"O grande responsável pela situação de desequilíbrio ambiental que se vive no planeta é o Homem. É o único animal existente à face da Terra capaz de destruir o que a natureza levou milhões de anos a construir"





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cichorium intybus L.

Chicória-comum
A Cichorium intybus é uma planta silvestre, perene, que floresce de junho a setembro. É muito comum nas bermas das estradas e nos campos, sobretudo em solos calcários de preferência, crescendo debaixo de uma pedra ou outro obstáculo que forneça calor e abrigo, à raiz.
É uma espécie nativa da Europa tendo sido levada para a América do Norte e Austrália, onde se naturalizou.

Esta planta pertence ao género botânico Cichorium que se inclui na família das Asteracerae/Compositae, a maior família de plantas de flor. As espécies desta família vivem nos mais diversos habitats, desde as regiões tropicais e subtropicais até ás temperadas e incluem muitas espécies de valor biológico e comercial. A característica fundamental comum às plantas desta família são as inflorescências do tipo capítulo, as quais se assemelham em forma e função a uma só flor mas que, no entanto, são constituídas por um agregado de inúmeras pequenas flores.

A Cichorium intybus é facilmente reconhecível pelas suas pequenas mas belas flores, de um azul intenso e também pelos seus caules angulosos. Esta planta forma um arbusto muito ramoso, de caules eretos, rijos mas flexíveis, os quais apresentam sulcos e alguns pelos, podendo atingir de 30 a 90 cm de altura.
Os caules podem apresentar colorações variadas, indo do verde ao castanho avermelhado e são praticamente despidos de folhas.
As folhas encontram-se maioritariamente ao nível do solo, formando uma roseta basal e são profundamente denteadas.

 
As folhas caulinares são esparsas, pequenas, menos recortadas, frequentemente providas de pequenos pelos e com a base envolvendo o caule.
 
Ao longo do caule, nas axilas das folhas, nascem as flores de cor azul intenso. Ao contrário do que aparenta, cada linda flor de Chicorium intybus é um conjunto de flores, ou seja, uma inflorescência. As flores de cada inflorescência estão agrupadas em capítulos que é a forma característica das espécies da família Asteraceae.
Estes capítulos são constituídos por varias pequenas flores que se arrumam, de forma muito apertadinha, sobre um recetáculo comum geralmente em forma de disco . No caso da Chicorium intybus todas as flores estão providas de uma lígula (semelhante a uma pétala), denteada na extremidade, com 5 dentes. Por cada lígula existe um estame de cor azul, terminando numa antera também azul. 
O conjunto das flores e do disco está protegido por duas filas de pequenas brácteas de forma triangular. As brácteas interiores são maiores e aderentes, as exteriores curvam para fora. 
Os capítulos têm a particularidade de fechar antes do por do sol assim como tantas flores do mesmo género, reabrindo na manhã seguinte.
O néctar e o pólen das flores atraiem vários tipos de insetos especialmente vespas, moscas, abelhas, besouros e ocasionalmente algumas borboletas.
A Cichorium intybus produz frutos secos com uma só semente os quais são sulcados, sem tufo de pelos, mas com escamas denteadas no topo. A dispersão é feita pelo vento ou pelos animais que passam perto.
É importante falar da raiz da Cichorium intybus que é um tubérculo de cor castanha e de formato cónico e alongado, volumoso e robusto.
A Cichorium intybus deu origem a algumas espécies cultivadas, todas vulgarmente chamadas chicórias e com o mesmo nome científico, o que traz alguma confusão.
As espécies de Cichorium são cultivadas pelas suas folhas de sabor ligeiramente amargo e áspero mas muito nutritivas e de baixas calorias. Estas folhas podem ser consumidas em saladas ou cozinhadas devendo ser consumidas enquanto as plantas são jovens. Assim que as plantas entram em floração já não são comestíveis.
As variedades cultivadas pelas suas folhas são:



O almeirão ou chicória-amarga, Cichorium intybus var. intybus, com aspeto semelhante ao da alface mas com as folhas mais rijas e de sabor mais acentuado;

a endívia, que todos conhecemos pelos seus tons verde pálido e branco e que toma estas cores após ter sido colocada ao abrigo da luz durante algum tempo antes da colheita, para clarear e perder o sabor amargo;


e o radicchio, de tons verdes ou vermelhos e que é muito consumido em Itália.
Tanto a endívia de folha lisa como o radicchio dão pelo nome de Cichorium intybus var. foliosum.
Existe ainda uma variedade cultivada pelos seus tubérculos, a Cichorium intybus var. sativum, que é utilizada na produção de substitutos do café, depois da raiz ter sido moída e torrada.
À raiz desta planta têm sido atribuídas propriedades terapêuticas, especialmente no que diz respeito ao funcionamento do fígado e vesícula biliar. Aparentemente as folhas têm propriedades diuréticas, sendo utilizadas no tratamento do reumatismo, artrite e gota.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).
Fotos - Areia Branca e Caniçal/Lourinhã

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Daucus crinitus Desf.

Cenoura-brava-de-crina ou Cenoura-de-folha-miúda
A Daucus crinitus, é mais uma elegante e vistosa espécie do género Daucus e da família botânica Apiaceae, também chamada Umbelliferae, composta por cerca de 3000 espécies, maioritariamente plantas aromáticas, como por exemplo a salsa, o funcho e os coentros.

Foto de um exemplar de Conium maculatum- Wikipedia
Mas nem todas as plantas desta família são comestíveis, havendo algumas espécies muito venenosas como por exemplo a Conium maculatum, do género Conium, da qual é extraído o veneno conhecido por cicuta, que provoca a morte por paralisia muscular e respiratória. Este veneno é especialmente conhecido por estar associado ao grande filósofo grego Sócrates, que foi condenado à morte por ingestão de chá de cicuta, no ano 469 a.C.. Cicuta é também o nome de um género de plantas desta mesma família que compreende quatro espécies muito venenosas, nativas das regiões temperadas do Hemisfério Norte, algumas delas existentes em Portugal.
Tanto os frutos como as folhas e as brácteas são fundamentais para a identificação das plantas das Apiaceae/Umbelliferae. No entanto, a característica comum mais evidente é a inflorescência, composta por centenas de pequenas flores agrupadas em umbelas simples ou compostas.
Esquema básico de uma umbela simples
Nas umbelas simples, os eixos secundários têm todos a mesma altura e saem do mesmo ponto do pedúnculo.
Esquema básico de uma umbela composta
As umbelas compostas são formadas por umbelas de umbelas de menores dimensões.
Podem existir brácteas na base da umbela principal e bractéolas (brácteas mais pequenas) na base das umbelas secundárias. Em cada flor existem cinco pétalas separadas. As flores possuem nectários, os quais atraiem os insetos para as umbelas.
Especificamente, a Daucus crinitus é uma planta perene de caule ereto, tubular e estriado que pode atingir os 60 cm de altura. É ramificado na metade superior e algo retorcido, sendo ligeiramente áspero ao tato devido à presença de pelos muito curtos e rígidos.
Podemos encontrá-la em grupos ou solitária. Distingue-se perfeitamente da Daucus carota (post do dia 22 de junho) pois embora semelhantes ao primeiro olhar, tanto as inflorescências como as folhas apresentam características diferentes.
As folhas basais da Daucus crinitus são peludas e bastante numerosas. As caulinares são esparsas, sem pelos e têm forma linear a lanceolada, com segmentos muito divididos.
As flores são brancas e estão reunidas em umbelas compostas, de forma convexa ou plana, muito densas, em que os pedúnculos são longos e desiguais, com 10 a 30 raios. As brácteas, em número variável podendo ir de 6 a 10, são lineares e muito vistosas embora mais curtas que os raios . As umbelas secundárias têm 6 a 8 bracteolas. Os dentes do cálice são pouco desenvolvidos.
A planta floresce de maio a julho e distribui-se pela Península Ibérica e alguns países do norte de África, vivendo em qualquer tipo de solo, seja cultivado ou inculto, demonstrando grande resistência aos períodos de seca.

Distribuição em Portugal




Os frutos têm forma elíptica ou ovoide com bordos espinhosos frequentemente de cor violácea.
Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/
(exceto quando especificado).

Fotos - Areia Branca e Caniçal/Lourinhã

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Daucus carota L.

Cenoura-brava
Durante os meses de verão esta elegante planta pode ser vista alegrando a paisagem ao longo dos caminhos e em campos não cultivados, não só nas terras do interior mas também perto do mar.
A Daucus carota teve origem na Eurásia e é antepassado da cenoura cultivada, a Daucus carota ssp.sativa, hoje em dia um dos legumes mais populares e consumida no mundo inteiro. Contudo, ao contrário da espécie cultivada, a raiz da cenoura-brava é acastanhada e não é comestível.

A sua raiz é aprumada, fina e exala um odor pouco agradável.
A Daucus carota vulgarmente conhecida como Cenoura-brava, é uma planta herbácea pertencente às Apiaceae, família botânica também chamada Umbelliferae, composta por cerca de 3000 espécies, maioritariamente plantas aromáticas como por exemplo a salsa, o funcho e os coentros.
A Daucus carota é uma planta de envergadura média mas vigorosa podendo atingir de 30 cm a 100cm de altura, crescendo solitária ou em grupos.
 
No nosso país pode encontrar-se na maior parte do território.
A Daucus carota sofre uma serie de mudanças estruturais muito interessantes enquanto cresce, amadurece e forma sementes. Enquanto jovem a planta apresenta caules tubulares e ocos, estriados e cobertos de pelos rijos, eretos ou desenvolvendo-se sobre o solo apenas com a extremidade ascendente, ramificados desde a base ou apenas na sua metade superior.

As folhas, profundamente recortadas, são delgadas e moles, sendo as inferiores de maior tamanho e ligadas ao caule por um pecíolo enquanto que as superiores estão inseridas diretamente no caule. Quando esmagadas as folhas exalam um caraterístico aroma a cenouras frescas.


Esquema de uma umbela simples ou umbélula
As flores, muito pequenas, estão reunidas em pequenas umbelas ou umbélulas, em cuja base se encontram pequenas brácteas ou bractéolas, estreitas e inteiras.


Estas pequenas umbélulas que são numerosas juntam-se numa umbela maior de cerca de 8 cm de largura apresentando uma estrutura semelhante a um chapéu de chuva aberto.

Esquema de uma umbela composta
Esta umbela tem muitos pedúnculos secundários podendo ter até 130 raios nem sempre iguais e que ficam arqueados durante a frutificação. Esta umbela pode ter uma superfície relativamente plana ou ser ligeiramente abaulada no centro. As brácteas que formam o invólucro principal e de cuja axila saem os raios ou ramificações são finamente divididas e muito elegantes, contribuindo largamente para o efeito arquitetural da inflorescência.
As umbelas laterais são geralmente menores, com menor número de raios.
As flores individuais, inicialmente de cor rosada, tornam-se brancas à medida que vão abrindo, com exceção de uma flor central que é de cor púrpura e se destaca perfeitamente entre as outras.
Esta flor central, de cor púrpura, é uma importante característica que ajuda a reconhecer a planta Daucus carota pois está quase sempre presente em todas as plantas desta espécie.
A corola é composta por 5 pétalas muito discretas que apresentam simetria radial excepto as mais externas que desenvolveram lóbulos laterais de maior tamanho, com o fim de se tornarem mais apelativas para os insetos polinizadores. O cálice é formado por 5 sépalas com dentes muito curtos e de formato triangular. O androceu tem 5 estames.

As flores da Daucus carota possuem nectarios pelo que são uma refeição muito apetitosa para muitos insetos, podendo ver-se sempre dezenas deles ocupados a extrair o néctar.

Depois da polinização as umbelas em frutificação e os pedúnculos curvam-se para o interior tomando a forma e o aspeto de um ninho de ave, o qual parece ser muito do agrado dos insetos que o escolhem para aí repousar.
Os frutos são de forma elíptica ou ovoides, de bordos com espinhos em forma de gancho que se prendem a plumagem das aves ou ao pelo dos animais. Numa primeira fase os frutos tomam a cor verde pálido depois gradualmente vão ficando mais escuros. No final do verão a inflorescência começa a secar e os frutos separam-se da planta-mãe.

Texto e fotos de:
Fernanda Delgado do Nascimento  http://floresdoareal.blogspot.pt/

(exceto quando especificado).
 Fotos-Caniçal/Lourinhã