"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sábado, 16 de janeiro de 2016

Cyperus longus L.

Nomes comuns:
Albafor; junça; junça-de-cheiro; junça-longa; junça-ordinária

Cyperus longus
A faixa litoral do concelho da Lourinhã é uma zona de clima particularmente suave, de verões frescos e invernos temperados. Apesar de condicionada pela presença do oceano esta região apresenta fracos níveis de pluviosidade, possivelmente devido à relativa proximidade da serra de Montejunto para onde são desviadas as chuvas pelos ventos de noroeste. Em contrapartida, a humidade atmosférica é elevada. Ao condensar-se ao nível do solo o orvalho é, muitas vezes, o único refresco que, durante meses seguidos, recebem as pequenas ervas que bordejam os caminhos rurais. Sem água suficiente as plantas entram em regime de serviços mínimos, restringindo-se ao essencial, isto é, concentrando-se no seu único objetivo, a reprodução. Assim sendo, após um verão sem uma gota de chuva e um outono excecionalmente estival, as chuvas insistentes das últimas semanas foram um alívio para muitas espécies. De repente, nos solos encharcados, as pequenas plantas da época reverdecem e mostram-se exuberantes, viçosas e sem dúvida, saciadas. Agora que a água já corre em cachão nos ribeiros há muito secos, e até as valas de escoamento que ladeiam os campos agrícolas mais parecem afluentes, estão criadas as condições propícias à proliferação das espécies ripícolas.
Cyperus longus
Tomemos como exemplo a espécie Cyperus longus que já se apresenta alta e graciosa, com elegantes folhas arqueadas de um bonito verde e contrastantes espiguetas de flores acastanhadas. Esta é uma espécie perene que prospera em campos agrícolas de regadio, margens de cursos de água, charcos e na generalidade dos locais húmidos. Esta planta tolera locais mais secos, mas nesse caso nota-se que o seu crescimento vegetativo é afetado, ficando de menor tamanho.
É uma espécie docemente fragrante e a sua folhagem e flores estilizadas dão-lhe um aspeto algo exótico pelo que há quem utilize esta planta em lagos ou charcos de jardim onde fazem um belo efeito. Ora, veja AQUI.
Caso não se disponha de muito espaço, convém colocar os rizomas de Cyperus longus dentro de um cesto para evitar que se expanda demasiado pois pode tornar-se vigorosa, densa e invasiva. A profundidade aconselhada para fixar os rizomas vai dos 0 aos 30 cm. O crescimento denso de Cyperus longus encoraja, de forma excelente, a fauna selvagem ao proporcionar alimento e local de nidificação a espécies próprias de locais húmidos, mamíferos, anfíbios e insetos. Além do mais, contribuem para a purificação e oxigenação das águas e para o controle da erosão em zonas ribeirinhas.
Espiguetas de Cyperus longus antes da expansão das flores.
Nesta fase os órgãos das flores estão inteiramente cobertas pela gluma.
Cyperus longus pode ser encontrada um pouco por todo o pais sendo presumivelmente autóctone de Portugal continental e arquipélago da Madeira e tendo sido introduzida nos Açores.
De forma geral Cyperus longus distribui-se pelo centro e sul da Europa, norte de África, Ásia e África tropical.
Cyperus longus é uma espécie rizomatosa, isto é, cresce e multiplica-se vegetativamente a partir de um caule subterrâneo que se assemelha a uma raiz mas que na realidade é um rizoma engrossado, com 5 a 10 mm de diâmetro; por debaixo do rizoma formam-se as raízes e na parte superior existem gemas de renovo - ou seja, rebentos que dão origem a novos caules - as quais estão protegidas por folhas modificadas que são de cor castanha por não terem clorofila. Ao contrário de outras espécies, o rizoma de Cyperus longus não forma tubérculos (semelhantes a batatinhas) na extremidade das raízes. 
Os caules são do tipo colmo sendo constituídos por porções (entrenós) limitadas por nós; são rígidos, eretos e solitários podendo alcançar mais de 1,5 m de altura, embora se encontrem exemplares com caules bastante mais curtos. São sólidos no interior e de secção triangular.
Cada colmo que desponta do rizoma tem 3 folhas as quais alternam entre 3 pontos diferentes, perto da base. 
Rizoma e colmos de Cyperus longus. Nesta foto estão bem identificadas as escamas castanhas que protegem as gemas e também a inserção alternada das 3 folhas em redor de cada colmo.
Fonte: Herbari Virtual del Mediterrani Occidental
As folhas não têm pecíolo e no ponto de inserção apresentam uma bainha que envolve por completo a haste, crescendo com ela até certo ponto, dando-lhe consistência e formando o que se chama uma bainha fechada. As folhas são longas, embora bastante mais curtas que o caule e são planas, com nervação paralela; as margens do limbo da folha são rígidas, ásperas e cortantes devido ao elevado conteúdo em sílica existente nas células.
Cyperus longus. As flores estão na fase de expansão.
Notam-se os estames e os braços estigmáticos que ficam a descoberto nesta fase.
As flores reúnem-se em inflorescências no topo dos caules, estando rodeadas por 3 a 6 brácteas verdes e lineares as quais são muito desiguais, semelhantes a folhas e mais compridas que as inflorescências. 
Cyperus longus. Inflorescência e brácteas envolventes.
As inflorescências são compostas por umbelas de espiguetas cujos raios são muito desiguais entre si, de tal forma que os eixos secundários ultrapassam em altura o eixo principal. As espiguetas são formadas por um conjunto de 6 a 22 flores, estruturalmente muito simples e funcionais. Uma vez que são polinizadas pelo vento, as flores das espiguetas deixaram de precisar de pétalas, sépalas e outros órgãos destinados a atrair os insetos. Assim, durante o seu processo evolutivo perderam essas estruturas, pouco mais restando que os órgãos reprodutores masculinos e femininos. Desta forma, as flores de Cyperus longus são compostas pelo androceu, com 3 estames salientes durante o período de expansão da flor e pelo gineceu cujo estilete se divide em 3 braços estigmáticos também salientes. Estes órgãos são protegidos por uma única bráctea (gluma) que é semelhante a uma escama e tem cor avermelhada. As flores inserem-se em lados opostos de um eixo, cada uma em seu nó, formando uma espiga algo espalmada.
Cyperus longus
A- Espigueta  B- Parte da inflorescência em que se reunem as espiguetas
C- Flor da espigueta: bráctea e órgãos reprodutores (estames, ovário, estilete e estigma)
Os frutos de Cyperus longus são frutos secos indeiscentes, de cor escura, obovoides e trígonos, dentro dos quais existe uma única semente. Quando se completa a maturação as espiguetas desintegram-se e os frutos dispersam-se, podendo viajar a longas distâncias quer através da água, do vento, quer nas patinhas de aves migradoras. Contudo parecem ser poucas as novas plantas geradas pela germinação das sementes. Na maioria dos casos Cyperus longus reproduz-se vegetativamente, através de pedaços do rizoma que se desprendem, muitas vezes desenterrados pelos animais que os comem e transportados por eles ou pela corrente de água, até encalhar noutro lugar. Qualquer pedaço de rizoma que tenha pelo menos uma gema dá origem a uma nova planta.
O tempo de floração desta planta parece ser bastante alargado. Os manuais da especialidade informam que a floração acontece durante o verão, nomeadamente de abril a setembro ou outubro, contudo algumas das fotos aqui inseridas foram registadas bastante mais cedo, em dezembro. Afinal, as plantas não ligam ao calendário e aproveitam-se das condições favoráveis.
O rizoma de Cyperus longus é comestível, tendo sido bastante apreciado pelas antigas populações rurais nos tempos em que a escassez de recursos os obrigava a procurar alimento entre as ervas do campo. Este rizoma exala uma fragrância muito agradável semelhante ao das violetas pelo que o seu óleo essencial tem utilização em perfumaria.
Os caules também são aproveitados para entretecer esteiras, cestos e assentos de cadeiras em palhinha.
Cyperus longus pertence à família Cyperaceae (a qual inclui cerca de 4500 espécies) e inclui-se no género Cyperus, um dos 122 géneros em que esta família está organizada.
A maior importância da família Cyperaceae reside no facto de as suas espécies constituírem a base da vegetação natural de pântanos e zonas ribeirinhas onde os seus rizomas densamente emaranhados contribuem para o controle da erosão e purificação da água. Nas zonas pantanosas fornecem abrigo e alimento a aves, anfíbios, insetos e outros animais de vida aquática pelo que as consequências da destruição destes habitats podem ter consequências desastrosas.
Os géneros mais representativos desta família em Portugal são Carex com 43 espécies e Cyperus com 10. As Cyperus são especialmente apreciadas em jardinagem devido às suas formas arquitetónicas, permitindo um certo efeito dramático, criativo e vibrante, dando uma ambiente exótico aos locais mais húmidos do jardim. Uma das mais apreciadas é a Cyperus papirus.
Cyperus papirus em Kew Gardens/Londres. Foto de Adrien Pingstone/Wikipedia.
Os caules de Cyperus papirus podem atingir os 6 m de altura proporcionando um grande efeito ornamental. Esta é uma espécie tropical natural do continente africano e a sua fama remonta à Antiguidade Egípcia. Estas plantas cresciam de forma abundante no delta do rio Nilo e era a partir da medula retirada dos seus colmos que os egípcios fabricavam o papiro, uma das primeiras formas de papel.
Dentro do género Cyperus podemos assinalar algumas espécies invasoras, como é o caso de Cyperus rotundus que vive nos mesmos habitats de Cyperus longus e com a qual é muitas vezes confundida. Cyperus rotundus é uma das piores espécies invasoras em todo o mundo afetando economicamente culturas como a cana-de-açúcar, milho, algodão, feijão. Esta autêntica praga desenvolve-se rapidamente competindo agressivamente com outras espécies em regiões temperadas, subtropicais e mesmo áridas, beneficiando das suas capacidades de adaptação a condições adversas. Cyperus rotundus diferencia-se de Cyperus longus por ter as espiguetas mais compridas e largas, alem de que o rizoma produz tubérculos globosos na extremidade das raízes, os quais dão origem a novas plantas e produzem substâncias químicas que inibem a germinação ou desenvolvimento de outras espécies.
Comparação entre sistema radicular de Cyperus longus, à esquerda e
Cyperus rotundus e Cyperus esculentus à direita
Fonte: University of California Agriculture & natural resources
Outra invasora é a Cyperus esculentus cujo rizoma também produz tubérculos mas que se diferencia de C. rotundus por ter espiguetas amareladas. Em certos países C. esculentus é uma espécie cultivada e os seus tubérculos com sabor a nozes são utilizados na alimentação. Em Espanha, na região de Valência, os tubérculos são usados na confeção de um refresco não alcoólico denominado horchata de chufa ou orxata de xufes.

As graminóides: 
Cyperaceae, Poaceae e Juncaceae

O termo "graminóide" tem por base a família das gramíneas, cientificamente designadas Poaceae  (ou Gramineae). Esta é uma das maiores famílias entre as angiospérmicas (plantas com flor). A sua importância económico/ecológica é enorme. São fundamentais na vida humana e encontram-se nos maiores variados habitats, desde os exemplares de maior envergadura até à mais humilde relva do jardim. Contudo, existem espécies que, pertencendo a outras famílias apresentam, à primeira vista, semelhanças com as gramíneas a ponto de poderem ser confundidas. São elas a família Cyperaceae (junças) e a família Juncaceae (juncos).
Para maior facilidade os botânicos englobaram estas 3 famílias num grupo a que chamaram “graminóides”. 
Sob o ponto de vista taxonómico as graminóides são monocotiledóneas, caracterizando-se pelas suas longas folhas de forma linear e de venação paralela. 
[(Nota: As angiospermas (plantas de flor) subdividem-se em monocotiledóneas (de cuja semente brota uma única folha quando germinam, como acontece com o milho) e dicotiledóneas (de cuja semente brotam duas folhas durante a germinação, como no feijão)]. 
A grande semelhança entre estas 3 famílias monocotiledóneas reside no aspeto graminiforme, caracterizado por folhas lineares alongadas e com nervação paralela, flores de estrutura muito simplificada e caules do tipo colmo. Os colmos são eretos, ocos ou preenchidos por uma medula esponjosa; não são ramificados e são formados por porções (entrenós) ligadas umas às outras por nós que, consoante as espécies, são mais ou menos evidentes. Ao contrário da maioria das herbáceas que crescem apenas a partir de células meristemáticas existentes na parte superior dos caules ou nas gemas de ramificação, os colmos também crescem por baixo e por cima dos nós, o que lhes permite continuar a crescer quando são cortadas (como acontece com a relva).
Assim sendo, o reconhecimento e identificação das graminóides é um grande desafio. Apesar das diferenças a nível vegetativo, a melhor forma de distinguir as espécies consiste na observação das flores e dos frutos. Porém, por vezes estes órgãos são tão pequenos que o uso de uma lupa poderá facilitar o trabalho. 
Aqui deixo algumas das características que permitem a identificação das famílias. No que diz respeito ao reconhecimento das espécies, as dificuldades são maiores, sendo necessária a ajuda de uma chave de identificação.
Flor de Juncaceae 
Destas 3 famílias a inflorescência dos juncos (familia Juncaceae, em Portugal com 2 géneros, Juncus e Luzula) é a mais semelhante a uma flor "normal". As flores são tipicamente bissexuais, estando os órgãos reprodutores envolvidos por 6 tépalas (3 sépalas+3 pétalas, todas muito semelhantes). 
Flor do género Cyperus /Cyperaceae
Dependendo do género, as espiguetas das junças (Cyperaceae) podem ser formadas por flores bissexuais (género Cyperus) ou unixsexuais (género Carex), cada uma envolvida por uma única bráctea.
Flor de Poaceae
As inflorescências das gramíneas (Poaceae) têm a estrutura mais complexa das 3 famílias produzindo flores bissexuais envolvidas por brácteas especializadas, ou seja, cada flor está envolvida por duas brácteas, a lema no exterior e a pálea no interior. Estas flores formam espigas, elas próprias protegidas por duas brácteas denominadas glumas. Saiba mais AQUI e AQUI.
Também podemos diferenciar as graminóides a partir dos colmos e da forma como se inserem as folhas. 
Nas Poaceae os colmos são cilíndricos, ocos e os entrenós são bem visíveis. As folhas apresentam lígulas na base, são opostas e as bainhas são abertas, envolvendo parcialmente os nós.
Nas Cyperaceae os colmos são triangulares e cada um deles tem apenas 3 folhas que nascem perto da base da planta, alternadas em três pontos diferentes. As folhas não são liguladas e as bainhas são fechadas, envolvendo a haste por completo.
As Juncaceae apresentam colmos cilíndricos e sólidos preenchidos com uma medula esponjosa. As folhas formam tufos basais e têm bainhas fechadas. 

Apesar de partilharem características semelhantes as graminóides são, sem dúvida, um grupo muito diversificado, estimando-se que ocupem 20% do solo da terra, dominando tanto nos climas temperados como nos subtropicais. Encontramo-las nos habitats mais variados desde os húmidos e pantanosos aos mais secos; são plantas muito, muito antigas, havendo registos de plantas que datam de há 200 mil anos (a estrutura simplificada das flores mostra que sao muito evoluidas, ao contrário do que se poderia pensar); são essenciais para alimento do gado e indispensáveis na nossa alimentação (milho, trigo, arroz etc) estando também presentes em muitas bebidas que consumimos desde a cerveja ao whiskey; providenciam fibras utilizadas na construção de diversos materiais e até em construção civil; os relvados, constituídos por misturas de 6 ou mais tipos de graminóides são utilizados em milhões de jardins e parques já para não falar dos campos de golfe, ténis, rugby e futebol, entre outros.
A generalidade das graminóides contribui ainda para restaurar o arejamento dos solos, protegem-nos da erosão provocada pela chuva e pelos ventos e providenciam alimento e abrigo à fauna selvagem.

Fotos: Serra do Calvo e Zambujeira/Lourinhã


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Nigella damascena L.

Nomes comuns:
Nigela-dos-jardins; cabelos-de-vénus; dama-de-verde;
damas-do-bosque; barba-de-velho


Nigella damascena é uma fascinante espécie anual que cresce de forma espontânea em campos cultivados, searas e pomares, terrenos baldios e beira dos caminhos, em solos pedregosos ou remexidos.
A sua folhagem é plumosa e algo etérea, embora resistente; a estrutura floral é delicada na aparência mas, bastante complexa e algo dramática. Por estas razões Nigella damascena é muito apreciada em jardins, sendo muitas vezes cultivada com fins ornamentais.




Foi muito popular durante o século XIX e parte do século XX sobretudo nas “cottages” inglesas e seus jardins rústicos. Depois, caiu em desuso perante o surgimento de plantas exóticas de cores mais vistosas. Porém, volta a estar na moda por direito próprio. As Nigella damascena são ótimas para preencher lacunas entre as perenes dos canteiros durante o verão, especialmente vistosas se semeadas em grupos, formando massas de flores azuis envolvidas em vaporosas folhas verdes. Também funcionam bem em vasos e cestos suspensos, além de que são excelentes flores de corte para colocar em jarras ou para fazer ramos e bouquets. Também depois de secas, tanto as flores como os frutos, fazem lindos arranjos.

Fonte: Martha Stewart Weddings
Bouquet de noiva com Nigella damascena, Anemona sp. e Muacari sp.
Fonte: Martha Stewart weddings
Exemplos de arranjos singelos, entre eles Nigella damascena
Nigella damascena é uma espécie com ampla distribuição mediterrânica sendo nativa de:
Europa:
- sudoeste europeu: Portugal continental (na Madeira é uma espécie introduzida e não existe nos Açores), Espanha, França;
- sudeste europeu: Albania, Bosnia e Herzegovina, Bulgaria, Croacia, Grecia, Italia, Malta, Montenegro, Servia e Eslovenia;
- leste europeu: Ucrânia;
África:
- Ilhas Canarias, Argelia, Libia, Marrocos e Tunisia;
Ásia temperada:
- Azerbeijao, Ciscascausia (Federação Russa), Chipre, Irão, Iraque, Turquia e Síria.
Mapa de distribuição de Nigella damascena em Portugal continental. Fonte Naturdata
A cor amarela mostra as regiões onde a espécie foi observada em estado selvagem mas sem que tenha havido reconfirmação.
A cor verde significa que  a espécie foi validada internamente. Veja mais AQUI sobre como interpretar o mapa.
Nigella damascena pertence ao género Nigella cujo nome deriva do latim e se refere à cor negra das sementes.
Flores de Nigella damascena em botão
O epíteto damascena que designa a espécie refere-se a Damasco, na Síria, muito provavelmente o seu centro de diversidade. Foi assim denominada pelo naturalista e botânico suíço Conrad Gesner em 1561. Contudo, a espécie só foi publicada por Lineu, em 1753, tendo sido por ele atribuída ao género Nigella.
Nigella é o mais pequeno género na família Ranunculaceae e inclui 14 espécies, todas anuais e que se distribuem desde a região mediterrânica até à Asia temperada. Além da Nigella damascena, o género inclui outras espécies importantes como Nigella sativa (inexistente em Portugal no seu estado espontâneo), cultivada em várias partes do mundo e renomada pelas suas propriedades aromáticas e medicinais.
Desenho esquemático/comparativo  de Nigella sativa (à esquerda) e Nigella damascena (à direita)
Fonte: Wikipedia
Autor: Franz Eugen Köhler
As sementes de N. sativa são conhecidas pelo nome comum de cominho preto embora nada tenham a ver com o nosso conhecido cominho
Cuminum cyminum que é da família das umbelíferas. As sementes de N.sativa ganharam popularidade e consequente interesse comercial. Além de utilizadas em culinária como condimento são estimadas como antioxidantes, anti-hipertensivas, analgésicas, anti-inflamatórias, anti-histamínicas, carminativas e antibacterianas.
Há quem use as sementes de N.damascena em culinária apesar do seu teor aromático ser menos intenso mas, segundo algumas fontes, o seu uso é pouco recomendável uma vez que, em doses excessivas, podem ser tóxicas.
Caule e folhas
Os caules de Nigella damascena são eretos ou ascendentes, angulosos, simples ou escassamente ramificados desde a base. A altura da planta varia entre os 10 e os 70 cm.
As longas folhas estão divididas em segmentos muito estreitos, quase lineares.
As flores, com 2 a 3 cm de diâmetro, são hermafroditas. Geralmente, são de cor azul-clara ou brancas e aparecem solitárias no extremo dos caules, aninhando-se num invólucro verde e rendilhado constituído por 5 brácteas, maiores do que a flor.
Parte de baixo da flor mostrando o ninho de brácteas
Estas brácteas apresentam-se muito afastadas umas das outras (quase em ângulos de 90º) e estão divididas em segmentos longos, estreitos e pontiagudos, assemelhando-se às folhas.
As flores de Nigella damascena partilham uma serie de características com outros membros do seu género no entanto, apresentam uma particularidade muito interessante que é a rara coexistência, nas populações naturais, de dois tipos morfológicos que resultam num dimorfismo da composição do perianto.
O perianto é o conjunto das peças florais que rodeiam os órgãos sexuais da flor, nomeadamente as pétalas (que formam a corola) e as sépalas (que constituem o cálice). Por vezes pétalas e sépalas são mais ou menos semelhantes pelo que são designadas indiferentemente por tépalas. As tépalas semelhantes a sépalas são sepalóides e as que são semelhantes a pétalas são petalóides.
O dimorfismo floral desta espécie regista as seguintes duas formas de arquitetura floral em indivíduos diferentes:
Forma de flores simples:
Morfo de flores simples
Adaptado de Wikipedia 
Tem um perianto diferenciado em que as sépalas do cálice e as pétalas que constituem a corola são peças bem distintas. O perianto é formado por 5 sépalas azuladas petalóides e 5 a 10 pétalas de tamanho reduzido e de cor mais escura transformadas em bolsa de néctar, com dois lábios sendo o inferior bilobulado.
Forma de flores dobradas:
Morfo de flores dobradas
Nesta variante o perianto é indiferenciado, ou seja, todas as peças florais são mais ou menos semelhantes. Não existem pétalas nectaríferas mas sim um grande número de órgãos petalóides semelhantes a sépalas situados entre as sépalas petalóides no exterior e os vários estames no interior. 
Ou seja, a ausência de pétalas é colmatada por órgãos sepaliformes, observando-se um gradiente contínuo de formas que se traduz na produção de formas intermediárias bizarras, na transição entre o perianto e os estames.

Ambas as formas são complementadas por várias series de estames que constituem os órgãos masculinos da flor.
O gineceu é formado por 5 carpelos unidos em toda a sua extensão, apresentando estiletes eretos, longos e engrossados, os quais são persistentes na maturação.
Depois de fecundados os óvulos, o ovário incha e forma uma cápsula insuflada muito lisa e globosa, com 5 compartimentos separados, os quais contêm numerosas sementes achatadas e negras.
Fruto maduro e sementes de Nigella Damascena
Fonte Wikipedia

Fruto e sementes de Nigella damascena
Fonte Wikipedia
Na maturação os frutos estão anichados no invólucro de brácteas, tal como a flor. A sua forma capsular coroada pelos estiletes é algo intrigante e bizarra pelo que são excelentes para incluir em arranjos de flores, secas ou não. 
Antes da completa maturação a superfície externa dos frutos pode apresentar listas longitudinais de cor purpura. Depois de secos tomam a cor da palha, ficam com uma textura semelhante à do pergaminho e é nessa altura que se rompem, geralmente pelo atrito com o vento, deixando sair as sementes
Para secar estes frutos colhem-se com os respetivos caules enquanto as características estrias avermelhadas ainda estão visíveis e penduram-se, com as cápsulas viradas para baixo, num lugar escuro, seco e arejado. Para as flores o método é semelhante mas, para que conservem a cor, precisam ser penduradas num armário ou forno com uma atmosfera morna.
Ramo de frutos secos de Nigella damascena
Embora seja uma planta anual, uma vez semeada num determinado local a Nigella damascena volta todos os anos pois ressemeia-se e germina com facilidade nos anos seguintes. Para manter as populações controladas nos canteiros basta repicar no local e descartar as plântulas de que não necessitamos.

A existência das duas formas florais de Nigella damascena é conhecida desde os primórdios do século XVII e, desde então, foi descrita em muitas publicações (Lineu 1753; Hoffman 1875; Blaringhem 1910).
Hendrik Jannes Toxopéus (1927) estudou a espécie sob o ponto de vista genético e chegou à conclusão que este dimorfismo floral é controlado por um gene específico e que a forma simples é a dominante, sendo a forma dobrada recessiva. A prevalência da forma simples e dos seus carateres florais partilhados com o resto dos membros do seu género sugerem fortemente ser essa a forma ancestral.
Uma vez que as diferenças morfológicas existentes entre as duas formas de Nigella damascena estão diretamente relacionadas com os caracteres especificamente desenvolvidos para atrair os polinizadores (a presença ou ausência de pétalas nectaríferas e o número de órgãos atrativos), é inevitável que o comportamento dos insetos e a forma de reprodução das flores seja por elas influenciado. De facto, estudos recentes comprovaram que as flores com forma floral simples são muito visitadas por insetos, os quais são atraídos pelo néctar existente nas pequenas pétalas, sendo a fecundação feita a partir de polinização cruzada. Em contrapartida, as flores da forma floral dobrada são praticamente ignoradas pelos insetos, sobretudo os coletores de néctar, como é o caso das abelhas, que de alguma forma parecem ter conhecimento, à distância, que dali não levam nada e não vale a pena o incómodo. Neste caso a fecundação realiza-se através de autopolinização.  
No caso de populações mistas em que convivem plantas de ambos os morfos, as flores simples podem ser polinizadas pelo pólen de flores dobradas e vice-versa. Ainda assim, ambas as formas estão capacitadas para, na ausência de insetos, se reproduzirem através de autopolinização pois nesta espécie não existem mecanismos de autoincompatibilidade.

Fotos: Serra do Calvo/Lourinhã



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Em defesa da biodiversidade – Parte 3

As plantas exóticas invasoras

A Oxalis pes-caprae forma densos tapetes verdes pontilhados de flores amarelas que florescem no final do inverno. O efeito é de grande beleza mas é uma grande invasora, provocando sérios prejuízos na agricultura. Foi trazida para Portugal e região mediterrânica no século XVIII. Saiba mais AQUI.

 AQUI foram feitas referências às plantas exóticas, assim designadas por não serem nativas do habitat onde se encontram, tendo sido transportadas para fora da sua área natural de forma intencional ou acidental.  O transporte de espécies para regiões diferentes, resultante de ação humana, remonta ao tempo das migrações dos povos na Antiguidade, tendo sido realizada de forma lenta e gradual. Porém, nos últimos três séculos este processo foi acelerado, a ponto de se tornar alarmante. Sem dúvida que muitas das plantas já introduzidas têm interesse económico como espécies ornamentais, agrícolas ou florestais mas, é preciso não esquecer que muitas trouxeram graves problemas ambientais e económicos que só se revelaram posteriormente.
Eichhornia crassipes é uma planta aquática originaria da Bacia do Amazonas. Foi introduzida em Portugal com intuitos ornamentais mas tornou-se invasora, formando densos "tapetes" à superfície da água reduzindo a luz e o oxigénio. Pode encontrar-se em lagoas, braços de barragens, troços de rios e ribeiros.
Foto de H.Zell - Wikimedia Commons
Em Portugal prosperam plantas exóticas originárias do todo o Mundo, seja de climas temperados, subtropicais ou tropicais graças ao nosso clima ameno e acolhedor. As famílias mais representadas são as Poaceae (família das gramíneas), as Asteraceae (família dos malmequeres), Fabaceae (família das leguminosas) e as Polygonaceae.


Acacia longifolia. Foto de Josh Jackson/ Wikimedia Commons
As exóticas espécies do género Acacia, conhecidas vulgarmente por mimosas, são um grave problema biológico e económico do nosso país. São originárias do sudoeste da Austrália e África do Sul e foram importadas com fins ornamentais e para estabilização de areias, taludes e encostas. Expandiram-se de forma avassaladora invadindo as zonas costeiras e margens de rios, afetando o crescimento de outras plantas através da alteração da disponibilidade de azoto no solo em seu proveito, em detrimento de outras espécies. Tem elevada capacidade de produção de sementes as quais permanecem viáveis por várias décadas e cuja germinação é estimulada pelos fogos. A sua erradicação é muito difícil e onerosa pois as suas raízes formam enormes touças debaixo da terra que, não só o fogo não consegue destruir, como rebenta de novo se os ramos forem destruídos. Uma das espécies mais agressivas é a Acacia longifolia e os métodos de controlo até agora utilizados foram ineficazes pelo que, finalmente, foi autorizada a libertação de um agente de controlo natural (inseto) para conter a dispersão desta espécie.
Saiba mais AQUI.
De modo geral, as espécies exóticas causam impactos no equilíbrio das plantas nativas pois apresentam vantagens competitivas, no pressuposto de que as populações introduzidas são menos afetadas por inimigos naturais, do que eram no seu habitat natural. Apesar disso, muitas são as espécies exóticas que subsistem ao longo dos anos de forma equilibrada, de tal forma que certos autores defendem que, do ponto de vista estritamente biológico, as plantas exóticas não são um problema e que devem ser vistas como parte integrante dos sistemas naturais. Outras espécies, em contrapartida, revelam um comportamento invasor logo após a sua introdução num novo território, multiplicando-se de forma descontrolada. Há ainda as espécies que, estando aparentemente controladas, de repente se tornam invasoras. Tal acontece quando o equilíbrio ecologicamente precário em que vivem se quebra, devido a uma súbita alteração nas condições ecológicas. São diversos os fatores que estimulam o rápido aumento da sua distribuição, desencadeando essa invasão biológica, entre elas a ocorrência de catástrofes naturais, alterações climáticas, os incêndios e a consequente abertura de clareiras.

A cana-comum, Arundo donax, é uma gramínea rizomatosa oriunda do leste europeu e Ásia temperada e tropical. Em Portugal distribui-se por todo o território, sendo muito comum perto de linhas de água e outras zonas húmidas. É muito utilizada pelos agricultores para delimitar as zonas agrícolas, protegendo-as do vento, especialmente nas áreas costeiras. É muito difícil de erradicar pois qualquer pequeno rizoma dá origem a novas plantas.

Um dos maiores problemas das plantas exóticas é que só se toma consciência da sua invasibilidade quando já estão estabelecidas e o mal está feito. Este é um problema que se regista a nível mundial e em Portugal não somos exceção. A lista negra de espécies exóticas invasoras referenciadas no nosso país é bastante extensa e as consequências da sua presença são irreversíveis pois uma vez instaladas são praticamente impossíveis de erradicar, sendo a sua contenção dispendiosa e presumivelmente ineficaz. Muitas destas espécies foram introduzidas no país em épocas passadas em que se desconheciam as implicações inerentes; destinavam-se à utilização das madeiras, estabilização de taludes, fixação das areias ou com fins ornamentais. É de salientar que muitas invasoras vieram sem ser convidadas, tendo as suas sementes sido transportadas por acidente, dada a facilidade crescente das viagens e transportes internacionais. Contudo, a importação indiscriminada de plantas exóticas - especialmente com fins ornamentais - continua até hoje, sendo que muitas delas rapidamente se instalam na natureza e reproduzem sem controlo.
Ailanthus altissima, árvore de grande porte e vulgarmente conhecida por espanta-lobos ou árvore-do-céu, foi introduzida em Portugal no século XVIII a partir da China, de onde é oriunda. Pode encontrar-se em espaços urbanos e nas margens das estradas e é uma vigorosa invasora devido ao seu crescimento extremamente rápido e grande produção de sementes que, arrastadas pelo vento, germinam facilmente e em todos os tipos de solo.

Eis algumas das características que potenciam o poder invasivo das plantas exóticas:
- crescimento rápido e boa adaptação a diferentes condições ambientais;
- elevada capacidade reprodutora, produzindo muitas sementes as quais são viáveis por longos períodos de tempo e cuja germinação pode ser estimulada pelos fogos;
- boa capacidade de dispersão e colonização, ajudadas pelo facto de estarem livres dos inimigos naturais que as controlavam no seu local de origem;
- aptidão para reprodução vegetativa através de estolhos ou rizomas;
- maior capacidade competitiva que as espécies nativas pelos recursos disponíveis.

Os impactos das invasoras refletem-se de forma negativa no meio ambiente, afetando plantas autóctones, fauna, solo e recursos hídricos, através de:
- alteração das cadeias alimentares;
- uniformização dos ecossistemas devido à extinção de espécies autóctones, desequilíbrio dos ecossistemas e diminuição da biodiversidade;
- diminuição da disponibilidade de água no caso de plantas mais exigentes no seu consumo;
- alteração dos regimes de fogo;
- alteração da disponibilidade de nutrientes com a alteração dos ciclos do carbono e do azoto e do pH do solo. 

A Cortaderia selloana, vulgarmente chamada penachos ou erva-das-pampas, veio da América do sul. É uma gramínea de grande porte, rizomatosa e que é muito apreciada pelos seus penachos brancos. Tem crescimento vigoroso e as suas densas rosetas basais abafam o coberto vegetal autóctone. Nem sequer servem de alimento ou abrigo à fauna pois as suas folhas tem margens serrilhadas e cortantes. Os penachos produzem elevada quantidade de sementes as quais se espalham com o vento e germinam com grande eficácia. Nos últimos anos todos temos sido testemunhas da crescente expansão desta planta e a este ritmo receio bem que não fique palmo de terra por colonizar. A zona de Torres Vedras tem sido especialmente afetada mas não se veem medidas que ponham travão a esta expansão, antes pelo contrário, a expansão continua e todos os meses vemos novos exemplares. Esta planta forma rapidamente uma enorme touça que é resistente ao corte, ao fogo e aos químicos. 

Em Portugal o assunto em causa é regulado pelo Decreto-Lei n.º 565/99 o qual pretende condicionar a introdução na Natureza de espécies de fauna e flora não indígenas, com excepção das destinadas à exploração agrícola e onde se pode ler:
É proibida a disseminação ou libertação na Natureza de espécimes de espécies não indígenas, ainda que sem vontade deliberada de provocar uma introdução na Natureza, como forma de prevenir o estabelecimento acidental de populações selvagens” e também “A introdução de espécies não indígenas na Natureza pode originar situações de predação ou competição com espécies nativas, a transmissão de agentes patogénicos ou de parasitas e afetar seriamente a diversidade biológica, as atividades económicas ou a saúde pública, com prejuízos irreversíveis e de difícil contabilização.”
Nos anexos I, II e III este decreto lista, respetivamente, as espécies de fauna e flora introduzidas em Portugal (com destaque para as invasoras), as espécies arbóreas com interesse e as espécies não indígenas de fauna e flora que comportam risco ecológico reconhecido.
Contudo, a maior dificuldade em fazer cumprir a legislação reside no desconhecimento das populações que, inconscientes das consequências dos seus atos, contribuem para a proliferação das invasoras. Para se poderem adotar legislações mais restritivas, será necessário informar o público em geral acerca das possíveis consequências de uma introdução indesejada. Há um grande “desconhecimento acerca dos riscos associados à introdução de espécies não indígenas e a educação é uma importante estratégia de prevenção, uma vez que a participação do público é crucial para controlar e prevenir as invasões biológicas”. Muitos nunca ouviram falar de plantas invasoras nem fazem a mínima ideia do problema que podem criar ao plantar no seu jardim uma planta exótica ou, quando cansados dela, a despejam num monte de entulho. Assim, há que apostar na prevenção através da educação e informação do público pois cada um de nós pode e deve dar o seu contributo através de comportamentos responsáveis.
Em estudos realizados por Colton & Alpert  em 1998, verificou-se que, “mesmo em cidadãos com elevado nível de formação académica, apenas uma minoria apoia a aplicação de um esforço considerável para controlar as plantas invasoras”.
Carpobrotus edulis, o vulgarmente denominado chorão, é uma bela planta rastejante originária da África do Sul. Foi introduzida em Portugal para fixar os areais costeiros mas provou ser uma péssima ideia pois o seu desenvolvimento vigoroso resulta em vastos tapetes que abafam e mata as plantas nativas, substituindo-se a elas. Saiba mais AQUI.

Problemáticas são também certas espécies ornamentais que são deitadas no lixo e que desta forma se podem assilvestrar. Esta foto é do fruto e sementes de uma Datura stramonium, planta muito bonita mas venenosa, oriunda da América do sul tropical. Estas sementes poderão permanecer viáveis durante mais de 40 anos, dando origem a novas plantas logo que surjam as condições ideias para germinar. Encontrei a planta já em frutificação meio enterrada num monte de entulho que os vizinhos do fim da rua resolveram descartar após as obras lá de casa. Para além de invasora, as sementes produzidas são muito abundantes altamente venenosas, podendo ser letais se ingeridas. Ainda há bem poucos meses surgiu uma noticia nos meios de comunicação social portugueses sobre uma criança que comeu as sementes e foi hospitalizada, embora eu não tenha tido conhecimento do desfecho. Veja mais fotos da planta AQUI.
Hydrangea macrophylla, vulgarmente conhecida por hortênsia ou novelos, é uma espécie invasora nativa da China e do Japão. Foi introduzida como planta ornamental em todas as regiões temperadas e subtropicais do mundo, sendo uma das espécies mais cultivadas em jardins e da qual existem múltiplos cultivares. Em Portugal continental é muito popular em jardins mas raramente se encontra estabelecida em estado silvestre. Em contrapartida, tornou-se num ícone turístico nos arquipélagos dos Açores e Madeira onde foi plantada ao longo das estradas, tendo-se naturalizado. Aos poucos foi invadindo as linhas de água, as turfeiras e as florestas naturais. Devido à sua constante expansão está a ser uma ameaça à sobrevivência das espécies nativas.  
As espécies aqui mencionadas são apenas alguns exemplos de invasoras que podem ser vistas em muitos jardins públicos ou privados. O tópico "invasoras" também não fica aqui esgotado. Este é um assunto algo extenso e sobretudo muito complicado. Do que não há dúvida é que devemos apostar na prevenção pois resolver os problemas que nos colocam as invasoras é quase impossível e fica caro. Para tal, é preciso esclarecer devidamente as populações. Por outro lado, na impossibilidade de prever o grau de invasibilidade das plantas exóticas, devemos investir mais nas plantas autóctones, usando-as para repovoar as áreas degradadas antes que sejam ocupadas por espécies problemáticas.

NOTA:
No âmbito deste blogue foi dado enfoque à flora exótica mas, é de notar que há organismos invasores em todos os grupos de seres vivos, desde a fauna aos microrganismos (vírus e bactérias).