"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 15 de julho de 2011

Limonium ferulaceum (L.) Chaz. Syn: Statice ferulacea


O Limonium ferulaceum é um pequeno arbusto perene que pertence à família botânica das Plumbaginaceae e ao género Limonium, constituído por mais de 400 espécies, centradas a oeste do mediterrâneo. Habitam zonas costeiras, arribas marinhas e muitas vezes pântanos salgados.

Algumas espécies de Limonium são halófitos, como é o caso do Limonium ferulaceum, isto é, são plantas que estão adaptadas a ambientes com elevada concentração de sódio, permitindo-lhes sobreviver em zonas alagadas de água salobra.


No Caniçal, os Limonium ferulaceum vivem em terreno seco, nas arribas. Aqui o solo não é alagado mas o mar também cá chega, sob a forma de chuviscos carregados de partículas de sal, que a forte nortada arrebata da crista das ondas.

O Limonium ferulaceum tem a capacidade de acumular grandes quantidades de sais que depois são eliminados juntamente com os órgãos que os armazenam, como por exemplo as folhas.


O mais interessante é que o Limonium ferulaceum não só consegue viver em ambientes carregados de cloreto de sódio como também necessita destes sais para se desenvolver. Estes são os chamados halófitos obrigatórios. Há ainda espécies que preferem sais e são designadas como halófitos preferenciais; outras toleram o sal e como tal são halófitos de subsistência.

Nas arribas do Caniçal o Limonium ferulaceum vive paredes meias com outra espécie do mesmo género, o Limonium virgatum  e ambos até florescem praticamente na mesma época do ano. No entanto estas espécies podem ser facilmente diferenciadas: a primeira tem raminhos densamente ramificados e floridos que partem diretamente solo, enquanto que a segunda tem ramos esguios e despidos que nascem de um conjunto de folhas basais, dispostas em roseta (ver post do dia 13 de julho 2011).
No entanto é preciso atenção para não confundir o Limonium ferulaceum com a Frankenia laevis (ver posts dos dias 08 e 13 de fevereiro 2011) que também é um halófito, embora de hábito prostrado.

O Limonium ferulaceum forma um arbusto anão, que pode ir até 40 cm de altura, densamente ramificado desde a base, com tufos densos de ramos floridos que nascem a partir de um rizoma.

Os caules são prostrados na base e ascendentes na extremidade, ficando levemente arqueados. São também muito finos, lenhosos e divididos em porções articuladas e cilíndricas, que com o tempo tomam uma cor avermelhada.  

As folhas estão reduzidas a numerosas escamas dispostas em espiral densa, de forma a perderem o mínimo de água possível através da transpiração. Estas escamas são laminares, membranáceas, mais ou menos achatadas e dispostas de forma imbricada, ou seja, sobrepostas tal como as telhas de um telhado.



As flores são muito pequenas, com cerca de 5 a 6 mm de diâmetro, de cor rosada e estão agrupadas no topo dos raminhos em densas espigas. A corola de cada flor é formada por 5 pétalas mais ou menos soldadas, formando um tubo. Os estames também são 5.

O Limonium ferulaceum floresce a partir dos finais da primavera e prolonga-se pelo verão, por vezes indo até finais de agosto mas podendo terminar mais cedo, dependendo das condições de salinidade e humidade atmosférica.

Fotos - Arribas do Caniçal/Lourinhã


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Limonium virgatum (Willd.) Fourr. Syn: Limonium oleifolium Mill., Statice virgata Willd.


O Limonium virgatum é mais uma linda planta do litoral, cuja forma elegante e flores de aspeto delicado nos surpreendem agradavelmente, tendo em conta as duras condições a que a planta está exposta nos habitats onde vive.
A proximidade do mar sujeita as plantas a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante ao frio cortante, luminosidade excessiva, ventos fortes carregados de partículas de sal, escassez de nutrientes e reduzida disponibilidade de água.
Esta espécie distribui-se pela região mediterrânica e tanto se encontra nas areias das dunas do litoral como nas arribas rochosas de solos argilosos.


É uma planta perene, herbácea, que pode ir dos 15 aos 50 cm de altura, crescendo a partir de um rizoma subterrâneo que se ramifica dando origem a novas plantas.
As folhas estão praticamente reduzidas a uma roseta basal que quase sempre seca durante o verão. Este é mais um exemplo de como uma planta pode tornear o problema da escassez de água a que se vê sujeita, restringindo as folhas ao mínimo para evitar a transpiração.
As folhas da roseta basal têm forma espatulada, simples e inteiras, não têm pelos e são rugosas.
Os caules são finos e ascendentes, lenhosos na base e arqueados nas extremidades, sobre os quais nascem as pequenas flores de cor rosa ou lilás.

As flores estão reunidas numa inflorescência alongada e por vezes ramificada.


A corola de cada flor individual tem 5 pétalas e 5 estames envolvidos por um conjunto de 5 brácteas que formam o cálice e cujo tubo é curvo e peludo.

A planta floresce de julho a setembro.
O fruto é uma cápsula que contém uma semente única encerrada no cálice, que é persistente.
O Limonium virgatum pertence à família das Plumbaginaceae e ao género Limonium. Este é constituído principalmente por plantas que crescem na proximidade do litoral, preferindo os solos arenosos ou rochosos. Várias espécies deste género são muito apreciadas como flores de jardim e também para arranjos de flores secas aproveitando o facto de ter o cálice persistente.

Fotos: Caniçal/Lourinhã


domingo, 10 de julho de 2011

Medicago marina L.

Luzerna-da-praia
A Medicago marina é uma planta de origem mediterrânica que se distribui por todo o litoral português, podendo ser encontrada quer nas arribas quer nas areias dos sistemas dunares, meios onde a sobrevivência é bastante difícil. Floresce de fevereiro a julho.
Nas areias, as condições de escassez de água são constantes e o teor de elementos nutritivos é muito baixo. Nas arribas, a situação é igualmente crítica pois as plantas não só vivem sobre as rochas mas também estão expostas aos fortes ventos marítimos.
A Medicago marina ultrapassou estas limitações à custa de modificações de natureza morfológica e anatómica, adaptando-se da melhor forma ao meio envolvente. Nesta conformidade, a planta apresenta uma forma prostrada e as folhas têm uma superfície de dimensões reduzidas, cobertas por pelos espessos e curtos de cor esbranquiçada que refletem a luz, ajudando a diminuir a incidência dos raios solares. Desta forma, a planta consegue diminuir a transpiração.
Por outro lado, a raiz, que é um rizoma rastejante de onde partem os numerosos ramos, tem um sistema radicular superficial para poder recolher de imediato a água das chuvas e as gotas do orvalho.
A Medicago marina é uma planta herbácea, perene, com numerosos caules pouco ramificados e lenhosos na base. As folhas, com apêndices localizados na base do pecíolo, junto ao caule, estão divididas em 3 folíolos de formato oval, com a extremidade aguda e ligeiramente curva.

As flores são amarelas e estão dispostas em cachos de 5 a 15 flores.


A estrutura das flores assemelha-se, na forma, a uma borboleta e é característica das Papilionaceae que é uma das 3 subfamílias em que se subdivide a grande família das Fabaceae/Leguminosae, a que pertence a Medicago marina. Assim, a corola tem 5 pétalas: uma é maior, externa e superior e designa-se por estandarte; as duas pétalas laterais chamam-se asas e as duas internas e inferiores estão unidas e chamam-se quilha.

O cálice é formado por 5 sépalas quase iguais.
Ilustração Hyppolite Coste
O fruto é uma vagem enrolada em espiral com duas filas de espinhos curtos e cónicos e com um orifício central.
Sobre as Leguminosae/Fabaceae e o azoto:
A Medicago marina está incluída no género Medicago que por sua vez pertence à família das Fabaceae, também denominada Leguminosae, uma das maiores famílias botânicas e cujas espécies estão largamente distribuídas por todos os continentes, com exceção da Antártida.
São plantas de hábitos variados podendo ser herbáceas, trepadeiras, arbustos e árvores. Muitas delas são utilizadas como ornamentais, outras têm grande valor comercial ou industrial devido aos produtos que delas podem ser extraídos, nomeadamente o tanino, substância usada na indústria do couro, já para não falar dos corantes, tinturas, colas, vernizes etc. Mas, é sobretudo como alimentos básicos e essenciais na dieta de todos os povos que as leguminosas são mais conhecidas pois desta família fazem parte feijões, favas, ervilhas, soja, amendoim, apenas para citar algumas espécies.
O ciclo do azoto/Nitrogénio. Esquema: Wikipedia
Tal como a maioria das espécies da família das Fabaceae/Leguminosae, a Medicago marina desenvolve, a nível das raízes, uma simbiose com certas bactérias existentes no solo. Estas absorvem o azoto, também chamado nitrogénio, diretamente da atmosfera transformando-o em amoníaco, permitindo que este seja, de imediato, absorvido pela planta. Mas, nem todo o azoto é utilizado pela própria planta pelo que algum é libertado para o solo, para ser aproveitado por outras. O azoto é essencial ao crescimento das plantas pelo que esta característica é de extrema importância.
O efeito benéfico que advém do plantio de plantas leguminosas é conhecido desde há muitos séculos mas foi em 1888 que H. Helbuegel e H. Wilfarth comprovaram o papel dos microrganismos na fixação do azoto atmosférico realizado pelas leguminosas. Convém referir que a quantidade de azoto fixado pelas bactérias que com elas vivem associadas depende, entre outros fatores, da espécie de leguminosa e das condições do solo. Na agricultura dos nossos dias há quem prefira utilizar adubos verdes para enriquecer o solo, em detrimento dos adubos químicos. Isto consiste em cultivar espécies de crescimento rápido, geralmente da família das leguminosas, as quais são cortadas e enterradas no mesmo local, antes de florescerem e criarem sementes. Esta prática promove o enriquecimento do solo com azoto e outros nutrientes, além de melhorar a estrutura dos terrenos, protegendo-os da seca e limitando o desenvolvimento das ervas daninhas.

Para mais pormenores sobre o assunto veja aqui.
Fotos: Areal sul e Caniçal-Lourinhã




quarta-feira, 6 de julho de 2011

Echium plantagineum L.

O Echium plantagineum é uma planta silvestre de carácter mediterrânico, muito decorativa, muito comum em todo o nosso país.

Basicamente, é uma planta invasiva que se encontra em todos os tipos de solo, cultivados ou incultos, secos ou húmidos e também à beira-mar.

Prospera gostosamente entre escombros e entulhos cujos solos, tendo sido remexidos, são muito ricos em azoto e tomando sem timidez o lugar deixado vago por outras plantas. Sendo cortadas mecanicamente logo se restabelecem e preenchem de novo os espaços. Esta espécie floresce entre os meses de março e julho, acrescentando com a beleza das suas flores azuis, um novo incentivo a quem habitualmente aproveita a estrada costeira, que vai da Praia da Areia Branca até ao forte de Paimogo, para fazer o seu exercício físico.

Esta planta conhecida vulgarmente como soagem, soagem-viperina, língua-de-vaca ou chupa-mel, pertence à família Boraginaceae e ao género botânico Echium, o qual inclui cerca de 60 espécies, algumas delas utilizadas como plantas de jardim.


Algumas das espécies são muito semelhantes, tornando difícil a tarefa na sua identificação.

Outras, apresentam algumas características que as tornam mais raras, como é o caso do Echium candicans, conhecido popularmente como massaroco e que é uma espécie endémica da Madeira, o que quer dizer que não existe em mais lugar nenhum do mundo.


A espécie do género Echium que predomina nesta região da Lourinhã é, sem dúvida, o Echium plantagineum. É uma planta ereta, herbácea e anual que pode ir dos 20 aos 120 cm de altura. Toda a planta é revestida de pelos simples e moles. Pode ter um único caule ou ser ramificada desde a base.



Os caules são ásperos e de cor verde escuro e as folhas são de forma oval a lanceolada.



As flores são tubulares e a corola é composta por 5 pétalas e 5 estames desiguais, que vão do vermelho-púrpura ao azul. Ao que parece, a flor muda de cor quando o liquido celular da flor sofre uma baixa na taxa de acidez, tornando-se alcalino.

As flores reúnem-se em grupos do tipo cimeira escorpioide, isto é, inserem-se em eixos sucessivos num prolongamento do caule, nascendo das axilas das brácteas, que são folhas modificadas que têm a função de proteger o conjunto de cada botão floral.

As espécies Echium têm nectarios que atraem os insetos, nomeadamente as abelhas que aproveitam o néctar para fazer mel. Apesar de não ser caso único, a Echium plantagenium deve ser muito docinha pois esta é a razão pela qual esta planta é conhecida por chupa-mel. Na origem do outro nome popular deverá estar o facto da corola e os estames, vistos de perfil, aparentarem uma cabeça de víbora e a sua língua bifurcada.
Certas espécies de borboletas como por exemplo a Coleophora onosmella e a Orange swift depositam os ovos nos Echium pelo que, ao eclodirem, as larvas se alimentam das folhas destas plantas.
Fotos - Caniçal/Lourinhã