"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





sexta-feira, 10 de junho de 2011

Trifolium repens L.

Nome comum:Trevo-branco


Trifolium repens é uma das plantas silvestres mais conhecidas, muito vulgar em lameiros, terrenos cultivados, margens dos rios e caminhos, frequentemente formando tapetes densos.
Em muitas situações é considerada uma planta invasora causando alguns problemas de difícil solução, principalmente quando aparece sem ser convidada ao misturar-se com as relvas dos nossos jardins. Em contrapartida, há regiões onde esta espécie e outras semelhantes, são cultivadas extensivamente e usadas para alimentar o gado. Sob certas condições, esta é também uma espécie que traz certos nutrientes ao solo pelo que muitas vezes é cultivada e enterrada em verde, antes da floração, servindo como adubo.

Sendo uma planta muito florífera, o Trifolium repens é uma boa fonte de néctar para as abelhas que o incluem na preparação de mel.
Esta espécie, originária da Eurásia, distribui-se  por toda a Europa, tendo sido introduzida na América do norte, sul da África, Austrália e leste asiático onde se naturalizou. Especificamente no que diz respeito ao nosso país, podemos encontrá-la em todo o território.

Pertence às Fabaceae, uma das maiores famílias botânicas também conhecida por Leguminosae e que compreende cerca de 20.000 espécies divididas em mais de 700 géneros. O género Trifolium possui mais de duzentas espécies diferentes de plantas similares que são vulgarmente conhecidas como trevos. Embora existam algumas destas espécies que apresentam 4, 5 e até mais de 20 folhas, as mais conhecidas nas nossas regiões temperadas são as que apresentam apenas três folhas. Perante este conhecimento, a crença popular que nos diz ser motivo de sorte encontrar um trevo de 4 folhas só é válido quando se trata de o encontrar entre trevos de 3 folhas …

O Trifolium repens é exigente em termos de luz solar e é sensível à seca, provavelmente por ter raízes superficiais, não sendo de estranhar que os tapetes de trevo do Areal Sul tenham vida curta, secando quando chega o verão e acabam as chuvas. Por outro lado, tendo em conta que esta planta é pouco tolerante à salinidade não deixa de ser interessante que continue a brotar, teimosamente, tão perto da praia. Apesar de tudo, a persistência do trevo branco parece encontrar-se assegurada pelo processo de enraizamento através de estolhos ou seja, caules que crescem paralelamente ao chão, produzindo gemas de espaço em espaço para dar origem a novas plantas. Paralelamente, a planta produz muitas sementes das quais quase 80% são duras e permanecem no solo como reserva até serem necessárias para substituir as plantas perdidas.


O Trifolium repens é uma pequena planta perene, totalmente sem pelos ou com pelos raros, de porte rasteiro, sendo formada por caules rastejantes de crescimento lento e que facilmente enraízam na zona onde os nós dos caules tocam no solo. Os caules podem atingir 50 cm de comprimento.


As folhas são alternadas, com pecíolo, com raros ou nenhuns pelos, com 3 folíolos arredondados, de recorte suavemente denteado de 1 a 3 cm de comprimento, por vezes com uma mancha mais clara. Nos nós, embainhando o caule, surgem 3 estipulas de extremidades livres.

As flores brotam das axilas das folhas sobre pedúnculos compridos e agrupam-se em cachos globosos contendo um número variável de flores perfumadas, brancas ou maculadas de rosa.

A corola de cada flor tem 5 pétalas persistentes unidas num tubo, uma maior externa e superior que cobre duas pétalas laterais e duas internas, inferiores e unidas.

As sépalas que formam o cálice são brancas raiadas de verde e têm 5 dentes desiguais triangulares ou lanceolados, os quais se dividem na metade superior.

Esta espécie floresce a partir de março.
Os frutos são pequenas vagens encerradas nas flores secas. As vagens contêm 3 ou 4 sementes minúsculas de cor amarelada e formato arredondado.

Fotos - Areal Sul - Areia Branca/Lourinhã


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Blackstonia perfoliata (L.) Huds.

Centáurea-pequena-frondosa
A Blackstonia perfoliata é uma adorável pequena herbácea pertencente à familia das Gentianaceae. Distribui-se desde a Península Ibérica e bacia mediterrânica até ao centro europeu e ocorre em habitats bastante diversificados, seja em locais húmidos, arenosos ou rochosos, desde que os solos sejam predominantemente calcáreos. A planta floresce de maio a setembro.
A Balckstonia perfoliata é uma planta anual, de caule ereto, fino e rígido, ramificado na parte superior. É, regra geral, uma pequena planta de 10 a 30 cm de altura e não tem pelos.
As folhas são muito características não só pela sua cor verde-acinzentada (tal como os caules) mas também devido ao seu aspeto ceroso.
As folhas basais são ovais e inteiras dispondo-se em roseta, enquanto que as caulinares são quase triangulares e opostas, soldadas uma à outra na base, de tal forma que dá a impressão que o caule passa através delas.
 
As flores, de um amarelo vivo, são radialmente simétricas, com os lobos planos e têm a particularidade de fecharem muito cedo, logo no princípio da tarde.

As flores podem ser solitárias ou apresentar-se em inflorescências cimeiras bíparas, assim designadas porque o eixo principal é de crescimento limitado, terminando em flor após formar dois ramos que por sua vez também terminam numa flor. Esta disposição repete-se nos eixos inferiores laterais.

A cimeira bípara apresenta duas brácteas opostas abaixo da flor apical. Da axila de cada uma das referidas brácteas nasce um eixo que repete a mesma disposição.
  

O número de pétalas de cada flor é variável (entre 6 a 10) e formam um tubo curto no qual estão inseridos de 6 a 10 estames com anteras amarelas.

O cálice está dividido em 6 a 10 sépalas estreitas e alongadas, profundamente recortadas, quase desligadas umas das outras na base e mais curtas que a corola.

Os frutos da Backstonia perfoliata são cápsulas ovoides ou elípticas, formadas por duas partes que permanecem dentro do cálice que é persistente. As sementes, pequenas mas numerosas, disseminam-se pela força da gravidade ao caírem ao pé da planta-mãe.


Notam-se na Blackstonia perfoliata umas certas semelhanças com a Centaurium erythraea, daí a razão de estarem incluídas na mesma família. No entanto existem entre elas muitas diferenças que vão para além da cor e é por isso que estão classificadas em géneros diferentes.

 Fotos - Caniçal e Areal Sul/Lourinhã



segunda-feira, 6 de junho de 2011

Centaurea sphaerocephala L. polyacantha (Willd.) Dostál

Centáurea-de-cabeça-redonda


A Centaurea sphaerocephala é uma planta herbácea, semelhante a um cardo e endémica da Península Ibérica. Pertence á família botânica das Asteraceae ou Compositae e ao género Centaurea o qual inclui quase 500 espécies de cardos ou plantas semelhantes a cardos. Muitas delas estão centradas na região mediterrânica, sendo 26 espécies nativas do nosso país e das quais 5 são endémicas de algumas regiões de Portugal.

As Centaurea são espécies muito decorativas e utilizadas muitas vezes como plantas ornamentais, em jardins. Uma das características comuns a este género é o facto de serem grandes produtoras de néctar sendo por isso muito visitadas por insetos, destacando-se as abelhas que o incluem na sua produção de mel. As Centaurea são também utilizadas como alimento pelas larvas de algumas espécies de borboletas.
Centaurea sphaerocephala é uma planta perene embora perca a parte aérea durante o inverno. Os caules são ascendentes mas tenros, simples ou ramificados, geralmente peludos, formando pequenas moitas que podem atingir os 50 cm de altura.


As folhas são ligeiramente peludas e apresentam várias formas. As inferiores são mais ou menos divididas, com lóbulos pontiagudos, toscamente dentados, com o segmento terminal arredondado e muito maior do que os laterais, os quais diminuem gradualmente de dimensões na direção da base da folha. As folhas superiores são geralmente dentadas, mas inteiras.
As flores, muito vistosas, aparecem a partir de abril e agrupam-se em cabeças solitárias nos extremos dos caules, em inflorescências do tipo capitulo, tal como acontece com quase todas as plantas da família Asteraceae ou Compositae.
O capítulo é um tipo de inflorescência que se caracteriza por apresentar muitas flores de tamanho reduzido, agrupadas de uma forma muito compacta diretamente sobre um recetáculo em forma de disco. As flores que se colocam na periferia deste disco apresentam um prolongamento para o exterior em forma de pétala (lígulas), o que dá ao conjunto o aspeto de uma flor normal.
Toda esta estrutura está envolvida por brácteas que são folhas modificadas com a função de proteger toda a estrutura acima descrita.
O capítulo assemelha-se, pois, a uma só flor, mas na realidade é constituído por um agregado de inúmeras pequenas flores, em que apenas as flores externas gastam energias para produzir lígulas, o que é suficiente para tornar todo o conjunto atrativo para os polinizadores. Esta estratégia é basicamente uma forma de poupança de esforços pois através da divisão de tarefas todos os órgãos são beneficiados e a planta pode concentrar-se na produção de sementes.


As flores do capitulo da Centaurea sphaerocephala são tubulares e em tons rosa e púrpura.

As flores externas são muito grandes devido às extensão dada pelas lígulas e são estéreis enquanto que as internas são insignificantes mas férteis.

Nesta espécie o capitulo está protegido por uma espécie de botão floral que é formado pelo conjunto das brácteas, chamado invólucro. Este é globoso e está coberto por um indumento constituído por pelos muito finos, macios e flexíveis, ligeiramente entrecruzados.
As brácteas deste invólucro são semelhantes a escamas que se dispõem em camadas muito aderentes e sobrepostas tal como as telhas de um telhado. As brácteas das camadas exteriores apresentam núcleos de espinhos, os quais se dispõem como as varetas de um guarda-chuva.


Esta planta produz um fruto seco com uma só semente e cuja extremidade apresenta uma coroa de pelos chamado papilho. Este fruto designado por cipsela é habitualmente disperso pelo vento ou através dos animais.
Esta planta vive em zonas arenosas, dunas e matagais do litoral. 

Nota :
É importante não confundir esta planta Centaurea sphaerocephala que é do género Centaurea e família Compositae/Asteraceae, com as plantas do género Centaurium e familia Gentianaceae, como por exemplo a Centaurium tenuiflorum  ou a Centaurium erythraea.

Fotos: Dunas do Areal Sul/Lourinhã


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Centaurium tenuiflorum (Hoffm. & Link) Fritsch syn. Centaurium pulchellum Druce


Centáurea-de-flores-estreitas

A Centaurium tenuiflorum é mais uma planta da família das Gentianiaceae, do mesmo género da Centaurium erythraea (já publicada neste blog, no dia 01 de junho 2011). No entanto, tendo em conta algumas características morfológicas distintas é, sem dúvida, uma espécie diferente.
É uma planta nativa da Europa e que se distribui pelo sul e oeste europeu incluindo a região Mediterrânica e algumas regiões da Ásia. Encontra-se ainda na América do Norte e Austrália, onde foi introduzida e se naturalizou. Em Portugal cresce espontaneamente em algumas regiões do nordeste, no litoral centro e interior sul. Cresce quer em locais arenosos e pedregosos quer em campos húmidos não cultivados.

A Centaurium tenuiflorum é uma planta herbácea, sem pelos, ereta, anual, atingindo cerca de 25 cm de altura.
Por vezes os caules são solitários mas mais frequentemente são muito ramificados na parte terminal.
Os caules são retos e inseridos em ângulo agudo com o caule principal, formando um conjunto alongado e estreito .
 
Os caules são finos e de seção quadrangular. A planta não apresenta roseta basal ou é fracamente desenvolvida. As folhas caulinares são inteiras, opostas, de forma ovada e terminam em ângulo quase agudo, tornando-se mais longas e estreitas em direção ao ápice. A textura das folhas é ligeiramente carnuda e suculenta.
As flores são pequenas, numerosas, radialmente simétricas, com pedicelo curto e agrupam-se numa cimeira bípara relativamente densa. Quer isto dizer que o eixo principal é de crescimento limitado e se bifurca terminando em duas flores, repetindo-se esta disposição nos eixos inferiores laterais. As corolas são formadas por 5 pétalas estreitas e de cor rosa, fundidas num longo tubo, de cuja base despontam estames com anteras amarelas.
O cálice, tubular, é constituído por 5 sépalas que são muito estreitas e compridas.
O período de floração ocorre de junho a agosto. À medida que a flor envelhece o cálice começa a inchar até á formação dos frutos. Estes são cápsulas ovoides que contêm numerosas e minúsculas sementes.
Nota :
É importante não confundir esta planta que é do género Centaurium e família Gentianaceae com a Centaurea do género Centaurea e família das Compositae, até porque são morfologicamente diferentes.
Fotos : Caniçal e Areal Sul/Lourinhã


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Centaurium erythraea Rafn

Fel-da-terra; Centáurea menor
A Centaurium erythraea é uma planta da família das Gentianaceae. Esta família botânica inclui aproximadamente 700 espécies divididas em cerca de 80 géneros e que se distribuem por todos os continentes. A maioria das espécies desta família cresce nas montanhas ou nas regiões árticas. São quase todas herbáceas e muitas delas são azuis. Nesta família é vulgar a existência de fungos alojados nas raízes, o que é benéfico tanto para a planta como para o fungo. As raízes, amargas, são muito utilizadas para fins medicinais.
A espécie Centaurium erythraea não é azul mas é de um belo tom rosado. Distribui-se por toda a Europa, noroeste de África e sudoeste asiático. Foi introduzida noutros territórios como por exemplo a América do Norte e Austrália onde se naturalizou. Na Península Ibérica reparte-se por dunas, clareiras, pastagens, matos e bosques, com alguma preferência por terrenos ácidos.
A Centaurium erythraea apresenta una grande variedade de subespécies muito parecidas sendo difíceis de distinguir. É uma espécie muito polimórfica o que resulta do facto de, em termos evolutivos, ter havido recombinação do seu material genético de forma natural criando espécies ligeiramente diferentes e por vezes mais resistentes.

No entanto há que não confundir esta planta que é do género Centaurium e família Gentianaceae com a Centaurea do género Centaurea e família das Compositae, até porque são morfologicamente diferentes.
Esta foto de uma Centaurea sphaerocephala mostra a diferença em relação às Centaurium.


Tal como as outras gencianáceas a Centaurium erythraea destaca-se pela beleza das suas flores, que vão do branco ao cor-de-rosa intenso.
Esta é uma planta herbácea cuja parte aérea morre no fim do verão, voltando a brotar na estação seguinte a partir da parte subterrânea. A sua altura varia entre os 10 e os 35 cm.




Os caules são eretos, por vezes solitários, outras vezes crescendo vários a partir de uma roseta basal. De forma caracteristica, os caules não têm pelos e são quadrangulares, ramificando-se na metade superior.


As folhas basais têm forma arredondada, de obovada a elíptica enquanto que as caulinares são mais pequenas e estreitas e com 3 nervuras. As folhas caulinares não apresentam pecíolo e dispõem–se de forma oposta cruzada e vão diminuindo de tamanho a medida que sobem no caule.

As flores, muito numerosas, nascem na extremidade dos caules dispondo-se em cachos mais ou menos no mesmo plano, perpendicular ao ramo. As corolas são formadas por 5 pétalas unidas na base em forma de tubo, abrindo-se em 5 lobos planos, de cor rosa mais ou menos intenso. Encontram-se, por vezes, alguns exemplares de cor inteiramente branca. O cálice é constituído por 5 sépalas estreitas. Do centro da flor emergem 5 estames com anteras amarelas que se retorcem de forma helicoidal quando estão prontas para deixar sair o pólen.
A planta floresce de abril a setembro.
O fruto é uma pequena cápsula cilíndrica e oblonga, provida de várias cavidades e que, quando maduro, abre longitudinalmente deixando cair as numerosas sementes minúsculas.
O nome comum fel-da-terra deriva do seu sabor muito amargo. É uma planta muito usada na medicina popular portuguesa como tónico digestivo, hepático e sanguíneo, relaxante do sistema nervoso central e recomendada em casos de diabetes. A planta também é utilizada para aromatizar licores, fazendo parte dos ingredientes do vermute.

NOTA IMPORTANTE:
São inúmeras as plantas silvestres que podem ser utilizadas medicinalmente no entanto há que ter cuidado no seu manuseamento e uso, uma vez que muitas delas têm algum grau de toxicidade, podendo ser maléficas ao ponto de causar danos irreversíveis ou mesmo matar. É aconselhável tomá-las nas doses recomendadas por quem sabe do assunto e não cair no exagero de pensar que tudo o que é natural é bom para a saúde.

Fotos - Arribas da praia do Caniçal e Dunas do Areal Sul/Lourinhã