"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 12 de abril de 2011

Anthriscus sylvestris (L.) Hoffm.

Nomes comuns:
Cicuta; Cicuta-dos-prados; Cicutaria-dos-prados; Erva-cicutária
A Anthriscus sylvestris está incluída na família das Apiaceae ou Umbeliferae vulgarmente conhecida como família das cenouras. É uma planta herbácea nativa da Europa, oeste asiático e noroeste de África. É comum nas orlas dos matagais, prados, florestas e pomares, podendo ser invasora e difícil de erradicar.
É uma planta comestível mas para tal deve ser colhida quando é jovem para se conseguir um sabor que se assemelhe a uma mistura de salsa com funcho. Quando a planta envelhece o sabor torna-se desagradável e amargo. Contudo, a não ser que se esteja absolutamente certo da identificação correta da planta, não se deve de forma alguma colhê-la pois pode ser facilmente confundida com espécies letalmente venenosas como é o caso da Conium maculatum, a partir da qual é obtido o veneno cicuta.
A Anthriscus sylvestris é uma das ervas de umbelas brancas mais vulgares e também uma das primeiras a florir, sobressaindo entre as outras plantas e imprimindo uma característica única durante a floração. Além disso as suas flores  são uma refeição muito apetitosa para muitos insetos podendo ver-se sempre dezenas de insetos ocupados a extrair o néctar.

É uma planta grande e vigorosa, com aspeto macio, chegando a atingir 1,50 m de altura. O caule é ereto, ramificado só na parte superior, oco e estriado, quase sempre sem manchas e de cor verde-erva.
As folhas têm perímetro triangular e são tripinuladas, com folíolos terminais muito estreitos. A página inferior das folhas é ligeiramente peluda.
As flores são brancas e pequenas com pétalas ligeiramente fendidas e encurvadas em direção ao centro.
As flores estão reunidas em umbelas multiplas que apresentam 5 a 6 bractéolas rodeando as bases sendo que as que estão no limite são mais compridas que as do meio.
As umbelas são inflorescências em que o extremo do pedúnculo se dilata num pequeno recetáculo no qual se inserem, como as varetas de um guarda-chuva, um número variável de pedicelos, aproximadamente do mesmo comprimento. As umbelas podem ser simples, ou compostas no caso de haver umbelas secundarias.
A planta floresce abundantemente de abril a agosto. As flores dão lugar aos frutos que se conservam na planta por largo tempo antes de cairem e se dispersarem.


Os frutos têm forma de fuso, com a ponta estriada.


SOBRE A FAMILIA DAS UMBELIFERAE:
Uma das características mais evidentes desta família de plantas é a inflorescência. As suas flores, pequenas, nascem sempre em umbelas, simples ou compostas. Nas umbelas simples os eixos secundários têm todos a mesma altura e saem do mesmo ponto do pedúnculo. As umbelas compostas são formadas por umbelas de umbelas de menores dimensões. Podem existir brácteas na base da umbela principal e bractéolas (mais pequenas) na base das umbelas secundárias. Tanto os frutos como as brácteas são importantes para a identificação da planta. Em cada flor existem cinco pétalas separadas, por vezes de dimensão muito diferenciadas. Quando existe, o cálice é constituído por cinco sépalas. As flores possuem nectários (glândulas produtoras de néctar) pelo que os insetos são atraídos para as umbelas. Pertencem a esta família não só ervas aromáticas, como, por exemplo a salsa, o funcho e o coentro, mas também muitas ervas venenosas.
Fotos - Caniçal/Lourinhã


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Anthyllis vulneraria L.

Vulnerária  

È uma espécie coberta de cílios sedosos com muitas variedades e subespécies bem representadas em Portugal, sendo por vezes difícil distingui-las. Podem ser prostradas, trepadeiras ou mesmo eretas.
Normalmente perene, esta espécie pode comportar-se como anual e desenvolve-se nas areias das dunas interiores, onde surge dispersa no meio de outras plantas. Encontra-se também em matos, charnecas, pinhais e outros locais áridos ou arenosos.
Anthyllis vulneraria uma planta herbácea e peluda, de caules ramificados e deitados sobre o solo.
As folhas inferiores são simples, de forma elítica ou oblonga e as restantes têm vários folíolos dispostos aos pares sendo o folíolo terminal quase sempre maior que os laterais.
A página inferior das folhas é muito sedosa.

As flores desprovidas de pedicelo estão dispostas em capítulos, geralmente aos pares, no cimo do caule e dos ramos.
O cálice é esbranquiçado e bastante intumescido após a fecundação. Nesta espécie a corola é de cor vermelha, havendo outras espécies com flores de cor amarela, laranja or branca.

 
Cada inflorescência é protegida por brácteas verdes profundamente recortadas e facilmente visíveis.
 Esta planta é muito visitada por insetos que transportam o pólen, de flor em flor. Mas caso as plantas estejam situadas em locais isolados, fora do alcance dos insetos, as flores autopolinizam-se.
A Anthyllis vulneraria é uma espécie nativa do sul da Europa, sudoeste da Ásia e norte de África.
Os frutos são vagens planas com 1 a 2 sementes.
Esta planta floresce de abril a Junho.
A Anthyllis vulneraria é uma planta da família das Fabaceae/Leguminosae, subfamília das Papilionaceae. Tem sido muito utilizada pelos ervanários tradicionais no tratamento de contusões e queimaduras, servindo para estancar hemorragias e acelerar a cicatrização de feridas.

Fotos - Caniçal/Lourinhã





domingo, 10 de abril de 2011

Mesembryanthemum nodiflorum L.

Flor-do-gelo
Mesembryanthemum nodiflorum é uma espécie nativa da região mediterrânica que foi naturalizada noutros continentes, sendo por vezes invasiva.
Trata-se de uma pequena planta prostrada e rastejante que forma densos tapetes como máximo de 20 cm de comprimento. Vive nas regiões costeiras, junto ao mar, de preferência em solos areno-argilosos.
Normalmente cresce junto a outra espécie rastejante a Frankenia laevis (ver página publicada em 13 de fevereiro de 2011). Ambas as espécies são halófitas, isto é, estão adaptadas às condições ambientais tendo adquirido a capacidade de acumular grandes quantidades de cloreto de sódio provenientes da salinidade marítima, que depois eliminam juntamente com os órgãos que o armazenavam. No que diz respeito à Mesembryanthemum nodiflorum ao terminar o seu ciclo vegetativo a planta morre derramando no solo os sais acumulados durante a sua vida, impossibilitando outras espécies não halófitas de colonizarem o espaço e criando condições para que as suas próprias sementes se possam desenvolver.

A Mesembryanthemum nodiflorum pertence à família das Aizoaceae que inclui plantas suculentas com forma bizarra e muito decorativas pelo colorido das inflorescências, muitas delas cultivadas como ornamentais pois são indicadas para jardins de rochas, mini-jardins e pequenos vasos.

A Mesembryanthemum nodiflorum é uma planta suculenta anual, com acumulações de sal nas células das folhas o que lhe dá uma aparência brilhante valendo-lhe por isso o nome de planta-de-gelo. As folhas são muito pequenas, carnudas, lineares, inicialmente verdes e depois púrpureas.


As flores com cerca de meio centímetro de diâmetro, são muito vistosas, solitárias ou reunidas num cacho solto. As pétalas são muito finas, de cor branca ou amarelo-pálido e mais curtas que as sépalas.
O fruto é uma cápsula que abre quando fica molhada, libertando as sementes.
Esta espécie floresce de maio a setembro.


Fotos- Caniçal/Lourinhã



Andryala integrifolia L.

Nomes mais comuns:
Tripa de ovelha; Alface do monte; Erva-polvilhenta; Alface-dos-calcários
A Andryala integrifolia é mais uma espécie da família das Asteraceae ou Compositae, uma das maiores famílias de plantas com flor e que inclui cerca de 50.000 espécies distribuídas por aproximadamente 900 géneros. As espécies desta família distinguem-se facilmente pelas suas inflorescências agrupadas em capítulos (tipo de inflorescência em que muitas pequenas flores se agrupam num só pedúnculo, reunidas num disco com “pétalas” na periferia do mesmo, parecendo constituir uma única flor).
Um dos géneros desta família é o género Andrayala, a que pertence a espécie Andryala integrifolia. As plantas deste género diferenciam-se dos outros géneros da família Asteraceae porque todas as flores do capítulo têm “pétalas” e não apenas as que se encontram na periferia do disco. Também as brácteas destas espécies são diferentes pois são densamente peludas. Além do mais, os caules das plantas deste género possuem látex, secreção esbranquiçada que se nota quando os caules são feridos e que tem a função de, uma vez consolidada com a oxidação, provocar a cicatrização do tecido lesado.
A Andryala integrifolia é uma planta que pode ser anual o bienal atingindo de 30 aos 50 cm de altura. Os caules são normalmente solitários, simples ou muito ramificados. São delgados e estão cobertos de pelos moles, curtos e muito densos que dão à planta um aspeto esbranquiçado. Estes pelos refletem a luz do sol permitindo assim que a planta suporte o excesso de radiação solar.
As folhas estão inseridas no caule alternadamente. São densamente peludas de forma alongada e são planas ou onduladas.
As flores estão reunidas em capítulos em que todas as flores são liguladas ou seja, todas as flores têm um prolongamento em forma de pétala e não apenas as da periferia do disco. As lígulas são todas amarelas, de um amarelo-limão e são dentadas, no extremo exterior. Todas as flores dispõem de órgãos funcionais femininos e masculinos (gineceu e androceu).
Por sua vez os capítulos agrupam-se em corimbos, isto é, em cachos mais ou menos frouxos, em que as flores, apresentam pedicelos de comprimento desigual e se situam ao mesmo nível.
Foto de Pablo alberto Salguero Quiles - Fonte Wikimedia commons
As brácteas que envolvem o conjunto de flores têm a forma de lança, estão cobertas de pelos mais visíveis de que os do caule e dispõem-se em duas camadas.
Os frutos são oblongos e com tufo de pelos acinzentados que facilitam a sua dispersão.
A Andryala integrifolia distribui-se por toda a região mediterrânica e sudoeste europeu. Vive em terrenos arenosos, pedregosos ou áridos. Nas dunas encontra-se por todo o sistema dunar interior.
São plantas abundantes, com grande área de distribuição ocupando os habitats mais diversos. Muitas vezes torna-se difícil a sua identificação porque muda radicalmente consoante o habitat.
Esta espécie floresce de junho a agosto.

NOTA IMPORTANTE
A Andryala integrifolia, tal como todas as plantas que contêm látex não devem ser consumidas, pois a maioria representa um sério risco para a saúde, especialmente quando cruas. Isso ocorre porque o látex tem muitas substâncias tóxicas, nomeadamente ácido cianídrico, precursor do cianureto, paralisante do sistema respiratório.

Fotos - Caniçal/Lourinhã





sábado, 9 de abril de 2011

Malcolmia littorea (L.) R.Br.. ou Cheiranthus littoreus L.

Goivinho-da-praia


A Malcolmia littorea, de nome vulgar Goivinho-da-praia, é um arbusto baixinho com 10 a 40 cm de altura, perene, lenhoso mas só na base.

Os ramos são prostrados, eretos ou ascendentes, ramificados a partir da base e cobertos por um indumento denso de pelos esbranquiçados, para refletir a luz solar. Esta é a forma que a planta encontrou para se adaptar ao excesso de luz solar.


 As folhas são inteiras, lineares, pouco recortadas e curvas na ponta. Na base, as folhas dispõem-se em roseta, nos caules são alternas , ou seja, existe uma folha por nó.

As flores são hermafroditas, pois têm órgãos masculinos e femininos funcionais. Dispõem-se em inflorescências de 5 a 20 flores com 6 sépalas compridas, cobertas de pelo.


As pétalas, de cor rosa purpúreo, são quatro dispostas em cruz e têm a unha comprida. Chama-se unha comprida à parte inferior mais estreita das pétalas. Esta é uma corola carateristica das espécies da família botânica das Cruciferae ou Brassicaceae na qual esta planta se inclui.

O fruto é uma siliqua, ou seja, é um fruto seco, longo, estreito e ligeiramente curvo, com uma serie de sementes. Estas são de cor castanho escuro, ovoides ou oblongas e de superfície rugosa.

Esta planta floresce de maio a agosto e é frequente nas areias marítimas da região ocidental mediterrânica, desde as zonas costeiras de Portugal até à Itália. Em Portugal podemos encontrá-la nas zonas abrigadas da duna frontal, estendendo-se para o interior.



Fotos - Areal Sul/Lourinhã



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Daphne gnidium

Trovisco

A planta Daphne gnidium pertence à família botânica Thymelaeaceae, a qual inclui cerca de 750 espécies distribuídas em 50 géneros. O género Daphne no qual se inclui a espécie Dapne gnidium é um dos mais conhecidos devido às suas flores odoríferas e frutos vermelhos que são vistosos mas também venenosos.

Daphne gnidium é um arbusto vivaz com 1 a 2 metros de altura, relativamente pouco ramificado. Os ramos são delgados mas flexíveis, peludos, com a casca castanho avermelhada, tornando-se acinzentada com os anos.

Em Portugal este arbusto cresce espontaneamente em matos, terrenos incultos ou terrenos áridos. Nas dunas, surge nos terrenos de transição para a floresta ou terrenos de cultivo.

As folhas são persistentes, de forma linear, muito pontiagudas, ligeiramente curvas na ponta, sem recortes e sem pelos. São de cor verde-claro e têm glândulas odoríferas nas faces inferiores. Dispõem-se alternadamente nos caules e têm pecíolo curto.
As flores são de cor branca, creme ou rosadas, muito aromáticas, de haste pilosa, tubulares e agrupam-se no topo dos ramos em inflorescências do tipo panícula, ou seja num cacho em que o eixo da inflorescência é ramificado apresentando uma forma cónica ou piramidal. As flores não têm pétalas, apenas 4 sépalas com 8 estames e estão providas de órgãos funcionais masculinos e femininos.

Frutos imaturos
Foto de J.F. Gaffard. Fonte Wikimedia comonns.
Os frutos são carnudos de forma ovoide e têm uma só semente. Começam por ser verdes, passando depois a cor de laranja e a vermelho e finalmente a negros. Os frutos são muito apreciados pelas aves mas são muito tóxicas para o ser humano assim como todas as partes da planta.
A floração ocorre de julho a outubro.

Fotos Praia do Caniçal e Areal Sul