as diferenças básicas entre estas duas espécies:

Anagallis arvensis:
- tem as flores de menor tamanho e as pétalas são dentadas nas margens devido à presença de pelos;
- as sépalas são muito visíveis no intervalo das pétalas;
- as folhas são mais largas.

Anagallis monelli:
- tem as flores de maior tamanho, de margens lisas e encurvadas;
- as sépalas não são visíveis por entre as pétalas da corola;
- as folhas são mais estreitas

Fotos - Areia Branca e Caniçal/Lourinhã


Anagallis monelli L.


Morrião-azul



Anagallis monelli é conhecida vulgarmente por morrião azul, morrião perene, morrião das areias, morrião-grande, morrião-dos-xistos ou morrião-de-folha-estreita, conforme as regiões do país. Pertence à família das Primulaceae, grupo botânico que inclui cerca de 1.000 espécies de plantas herbáceas, incluindo muitas espécies ornamentais.
Anagallis monelli é uma planta nativa do mediterrâneo que se distribui por todo o sudoeste europeu. Em Portugal é frequente em todo o país, vivendo em locais secos e descampados, com maior incidência no litoral sendo abundante nas dunas interiores fixas.
Anagallis monelli é uma vivaz de vida curta, lenhosa na base e de porte rasteiro, podendo os seus ramos de hábito prostrado ir de 10 a 40 cm de comprimento. Segundo os compêndios da especialidade as flores de Anagallis monelli podem ser azuis ou cor de laranja ou mesmo brancas no entanto todas as plantas desta espécie que encontrei até à data, tanto nas dunas da Areia Branca como nas arribas da praia do Caniçal, tinham flores azuis.
A floração ocorre de março a outubro e as plantinhas de Anagallis monelli florescem de forma muito abundante formando tapetes azulados e de aspeto calmo e refrescante.
Os caules deitados sobre o solo ou semi-ascendentes são de seção redonda e muito ramificados.

As folhas são estreitas, opostas, sem pecíolo, de forma elíptica, mais ou menos carnudas e sem pelos. 
Nas folhas superiores surgem verticilos geralmente de 3 folhas ou seja, conjuntos de folhas que partem do mesmo nó e se situam no mesmo plano.
As flores de cor azul forte e brilhante, têm estames de cor púrpura e anteras amarelas.
As flores são pequenas, quase sempre solitárias e nascem nas axilas das folhas superiores, a partir de um pedúnculo curto.
As 5 sépalas que formam o cálice estão divididas desde a base e são mais curtas que a corola.

O tubo é muito curto e as 5 pétalas têm forma oval, ligeiramente encaracoladas nos bordos e são radialmente simétricas.
O fruto é um pixídio, termo que designa um fruto seco e globoso com um tipo de abertura bastante particular em que a parte superior se destaca do restante fruto na maturação, como uma tampa. Como estes frutos estão geralmente pendentes, a tampa cai com a força da gravidade, libertando as numerosas sementes.
Anagallis monelli possui propriedades antifúngicas, antivirais, cicatrizantes, sedantes, expetorantes, ligeiramente diuréticas e sudoríficas. Aproveita-se toda a planta, no entanto só deverá ser usada externamente pois a planta é tóxica.
Nestes mesmos locais floresce na mesma época uma outra espécie do mesmo género que é muito semelhante à Anagallis monelli, mas há que ter muita atenção para não as confundir. Refiro-me à Anagallis arvensis, cuja descrição segue no próximo post.

Seguem-se as diferenças básicas entre estas duas espécies:

Anagallis arvensis:
- tem as flores de menor tamanho e as pétalas são dentadas nas margens devido à presença de pelos;
- as sépalas são muito visíveis no intervalo das pétalas;

- as folhas são mais largas.

Anagallis monelli:
- tem as flores de maior tamanho, de margens lisas e encurvadas;
- as sépalas não são visíveis por entre as pétalas da corola;
- as folhas são mais estreita

Sobre as sinonímias …
Cada planta tem vários nomes comuns os quais variam conforme as regiões. No entanto para pode haver uniformidade a nível mundial optou-se por estabelecer um nome científico em latim do qual consta, na sua forma mais simplificada, o género botânico ao qual pertence a planta e ainda a espécie da mesma. Assim o nome científico de uma planta é o mesmo em qualquer parte do mundo, independentemente da língua de cada país, não havendo lugar a confusões na sua identificação. Apesar de tudo, acontece que por vezes uma planta apresenta vários nomes científicos que mais não são que duplicações no registo das espécies. Nestes casos o nome científico principal é o que se refere à primeira classificação das espécies; os restantes vigoram como sinónimos, havendo registos que relacionam uns nomes com os outros, nesta conformidade.

Sinonímias de Anagallis monelli:
Anagallis hispanica Samp.
Anagallis linifolia L. subsp. linifolia
Anagallis linifolia L. var. collina (Schousb.) Ball
Anagallis linifolia L. var. eulinifolia R. Knuth, nom. inval.
Anagallis linifolia L. var. microphylla Ball.
Anagallis linifolia L. var. monelli (L.) R. Knuth
Anagallis linifolia L. var. trojana P. Cout.
Anagallis monelli L. subsp. maritima (Mariz) M. Laínz
Anagallis monelli L. var. linifolia (L.) Lange
Anagallis monelli L. var. maritima (Mariz) Samp.
Anagallis monelli L. var. microphylla (Ball) Vasc.
Anagallis monelli L. raça collina (Schousb.) Samp.

Fotos - Areia Branca e Caniçal/Lourinhã


domingo, 8 de maio de 2011

Ophrys apifera Hudson

Orquídea Erva-abelha


Foi no ano passado que descobri este exemplar solitário de Ophrys apifera, de nome vulgar erva-abelha, na zona costeira da Lourinhã, aninhada “algures” entre o Caniçal e a Areia Branca. Felizmente, este ano nasceram dois novos exemplares embora, curiosamente, a planta do ano passado não tenha brotado. Parece ser uma espécie muito rara na região, a necessitar de proteção.

A Ophrys apifera é uma orquídea terrestre do género europeu Ophrys, típica de climas temperados e amplamente distribuída desde o Mediterrâneo até ao Reino Unido, Alemanha e Cáucaso.
Distribuição em Portugal - Flora Digital de Portugal
UTAD
Em Portugal pode encontrar-se em algumas regiões do nordeste, no litoral oeste, e no sul do território, sendo relativamente vulgar em terrenos calcários e incultos sobretudo em campos abertos, com vegetação rasteira. É uma espécie com estatuto de protegida porque embora seja robusta e vigorosa não floresce com regularidade e as colónias podem ter muitas plantas num ano, mas falhar nos seguintes.
A Ophrys apifera tem 2 tubérculos subterrâneos globosos e pequenos que servem como reserva de nutrientes. Após a floração, quando a Ophrys apifera perde a parte aérea e entra em repouso vegetativo, um dos tubérculos já está mirrado porque alimentou a planta durante a floração. Logo que chegam as chuvas de outono, começa a formar-se um novo tubérculo, o qual ficará maduro na primavera seguinte e servirá para alimentar a nova planta. Nem todos os anos há floração o que leva a crer que o novo tubérculo pode, por vezes, necessitar de mais tempo para se desenvolver.
A planta atinge cerca de 30 cm de altura. As primeiras folhas formam uma roseta basal que vai crescendo lentamente durante o outono e inverno, murchando quando crescem os escapos florais e as flores desabrocham. As folhas do caule aparecem mais tarde e são de menor tamanho. São de cor verde-clara e têm formato oval a lanceolado.
A planta floresce de março a julho.
Os escapos florais apresentam várias flores muito vistosas e únicas pela sua beleza invulgar, gradação de cores e formas excepcionais. Estas têm 3 sépalas semelhantes a pétalas cor-de-rosa ou brancas e de formato oval, com 2 pétalas superiores mais pequenas, esverdeadas, geralmente estreitas e arredondadas na extremidade.
Por baixo, existe uma tépala maior que as restantes, chamada labelo, que parece um lábio arredondado, castanho e peludo, com uma marca mais clara em forma de U ou W. O labelo constitui a estrutura de maior tamanho da flor e também a mais chamativa, fazendo lembrar o abdómen de uma abelha fêmea e que se destina a atrair abelhas macho para que polinizem a flor. Aliás, não só a planta se parece com uma abelha como também, por vezes, exala um odor semelhante.
A Ophrys apifera é polinizada por um inseto especifico , uma abelha cujo nome cientifico é Eucera nigrilabris pelo que, dependendo dele,  a flor precisa de uma  estratégia especial para o atrair. Ao imitar a forma e o odor de uma abelha consegue levá-lo a pensar que está a acasalar com uma fêmea da sua própria espécie. Normalmente isto acontece com insetos machos ainda inexperientes os quais saiem dos casulos antes das fêmeas e se precipitam para acasalar levando assim os grãos de pólen de uma flor para a outra. Só depois do ato consumado é que dão pelo engano, ficando a ganhar em experiência. 
Ao contrário da maioria das flores de outras plantas que utilizam ofertas de néctar aos agentes polinizadores para atraí-los, as orquídeas, sendo plantas tão económicas e vivendo de parcos recursos, desenvolveram esta técnica de atração que não inclui prémios em forma de alimento. A forma como a Ophrys apifera consegue que sejam estes os únicos insetos a carregarem o seu pólen é muito astuciosa pois estruturalmente apenas os agentes polinizadores corretos se ajustam ao mecanismo da flor, isto é, os outros visitantes não podem chegar ao pólen. O pólen está concentrado num único polinário e tem de ser removido por completo de uma só vez, o que dá à flor uma única oportunidade de ser polinizada. Para não haver enganos que prejudiquem a flor, o labelo está de tal forma bem estruturado que obriga o agente polinizador a colocar-se na posição correta para que as polínias aderentes a ele se encaixem na posição certa no estigma da flor.
É muito provável que os machos enganados não voltem ou que ignorem as outras flores da mesma espécie pelo que só 10% da população de Ophrys apifera chega a ser polinizada. No entanto esta percentagem deveria ser suficiente para manter a população de Ophrys apifera, tendo em conta que cada flor fertilizada produz milhares de sementes.
Os frutos da Ophrys apifera são cápsulas que contêm entre 10.000 a 15.000 sementes. Estas são muito pequenas, quase sem nutrientes e formadas por agrupamentos com poucas células, as quais somente germinam na presença de certos fungos microscópicos. Para tal, estabelece-se uma associação simbiótica, denominada micorrizica, entre o fungo, o solo e a semente, que permite a germinação inicial da planta e se mantém para toda a vida. O fungo ganha a sua fonte de açúcares a partir da planta e esta obtém água e sais minerais do solo através do fungo.
Esta simbiose não acontece apenas com as orquídeas pois mais de 70% das plantas vasculares são micorrizadas (Angiospérmicas – plantas que produzem flores e cujas sementes se formam em frutos fechados, e Gimnospérmicas – plantas em que as sementes se formam em cones nus, por exemplo os pinheiros), assim como muitos Pteridófitos (fetos) e alguns Briófitos (musgos). Os fungos micorrízicos pertencem ao reino Fungi .
Em situações de stress e competição, em que os nutrientes do solo são limitados, as plantas são, por norma, micorrizadas estabelecendo-se uma associação simbiótica entre fungo e raízes ou outro órgão subterrâneo.

SOBRE AS ORQUÍDEAS…

Todas as orquídeas pertencem à família das Orchidaceae, provavelmente a maior entre todas as famílias botânicas e que se divide em cerca de 750 géneros com mais de 25.000 espécies, correspondendo a cerca de 8% de todas as plantas com sementes. A quantidade de espécies reconhecidas é quatro vezes maior que a soma do número de mamíferos e o dobro das espécies de aves.
Geralmente associamos as orquídeas às selvas verdejantes dos climas tropicais e com razão, uma vez que a maioria das orquídeas vive nas áreas tropicais. No entanto, as orquídeas estão espalhadas pelo mundo inteiro e existem em todos os continentes, exceto a Antártida.
As orquídeas dos climas tropicais são epífitas, isto é, vivem agarradas aos troncos das árvores, não como parasitas, mas apenas procurando um apoio mais perto da luz que lhes permita fazer a fotossíntese. Esta é uma das adaptações das orquídeas ao meio envolvente uma vez que a competição com espécies arbóreas é muito forte nas florestas tropicais onde a vegetação é muito exuberante e pouca claridade penetra até ao nível do solo.
As espécies epífitas apresentam robustas raízes aéreas, cilíndricas, geralmente recobertas por espessa superfície esponjosa e porosa denominada velame, tecido altamente especializado na absorção de água ou humidade do ar.
Assim, as orquídeas epífitas alimentam-se pelas raízes, absorvendo água e sais minerais através dos materiais em decomposição que se enredam no velame tais como detritos vegetais, poeiras transportadas pelo vento e insetos mortos.
Em regiões de clima temperado, as orquídeas são basicamente plantas terrestres, com raízes subterrâneas bem desenvolvidas, às vezes com a formação de tubérculos equipando-as para resistirem ao frio e à neve, ou à seca prolongada e ao fogo.
Nestas áreas de clima sazonal, as plantas normalmente passam por um estágio de dormência, em que, muitas vezes, a sua parte aérea seca, para evitar danos à sua fisiologia devido à seca ou ao frio.
As raízes das espécies terrestres normalmente encontram-se espessadas em pequenas ou grandes estruturas parecidas com tubérculos esféricos que servem de reserva de nutrientes e água. Ocasionalmente estes tubérculos separam-se da planta principal originando novas plantas.
Também há algumas espécies terrestres, nas regiões tropicais. A grande quantidade de matéria orgânica disponível no solo da floresta favorece o surgimento de algumas poucas espécies saprófitas, ou seja, orquídeas desprovidas de clorofila que obtêm toda a matéria orgânica de que precisam do material em decomposição em seu redor. Tanto quanto me lembro, foram estas orquídeas saprófitas, de cor esverdeada e de formato intrigante, as primeiras do género a serem comercializadas. Hoje em dia encontram-se à venda no comércio da especialidade, orquídeas com flores muito vistosas que são o resultado de cruzamentos, entre várias espécies, feitos em laboratório, podendo obter-se uma combinação quase infinita de novas formas e cores.
Na natureza, a maioria das orquídeas apresenta flores de formato intrigante mas pequeno tamanho e folhagens pouco atrativas, as quais embora sem valor comercial são muito apelativas para os apreciadores das orquídeas. Como nenhuma outra família de plantas, as orquídeas têm despertado o interesse de colecionadores que se juntam em associações orquidófilas, presentes em grande parte das cidades por todo o mundo. Estas sociedades geralmente apresentam palestras frequentes e exposições de orquídeas periódicas, contribuindo muito para a difusão do interesse por estas plantas e induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir espécies que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para diminuir a pressão sobre a recolha das plantas ainda presentes na natureza. Através de métodos de cruzamento entre espécies têm sido criados, em laboratório, exemplares híbridos que redem milhões nos mercado das flores ornamentais, orquídeas essas que apresentam melhor folhagem e mais resistente, flores maiores e mais coloridas e um tempo de floração muitisso alargado. 
Existe a opinião generalizada de que as orquídeas são muito difíceis de cultivar e requerem condições que só as estufas podem proporcionar, mas tal não é verdade. As orquídeas são plantas robustas e vigorosas que facilmente podem ser cultivadas por um amador desde que lhes sejam dadas as condições adequadas em termos de substrato, luz, temperatura e humidade.

Em Portugal ocorrem naturalmente 55 espécies de orquídeas, das quais duas são endémicas, ou seja, ocorrem somente no nosso País. Encontram-se distribuídas pelo Algarve (Barrocal), Estremadura (Serra da Arrábida, Estremadura Norte), Ribatejo e zona Centro-Oeste. Crescem principalmente em terrenos secos, calcários, que partilham com outras espécies, arbustivas.
Infelizmente, tal como acontece com muitas outras espécies, as orquídeas portuguesas têm sido afetadas entre outras situações pela poluição ambiental, notando-se um decréscimo gradual dos exemplares em várias áreas. Também de notar que a criação de áreas protegidas no nosso país tem sido feita essencialmente para a proteção de espécies de fauna, apesar de certas espécies vegetais endémicas ou não, estarem em verdadeiro perigo de extinção. Em alguns casos, existem orquídeas abrangidas por áreas protegidas, mas nunca são o principal objeto das iniciativas de conservação.

Fotos - Perímetro Areia Branca/Caniçal- Lourinhã



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cistus crispus (L.)

Nome vulgar: ROSELHA

Cistus crispus conhecido popularmente como Roselha pertence à família das Cistaceae. Esta família, que engloba cerca de 250 ervas e pequenos arbustos, é característica das regiões mediterrânicas e Norte de África. Em Portugal distribui-se por quase todo o país com exceção das regiões montanhosas do nordeste e centro interior.
Esta planta está perfeitamente adaptada aos solos pobres e aos períodos secos prolongados das regiões onde vive, principalmente charnecas, matos e pinhais.
Os pequenos arbustos de Cistus crispus são de cor verde acinzentado devido a um indumento esbranquiçado de pelos estrelados, misturados com pelos simples compridos, que existem nas suas folhas. A presença destes pelos é uma adaptação característica do clima mediterrânico e que tem como função principal evitar a perda de água.
Cistus crispus forma moitas baixas e compactas, muito ramificadas e de contorno arredondado, atingindo de 30 a 50 cm de altura e 1 m de diâmetro. Os ramos são ascendentes e algo tortuosos.
As folhas simples, elípticas, rugosas e onduladas são persistentes, pelo que o Cistus crispus continua a ser um arbusto decorativo mesmo durante o inverno.
As flores, de 5 pétalas com cerca de 3 a 4 cm de diâmetro, são de um belo tom rosa, com numerosos estames de cor dourada. São hermafroditas pois possuem ao mesmo tempo órgãos de reprodução femininos e masculinos funcionais. Apresentam-se solitárias ou em grupo, no cimo dos ramos. O cálice tem 5 sépalas nervuradas e densamente cobertas de pelos, sendo 3 muito maiores do que as restantes.
As flores, de aspeto delicado, apresentam-se sempre enrugadas, parecendo ter sido feitas em papel de seda amachucado. São de muito curta duração, não durando mais do que um dia, no entanto dado que a planta floresce de forma contínua, as moitas mantêm-se cobertas de flores de abril a junho.
O Cistus crispus produz um fruto seco tipo cápsula, peluda só no topo.
O Género CISTUS
Dentre os géneros pertencentes à família das Cistáceas (Cistaceae), o Cistus é um dos mais utilizados como plantas ornamentais. Tem cerca de 20 espécies, sendo algumas nativas em Portugal. São plantas tipicamente mediterrânicas e adaptadas aos solos pobres e a períodos secos prolongados. A germinação das sementes é favorecida pelo fogo, razão pela qual os Cistus aparecem frequentemente como planta colonizadora após um incêndio.
São plantas que ocorrem naturalmente em solos pobres e bem drenados, algumas mais frequentes em solos ácidos e outras em solos alcalinos. Preferem os locais solarengos. Devido à sua beleza decorativa e por serem espécies fortemente aromáticas, várias espécies foram hibridadas e são utilizadas em jardinagem. São plantas muito pouco exigentes. Preferem solos leves e pobres em matéria orgânica, portanto não devem ser fertilizados nem adubados. Muitas espécies dependem de ligações simbióticas a micorrizas (fungos do solo) pelo que o seu cultivo em vasos durante muito tempo pode ser problemático. Devem ser colocados em locais bem drenados, e os solos argilosos devem ser aligeirados com areia.São normalmente arbustos baixos mas a forma varia de espécie para espécie, tendo normalmente os híbridos utilizados em jardinagem, formas harmoniosas.

Fotos - Caniçal/Areia Branca - Lourinhã

Espécie relacionada: Veja Halimium halimifolium




terça-feira, 3 de maio de 2011

Asteriscus aquaticus (L.) Less. Syn: Odontospermum aquaticum (L.) Sch. Bip.

Pampilho aquático, pampilho-de-água, asterisco-da-água


O Astericus aquaticus, ao contrário do que o nome pode fazer crer, não é uma planta aquática mas sim uma espécie que prefere os habitats em zonas perto do mar, podendo também ser encontrada em regiões do interior.

Vive em terrenos incultos ou pastagens, proliferando melhor onde possa encontrar alguma humidade não só no solo mas também ambiental. Distribui-se pelas regiões mediterrânicas e Macaronésia (Ilhas do Atlântico: Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde).
Esta espécie pertence à família das Asteraceae/Compositae cuja principal característica comum é a forma como as flores se agrupam em capítulos, tal como os malmequeres. O género botânico em que esta planta se inclui é o género Asteriscus, nome que vem do grego asteriskos que significa pequena estrela e que ilustra perfeitamente o aspeto morfológico das suas inflorescências e brácteas.

O Asteriscus aquaticus é uma planta anual que forma um pequeno arbusto podendo ir dos 10 aos 50 cm de altura. Os caules são eretos, simples ou ramificados na parte superior, com ramos laterais que geralmente ultrapassam o eixo principal.
As folhas são inteiras, oblongas ou oblongo-lanceoladas, por vezes dobradas ao meio ao longo da nervura mediana, de modo a que as metades do limbo ficam quase justapostas. Caules e folhas estão cobertos por um indumento de pelos fracos e densos.


Esta espécie floresce de abril a junho. As flores são de um belo amarelo dourado e apresentam-se reunidas em capítulos.


As flores são muito numerosas, pequenas, de formato tubular e estão comprimidas num disco central. Apenas as flores da periferia deste disco têm lígulas, semelhantes a pétalas, as quais proporcionam visibilidade a todo o conjunto, para atrair os insetos polinizadores. Desta forma as restantes flores, livres da função de criar pétalas, concentram as suas energias em produzir sementes.
  

Cada lígula é formada por 3 ou 5 pétalas unidas, variando de espécie para espécie. No caso do Asteriscus aquaticus as lígulas são formadas por 3 pétalas, conforme se pode comprovar ao contar os bicos na extremidade de cada uma delas.

As brácteas que protegem todo o conjunto de flores estão dispostas em duas camadas desencontradas, formando uma estrela sob o capítulo amarelo; são grandes, oblongo-lanceoladas e maiores que os capítulos.


Os frutos são secos, do tipo cipsela, com uma só semente e com um tufo de escamas muito pequenas e apenas visíveis.


Em Portugal existem mais duas espécies do género Asteriscus:
Asteriscus spinosus, que podemos encontrar em quase todo o território, com exepção do interior centro e parte do litoral alentejano. Esta espécie distingue-se por ter grandes brácteas espinhosas;
Asteriscus maritimus, que aparece no litoral algarvio e se diferencia pelos seus grandes capítulos, de tamanho igual ou maior que as brácteas involucrais.

Esta é uma espécie frequentemente utilizada como planta ornamental, em jardins.

Fotos - Caniçal/Areia Branca- Lourinhã