"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Verbascum thapsus

Verbascum Thapsus é uma planta alta e inconfundível, pela sua forma e coloração.
Esta planta é conhecida pelos nomes populares de barbasco, erva- de- são- fiacre, tróculos brancos e vela-de-Nossa-Senhora. O nome de vela-de-Nossa-Senhora está associado não só à sua forma mas também ao facto de, no passado, ter sido utilizada como tocha, depois de seca e untada com banha. 
O nome verbascum deriva do latim barbascum que significa barba, devido aos pelos existentes nas folhas.
Verbascum thapsus pertence à família das escrofulariáceas, grupo botânico formado por cerca de três mil espécies de ervas, arbustos e pequenas árvores.
É uma planta nativa do sul e centro da Europa e Ásia ocidental, mas adaptou-se bem em muitas regiões temperadas do globo. Em Portugal cresce na beira dos caminhos, terrenos incultos, mas principalmente nas areias e terrenos secos do litoral. É uma planta comum que se espalha de modo prolífico por sementes, mas não se torna agressivamente invasiva, uma vez que a semente precisa de solo aberto para germinar. Tão pouco é uma espécie competitiva, sendo intolerante à sombra de outras plantas e incapaz de sobreviver ao corte.
Tem a vantagem de albergar muitos insectos, alguns dos quais podem ser prejudiciais para as outras plantas. Também atrai as abelhas, providenciando-lhes alimento.
A Verbascum thapsus é uma planta herbácea bienal, isto é, precisa de pelo menos 2 anos para completar o seu ciclo vegetativo. É uma planta bastante alta, podendo alcançar de 80 centímetros a 2 metros de altura, com um caule único e vigoroso, ramificado e coberto de pelo.
As folhas são grandes ovais-lanceoladas, de cor verde-acinzentado, cobertas de penugem prateada e formando uma roseta basal no primeiro ano.
As flores, muito numerosas e de cor amarela, surgem no segundo ano, de junho a agosto, crescendo em espiga ao longo do caule.
Sementes
Esta planta produz fruto sob a forma de pequenas cápsulas ovoides (6 mm) que se partem em duas metades. Cada cápsula tem grande número de diminutas sementes castanhas (menos de 1 mm).
Depois de florescer e libertar as sementes o estame e frutos persistem na planta, secos e rígidos, cobertos por cápsulas densas e ovóides


Os estames secos são escuros e acastanhados, e é comum permanecerem até à primavera seguinte ou mesmo até ao verão.
A planta produz uma raiz pouco ramificada e pouco profunda.
No passado eram atribuídas ao verbasco virtudes tanto medicinais como mágicas. Hoje em dia, tanto flores como folhas são muito usadas na composição de remédios naturais, especialmente destinados a combater a tosse provocada por problemas pulmonares e também para tratamento de certas doenças de pele.
Fotos - Dunas da Areia Branca/Lourinhã



Urginea maritima, Ornithogalum maritimum ou scilla maritima


CEBOLA-ALBARRÃ, Cebola-do-mar, Cila 

A Urginea marítima é uma planta bolbosa, perene. Pertence à família Hyacinthaceae e é mais conhecida pelo nome vulgar de cebola-albarrã.

Encontra-se principalmente na região do mediterrâneo (na qual se inclui Portugal)  e Macaronésia (Ilhas Canárias, Açores, Madeira e Cabo Verde). Esta planta, apesar do nome não ocorre apenas no litoral, podendo também ser encontrada em terrenos incultos do interior.

Gosta de terrenos pedregosos ou arenosos e é muito resistente, vivendo perto da superfície ou parcialmente desenterrada. Tem a particularidade de conseguir sair incólume dos fogos tão comuns nas regiões onde habita. Embora seja venenosa, alguns agricultores cultivam-na, como meio de combate aos roedores.

Ilustração de Pierre-Joseph Redouté (1759-1840).
 Fonte Wikimedia commons
A Urginea marítima nasce de um bolbo gigante, o maior entre todos os que ocorrem na   zona do mediterrâneo. O bolbo, em forma de pera e com tamanho que varia de 6 a 20 cm de diâmetro, apresenta várias camadas externas membranosas que o protegem das intempéries. Pode durar cerca de 12 anos. As raízes são compridas mas pouco ramificadas embora sejam bastante carnudas.

As folhas são numerosas, todas em roseta basal oblongas ou oblongo-elípticas, grandes, de cor verde brilhante, lustrosas, ligeiramente suculentas e com nervuras longitudinais e paralelas. Surgem no inverno depois da floração e duram até á primavera.
O escape floral é ereto, violáceo, com mais de 1 metro de altura nos exemplares adultos e termina numa inflorescência densa com numerosas flores brancas, dispostas em cacho, brilhantes e com uma risca longitudinal rosa-púrpura. 
As flores aparecem em agosto ou setembro independentemente do fator chuva, graças às reservas de nutrientes e água armazenadas no seu grande bolbo.

O fruto é do tipo cápsula, de forma elíptica, terminando numa superfície curva.

Como bolbosa, a Urginea marítima destaca-se pelo grande tamanho do seu órgão subterrâneo, pela quantidade e tamanho das suas folhas e pela inflorescência muito alta e com numerosas flores.

Fotos - Dunas da Areia Branca/Lourinhã



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Frankenia laevis

Encontrei vários exemplares de Frankenia laevis na primeira linha das arribas do Caniçal. Esta planta delicada, é tão rasteira e de folhas tão pequenas e finas que quase passa despercebida, tanto mais que a sua folhagem adquire alguns tons de púrpura, que por vezes se confundem com a cor do solo argiloso.

A Frankenia laevis pertence à família das Frankeniaceae, que inclui apenas o género Frankenia. No entanto, este género divide-se em muitas espécies, por vezes muito semelhantes entre si e difíceis de distinguir à primeira vista.
É uma planta perene, de porte prostrado, com caules de cerca de 40 a 50 cm de comprimento, muito ramificados sendo os ramos secundários longos e encurvados. São quase sempre desprovidos de pêlos.
As folhas, de 3 a 7 mm, têm margens fortemente revolutas, isto é, são arqueadas para fora. São estreitas, de forma linear, sem pecíolo, podendo apresentar alguns pêlos finos e pouco densos, dificilmente visíveis à vista desarmada.
As flores são delicadas, com 5 a 6 mm de diâmetro. Não têm pedicelo ligando-se directamente ao eixo de suporte. São geralmente solitárias e estão espalhadas pelos extremos dos raminhos. São de cor rosa-claro ou violeta.
A Frankenia laevis ocorre em habitats costeiros da costa atlântica, sendo mais rara nas regiões orientais mediterrânicas. A floração inicia-se durante o mês de Abril e prolonga-se até ao final do Verão.
Esta planta de aspecto delicado é o que se chama em botânica um halófito, ou seja, é uma planta que gosta de solos fisiologicamente secos e com grande concentração de sais, principalmente cloreto de sódio. Na realidade, podemos comprová-lo ao observar as crostas de sal que se formam nas suas folhas e ramos.
Podemos concluir que esta planta é um bom exemplo de adaptação aos ventos marinhos carregados de partículas de sal, nas zonas costeiras.

Fotos: Arribas do Caniçal/Lourinhã



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Sedum sediforme

Neste final de Inverno, são já muitas as espécies que despontam dos solos arenosos das dunas do Areal Sul - Areia Branca e também dos solos argilosos das arribas da Praia do Caniçal, preparando-se alegremente para completar o seu ciclo vegetativo. Interessante notar que animais e plantas trabalham aqui arduamente para cumprirem as suas tarefas, sem exigências nem reclamações, antes tentando aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. São, de facto uma grande lição de vida.

A planta que, de entre tantas, escolhi para o post de hoje é a Sedum sediforme, vulgarmente chamada erva-pinheira ou erva-pinheira-enxuta. Há ainda quem a conheça pelo nome de pinheirinho-das-areias.

É uma planta da família das Crassuláceas que compreende mais de 1500 espécies. São plantas mais ou menos carnudas, herbáceas ou arbustivas.
As espécies desta família são usadas como alimento pelas larvas de várias espécies de borboletas como por exemplo a Lepidoptera.

Sedum sediforme é uma planta perene, de cor verde-azulado e sem pêlos. Pode tornar-se avermelhada pela acção do sol. As raízes são finas. Os caules lenhosos são prostrados na base, e depois ascendentes.

As folhas são persistentes e carnudas, de forma triangular-ovada, oblonga, sempre mais largas na base e com uma pequena ponta rígida no ápice.





As flores, de cor amarelo-pálido, estão reunidas num corimbo ou seja, uma inflorescência disposta em cacho em que as flores se situam mais ou menos ao mesmo nível. O corimbo  não tem brácteas e é erecto antes da floração.

Os frutos são folículos dilatados em cujo interior se encontram as sementes oblongas e de ápice agudo.

Floresce de Junho a Setembro.
A Sedum sediforme distribui-se por toda a região Mediterrânica, Centro e Sul  da Europa.

De notar que, como todas as espécies deste género, é uma planta muito bem adaptada à seca devido à sua capacidade de armazenar água no caule e nas folhas. Estas têm disposição imbricada,  para menor exposição ao sol e aos ventos. Por outro lado e como forma de controlar as perdas de água, a Sedum sediforme só abre os estomas durante a noite. Os estomas são pequenas aberturas localizadas na epiderme da maioria dos órgãos aéreos da planta, através dos quais ela faz as trocas gasosas.

Fotos: Dunas do Areal Sul/Lourinhã



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Bellis sylvestris

A Bellis sylvestris, conhecida vulgarmente como Margarida-do-monte, é um pequeno malmequer, semelhante a muitos outros que encontramos um pouco por todo o lado. São todos muito parecidos, no entanto há vários pormenores que nos permitem distinguir os diferentes géneros e espécies.

A Bellis sylvestris é uma planta vivaz, da família das asteraceae e espontânea no sul da Europa. Prefere os locais húmidos e sombrios pelo que foi com alguma surpresa que as encontrei nas arribas do Caniçal, embora devidamente abrigadas dos ventos e do sol pela copa dos Juniperus. De forma geral esta espécie floresce de Janeiro a Agosto mas aqui no Caniçal terá seguramente uma vida mais curta pois com a chegada da Primavera o solo argiloso irá perder a humidade de que a planta tanto gosta.

É uma planta herbácea que apresenta uma roseta basal formada por folhas de cor verde-escura, oblongo-ovadas, com pecíolo curto e pêlos deitados sobre a superfície. As margens são levemente serradas e com três nervuras principais.

Os pedúnculos das inflorescências crescem do centro da roseta e são compridos, espessos, ligeiramente pubescentes e desprovidos de folhas. Cada pedúnculo é encimado por uma única inflorescência.
As inflorescências da Bellis sylvestris são capítulos, como acontece com todas as espécies pertencentes à família das asteraceae, também designadas por compostas ou compositae. O capítulo é um tipo de inflorescência que se caracteriza por apresentar muitas flores minúsculas, agrupadas de uma forma muito compacta , directamente sobre um disco central. As flores do disco estão rodeadas por outras flores, que se chamam lígulas mas que são impropriamente chamadas pétalas.

Toda esta estrutura está envolvida por brácteas que são folhas modificadas com função de protecção e que correspondem às sépalas das flores normais.

Resumindo, o capítulo assemelha-se a uma só flor embora seja composta por dois tipos de flores, um deles bastante insignificante e o outro muito vistoso. Esta estratégia, que basicamente é uma divisão de tarefas, reduz o investimento necessário para a atracção dos polinizadores, pois apenas uma pequena porção das flores é que produz uma “pétala”, beneficiando todas as outras desse esforço.

Na Bellis sylvestris  as lígulas são muitas vezes tingidas de púrpura em cerca de 20 a 50 % do seu comprimento. Este tingimento é mais visível na parte posterior das lígulas.
A planta reproduz-se através de aquénios, frutos secos achatados e comprimidos, cobertos com alguma penugem. Ao contrário de espécies semelhantes os frutos desta planta não apresentam papilho ou em alternativa apenas com papilho rudimentar. Na falta deste mecanismo de dispersão os frutos permanecem juntinhos no recetaculo, caindo no chão aos poucos. A sua dispersão processa-se com a ajuda de insetos, nomeadamente formigas.

Fotos: Caniçal, Lourinhã


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

SOBREVIVÊNCIA - Adaptação das plantas ao meio litoral


Para a estabilidade das dunas e das arribas, é indispensável a manutenção da vegetação que as protege da erosão eólica e hídrica.
A proximidade do mar sujeita as plantas a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante ao frio cortante, luminosidade excessiva, ventos fortes carregados de partículas de sal,  escassez de nutrientes e reduzida disponibilidade de água.


Para sobreviver em meio tão adverso, as plantas dos meios litorais sofreram modificações morfológicas, anatómicas e fisiológicas pois, tal como nos ensina a natureza, o individuo mais forte é aquele que melhor se sabe adaptar ao meio em que está inserido.

Modificações adaptativas das plantas - Alguns exemplos:

Para evitar a perda excessiva de água:

Malcolmia littorea:
Reduziu o tamanho das folhas para evitar perdas de água.

Sedum sediforme:
Só abre os estomas à noite (estomas são pequenas aberturas ou poros localizados na epiderme da maioria dos órgãos aéreos das plantas, através dos quais se fazem as trocas gasosas) e tem caules e folhas suculentos com reservas de água.

Crucianella maritima:
As folhas têm disposição imbricada, para menor exposição ao sol e aos ventos.

Eryngium maritimum:
As folhas estão cobertas de uma camada cerosa que as impermeabiliza, limitando as perdas de água.

Medicago marina:
As folhas estão revestidas por denso tomento (indumento de pelos espessos, curtos, enrolados sobre si próprios, cobrindo uniformemente a superfície)

Juniperus phoenicea:
As folhas são de tamanho reduzido e estão revestidas por uma forte cutícula formada por cutina; as raízes são profundas para captar a água em profundidade.


Resistência à salinidade:

Crithmum maritimum:
Desenvolvimento de suculência: a planta armazena água, para satisfação das necessidades metabólicas e para manter a turgescência dos tecidos.

Frankenia laevis:
Tolerância de certas plantas ao sal está relacionada com a presença de pêlos glandulosos nas epidermes das folhas onde a concentração de sal é muito mais elevada do que no interior da folha. Atriplex, Limonium, Frankenia – necessitam de sais, são halófitos obrigatórios. Halófitos são plantas próprias de solos fisiologicamente secos, devido à grande concentração de sais, incluindo cloreto de sódio.



Limonium ferulaceum:
Capacidade de acumulação, em certas partes da planta, de grandes quantidades de sais provenientes do seu metabolismo que depois eliminam juntamente com os órgãos que os armazenavam como as folhas de algumas espécies de Limonium ou para compartimentos próprios no interior das células.

Resistência à instabilidade do habitat:

  • Soterramento: a planta dispõe de um sistema de rizomas entrecruzados que retêm as areias e que por crescerem em direcção à superfície permitem o despontar de sob as areias, além de que a sua grande facilidade de regeneração e crescimento facilita o alastramento. Um profundo sistema radicular evita o desenterramento pela erosão.
  • Ciclo de vida curto: evita o período do ano de maior instabilidade.
  • Resistência aos ventos, com colmos flexíveis (gramíneas) ou tomando hábito amoitado ou almofadado.
  • Possuir forma prostrada ou em forma de bola, para resistir aos fortes ventos.
  • Crescimento lento: minimização do uso de recursos.
  • Presença de micorrizas nas raízes Simbiose entre o micélio de alguns fungos e as raízes de muitas plantas, como por exemplo as orquídeas.
Fotos: Arribas do Caniçal e Areal sul-Areia Branca/Lourinhã