"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fumaria officinalis L.


Nomes mais comuns:
Cantos-béu-béu; Catarinas-queimadas; Erva-molarinha; Erva-moleirinha; Fumária; Pé-de-perdiz
A Fumaria officinalis é uma pequena planta herbácea anual que pode alcançar de 20 a 50 cm de altura. Os caules são eretos, finos e tenros, dispersos ou ramificados desde a base até ao topo, os quais são portadores de um latex amarelado que contém substâncias tóxicas. É uma planta de características de certo modo variáveis pois tanto pode assumir a forma de pequeno arbusto como crescer como trepadeira de baixo porte.
As folhas são verde-acinzentadas e dispõem-se no caule de forma oposta, ou seja, 2 folhas por cada nó, uma de cada lado do caule. São muito recortadas e sem pelos. O aroma é ácido e o sabor amargo.
As flores, reunidas em pequenos cachos, são branco-rosadas com a ponta vermelha ou púrpura. São muito pequenas, alongadas e apresentam quatro pétalas irregulares e unidas, com prolongamento oco e cilíndrico.
As sépalas são ovado-lanceoladas mais estreitas que a corola e aproximadamente três vezes menor que ela. As flores têm 6 estames unidos em dois feixes.
Curiosamente é uma planta pouco visitada por insetos o que não lhe faz diferença nenhuma pois as flores se auto-fertilizam.


O fruto é arredondado, mais largo que comprido e com o vértice achatado.
A Fumaria officinalis floresce de fevereiro a julho.
Provavelmente de origem europeia, esta planta encontra-se muito espalhada por todo o globo terrestre. É uma infestante que cresce abundantemente em terrenos cultivados ou incultos, espalhando-se com grande facilidade.
Esta planta é conhecida desde a Antiguidade devido às suas propriedades medicinais e utilizada como depurativa, diurética, contra afeções da pele e do fígado e outras afeções. É no entanto necessário muito cuidado pois a planta é cardiotóxica devido aos alcaloides que contem. Utilizam-se todas as partes da planta exceto a raiz.
A Fumaria officinalis pertence à família botânica das Fumariaceae e ao género das Fumaria, facilmente reconhecíveis pelo tipo de inflorescências.

Fotos - Areal Sul/Areia Branca-Lourinhã


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cistus salvifolius L.

Nomes comuns:
Estevinha; Sanganho-manso; Sanganho-mouro; Sargaço; Sargaço-mouro

Cistus salvifolius é um pequeno arbusto de folha perene, mais ou menos lenhoso, que cresce em forma de moita baixa. É muito ramificado, com pelos moles que formam um enfeltrado mais ou menos denso.

As folhas, aromáticas, são simples, opostas, ovais, com uma nervura central claramente mais espessa e outras secundárias mais ou menos paralelas entre si, com margem encrespada e com pelos em ambas as páginas.


 As flores são hermafroditas (possuem órgãos masculinos e femininos funcionais) e podem ser solitárias ou estar reunidas em grupos de até 4. A corola é formada por 5 pétalas brancas e um tufo central proeminente de estames amarelos em número indefinido.

As flores são muito numerosas mas pouco duráveis já que rapidamente perdem as pétalas. Contudo podem fazer excelentes plantas de jardim apropriadas ao nossos clima, como podemos ver na foto acima , fazendo cobertura de solo juntamente com Thymus praecox.
O fruto é uma cápsula de forma globosa coberta com pelos curtos e densos, de cor castanha, com 5 cavidades contendo numerosas sementes.
No Caniçal, o Cistus salvifolius está já em plena floração, acrescentando uma beleza nova à paisagem com as suas alegres flores brancas. Em breve começarão a florir também o Cistus ladanifer e o Cistus crispus que são da mesma família.
O Cistus salvifolius possui propriedades terapêuticas adstringentes e cicatrizantes. Distribui-se por toda a região mediterrânica incluindo Portugal e também a Macaronésia (arquipélagos Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde). Prefere os solos frescos, arenosos ou argilosos e encontra-se mais frequentemente em pinhais, matos e orlas dos caminhos rurais. Pertence à família das Cistaceae e ao género dos Cistus que engloba ervas e pequenos arbustos aromáticos e muito vistosos, característicos dos países mediterrânicos.

Fotos - Caniçal/Lourinhã



Espécie relacionada: Veja Halimium halimifolium




terça-feira, 12 de abril de 2011

Anthriscus sylvestris (L.) Hoffm.

Nomes comuns:
Cicuta; Cicuta-dos-prados; Cicutaria-dos-prados; Erva-cicutária
A Anthriscus sylvestris está incluída na família das Apiaceae ou Umbeliferae vulgarmente conhecida como família das cenouras. É uma planta herbácea nativa da Europa, oeste asiático e noroeste de África. É comum nas orlas dos matagais, prados, florestas e pomares, podendo ser invasora e difícil de erradicar.
É uma planta comestível mas para tal deve ser colhida quando é jovem para se conseguir um sabor que se assemelhe a uma mistura de salsa com funcho. Quando a planta envelhece o sabor torna-se desagradável e amargo. Contudo, a não ser que se esteja absolutamente certo da identificação correta da planta, não se deve de forma alguma colhê-la pois pode ser facilmente confundida com espécies letalmente venenosas como é o caso da Conium maculatum, a partir da qual é obtido o veneno cicuta.
A Anthriscus sylvestris é uma das ervas de umbelas brancas mais vulgares e também uma das primeiras a florir, sobressaindo entre as outras plantas e imprimindo uma característica única durante a floração. Além disso as suas flores  são uma refeição muito apetitosa para muitos insetos podendo ver-se sempre dezenas de insetos ocupados a extrair o néctar.

É uma planta grande e vigorosa, com aspeto macio, chegando a atingir 1,50 m de altura. O caule é ereto, ramificado só na parte superior, oco e estriado, quase sempre sem manchas e de cor verde-erva.
As folhas têm perímetro triangular e são tripinuladas, com folíolos terminais muito estreitos. A página inferior das folhas é ligeiramente peluda.
As flores são brancas e pequenas com pétalas ligeiramente fendidas e encurvadas em direção ao centro.
As flores estão reunidas em umbelas multiplas que apresentam 5 a 6 bractéolas rodeando as bases sendo que as que estão no limite são mais compridas que as do meio.
As umbelas são inflorescências em que o extremo do pedúnculo se dilata num pequeno recetáculo no qual se inserem, como as varetas de um guarda-chuva, um número variável de pedicelos, aproximadamente do mesmo comprimento. As umbelas podem ser simples, ou compostas no caso de haver umbelas secundarias.
A planta floresce abundantemente de abril a agosto. As flores dão lugar aos frutos que se conservam na planta por largo tempo antes de cairem e se dispersarem.


Os frutos têm forma de fuso, com a ponta estriada.


SOBRE A FAMILIA DAS UMBELIFERAE:
Uma das características mais evidentes desta família de plantas é a inflorescência. As suas flores, pequenas, nascem sempre em umbelas, simples ou compostas. Nas umbelas simples os eixos secundários têm todos a mesma altura e saem do mesmo ponto do pedúnculo. As umbelas compostas são formadas por umbelas de umbelas de menores dimensões. Podem existir brácteas na base da umbela principal e bractéolas (mais pequenas) na base das umbelas secundárias. Tanto os frutos como as brácteas são importantes para a identificação da planta. Em cada flor existem cinco pétalas separadas, por vezes de dimensão muito diferenciadas. Quando existe, o cálice é constituído por cinco sépalas. As flores possuem nectários (glândulas produtoras de néctar) pelo que os insetos são atraídos para as umbelas. Pertencem a esta família não só ervas aromáticas, como, por exemplo a salsa, o funcho e o coentro, mas também muitas ervas venenosas.
Fotos - Caniçal/Lourinhã


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Anthyllis vulneraria L.

Vulnerária  

È uma espécie coberta de cílios sedosos com muitas variedades e subespécies bem representadas em Portugal, sendo por vezes difícil distingui-las. Podem ser prostradas, trepadeiras ou mesmo eretas.
Normalmente perene, esta espécie pode comportar-se como anual e desenvolve-se nas areias das dunas interiores, onde surge dispersa no meio de outras plantas. Encontra-se também em matos, charnecas, pinhais e outros locais áridos ou arenosos.
Anthyllis vulneraria uma planta herbácea e peluda, de caules ramificados e deitados sobre o solo.
As folhas inferiores são simples, de forma elítica ou oblonga e as restantes têm vários folíolos dispostos aos pares sendo o folíolo terminal quase sempre maior que os laterais.
A página inferior das folhas é muito sedosa.

As flores desprovidas de pedicelo estão dispostas em capítulos, geralmente aos pares, no cimo do caule e dos ramos.
O cálice é esbranquiçado e bastante intumescido após a fecundação. Nesta espécie a corola é de cor vermelha, havendo outras espécies com flores de cor amarela, laranja or branca.

 
Cada inflorescência é protegida por brácteas verdes profundamente recortadas e facilmente visíveis.
 Esta planta é muito visitada por insetos que transportam o pólen, de flor em flor. Mas caso as plantas estejam situadas em locais isolados, fora do alcance dos insetos, as flores autopolinizam-se.
A Anthyllis vulneraria é uma espécie nativa do sul da Europa, sudoeste da Ásia e norte de África.
Os frutos são vagens planas com 1 a 2 sementes.
Esta planta floresce de abril a Junho.
A Anthyllis vulneraria é uma planta da família das Fabaceae/Leguminosae, subfamília das Papilionaceae. Tem sido muito utilizada pelos ervanários tradicionais no tratamento de contusões e queimaduras, servindo para estancar hemorragias e acelerar a cicatrização de feridas.

Fotos - Caniçal/Lourinhã





domingo, 10 de abril de 2011

Mesembryanthemum nodiflorum L.

Flor-do-gelo
Mesembryanthemum nodiflorum é uma espécie nativa da região mediterrânica que foi naturalizada noutros continentes, sendo por vezes invasiva.
Trata-se de uma pequena planta prostrada e rastejante que forma densos tapetes como máximo de 20 cm de comprimento. Vive nas regiões costeiras, junto ao mar, de preferência em solos areno-argilosos.
Normalmente cresce junto a outra espécie rastejante a Frankenia laevis (ver página publicada em 13 de fevereiro de 2011). Ambas as espécies são halófitas, isto é, estão adaptadas às condições ambientais tendo adquirido a capacidade de acumular grandes quantidades de cloreto de sódio provenientes da salinidade marítima, que depois eliminam juntamente com os órgãos que o armazenavam. No que diz respeito à Mesembryanthemum nodiflorum ao terminar o seu ciclo vegetativo a planta morre derramando no solo os sais acumulados durante a sua vida, impossibilitando outras espécies não halófitas de colonizarem o espaço e criando condições para que as suas próprias sementes se possam desenvolver.

A Mesembryanthemum nodiflorum pertence à família das Aizoaceae que inclui plantas suculentas com forma bizarra e muito decorativas pelo colorido das inflorescências, muitas delas cultivadas como ornamentais pois são indicadas para jardins de rochas, mini-jardins e pequenos vasos.

A Mesembryanthemum nodiflorum é uma planta suculenta anual, com acumulações de sal nas células das folhas o que lhe dá uma aparência brilhante valendo-lhe por isso o nome de planta-de-gelo. As folhas são muito pequenas, carnudas, lineares, inicialmente verdes e depois púrpureas.


As flores com cerca de meio centímetro de diâmetro, são muito vistosas, solitárias ou reunidas num cacho solto. As pétalas são muito finas, de cor branca ou amarelo-pálido e mais curtas que as sépalas.
O fruto é uma cápsula que abre quando fica molhada, libertando as sementes.
Esta espécie floresce de maio a setembro.


Fotos- Caniçal/Lourinhã



Andryala integrifolia L.

Nomes mais comuns:
Tripa de ovelha; Alface do monte; Erva-polvilhenta; Alface-dos-calcários
A Andryala integrifolia é mais uma espécie da família das Asteraceae ou Compositae, uma das maiores famílias de plantas com flor e que inclui cerca de 50.000 espécies distribuídas por aproximadamente 900 géneros. As espécies desta família distinguem-se facilmente pelas suas inflorescências agrupadas em capítulos (tipo de inflorescência em que muitas pequenas flores se agrupam num só pedúnculo, reunidas num disco com “pétalas” na periferia do mesmo, parecendo constituir uma única flor).
Um dos géneros desta família é o género Andrayala, a que pertence a espécie Andryala integrifolia. As plantas deste género diferenciam-se dos outros géneros da família Asteraceae porque todas as flores do capítulo têm “pétalas” e não apenas as que se encontram na periferia do disco. Também as brácteas destas espécies são diferentes pois são densamente peludas. Além do mais, os caules das plantas deste género possuem látex, secreção esbranquiçada que se nota quando os caules são feridos e que tem a função de, uma vez consolidada com a oxidação, provocar a cicatrização do tecido lesado.
A Andryala integrifolia é uma planta que pode ser anual o bienal atingindo de 30 aos 50 cm de altura. Os caules são normalmente solitários, simples ou muito ramificados. São delgados e estão cobertos de pelos moles, curtos e muito densos que dão à planta um aspeto esbranquiçado. Estes pelos refletem a luz do sol permitindo assim que a planta suporte o excesso de radiação solar.
As folhas estão inseridas no caule alternadamente. São densamente peludas de forma alongada e são planas ou onduladas.
As flores estão reunidas em capítulos em que todas as flores são liguladas ou seja, todas as flores têm um prolongamento em forma de pétala e não apenas as da periferia do disco. As lígulas são todas amarelas, de um amarelo-limão e são dentadas, no extremo exterior. Todas as flores dispõem de órgãos funcionais femininos e masculinos (gineceu e androceu).
Por sua vez os capítulos agrupam-se em corimbos, isto é, em cachos mais ou menos frouxos, em que as flores, apresentam pedicelos de comprimento desigual e se situam ao mesmo nível.
Foto de Pablo alberto Salguero Quiles - Fonte Wikimedia commons
As brácteas que envolvem o conjunto de flores têm a forma de lança, estão cobertas de pelos mais visíveis de que os do caule e dispõem-se em duas camadas.
Os frutos são oblongos e com tufo de pelos acinzentados que facilitam a sua dispersão.
A Andryala integrifolia distribui-se por toda a região mediterrânica e sudoeste europeu. Vive em terrenos arenosos, pedregosos ou áridos. Nas dunas encontra-se por todo o sistema dunar interior.
São plantas abundantes, com grande área de distribuição ocupando os habitats mais diversos. Muitas vezes torna-se difícil a sua identificação porque muda radicalmente consoante o habitat.
Esta espécie floresce de junho a agosto.

NOTA IMPORTANTE
A Andryala integrifolia, tal como todas as plantas que contêm látex não devem ser consumidas, pois a maioria representa um sério risco para a saúde, especialmente quando cruas. Isso ocorre porque o látex tem muitas substâncias tóxicas, nomeadamente ácido cianídrico, precursor do cianureto, paralisante do sistema respiratório.

Fotos - Caniçal/Lourinhã