"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Cymbalaria muralis P. Gaertn. , B. Mey. & Scherb. subsp. muralis (atualizado)

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Video on Cymbalaria muralis:
https://youtu.be/FldgmAwCwo0

Other videos:
https://www.youtube.com/channel/UCE92HV-QY2xxhpUF80q_fwg/videos

Nomes comuns:
Cimbalária-dos-muros; ruínas; violetas-de-sala

Cada planta ou flor silvestre, por mais modesta que seja, tem o poder de surpreender e encantar. Entre tantas características possíveis, seja a diferente textura ou formato das folhas, a cor brilhante das pétalas ou o engenho das estratégias de sobrevivência e reprodução, tudo é motivo de fascínio e encantamento, sejam as espécies grandes e vistosas ou pequenas e humildes. 
Devo confessar que tenho grande predileção pelas flores pequeninas e deleito-me com a perfeição miniatural das suas peças florais, de cores só possíveis na natureza. 
Também nunca deixa de me surpreender a forma ordenada como as diferentes espécies de ervas se sucedem de forma breve, aproveitando o mesmo pedaço de terra como se fizessem turnos, esperando pacientemente a sua vez de cumprir o objetivo de perpetuar a espécie. Outras há, que procuram habitats difíceis e só nas dificuldades que enfrentam se revelam em todo o seu esplendor miniatural, regalando os sentidos dos mais atentos. É o caso de Cymbalaria muralis, uma belíssima e delicada erva, uma das minhas favoritas.

Cymbalaria muralis é uma espécie rupícola, ou seja, vive quase exclusivamente em paredes e muros, como aliás o seu nome específico indica. Outras plantas rupícolas vivem em rochedos e afloramentos rochosos em campo aberto, mas tal não é o caso desta nossa plantinha. 
Ela prefere, sem sombra de dúvida a proximidade dos humanos pelo que a podemos encontrar sobretudo em decrépitos muros de pedra construídos em redor de campos agrícolas, velhas paredes de tijolo e cimento e até em antigos monumentos históricos (de onde deriva o nome vernáculo “ruína”). 
As raízes desta planta desenvolvem-se nas estreitas, escuras e profundas fissuras das paredes de argamassa, tijolo e cimento ou entre as pedras dos muros e muralhas. Nesses espaços mínimos acumulam-se partículas trazidas pelo vento, as quais vão formando pequenos núcleos de solo com alguns nutrientes e humidade que parecem suficientes às suas parcas necessidades. 
Em vista das condições de escassez do seu habitat, Cymbalaria muralis evita as áreas mais quentes e secas e locais onde se registem grandes amplitudes térmicas. É por isso que muitas vezes ocorre de forma fragmentada, aproveitando nichos de microclima húmido e suave. Desenvolve-se tanto na meia-sombra como em situações soalheiras, desde que as raízes beneficiem de alguma humidade.
Cymbalaria muralis é uma erva perene, de aspecto algo carnudo e suculento. O seu porte é rasteiro e o crescimento rápido, depressa formando uma massa compacta de folhas sobrepostas. 
Os longos caules estendem-se horizontalmente e em todas as direções; são finos e frágeis, glabros e lustrosos, frequentemente de cor avermelhada. Nos nós formam-se raízes adventícias que podem enraizar e servir de apoio.
As folhas, no topo de longos pecíolos, são muito bonitas e delicadas, apresentando-se lustrosas e de aspeto carnudo e encerado; dispõem-se nos caules de forma alternada, exceto as inferiores que são opostas; são planas e arredondadas ou em forma de coração, com recortes irregulares formando de 3 a 9 lóbulos desiguais
A página superior é verde, mas a inferior toma, frequentemente, tons avermelhados.
As flores surgem solitárias ou aos pares, a partir da axila das folhas.

As 5 pétalas estão unidas formando um tubo cuja base se prolonga de forma cónica e algo arqueada (denominado esporão) e dentro do qual se encontra o néctar. A outra extremidade do tubo abre-se para o exterior formando dois lábios. ~

O lábio superior tem 2 pequenos lóbulos de cor violeta. O lábio inferior é mais amplo, tem 3 lóbulos de cor violeta e branca, a meio dos quais surgem duas saliências semelhantes a almofadas as quais se encostam ao lábio superior encerrando a entrada que conduz ao interior da flor, interditando o acesso a polinizadores não autorizados. Estas almofadas, muito vistosas na sua cor amarela e branca constituem uma provável pista de aterragem para os insetos polinizadores, maioritariamente constituídos por abelhas. Os veios mais escuros que se veem no interior dos lábios são guias de néctar que, mais uma vez, facilitam a vida das abelhas, indicando-lhes o caminho direto para o néctar e o pólen.
O cálice consta de 5 sépalas unidas até meio, separando-se depois em 5 segmentos semelhantes, glabros e com margens escariosas.
Cada flor apresenta órgãos reprodutores masculinos e femininos funcionais, podendo autopolinizar-se na falta de insetos adequados à anatomia da flor. Os estames, assim como o estigma, estão escondidos dentro da flor.
De forma geral, a planta floresce desde o inicio da primavera até final do verão.
O fruto é uma cápsula globosa que na maturação fica maior que o cálice. As sementes são pequenas, de cor escura e de forma oval ou redondas; são rugosas, com saliências longitudinais bastante evidentes. A sua superfície rugosa evita que rolem para fora das saliências onde são depositadas.

O aspeto mais interessante desta espécie é o seu comportamento e a estratégia de proteção das sementes. Refiro-me ao facto de esta planta demonstrar fototropismo, não só positivo mas também negativo. “Foto” é luz e “tropismo” é movimento. Fototropismo positivo é o movimento para a luz, que é o que todas as plantas fazem, crescendo em direção ao sol, de modo a deixarem as suas flores mais visíveis aos polinizadores ou vulneráveis ao vento que lhes leva as sementes. Mais raro nas plantas é o fototropismo negativo, isto é, o crescimento para longe da luz. 

Cymbalaria muralis cresce para a luz enquanto está em crescimento e em processo de polinização, mas uma vez completado o processo de fertilização, as sementes em formação tornam-se fototrópicas negativas, evitando a luz, encurvando os pedúnculos e procurando locais escuros, ao seu alcance, onde têm mais hipóteses de encontrar um nicho confortavelmente húmido onde possam germinar. A verdade é que dependendo apenas de um pequeno número disponível de locais seguros para largar as sementes, esta estratégia limita o número de novas plantas. Se por um lado permite a rápida substituição dos indivíduos que chegam ao seu fim de vida, a verdade é que também limita o estabelecimento de novas colónias. 
Contudo, surpreendentemente, estudos revelam que poucas são as sementes encontradas nos nichos, em comparação com o número de cápsulas aí depositadas. Muitas sementes poderão ser levadas pelas formigas ou escaravelhos, mas nunca para muito longe do seu local de origem. Resta saber que estratégias são utilizadas pela planta para enviar as sementes para longe. É de supor que a planta aproveite uma variedade de fatores que de alguma forma potenciem meios secundários de dispersão de longo alcance, embora ainda estejam por identificar.
Ao que se julga, Cymbalaria muralis é originária da Itália, nomeadamente da cordilheira dos Apeninos e região da Ístria (península do mar Adriático que hoje pertence a 3 países: Itália, Croácia e Eslovénia)). 
Presentemente encontra-se amplamente naturalizada por toda região mediterrânica e pela maioria dos países da Europa central. A forma como se expandiu para tão longe da sua área de diversificação ancestral permanece obscura embora algumas investigações levem a crer que possa ter sido, numa primeira fase, introduzida pelos romanos que a apreciavam muito e cultivavam como planta ornamental e medicinal, tendo-se aclimatado de forma discreta nuns lugares e extinguido noutros. 

A partir do século XVI a planta voltou a estar na moda e também por motivos decorativos foi introduzida ou reintroduzida, conforme o caso, sobretudo nos países do norte europeu. 
Nesta conformidade, Cymbalaria muralis é considerada um arqueófito no sul da Europa, no pressuposto de que tenha sido introduzida na Antiguidade, enquanto na maioria dos países europeus do norte esteja classificada como neófito por ter sido introduzida depois da data limite ou seja, após o ano de 1500. 
De notar que as datas de introdução são frequentemente problemáticas em estudos deste tipo devido à falta de registos históricos detalhados. A distinção entre arqueófitos e neófitos é particularmente importante pois está amplamente comprovado que os dois grupos diferem nas relações entre si e o meio ambiente, em resultado dos regimes de seleção e cultivo contrastantes das sociedades antigas e as mais modernas. 

Distribuição de Cymbalaria muralis em Portugal continental.
Fonte: Flora Digital de Portugal UTAD

No que diz respeito a Portugal,  tudo leva a crer que Cymbalaria muralis é um arqueófito no continente e um neófito nos arquipélagos de Açores e Madeira.

Cymbalaria muralis foi também levada para fora da Europa estando naturalizada em muitos dos climas temperados da Terra nomeadamente na Austrália, Nova Zelândia, Américas e África do Sul.
Embora seja uma bela planta, especialmente adequada a jardins de rocha  e a cestos suspensos, não podemos dizer que seja muito conhecida ou utilizada em jardinagem nos dias que correm. 
Contudo, não só é uma erva muito atrativa como é comestível, sendo rica em vitamina C. As flores e as folhas podem ser incluídas em saladas, embora com moderação. O sabor é ligeiramente acre e picante com algumas semelhanças com os agriões. Ingerida em excesso pode ser prejudicial à saúde, como aliás acontece com muitos alimentos comuns.

No passado, Cymbalaria muralis foi usada como erva medicinal. A infusão das folhas e flores era utilizada como tónica, diurética e antiescorbútica. As folhas frescas eram também colocadas sobre as feridas para promover a rápida cicatrização.

Cymbalaria muralis é uma das 10 espécies que constituem o género Cymbalaria, agora incluído na família Plantaginaceae (após ter sido recentemente transferido da família Scrophulariaceae em resultado de testes filogenéticos). Também o nome do género foi alterado, pois até meados dos anos 60 do século passado as espécies deste género pertenciam ao género Linaria - seção Cymbalaria
O nome Cymbalaria deriva do latim “Cymbalum” ou do grego “Kymbalon” numa referência à semelhança das folhas com os pratos do címbalo, instrumento musical de percurssão.


Fotos de Cymbalaria muralis - Serra do Calvo/Lourinhã







terça-feira, 24 de maio de 2016

Cymbalaria muralis P. Gaertn. , B. Mey. & Scherb. subsp. muralis

Nomes comuns:
Cimbalária-dos-muros; ruínas; violetas-de-sala
Cada planta ou flor silvestre, por mais modesta que seja, tem o poder de surpreender e encantar. Entre tantas características possíveis, seja a diferente textura ou formato das folhas, a cor brilhante das pétalas ou o engenho das estratégias de sobrevivência e reprodução, tudo é motivo de fascínio e encantamento, sejam as espécies grandes e vistosas ou pequenas e humildes. Devo confessar que tenho grande predileção pelas flores pequeninas e deleito-me com a perfeição miniatural das suas peças florais, de cores só possíveis na natureza. Também nunca deixa de me surpreender a forma ordenada como as diferentes espécies de ervas se sucedem de forma breve, aproveitando o mesmo pedaço de terra como se fizessem turnos, esperando pacientemente a sua vez de cumprir o objetivo de perpetuar a espécie. Outras há, que procuram habitats difíceis e só nas dificuldades que enfrentam se revelam em todo o seu esplendor miniatural, regalando os sentidos dos mais atentos. É o caso de Cymbalaria muralis, uma belíssima e delicada erva, uma das minhas favoritas.
Cymbalaria muralis é uma espécie rupícola, ou seja, vive quase exclusivamente em paredes e muros, como aliás o seu nome específico indica. Outras plantas rupícolas vivem em rochedos e afloramentos rochosos em campo aberto, mas tal não é o caso desta nossa plantinha. 
Ela prefere, sem sombra de dúvida a proximidade dos humanos pelo que a podemos encontrar sobretudo em decrépitos muros de pedra construídos em redor de campos agrícolas, velhas paredes de tijolo e cimento e até em antigos monumentos históricos (de onde deriva o nome vernáculo “ruína”). 
As raízes desta planta desenvolvem-se nas estreitas, escuras e profundas fissuras das paredes de argamassa, tijolo e cimento ou entre as pedras dos muros e muralhas. Nesses espaços mínimos acumulam-se partículas trazidas pelo vento, as quais vão formando pequenos núcleos de solo com alguns nutrientes e humidade que parecem suficientes às suas parcas necessidades. Em vista das condições de escassez do seu habitat, Cymbalaria muralis evita as áreas mais quentes e secas e locais onde se registem grandes amplitudes térmicas. É por isso que muitas vezes ocorre de forma fragmentada, aproveitando nichos de microclima húmido e suave. Desenvolve-se tanto na meia-sombra como em situações soalheiras, desde que as raízes beneficiem de alguma humidade.
Cymbalaria muralis é uma erva perene, de aspecto algo carnudo e suculento. O seu porte é rasteiro e o crescimento rápido, depressa formando uma massa compacta de folhas sobrepostas. Os longos caules estendem-se horizontalmente e em todas as direções; são finos e frágeis, glabros e lustrosos, frequentemente de cor avermelhada. Nos nós formam-se raízes adventícias que podem enraizar e servir de apoio.
As folhas, no topo de longos pecíolos, são muito bonitas e delicadas, apresentando-se lustrosas e de aspeto carnudo e encerado; dispõem-se nos caules de forma alternada, exceto as inferiores que são opostas; são planas e arredondadas ou em forma de coração, com recortes irregulares formando de 3 a 9 lóbulos desiguais. 
A página superior é verde, mas a inferior toma, frequentemente, tons avermelhados.
As flores surgem solitárias ou aos pares, a partir da axila das folhas.
As 5 pétalas estão unidas formando um tubo cuja base se prolonga de forma cónica e algo arqueada (denominado esporão) e dentro do qual se encontra o néctar. A outra extremidade do tubo abre-se para o exterior formando dois lábios. 
O lábio superior tem 2 pequenos lóbulos de cor violeta. O lábio inferior é mais amplo, tem 3 lóbulos de cor violeta e branca, a meio dos quais surgem duas saliências semelhantes a almofadas as quais se encostam ao lábio superior encerrando a entrada que conduz ao interior da flor, interditando o acesso a polinizadores não autorizados. Estas almofadas, muito vistosas na sua cor amarela e branca constituem uma provável pista de aterragem para os insetos polinizadores, maioritariamente constituídos por abelhas. Os veios mais escuros que se veem no interior dos lábios são guias de néctar que, mais uma vez, facilitam a vida das abelhas, indicando-lhes o caminho direto para o néctar e o pólen.
O cálice consta de 5 sépalas unidas até meio, separando-se depois em 5 segmentos semelhantes, glabros e com margens escariosas.
Cada flor apresenta órgãos reprodutores masculinos e femininos funcionais, podendo autopolinizar-se na falta de insetos adequados à anatomia da flor. Os estames, assim como o estigma, estão escondidos dentro da flor.
De forma geral, a planta floresce desde o inicio da primavera até final do verão.
O fruto é uma cápsula globosa que na maturação fica maior que o cálice. As sementes são pequenas, de cor escura e de forma oval ou redondas; são rugosas, com saliências longitudinais bastante evidentes. A sua superfície rugosa evita que rolem para fora das saliências onde são depositadas.
O aspeto mais interessante desta espécie é o seu comportamento e a estratégia de proteção das sementes. Refiro-me ao facto de esta planta demonstrar fototropismo, não só positivo mas também negativo. “Foto” é luz e “tropismo” é movimento. Fototropismo positivo é o movimento para a luz, que é o que todas as plantas fazem, crescendo em direção ao sol, de modo a deixarem as suas flores mais visíveis aos polinizadores ou vulneráveis ao vento que lhes leva as sementes. Mais raro nas plantas é o fototropismo negativo, isto é, o crescimento para longe da luz. 
Cymbalaria muralis cresce para a luz enquanto está em crescimento e em processo de polinização, mas uma vez completado o processo de fertilização, as sementes em formação tornam-se fototrópicas negativas, evitando a luz, encurvando os pedúnculos e procurando locais escuros, ao seu alcance, onde têm mais hipóteses de encontrar um nicho confortavelmente húmido onde possam germinar. A verdade é que dependendo apenas de um pequeno número disponível de locais seguros para largar as sementes, esta estratégia limita o número de novas plantas. Se por um lado permite a rápida substituição dos indivíduos que chegam ao seu fim de vida, a verdade é que também limita o estabelecimento de novas colónias. 
Contudo, surpreendentemente, estudos revelam que poucas são as sementes encontradas nos nichos, em comparação com o número de cápsulas aí depositadas. Muitas sementes poderão ser levadas pelas formigas ou escaravelhos, mas nunca para muito longe do seu local de origem. Resta saber que estratégias são utilizadas pela planta para enviar as sementes para longe. É de supor que a planta aproveite uma variedade de fatores que de alguma forma potenciem meios secundários de dispersão de longo alcance, embora ainda estejam por identificar.
Ao que se julga, Cymbalaria muralis é originária da Itália, nomeadamente da cordilheira dos Apeninos e região da Ístria (península do mar Adriático que hoje pertence a 3 países: Itália, Croácia e Eslovénia)). Presentemente encontra-se amplamente naturalizada por toda região mediterrânica e pela maioria dos países da Europa central. A forma como se expandiu para tão longe da sua área de diversificação ancestral permanece obscura embora algumas investigações levem a crer que possa ter sido, numa primeira fase, introduzida pelos romanos que a apreciavam muito e cultivavam como planta ornamental e medicinal, tendo-se aclimatado de forma discreta nuns lugares e extinguido noutros. Muitos séculos passados, a planta voltou a estar na moda e também por motivos decorativos foi introduzida ou reintroduzida, conforme o caso, a partir do século XVI, sobretudo nos países do norte europeu. Nesta conformidade, Cymbalaria muralis é considerada um arqueófito no sul da Europa, no pressuposto de que tenha sido introduzida na Antiguidade, enquanto na maioria dos países europeus do norte esteja classificada como neófito por ter sido introduzida depois da data limite ou seja, após o ano de 1500. De notar que as datas de introdução são frequentemente problemáticas em estudos deste tipo devido à falta de registos históricos detalhados. A distinção entre arqueófitos e neófitos é particularmente importante pois está amplamente comprovado que os dois grupos diferem nas relações entre si e o meio ambiente, em resultado dos regimes de seleção e cultivo contrastantes das sociedades antigas e as mais modernas. 
Distribuição de Cymbalaria muralis em Portugal continental.
Fonte: Flora Digital de Portugal UTAD
No que diz respeito a Portugal,  tudo leva a crer que Cymbalaria muralis é um arqueófito no continente e um neófito nos arquipélagos de Açores e Madeira.

Cymbalaria muralis foi também levada para fora da Europa estando naturalizada em muitos dos climas temperados da Terra nomeadamente na Austrália, Nova Zelândia, Américas e África do Sul.
Embora seja uma bela planta, especialmente adequada a jardins de rocha  e a cestos suspensos, não podemos dizer que seja muito conhecida ou utilizada em jardinagem nos dias que correm. Contudo, não só é uma erva muito atrativa como é comestível, sendo rica em vitamina C. As flores e as folhas podem ser incluídas em saladas, embora com moderação. O sabor é ligeiramente acre e picante com algumas semelhanças com os agriões. Ingerida em excesso pode ser prejudicial à saúde, como aliás acontece com muitos alimentos comuns.
No passado, Cymbalaria muralis foi usada como erva medicinal. A infusão das folhas e flores era utilizada como tónica, diurética e antiescorbútica. As folhas frescas eram também colocadas sobre as feridas para promover a rápida cicatrização.

Cymbalaria muralis é uma das 10 espécies que constituem o género Cymbalaria, agora incluído na família Plantaginaceae (após ter sido recentemente transferido da família Scrophulariaceae em resultado de testes filogenéticos). Também o nome do género foi alterado, pois até meados dos anos 60 do século passado as espécies deste género pertenciam ao género Linaria - seção Cymbalaria
O nome Cymbalaria deriva do latim “Cymbalum” ou do grego “Kymbalon” numa referência à semelhança das folhas com os pratos do címbalo, instrumento musical de percurssão.

Fotos de Cymbalaria muralis - Serra do Calvo/Lourinhã


terça-feira, 22 de março de 2016

Anthemis cotula L. e as "camomilas"

Nomes comuns:
Macela-fétida; margaça; erva-mijona; 
fedegosa, funcho-de-burro.

Anthemis cotula
Anthemis cotula é mais uma espécie emblemática da família Asteraceae/Compositae. Este pequeno malmequer floresce na primavera e verão. É semelhante a várias outras espécies que florescem na mesma altura do ano e que são designadas, na generalidade, por “camomilas”. As flores das chamadas “camomilas” são usadas sob a forma de infusão sendo, por vezes, o remédio caseiro para uma incipiente dor de cabeça ou como calmante destinado a proporcionar uma boa noite de sono. Também gozam de boa reputação no tratamento de variadas patologias, nomeadamente alergias, inflamações, espasmos musculares, ulceras, problemas digestivos, entre outras.
Anthemis cotula
Anthemis cotula está presente em Portugal continental onde é considerada nativa, tendo sido introduzida nos Açores e Madeira. Na realidade, esta espécie é um arqueófito que foi trazida do médio oriente pelos romanos, tendo-se propagado por todo o Mediterrâneo. Como sabemos, os arqueófitos são as espécies que foram introduzidas em tempos muito recuados (desde a pré-história até à época dos descobrimentos), tendo-se convencionado como limite o ano de 1500. Muitas delas foram introduzidas em tempos tão recuados que são consideradas autóctones, como é o caso da presente espécie.
Anthemis cotula
Anthemis cotula distribui-se pela maioria dos países europeus, sudoeste asiático e norte de África. Foi introduzida na América do norte, América do sul, Austrália e Nova Zelândia onde é considerada planta invasora. É uma planta ruderal, vivendo em meios sujeitos a atividades humanas (beira dos caminhos, escombros, entulhos, estrumeiras, etc.) os quais se caracterizam por elevada percentagem de azoto no solo. É também uma espécie arvense, ou seja, tem apetência por invadir as culturas e os prados semeados, especialmente campos de cereais.
Anthemis cotula
Anthemis cotula é uma herbácea de ciclo de vida anual, germinando na primavera ou no outono. As plantas que germinam no fim do verão ou no outono passam o período invernal sob a forma de roseta e quando chega a primavera desenvolvem-se rapidamente, iniciando a floração em abril ou maio. As plantas que germinam na primavera começam a florescer cerca de um mês mais tarde. A floração continua por todo o verão, prolongando-se até chegada dos primeiros frios.
Anthemis cotula
Toda a planta emana um odor forte, picante e ácido que é considerado desagradável, sendo esta a principal característica que, à primeira vista, a distingue de outras semelhantes.
Os caules são eretos ou ascendentes, glabros ou pouco pubescentes e ramificados na sua metade superior. A sua altura é muito variável, entre 3 a 75 cm e a planta pode assumir um porte ereto ou algo esparramado.
Anthemis cotula
As folhas posicionam-se nos caules de forma alternada, estão cobertas de pelos finos mas esparsos e abraçam os caules com o curto pecíolo de que dispõem. O limbo é fino e profundamente recortado, estando dividido em segmentos estreitos e irregulares.
Anthemis cotula
As flores organizam-se em inflorescências do tipo capítulo, característica comum entre os malmequeres e que nesta espécie surgem solitários no topo de pedúnculos longos e eretos, despidos de folhas. 
Anthemis cotula - invólucro
invólucro em forma de taça que envolve as peças florais é formado por duas ou três camadas de brácteas verdes, com margens franjadas e translucidas e dispostas de forma imbricada. Dentro deste invólucro existe um recetáculo sobre o qual se inserem as flores. 
Anthemis cotula
De início arredondado e em forma de botão, o recetáculo desta espécie toma a forma cónica com a maturação. 
Anthemis cotula
Esta foto de Herbarium-Plantas y hongos mostra o recetáculo seccionado, visivelmente sólido.
O recetáculo cónico é sólido no seu interior, ao contrário do que acontece com algumas espécies semelhantes. As flores centrais são tubulosas, de cor amarela e estão separadas por pequeníssimas brácteas lineares, as quais protegem os órgãos reprodutores de ambos os sexos presentes em cada florzinha. 
Anthemis cotula
Nesta foto podem ver-se as brácteas interflorais lineares que protegem apenas as flores que se vão transformar em fruto e que se situam na parte central do recetáculo.
Fonte da foto.
Estas brácteas são persistentes na frutificação, segurando os frutos até ao limite. Ao contrário das flores centrais, as flores periféricas não apresentam estas brácteas pois não necessitam delas, uma vez que são estéreis e a sua única missão é atrair os polinizadores através da produção das hemilígulas brancas cujo ápice termina com 3 dentes. 
Frutos de Anthemis cotula.
Foto de Bruce Ackley, The Ohio State University, Bugwood.org
Os frutos, do tipo aquénio ou cipsela, são pouco comprimidos, de forma cónico-cilíndrica, estriados e tuberculados, ou seja, cobertos de pequenas saliências espessas e arredondadas. Não têm papilho. Cada fruto contém uma única semente. 
Cada planta produz centenas de milhares de frutos numa única estação, os quais permanecem viáveis no solo durante 4 a 6 anos. 
Apesar do odor desagradável que lhe granjeou o epíteto de fétida (ex. em inglês “stinking chamomile”) esta planta apresenta propriedades terapêuticas apreciáveis. As flores contêm flavonoides, ou seja, metabólitos secundários da classe dos polifenóis os quais apresentam atividade antibiótica e óleos essenciais. Embora um pouco amarga de gosto a Anthemis cotula possui reconhecidas propriedades terapêuticas como antiespasmódica, adstringente, diaforética, diurética, sedativa e tónica, entre outras.

O sabor amargo deriva dos princípios amargos presentes na composição química desta e de muitas plantas medicinais. São eles os responsáveis pelas propriedades terapêuticas digestivas dessas espécies, pois excitam as células gustativas e aumentam os sucos gástricos.

Há que ter cuidado com o manuseamento desta planta pois o seu suco pode causar alergia em algumas pessoas (eritema bolhoso). Curiosamente, os extratos da planta têm utilização no tratamento de ulceras e feridas da pele.

Perfil farmacológico de Anthemis cotula 
(Fonte: Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro UTAD)
- Antiespasmódico e Indutor da menstruação
- Adstringente, Sudorífero, Diurético, Emético, Emenagogo e Tónica.
- Tratamento de sintomas do reumatismo, epilepsia, asma, rinites e febres (infusão das flores);
- Picadas de insetos (uso externo: folhas).
- Antibacteriano contra bactérias Gram positivas e Gram negativas (flavonóides do extrato das flores).
- Pode causar dermatite alérgica (uso interno, soro ácido).
- Pode causar erupções cutâneas.
- Contraindicada a grávidas e lactantes.
- Pode interagir com medicamentos com ação similar.

Alguns sinónimos científicos de Anthemis cotula:
Anthemis foetida Lam.; 
Anthemis psorosperma Ten.; 
Anthemis ramosa Link ex Spreng.;   
Chamaemelum cotula (L.) All.
Maruta cotula (L.) DC.; 
Maruta foetida Cass.

Anthemis cotula
Anthemis cotula pertence ao género Anthemis, composto por cerca de uma centena e meia de espécies das quais 6 fazem parte da flora espontânea portuguesa, segundo o portal Flora-on 
Sob o ponto de vista taxonómico é um género difícil. As espécies apresentam mais semelhanças que diferenças entre si e estão muito próximas de outros géneros pelo que tem havido dificuldade por parte dos investigadores botânicos em chegarem a acordo quanto à sua classificação. Este género foi descrito por Lineu e publicado em Species Plantarum 2: 893–896. 1753, embora tenha sido o botânico italiano PierAntonio Micheli(1679-1737) quem originalmente propôs o nome Anthemis para este género, na sua publicação Nova plantarum genera: iuxtaTournefortii methodum disposita(1729).
O termo Anthemis deriva da palavra grega “ánthemon” (= floração abundante), depois transformado em “anthemis” (= flores pequenas), fazendo referencia às pequenas mas numerosas flores do capítulo.
O epiteto “cotula” que designa a espécie, deriva da palavra grega “kotule”. Este termo significa pequena taça e tanto se pode interpretar como fazendo referencia à cavidade que se forma na base das folhas amplexicaules como à forma da inflorescência.
Anthemis cotula. A seta indica a cavidade que se forma na base das folhas amplexicaules. 
Algumas espécies deste género geram consideráveis receitas não só na indústria farmacêutica mas também na áreas alimentar e de cosméticos. Há séculos que as propriedades curativas das suas espécies são apreciadas e reconhecidas, inclusive fazendo parte de algumas farmacopeias. Contudo, este género foi bastante negligenciado pelos bioquímicos, situação que se alterou significativamente nos últimos tempos, de tal forma que Anthemis é já um dos géneros mais estudados dentro da família Asteraceae. Estes estudos vieram comprovar a eficácia destas espécies como antisséticas e medicinais, sendo os seus principais componentes flavonoides naturais e óleos essenciais.
As espécies deste género distinguem-se pela morfologia dos frutos e das brácteas que envolvem as flores centrais do capítulo.

As camomilas:
Camomila é o termo popular que engloba, de forma algo confusa e indefinida, algumas espécies da família Asteraceae, cujas características morfológicas e terapêuticas são muito semelhantes. Trata-se de pequenos malmequeres cujas flores são utilizadas para fazer infusões que geralmente designamos por chás de camomila. A ideia de reunir tais plantas num mesmo grupo é muito antiga, pois remonta ao tempo dos gregos, conceito que foi adotado pelos romanos e civilizações que lhes sucederam. Já na Antiguidade Clássica eram atribuídas às camomilas vastas propriedades terapêuticas, nomeadamente adstringentes, antialérgicas, digestivas, fortificantes, laxantes, sedativas, sudoríficas, anti-inflamatórias, cicatrizantes e antibacterianas, apenas para mencionar algumas. A ideia geral é que estas plantas podiam tratar qualquer doença. Ainda hoje as camomilas gozam de excelente reputação e são uma das ervas medicinais mais consumidas.

O termo camomila vem do latim “chamamemelum” que por sua vez se inspirou no grego “chamaimélon”, contração de duas palavras “chamai”= no chão e “melon”=maçã (maçã da terra?). Dizem que o nome se refere ao hábito de baixo crescimento das plantas, assim como ao seu aroma distintivo a maçãs. Apesar de tanto o nome português macela, como o espanhol “manzanilla” (que significam pequena maçã e que correspondem ao termo camomila) parecerem comprovar esta tese, a verdade é que eu não consigo distinguir nenhum vestígio de cheiro a maçã em qualquer das chamadas camomilas. Ou o defeito é meu ou as maçãs já não são o que eram?!

As plantas medicinais em geral, e as camomilas em particular são um negócio que gera confusões e milhões. No caso das camomilas as confusões advêm do número indistinto e flutuante de espécies confundidas com camomilas e que apesar de serem medicinais podem ter apenas alguns pontos de convergência com este grupo. Também não ajuda nada o facto de quase todas espécies envolvidas terem uma longa lista de nomes científicos (sinónimos) devido a sucessivas reclassificações e algumas duplicações. Há ainda o caso dos nomes vulgares ou comuns de muitas espécies que pouco ou nada têm a ver com as camomilas mas dos quais consta o termo camomila, levando ao engano pela semelhança com um epíteto cientifico.

Chamaemelum nobile (nome comum: camomila romana) e Matricaria recutita (nome comum: camomila alemã) são as espécies mais reputadas e há séculos que disputam entre si o reconhecimento de camomila verdadeira. A diferença mais evidente entre elas reside no gosto, sendo que Chamaemelum nobile propicia um chá mais amargo que Matricaria recutita. Apesar disso, elas têm sido confundidas desde sempre e usadas indistintamente.
Apesar da popularidade de que, há séculos gozam estas espécies, existem poucos estudos sobre os seus usos terapêuticos. Finalmente, nas últimas décadas foram levadas a cabo pesquisas cientificas alargadas que confirmaram muitos dos seus usos tradicionais e estabeleceram os mecanismos de ação terapêutica destas plantas, incluindo atividade antiespasmódica, antipirética, antibacteriana, antifúngica e antialérgica. Além do uso medicinal as camomilas desfrutam de ampla utilização como bebida refrescante, não estimulante.
Tradicionalmente ambas as espécies são usadas para fins semelhantes pois partilham qualidades terapêuticas e cosméticas que se equivalem. Também são muito parecidas sob o ponto de vista morfológico, contudo os seus componentes químicos e óleos essenciais são bastante diferentes pelo que é importante frisar que Chamaemelum nobile e Matricaria recutita são plantas distintas. Para além das diferenças genéticas, há que considerar que a qualidade e quantidade de óleo essencial e de outros componentes da planta estão dependentes de uma ampla gama de variantes que têm a ver com os fatores ambientais, práticas de cultivo e colheita, entre outros.

Existem outras espécies de malmequeres que se incluem neste grupo das camomilas e que são tão semelhantes a C.nobile e M.recutita sob o ponto de vista morfológico que com elas facilmente são confundidas. Também elas possuem propriedades terapêuticas semelhantes, embora os compostos químicos possam ser distintos.

A partir de textos botânicos antigos ficamos a saber que em certos países europeus a fé nas propriedades curativas das camomilas chegou a tal ponto que, muitas espécies morfologicamente semelhantes mas funcionalmente duvidosas, foram largamente transacionadas, em regiões onde não existiam as originais, por recolectores e comerciantes pouco escrupulosos. 
Algumas plantas adquiriram fama mas outras não passaram de fraudes, como sempre é passível de acontecer quando a procura excede a oferta.

O número de espécies incluídas nas camomilas foi, entretanto, bastante reduzido, situação que, apesar de tudo, ainda não está bem definida. O que também não está claro é o que estamos a comprar quando vamos à loja e adquirimos o chá de camomila. As embalagens não especificam a espécie limitando-se a mencionar que o conteúdo é camomila, o que é muito vago. Qual é a espécie? Incluirá uma só espécie ou será uma mistura preparada de modo a satisfazer o gosto médio do consumidor? 
O aumento da procura de camomila levou ao seu cultivo há já muitas centenas de anos, atividade que agora está florescente no leste europeu. Porém, nos dias de hoje abrem-se novas perspetivas e possibilidades para o desenvolvimento de novos cultivares havendo a possibilidade de as plantas serem modificadas geneticamente para tornar os chás mais ao gosto da maioria dos consumidores, quiçá perdendo muitas das suas qualidades naturais pois o que é “preciso” é rentabilizar e vender mais.

Ainda há quem se desloque às regiões rurais e aí recolha as espécies para consumo próprio o que nem sempre é fácil tendo em conta diversas condicionantes, a começar por ter a certeza de que se está a colher a espécie certa.
As características morfológicas partilhadas pelas camomilas são os capítulos de “olho amarelo” e “pétalas” brancas, além das folhas finamente recortadas, pormenor este que é característico. À primeira vista, todas parecem iguais mas na realidade as semelhanças entre elas são apenas superficiais. Os detalhes que as identificam podem ser detetados com auxílio de uma lupa, uma vez que é necessário examinar os pormenores do interior das inflorescências, podendo ser preciso desmancha-las. O exame dos diminutos frutos também é muito importante.
De entre as várias espécies de camomilas que se distribuem por quase toda a Europa, África do norte e Ásia temperada, destaco 4 que crescem de forma espontânea em algumas regiões do território português:
Anthemis cotula (já acima descrita), Anthemis arvensis, Chamaemelum nobile e Matricaria recutita.

Anthemis arvensis L.
Alguns sinónimos:
Anthemis arvensis L.
Anthemis arvensis L. subsp. arvensis
Anthemis arvensis L. var. genuina Gren. et Godr.
Anthemis arvensis. Foto de U.Schmidt/Wikipedia
Anthemis arvensis. Fonte da foto.
Recetáculo parcialmente desfolhado de modo a mostrar as flores tubulosas e as brácteas interflorais que as envolvem
Esta espécie assemelha-se à sua congénere A.cotula, distinguindo-se dela pelo odor que não é tão forte nem é desagradável. Ao contrário de A.cotula, em que as flores periféricas liguladas são estéreis, em A.arvensis estas são femininas e férteis. Em A.cotula apenas as flores centrais do recetáculo têm brácteas interflorais as quais são lineares e do mesmo tamanho das flores, ao passo que todas as flores de A. arvensis as possuem, sendo mais pequenas que as flores e de forma lanceolada. Os frutos destas duas espécies também são diferentes, tuberculados na A.cotula e com estruturas longitudinais salientes e pronunciadas em A.arvensis.

Chamaemelum nobile (L.) All.
Alguns sinónimos:
Anthemis nobilis L.
Ormenis nobilis J.Gay.
Ormenis nobilis (L.) J.Gay.
Ormenis nobilis (L.) J.Gay. ex. Coss.et Germ.
Ormenis nobilis J.Gay. var. discodeia Boiss.in Willk.et Lange
Ormenis nobilis (L.) J.Gay. var.discodeia (Boiss.) Willk.
Chamaemelum nobile. Foto Wikipedia
Chamaemelum nobile, a chamada camomila romana, é uma espécie perene e com caules decumbentes que determinam o seu crescimento baixo e rastejante. É muitas vezes usada em jardins como substituto da relva, graças ao seu hábito de formar tapetes compactos e resistentes, alastrando através das raízes. Para tal, devem as plantas ser podadas drasticamente a uma altura de 5 cm após a floração, para manter o baixo crescimento. É apropriada para solos moderadamente ácidos, em climas secos e quentes. Adoram a exposição solar. Têm efeito benéfico sobre as plantas vizinhas, protegendo-as de pragas e doenças. A folhagem e as flores são agradavelmente fragrantes mas de gosto amargo. As folhas e as flores são idênticas às espécies já acima mencionadas. O recetáculo é hemisférico ou cónico, com interior sólido e com brácteas interflorais. As flores do disco são hermafroditas e as periféricas liguladas são femininas ou estéreis. Os frutos são levemente comprimidos e estriados na face interna.

Matricaria recutita L.

Alguns sinónimos:
Chamomilla recutita (L.) Rauschert;
Matricaria chamomilla L.;
Chamomilla recutita (L.) Rauschert;
Matricaria chamomilla L; 
Chamomilla vulgaris Gray;
Chrysanthemum chamomilla (L.) Bernh.;
Matricaria courrantiana DC.;
Matricaria kochiana Sch. Bip.;
Matricaria recutita L.;
Matricaria recutita var. kochiana (Sch. Bip.) Greuter
Matricaria recutita - Foto de Karelj Wikipedia
Matricaria recutita. Foto de Fornax Wikipedia
Aqui pode ver-se que o recetáculo é oco e que não existem brácteas interflorais.
Matricaria recutita, a popularmente chamada camomila alemã, pode chegar a atingir 1 m de altura. É mais ereta que a camomila romana. Os segmentos das folhas são menos achatados e espessos e as suas inflorescências não são solitárias e terminais, antes surgem em cachos (corimbos). 
De notar que, ao contrário das restantes espécies acima mencionadas, as flores de Matricaria recutita não têm brácteas interflorais e que o recetáculo das inflorescências é oco.

Notas: 
1) As camomilas podem ter algumas contraindicações. Por exemplo, podem ser problemáticas para quem apresente sintomas de alergias às AsteraceaeComo sempre, alertamos para o facto de que o uso intensivo de plantas medicinais, sob qualquer forma, deve ser acompanhado por especialistas na matéria.

2) Parece não ser aconselhável dar chá de camomila, assim como outros chás medicinais e mel, a crianças de idade inferior a 2 anos. Confira AQUI a noticia. 

Para terminar, veja AQUI algumas ideias sobre a utilização cosmética e alimentar das camomilas.

Fotos de Anthemis cotula: Serra do Calvo/Lourinhã