"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sábado, 27 de fevereiro de 2016

Anacyclus radiatus Loisel.

Nomes comuns:
Pão-posto; pão-bem-posto; pimposo; pimposto

Anacyclus radiatus
“Malmequer” é a designação genérica e popular pela qual são conhecidas múltiplas espécies muito semelhantes e por vezes, difíceis de distinguir. Pertencem à família Asteraceae ou Compositae, a maior família de plantas de flor e talvez a mais bem sucedida, pois estamos constantemente a cruzar-nos com exemplares que a ela pertencem, tanto nas cidades como nos campos, em praticamente todas as regiões do planeta (margaridas, crisântemos, cardos etc.). No seu todo, a família das Asteraceae/Compositae compreende cerca de 23000 espécies, as quais estão organizadas em cerca de 1500 géneros. Quase todas exibem uma certa exuberância que não as deixa passar despercebidas, desde as espécies ornamentais às silvestres, sejam elas grandes e vistosas ou tão pequenas que poderiam passar despercebidas. A sua rusticidade e a aparente simplicidade do seu esquema floral são muito cativantes, conseguindo transmitir-nos agradaveis sensações, em que se misturam a energia e o sentido do equilíbrio.
No nosso país, sucedem-se diferentes espécies de malmequeres silvestres, durante o ano inteiro. Por estes dias, estimuladas pelas copiosas chuvas de inverno, florescem diversas espécies, numa breve promessa de primavera:
Em cima: Chamaemelum fuscatum  e Bellis sylvestris
Em baixo: Chrysanthemum coronarium e Calendula arvensis 
Outras, mais friorentas, virão um pouco mais tarde, como é o caso de Anacyclus radiatus, espécie que se sente mais à vontade com o calorzinho do verão.
Anacyclus radiatus

Anacyclus radiatus é uma herbácea de índole mediterrânica e que se distribui pelo sul da Europa, norte de África e sudoeste asiático. É autóctone de Portugal continental, sendo frequente em quase o todo o territorio. Foi introduzida nos Açores onde se assilvestrou mas no arquipelago da Madeira a sua presença é recente e casual.

Mapa de distribuição de Anacyclus radiatus em Portugal continental
Fonte: Flora Digital de Portugal - Jardim Botânico da UTAD
É uma planta ruderal, associada a ambientes antropizados cujos solos apresentam concentrações elevadas de nitratos. Geralmente, é encontrada em campos cultivados ou incultos, berma dos caminhos, baldios, montes de entulho e até em locais degradados das grandes cidades.

A altura desta herbácea de ciclo de vida anual varia entre os 7 e os 50 cm, consoante as condições mais ou menos propicias ao seu desenvolvimento.

Anacyclus radiatus - caules e folhas

Os caules, densamente cobertos por um tomento constituído por pelos curtos e enrolados sobre si próprios, são eretos, simples ou ramificados desde a base e ainda com ramos laterais ascendentes.

As folhas, também tomentosas e de tom verde-azulado, dispõem-se nos caules de forma alternada; o limbo de cada folha é profundamente recortado, formando segmentos lineares.

Anacyclus radiatus - flores tubulosas e periféricas
As flores e a forma como se dispõem em inflorescências do tipo capítulo constituem a característica comum entre os malmequeres. Este tipo de inflorescência é formado por muitas flores de tamanho diminuto que se agrupam de forma compacta num só pedúnculo, aninhando-se diretamente sobre um recetáculo em forma de disco. As flores periféricas desse disco apresentam prolongamentos unilaterais chamados lígulas, os quais são semelhantes a pétalas (flores liguladas) ao passo que as flores do centro são simples, sem prolongamentos (flores tubulosas). O conjunto parece constituir uma única flor, sistema que resulta bastante atrativo para os insetos. Esta estratégia é um verdadeiro trabalho de equipa que se traduz numa significativa poupança de esforços e redução no dispêndio de energia para a planta. Enquanto apenas uma pequena porção das flores investe na produção de “pétalas”, a grande maioria concentra a sua energia na produção de sementes.
Anacyclus radiatus - pedúnculo aclavado e invólucro de bráteas
Em Anacyclus radiatus os capítulos surgem solitários sobre pedúnculos aclavados, ou seja, estreitos na base e alargando de forma arredondada em direção à base da inflorescência. Todas as flores são amarelas e o disco onde se inserem está protegido por um invólucro de brácteas dispostas em duas ou 3 filas. 
Anacyclus radiatus - invólucro de brácteas
As brácteas interiores do invólucro são triangulares com ápice em ângulo agudo; as brácteas externas são mais curtas que as interiores e tem forma lanceolada, sendo a sua margem membranácea, translucida e franjada de escuro. 
Anacyclus radiatus - capitulo
As flores centrais tubulosas estão agrupadas e inseridas num recetáculo em forma de disco, o qual pode ser plano ou ligeiramente cónico; as flores periféricas estão providas de lígulas dispostas em 1 ou 2 filas cujo ápice é dentado (especificamente, são hemiligulas, por terem menos de 5 dentes).
Anacyclus radiatus - pormenor das flores

Quanto à forma de reprodução, as flores centrais tubulosas são hermafroditas enquanto as periféricas hemiliguladas, são femininas.

Após a polinização, cada flor fertilizada dará origem a um fruto constituído por uma fina casca, envolvendo uma única semente. Tecnicamente designados por aquénios ou cipselas, estes frutos são muito comprimidos, com ambas as faces lisas e ladeadas por umas abas ou asas laterais que resultam de expansões membranosas do pericarpo e são muito finas e quase transparentes. Estas asas são órgãos essenciais na dispersão dos frutos de Anacyclus radiatus e podemos dizer que têm a mesma finalidade do tufo de pelos (papilho ou pappus) que vemos em tantas outras espécies da mesma família (nesta espécie está reduzido a um mero apêndice mais ou menos circular); o objectivo é o mesmo, havendo apenas uma maior adequação às necessidades da cada espécie. Aliás, é notável a variedade de formas de dispersão das sementes adotadas pelas Asteraceae.

Curiosamente, em Anacyclus radiatus as asas dos frutos originados pelas flores periféricas são maiores que as dos frutos das flores centrais, que são bastante mais estreitas. Este fenómeno, denominado heterocarpia, é bastante comum entre as Asteraceae e caracteriza-se pela produção de 2 ou mais tipos de frutos distintos (em morfologia e tamanho) numa mesma planta.

A heterocarpia é considerada uma estratégia de dispersão mista, na medida em que a diferente morfologia dos frutos pode determinar comportamentos diferentes no que diz respeito à dispersão, capacidade de germinação e sobrevivência das sementes. Frutos de diferentes tipos morfológicos têm maiores possibilidades de sucesso germinativo, em tempo e espaço. Enquanto o tipo morfológico de alguns frutos determina que caiam ao pé da planta-mãe e por ali fiquem, outros desenvolveram características que lhes permitem ser levados para outros locais onde, livres da concorrência das suas irmãs, podem formar novas colónias.

Por outro lado, o tipo morfológico dos frutos também é determinante na germinação. No caso de Anacyclus radiatus os frutos que germinam mais rapidamente são os periféricos por terem asas significantemente maiores, em comparação com os centrais. Uma das razões para que tal aconteça reside no facto de as asas aumentarem a superfície através da qual a água e o ar entram no embrião, condição essencial para que se inicie a germinação.

Anacyclus radiatus

Cada uma das pequenas flores de Anacyclus radiatus está rodeada por pequenas brácteas que são persistentes na maturação e que seguram os frutos durante longo tempo mesmo depois de a planta ter secado. Desta forma, os capitulos tornam-se estruturas resistentes que funcionam como bancos de sementes aéreos.

Os frutos são retidos nos capítulos até ao início das chuvas do fim do verão e vão sendo libertados sequencialmente durante diferentes períodos de chuva, começando pelos aquénios exteriores, que são mais pesados e só depois os do centro do disco, por vezes, meses mais tarde. Este sistema pode ser vantajoso nos ambientes de clima mediterrânico onde os invernos são chuvosos, aumentando as probabilidades de estabelecimento das plantas em zonas afastadas do seu local de origem ao serem arrastadas durante os períodos de chuva, tanto mais que estes aquénios demonstram grande capacidade para flutuar em correntes temporárias, ajudados pelas expansão das asas. Perante este cenário, podemos ser levados a pensar que são as chuvas o principal vetor de dispersão das sementes de Anacyclus radiatus. O vento poderá ser um factor secundário tendo em conta a baixa altura desta planta.

Anacyclus radiatus - hábito

Finalmente, no inicio do inverno ainda se podem observar alguns velhos capítulos em que persistem alguns aquénios, os quais podem atuar como unidades de dispersão, agarrando-se ao pelo de cabras e ovelhas ou através da atividade humana.

Anacyclus radiatus pertence ao género Anacyclus, um dos muitos géneros da família Asteraceae/Compositae e cujo nome deriva do termo grego “anakuklôsis” que faz alusão às asas que circundam os aquénios das suas espécies.

Regista-se mais uma espécie deste género em Portugal continental, Anacyclus clavatus, de lígulas brancas, embora menos frequente que A.radiatus.

 

Anacyclus clavatus Fonte Wikipedia . Foto de Pablo Alberto Salguero Quiles

Fotos de Anacyclus radiatus - Serra do Calvo/Lourinhã


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Urtica membranacea Poir.

Nomes comuns:
Urtiga; urtiga caudada; 
urtiga-de-caudas; urtiga-menor-caudada

Em todos os solos saudáveis existem miríades de sementes de diferentes tipos de ervas que crescem de forma espontânea. De cada vez que os solos são remexidos ou recebem a frescura da chuva invernal umas quantas germinam, crescem e produzem flores e frutos, completando o ciclo que leva a que mais sementes sejam depositadas nos solos. Sob o ponto de vista do agricultor ou do jardineiro elas são um aborrecimento e uma carga de trabalhos, porque se não forem retiradas prejudicam o rendimento agrícola ou a estética do canteiro das flores. 
Generalizando, habituámo-nos a classificar de “daninhas” todas estas ervas que aparecem sem serem cultivadas, independentemente de causarem dano ou não. Tal termo é incorreto e altamente injusto, uma vez que a mesma erva pode ser daninha ou benéfica, consoante o local e a situação em que se encontra, e na medida em que é, ou não, desejada por nós, humanos. A verdade é que ainda não se encontrou o vocábulo certo para designar as plantas espontâneas cujo valor comercial não é reconhecido e que, não manifestando comportamentos sistematicamente agressivos e invasores, são fundamentais para a manutenção da biodiversidade e a saúde do meio ambiente. De facto, elas são o sinal de que que a natureza luta por todos os meios para criar os equilíbrios entre a vegetação, o solo e a fauna. Estas ervas, que podem ser também arbustos, protegem os solos da erosão provocada pela chuva e pelos ventos, contribuem para manter a humidade dos solos ao reduzir o aquecimento da superfície pela radiação solar e providenciam alimento e abrigo à fauna selvagem. E, uma vez mortas, a sua massa verde decompõe-se e incrementa os teores de matéria orgânica e nutrientes no solo, além de que as espécies maiores mobilizam o solo através do desenvolvimento radicular.
Mesmo as plantas mais simples podem ser uma mais-valia num jardim, criando estruturas ou servindo de cobertura de solo ou até aligeirando o efeito de plantas mais elaboradas, pelo que não deve ser esquecida a vertente ornamental.
Muitas destas ervas ou as suas sementes, não só são comestíveis, como também muito nutritivas, representando uma fonte adicional de vitaminas e minerais. Outras fornecem óleos essenciais utilizados em perfumaria ou são utilizadas na farmacopeia popular devido às propriedades curativas que possuem. 
Curiosamente, estas ervas parecem perceber que só podem contar consigo próprias. Por isso mesmo, as estratégias que adoptam para sobreviver são verdadeiramente inteligentes. Um dos problemas que enfrentam é a seca, sobretudo em regiões que não são especialmente dadas a chuva. Felizmente, neste outono e inverno têm recebido um reforço extra de humidade e ei-las a aproveitar as condições favoráveis, enquanto duram. Por exemplo, as urtigas estão belíssimas e com ar saciado. O quê? Urtigas? É verdade, vamos falar de urtigas, uma riqueza ao dispor da nossa saúde e do meio ambiente, mas barbaramente desperdiçada.  
Urtica membranacea
As urtigas, ervas incómodas e de má fama, estão rotuladas como “daninhas” pela maioria dos nossos contemporâneos. Aparecem de forma abundante e sem serem convidadas nas nossas hortas e jardins e dão um trabalhão a quem se quer livrar delas, já para não falar da forma como elas se sabem defender. 
Urtica membranacea - pelos urticantes
É que, toda a planta se encontra coberta de pelos de sílica chamados urticantes, os quais se assemelham a agulhas hipodérmicas e que, ao serem tocados de forma descuidada, injetam na pele um conjunto de compostos químicos (entre eles, o acido fórmico) que causam ardor e sensação de queimadura durante algumas horas. Estas picadelas e o respetivo desconforto que causam não são prejudiciais para a generalidade das pessoas, antes pelo contrário, elas estimulam a circulação (sei de quem se tenha curado das frieiras com as picadelas das urtigas) e sabemos que em gerações passadas era costume fustigarem as partes do corpo com urtigas para aliviar dores musculares e reumáticas.
Urtica membranacea
Na realidade, as urtigas são injustamente desprezadas e descarta-las é um desperdício que resulta em nosso prejuízo. Tudo o que sabemos ou já lemos sobre os efeitos benéficos das urtigas não caberia num único livro. Para começar, as urtigas são um ótimo auxiliar na agricultura ou jardinagem. O seu rico teor em minerais tem efeito regulador sobre o ferro e azoto do solo, estimulando o crescimento das plantas e os seus compostos químicos e conferindo-lhes proteção contra pragas e doenças. As urtigas podem ser diretamente incorporadas no solo ou partidas em pedaços e colocadas nos covachos de plantação, nomeadamente de flores, tomateiros ou batateiras e outros, servindo de fertilizante e protetor ao mesmo tempo. Na compostagem as urtigas aceleram a decomposição dos resíduos. A calda de urtigas obtida através da maceração das plantas em água durante 4 dias é um poderoso inseticida natural e se se deixar macerar durante um par de semanas obtém-se um chorume que é utilizado como fertilizante. No que me diz respeito, já há anos que reservo um espaço só para as urtigas (para prevenir pragas e doenças) embora não desdenhe das que vão nascendo noutros canteiros.
A Urtica membranacea protege os legumes e e as flores de pragas e doenças
As urtigas são riquíssimas em vitaminas do grupo B, C e K, betacaroteno (pigmento antioxidante) e também em minerais como o ferro e o magnésio, oligoelementos, cálcio, sais, fosfatos e ainda aminoácidos (entre eles a lisina, muito importante na absorção do cálcio) e proteínas.
Em tempos, as urtigas já fizeram parte da cozinha dos portugueses. Foram caindo em desuso à medida que a vida das populações rurais foi melhorando. Hoje em dia regista-se um renovado interesse pelas espécies silvestres e a urtiga faz parte da lista. Até já foi instituída a Confraria da Urtiga, sediada em Fornos de Algodres. Esta associação tem como objetivo a valorização e divulgação da urtiga, bem como de outros vegetais silvestres.
Usam-se como qualquer outro legume de folha, por exemplo em sopas, refogados, omeletas, misturada com arroz ou em esparregado. Utilizam-se apenas as folhas pois os caules são muito fibrosos, sendo aconselhável a manipulação da planta com luvas. Os pelos urticantes perdem ação poucas horas depois de colhidas ou logo que metidas em água a ferver. A textura das folhas, depois de cozinhadas, não é tão aveludada como o espinafre mas também não é tão áspera como a nabiça. O gosto é pouco pronunciado, pode ser mesmo considerado agradável, embora um pouco diferente, o que não deixa de ser estimulante para o paladar. As folhas podem secar-se e ser usadas para fazer infusões. As infusões preparam-se colocando algumas folhas de urtigas verdes ou secas num recipiente sobre o qual se despeja água a ferver. Deixa-se repousar por 10 minutos e está pronta a beber, recomendando-se 2 a 3 chávenas por dia durante períodos de 3 semanas. O seu efeito benéfico pode ser potenciado através da combinação com outras ervas medicinais. Preferencialmente devem colher-se as folhas antes de a planta dar flor pois é nessa altura que são mais ricas nos seus princípios ativos (evitar de recolhe-las na beira das estradas ou em locais igualmente poluídos). O processo de secagem é simples: basta colocar as plantas em local seco e escuro durante cerca de 3 semanas.
As urtigas têm variadas e extensas propriedades terapêuticas, sendo usadas não só a nível interno, através de chás, mas também a nível externo por meio de cataplasmas e compressas. Fortalecem o sistema imunitário e são um poderoso fortificante geral, depurativo, regenerador do sangue e estimulante das funções digestivas. Um dos seus compostos é a serotonina  que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade à dor, movimentos e as funções intelectuais. Os teores de ferro, silício e de vitaminas B2 e B5 dão-lhe um excelente poder remineralizador, ajudando a combater a queda do cabelo e fortalecendo as unhas, além de que são muito eficazes no tratamento da acne, eczema, psoríase e outras afeções cronicas da pele. As urtigas também previnem a anemia pois contêm muita vitamina C, indispensável para a absorção do ferro. E também são diuréticas, reduzem o ácido úrico e auxiliam nos casos de gota e pedra nos rins; retardam a hipertrofia da próstata; aliviam as artroses, artrites e as afeções reumáticas; o seu poder hipoglicemiante ajuda a baixar o teor de açúcar no sangue; estimulam a irrigação sanguínea de todas as partes do corpo, controlam as hemorragias, amenizam os sintomas da rinite alérgica, sinusite e asma, etc. Entretanto, continuam a ser feitos estudos sobre as potencialidades das urtigas e vão surgindo notícias e relatos de cura de tumores malignos através de tratamentos com urtigas.
As urtigas pertencem ao género Urtica, um dos 45 géneros da família Urticaceae.
Em Portugal crescem de forma espontânea 4 espécies de urtigas , todas elas partilhando as mesmas ou semelhantes características terapêuticas. A espécie de urtiga mais comum entre nós é a Urtica membranacea. Esta espécie é nativa de Portugal continental e Arquipélago da Madeira, tendo sido introduzida no Arquipélago dos Açores.
Urtica membranacea - raiz
A Urtica membranacea cresce e dá-se bem em qualquer tipo de solo, de preferência em pleno sol mas também em locais sombrios.  Gosta de solos húmidos e perturbados, ricos em matéria orgânica. Sendo uma erva de características ruderais encontra-se mais facilmente em locais frequentados pelo Homem, perto de habitações, berma dos caminhos, muros rurais, campos cultivados e remexidos.  
É uma planta anual de vida longa, podendo ser encontrada desde o princípio do inverno até ao fim da primavera, prolongando-se pelo verão se se mantiverem as condições ideais de humidade do substrato.
Urtica membranacea - caule 
Os caules são simples eretos, ascendentes, canelados e raramente ramificados desde a base; normalmente chegam aos 30 ou 40 cm de altura embora se possam encontrar plantas bastante mais altas. Por vezes os caules apresentam-se de cor avermelhada e apresentam pelos urticantes.

As folhas dispõem-se nos caules de forma oposta e são ovais ou arredondadas quanto à forma, com margens dentadas, com dentes quase tão compridos quanto largos. Ambas as páginas têm nervuras bem visíveis e pelos urticantes, flexíveis na base. O pecíolo é mais curto que o limbo. 
Urtica membranacea - Estipulas
Veja nota sobre a utilidade das estipulas AQUI.
Nos nós existem 4 estipulas, duas de cada lado do caule, em lados opostos, estando soldadas aos pares o que dá a ideia de serem apenas 1 de cada lado do nó.
Urtica membranacea - estipulas 
Urtica membranacea é uma espécie dióica, ou seja, as plantas ou são masculinas ou são femininas. Por vezes estas plantas podem ser monóicas, embora raramente. Neste caso apresentam flores masculinas + flores femininas na mesma planta.
As flores, de tamanho diminuto, reúnem-se em inflorescências que nascem nas axilas das folhas e estão dispostas em cachos estreitos, também semelhantes a espigas simples e arredondadas, implantadas em redor de um eixo roliço. 
Urtica membranacea - planta masculina
As plantas masculinas apresentam inflorescências mais compridas que os pecíolos das folhas e posicionam-se na parte superior da planta. 
Nas flores masculinas as peças florais que rodeiam os órgãos sexuais (perianto) são 4 lóbulos iguais e de forma arredondada, livres, membranosos, pubescentes e avermelhados; os 4 estames são salientes e existem rudimentos de um ovário.


Inflorescência masculina de Urtica membranacea em processo de amadurecimento, antes dos estames se tornarem visiveis


Urtica membranacea - inflorescência masculina (pormenor das flores em que os estames estão bem visíveis)
Nas plantas femininas as flores estão mais resguardadas, posicionando-se sempre abaixo do topo da planta. 
Urtica membranacea - planta feminina (foram removidas algumas das folhas para melhor se poderem observar as inflorescências)
As flores femininas formam cachos mais curtos que os pedicelos; as 4 peças do perianto são esverdeadas, membranosas e desiguais, sendo as duas internas maiores e persistentes na maturação do fruto; os órgãos sexuais exibem pequenos estaminódios (estames estéreis) e um ovário supero unilocular (apenas um compartimento) do qual surge um estilete simples com estigma capitado (em forma de cabeça).
Urtica membranacea - inflorescências com flores femininas
Urtica membranacea - flores femininas
Os frutos são ovóides, achatados e brilhantes e estão envoltos pelas duas peças internas do perianto que são persistentes.
Termino deixando-lhe um link para este video. Não deixe de ver.

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã



sábado, 16 de janeiro de 2016

Cyperus longus L.

Nomes comuns:
Albafor; junça; junça-de-cheiro; junça-longa; junça-ordinária

Cyperus longus
A faixa litoral do concelho da Lourinhã é uma zona de clima particularmente suave, de verões frescos e invernos temperados. Apesar de condicionada pela presença do oceano esta região apresenta fracos níveis de pluviosidade, possivelmente devido à relativa proximidade da serra de Montejunto para onde são desviadas as chuvas pelos ventos de noroeste. Em contrapartida, a humidade atmosférica é elevada. Ao condensar-se ao nível do solo o orvalho é, muitas vezes, o único refresco que, durante meses seguidos, recebem as pequenas ervas que bordejam os caminhos rurais. Sem água suficiente as plantas entram em regime de serviços mínimos, restringindo-se ao essencial, isto é, concentrando-se no seu único objetivo, a reprodução. Assim sendo, após um verão sem uma gota de chuva e um outono excecionalmente estival, as chuvas insistentes das últimas semanas foram um alívio para muitas espécies. De repente, nos solos encharcados, as pequenas plantas da época reverdecem e mostram-se exuberantes, viçosas e sem dúvida, saciadas. Agora que a água já corre em cachão nos ribeiros há muito secos, e até as valas de escoamento que ladeiam os campos agrícolas mais parecem afluentes, estão criadas as condições propícias à proliferação das espécies ripícolas.
Cyperus longus
Tomemos como exemplo a espécie Cyperus longus que já se apresenta alta e graciosa, com elegantes folhas arqueadas de um bonito verde e contrastantes espiguetas de flores acastanhadas. Esta é uma espécie perene que prospera em campos agrícolas de regadio, margens de cursos de água, charcos e na generalidade dos locais húmidos. Esta planta tolera locais mais secos, mas nesse caso nota-se que o seu crescimento vegetativo é afetado, ficando de menor tamanho.
É uma espécie docemente fragrante e a sua folhagem e flores estilizadas dão-lhe um aspeto algo exótico pelo que há quem utilize esta planta em lagos ou charcos de jardim onde fazem um belo efeito. Ora, veja AQUI.
Caso não se disponha de muito espaço, convém colocar os rizomas de Cyperus longus dentro de um cesto para evitar que se expanda demasiado pois pode tornar-se vigorosa, densa e invasiva. A profundidade aconselhada para fixar os rizomas vai dos 0 aos 30 cm. O crescimento denso de Cyperus longus encoraja, de forma excelente, a fauna selvagem ao proporcionar alimento e local de nidificação a espécies próprias de locais húmidos, mamíferos, anfíbios e insetos. Além do mais, contribuem para a purificação e oxigenação das águas e para o controle da erosão em zonas ribeirinhas.
Espiguetas de Cyperus longus antes da expansão das flores.
Nesta fase os órgãos das flores estão inteiramente cobertas pela gluma.
Cyperus longus pode ser encontrada um pouco por todo o pais sendo presumivelmente autóctone de Portugal continental e arquipélago da Madeira e tendo sido introduzida nos Açores.
De forma geral Cyperus longus distribui-se pelo centro e sul da Europa, norte de África, Ásia e África tropical.
Cyperus longus é uma espécie rizomatosa, isto é, cresce e multiplica-se vegetativamente a partir de um caule subterrâneo que se assemelha a uma raiz mas que na realidade é um rizoma engrossado, com 5 a 10 mm de diâmetro; por debaixo do rizoma formam-se as raízes e na parte superior existem gemas de renovo - ou seja, rebentos que dão origem a novos caules - as quais estão protegidas por folhas modificadas que são de cor castanha por não terem clorofila. Ao contrário de outras espécies, o rizoma de Cyperus longus não forma tubérculos (semelhantes a batatinhas) na extremidade das raízes. 
Os caules são do tipo colmo sendo constituídos por porções (entrenós) limitadas por nós; são rígidos, eretos e solitários podendo alcançar mais de 1,5 m de altura, embora se encontrem exemplares com caules bastante mais curtos. São sólidos no interior e de secção triangular.
Cada colmo que desponta do rizoma tem 3 folhas as quais alternam entre 3 pontos diferentes, perto da base. 
Rizoma e colmos de Cyperus longus. Nesta foto estão bem identificadas as escamas castanhas que protegem as gemas e também a inserção alternada das 3 folhas em redor de cada colmo.
Fonte: Herbari Virtual del Mediterrani Occidental
As folhas não têm pecíolo e no ponto de inserção apresentam uma bainha que envolve por completo a haste, crescendo com ela até certo ponto, dando-lhe consistência e formando o que se chama uma bainha fechada. As folhas são longas, embora bastante mais curtas que o caule e são planas, com nervação paralela; as margens do limbo da folha são rígidas, ásperas e cortantes devido ao elevado conteúdo em sílica existente nas células.
Cyperus longus. As flores estão na fase de expansão.
Notam-se os estames e os braços estigmáticos que ficam a descoberto nesta fase.
As flores reúnem-se em inflorescências no topo dos caules, estando rodeadas por 3 a 6 brácteas verdes e lineares as quais são muito desiguais, semelhantes a folhas e mais compridas que as inflorescências. 
Cyperus longus. Inflorescência e brácteas envolventes.
As inflorescências são compostas por umbelas de espiguetas cujos raios são muito desiguais entre si, de tal forma que os eixos secundários ultrapassam em altura o eixo principal. As espiguetas são formadas por um conjunto de 6 a 22 flores, estruturalmente muito simples e funcionais. Uma vez que são polinizadas pelo vento, as flores das espiguetas deixaram de precisar de pétalas, sépalas e outros órgãos destinados a atrair os insetos. Assim, durante o seu processo evolutivo perderam essas estruturas, pouco mais restando que os órgãos reprodutores masculinos e femininos. Desta forma, as flores de Cyperus longus são compostas pelo androceu, com 3 estames salientes durante o período de expansão da flor e pelo gineceu cujo estilete se divide em 3 braços estigmáticos também salientes. Estes órgãos são protegidos por uma única bráctea (gluma) que é semelhante a uma escama e tem cor avermelhada. As flores inserem-se em lados opostos de um eixo, cada uma em seu nó, formando uma espiga algo espalmada.
Cyperus longus
A- Espigueta  B- Parte da inflorescência em que se reunem as espiguetas
C- Flor da espigueta: bráctea e órgãos reprodutores (estames, ovário, estilete e estigma)
Os frutos de Cyperus longus são frutos secos indeiscentes, de cor escura, obovoides e trígonos, dentro dos quais existe uma única semente. Quando se completa a maturação as espiguetas desintegram-se e os frutos dispersam-se, podendo viajar a longas distâncias quer através da água, do vento, quer nas patinhas de aves migradoras. Contudo parecem ser poucas as novas plantas geradas pela germinação das sementes. Na maioria dos casos Cyperus longus reproduz-se vegetativamente, através de pedaços do rizoma que se desprendem, muitas vezes desenterrados pelos animais que os comem e transportados por eles ou pela corrente de água, até encalhar noutro lugar. Qualquer pedaço de rizoma que tenha pelo menos uma gema dá origem a uma nova planta.
O tempo de floração desta planta parece ser bastante alargado. Os manuais da especialidade informam que a floração acontece durante o verão, nomeadamente de abril a setembro ou outubro, contudo algumas das fotos aqui inseridas foram registadas bastante mais cedo, em dezembro. Afinal, as plantas não ligam ao calendário e aproveitam-se das condições favoráveis.
O rizoma de Cyperus longus é comestível, tendo sido bastante apreciado pelas antigas populações rurais nos tempos em que a escassez de recursos os obrigava a procurar alimento entre as ervas do campo. Este rizoma exala uma fragrância muito agradável semelhante ao das violetas pelo que o seu óleo essencial tem utilização em perfumaria.
Os caules também são aproveitados para entretecer esteiras, cestos e assentos de cadeiras em palhinha.
Cyperus longus pertence à família Cyperaceae (a qual inclui cerca de 4500 espécies) e inclui-se no género Cyperus, um dos 122 géneros em que esta família está organizada.
A maior importância da família Cyperaceae reside no facto de as suas espécies constituírem a base da vegetação natural de pântanos e zonas ribeirinhas onde os seus rizomas densamente emaranhados contribuem para o controle da erosão e purificação da água. Nas zonas pantanosas fornecem abrigo e alimento a aves, anfíbios, insetos e outros animais de vida aquática pelo que as consequências da destruição destes habitats podem ter consequências desastrosas.
Os géneros mais representativos desta família em Portugal são Carex com 43 espécies e Cyperus com 10. As Cyperus são especialmente apreciadas em jardinagem devido às suas formas arquitetónicas, permitindo um certo efeito dramático, criativo e vibrante, dando uma ambiente exótico aos locais mais húmidos do jardim. Uma das mais apreciadas é a Cyperus papirus.
Cyperus papirus em Kew Gardens/Londres. Foto de Adrien Pingstone/Wikipedia.
Os caules de Cyperus papirus podem atingir os 6 m de altura proporcionando um grande efeito ornamental. Esta é uma espécie tropical natural do continente africano e a sua fama remonta à Antiguidade Egípcia. Estas plantas cresciam de forma abundante no delta do rio Nilo e era a partir da medula retirada dos seus colmos que os egípcios fabricavam o papiro, uma das primeiras formas de papel.
Dentro do género Cyperus podemos assinalar algumas espécies invasoras, como é o caso de Cyperus rotundus que vive nos mesmos habitats de Cyperus longus e com a qual é muitas vezes confundida. Cyperus rotundus é uma das piores espécies invasoras em todo o mundo afetando economicamente culturas como a cana-de-açúcar, milho, algodão, feijão. Esta autêntica praga desenvolve-se rapidamente competindo agressivamente com outras espécies em regiões temperadas, subtropicais e mesmo áridas, beneficiando das suas capacidades de adaptação a condições adversas. Cyperus rotundus diferencia-se de Cyperus longus por ter as espiguetas mais compridas e largas, alem de que o rizoma produz tubérculos globosos na extremidade das raízes, os quais dão origem a novas plantas e produzem substâncias químicas que inibem a germinação ou desenvolvimento de outras espécies.
Comparação entre sistema radicular de Cyperus longus, à esquerda e
Cyperus rotundus e Cyperus esculentus à direita
Fonte: University of California Agriculture & natural resources
Outra invasora é a Cyperus esculentus cujo rizoma também produz tubérculos mas que se diferencia de C. rotundus por ter espiguetas amareladas. Em certos países C. esculentus é uma espécie cultivada e os seus tubérculos com sabor a nozes são utilizados na alimentação. Em Espanha, na região de Valência, os tubérculos são usados na confeção de um refresco não alcoólico denominado horchata de chufa ou orxata de xufes.

As graminóides: 
Cyperaceae, Poaceae e Juncaceae

O termo "graminóide" tem por base a família das gramíneas, cientificamente designadas Poaceae  (ou Gramineae). Esta é uma das maiores famílias entre as angiospérmicas (plantas com flor). A sua importância económico/ecológica é enorme. São fundamentais na vida humana e encontram-se nos maiores variados habitats, desde os exemplares de maior envergadura até à mais humilde relva do jardim. Contudo, existem espécies que, pertencendo a outras famílias apresentam, à primeira vista, semelhanças com as gramíneas a ponto de poderem ser confundidas. São elas a família Cyperaceae (junças) e a família Juncaceae (juncos).
Para maior facilidade os botânicos englobaram estas 3 famílias num grupo a que chamaram “graminóides”. 
Sob o ponto de vista taxonómico as graminóides são monocotiledóneas, caracterizando-se pelas suas longas folhas de forma linear e de venação paralela. 
[(Nota: As angiospermas (plantas de flor) subdividem-se em monocotiledóneas (de cuja semente brota uma única folha quando germinam, como acontece com o milho) e dicotiledóneas (de cuja semente brotam duas folhas durante a germinação, como no feijão)]. 
A grande semelhança entre estas 3 famílias monocotiledóneas reside no aspeto graminiforme, caracterizado por folhas lineares alongadas e com nervação paralela, flores de estrutura muito simplificada e caules do tipo colmo. Os colmos são eretos, ocos ou preenchidos por uma medula esponjosa; não são ramificados e são formados por porções (entrenós) ligadas umas às outras por nós que, consoante as espécies, são mais ou menos evidentes. Ao contrário da maioria das herbáceas que crescem apenas a partir de células meristemáticas existentes na parte superior dos caules ou nas gemas de ramificação, os colmos também crescem por baixo e por cima dos nós, o que lhes permite continuar a crescer quando são cortadas (como acontece com a relva).
Assim sendo, o reconhecimento e identificação das graminóides é um grande desafio. Apesar das diferenças a nível vegetativo, a melhor forma de distinguir as espécies consiste na observação das flores e dos frutos. Porém, por vezes estes órgãos são tão pequenos que o uso de uma lupa poderá facilitar o trabalho. 
Aqui deixo algumas das características que permitem a identificação das famílias. No que diz respeito ao reconhecimento das espécies, as dificuldades são maiores, sendo necessária a ajuda de uma chave de identificação.
Flor de Juncaceae 
Destas 3 famílias a inflorescência dos juncos (familia Juncaceae, em Portugal com 2 géneros, Juncus e Luzula) é a mais semelhante a uma flor "normal". As flores são tipicamente bissexuais, estando os órgãos reprodutores envolvidos por 6 tépalas (3 sépalas+3 pétalas, todas muito semelhantes). 
Flor do género Cyperus /Cyperaceae
Dependendo do género, as espiguetas das junças (Cyperaceae) podem ser formadas por flores bissexuais (género Cyperus) ou unixsexuais (género Carex), cada uma envolvida por uma única bráctea.
Flor de Poaceae
As inflorescências das gramíneas (Poaceae) têm a estrutura mais complexa das 3 famílias produzindo flores bissexuais envolvidas por brácteas especializadas, ou seja, cada flor está envolvida por duas brácteas, a lema no exterior e a pálea no interior. Estas flores formam espigas, elas próprias protegidas por duas brácteas denominadas glumas. Saiba mais AQUI e AQUI.
Também podemos diferenciar as graminóides a partir dos colmos e da forma como se inserem as folhas. 
Nas Poaceae os colmos são cilíndricos, ocos e os entrenós são bem visíveis. As folhas apresentam lígulas na base, são opostas e as bainhas são abertas, envolvendo parcialmente os nós.
Nas Cyperaceae os colmos são triangulares e cada um deles tem apenas 3 folhas que nascem perto da base da planta, alternadas em três pontos diferentes. As folhas não são liguladas e as bainhas são fechadas, envolvendo a haste por completo.
As Juncaceae apresentam colmos cilíndricos e sólidos preenchidos com uma medula esponjosa. As folhas formam tufos basais e têm bainhas fechadas. 

Apesar de partilharem características semelhantes as graminóides são, sem dúvida, um grupo muito diversificado, estimando-se que ocupem 20% do solo da terra, dominando tanto nos climas temperados como nos subtropicais. Encontramo-las nos habitats mais variados desde os húmidos e pantanosos aos mais secos; são plantas muito, muito antigas, havendo registos de plantas que datam de há 200 mil anos (a estrutura simplificada das flores mostra que sao muito evoluidas, ao contrário do que se poderia pensar); são essenciais para alimento do gado e indispensáveis na nossa alimentação (milho, trigo, arroz etc) estando também presentes em muitas bebidas que consumimos desde a cerveja ao whiskey; providenciam fibras utilizadas na construção de diversos materiais e até em construção civil; os relvados, constituídos por misturas de 6 ou mais tipos de graminóides são utilizados em milhões de jardins e parques já para não falar dos campos de golfe, ténis, rugby e futebol, entre outros.
A generalidade das graminóides contribui ainda para restaurar o arejamento dos solos, protegem-nos da erosão provocada pela chuva e pelos ventos e providenciam alimento e abrigo à fauna selvagem.

Fotos: Serra do Calvo e Zambujeira/Lourinhã